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Olá, bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". Meu nome é Rita da Nova, estou aqui acompanhada do meu marido Guilherme Fonseca, que está a rir, não sei por quê.
Sabes por quê? Estás claramente com voz de quem acordou às 7h para fazer análises.
Fogo, acordei mesmo.
Estás mesmo com voz de: "Eu ainda tenho um bocadinho de energia".
Eu ainda tenho sono, na verdade. E queria começar este episódio por recuperar a curiosidade de há dois episódios.
Ok.
Em que eu disse que os tubarões apareceram primeiro que as árvores.
Sim, senhora.
Por muitos milhões de anos. Mas tu sabias, Guilherme
Olha, mais idades
...que os tubarões apareceram 450 milhões de anos antes dos anéis de Saturno?
Espera, não é possível.
É possível.
Há tubarões há mais tempo do que há anéis em Saturno?
É verdade.
Isso é muito giro.
É giro, não é?
Porque se calhar demoraram muito tempo a pedir Saturno em casamento. Nunca mais lhe punham o anel.
I feel like you don't, you should've put a ring on it. Oh, oh, oh.
Eu não fazia ideia. Essa timeline vem de onde? Como é que isso funciona?
É o Neil deGrasse Tyson que tem essa timeline. Ele é que sabe quando é que as coisas foram todas.
Ok. E por que os anéis de Saturno apareceram mais tarde em Saturno? O que aconteceu em Saturno para aparecerem os anéis?
Não sei.
Estou a fazer perguntas muito complicadas.
Tenho que pesquisar.
Pronto, é só porque eu achei que Saturno já vinha com anéis. Percebes o meu ponto de vista?
Percebo o teu ponto de vista e isto fez-me pensar numa coisa, que é: se calhar isto é mesmo de quem acordou às 7h para fazer análises a um sábado.
Ok.
Já viste que nós nunca pensamos na evolução dos outros planetas, só pensamos na do nosso?
Sem dúvida nenhuma.
Achamos que os outros planetas foram criados como estão.
E que está tudo mortiço.
E está tudo lá mortiço.
Já não tem atmosfera, não tem bicho, não tem nada, é só pedra e gases.
Não tem ar, não tem nada.
Exatamente.
E se calhar, naqueles planetas já houve vida.
Sem dúvida nenhuma, há essa teoria sobre Marte, porque se encontrou água.
Pois. E o que será que aconteceu em Marte?
Há livros excelentes sobre isso. Já foi para lá o Matt Damon comer batatas.
É verdade. E nós gostamos muito desse filme.
Gostei, sim, senhora, mas não é o melhor filme de adaptação desse autor, do Andy Weir.
Não.
Porque há o "Project Hail Mary".
É verdade. Como é que estás?
Estou bem disposto, sim, senhora.
É de quem esteve a dormir, não é?
Pois claro, eu estive a dormir até muito tarde, porque eu não estive a fazer análises. Há duas coisas que é preciso dizer aqui. As pessoas estão a ouvir este episódio na segunda-feira da semana em que eu vou fazer o meu espetáculo em Lisboa, no Tivoli, e dois Altice Arenas abrindo para Ricardo Araújo Pereira. Portanto, esta semana eu vou estar muito em palco à frente de muita gente. Eu tenho que aparar bem a barba, cortei o cabelo, tenho que ter cuidado com a minha linha para não estar assim mais gordo. Tenho que estar apresentável, porque esta semana muita gente vai olhar para mim. E sinto-me bem. Estou muito entusiasmado por fazer o meu espetáculo em Lisboa e fechar esta primeira volta da tour. A princípio, se as pessoas estiverem a ouvir isto já mais para o final da tour, já saiu uma espécie de um documentário que eu fiz da primeira volta.
Estou muito curiosa.
E já anunciei as datas da segunda volta, incluindo a data de Lisboa, onde eu vou gravar o espetáculo. Portanto, eu gostava muito que as pessoas fossem à Ticketline, vissem a data de outubro em Lisboa e comprassem, porque eu preciso de risos altos.
Precisas daquelas pessoas que riem também por tudo e por nada.
Exatamente. Normalmente, as pessoas, quando vêm ter comigo no fim do espetáculo, a frase que eu ouço mais, de pessoas relacionadas com o seu riso, não é no geral, é: "Eu não sou muito de rir e eu gostei do teu espetáculo." As pessoas anunciam muito quando não são de rir. Já reparaste? Há imensa gente que diz assim: "Eu não sou de gargalhada fácil, eu não sou muito de rir. Normalmente, para rir, eu..."
É preciso muito.
"Mas eu até gostei do teu espetáculo."
Eu às vezes sinto que sou essa pessoa.
Pronto, não é mau.
Não sei se no outro dia fomos a um podcast por causa do Mockfest.
Já vou falar a seguir, era o segundo alinhamento.
E a certa altura disse que também não sou de rir em stand-up.
Tu não és de rir.
E a Joana Miranda perguntou o que é que me fazia rir. Eu disse: "Pessoas a cair."
Sem dúvida nenhuma.
Pessoas a cair, crianças a esbardalharem-se todas.
Sim, crianças a magoarem-se. Há um lado meu que é meio israelita. Porque são crianças a magoarem-se.
Acho que é ótimo dizeres isso. Sim, há um lado meu que é meio isr-- vou isolar. Aliás, vou pôr na citação deste episódio, quando tu comeres mais gentoa com ar muito feliz, com ar muito orgulhoso, e vou pôr a bandeira de Israel atrás.
Talvez seja melhor esta frase ficar, é a piada, que eu acho que é uma boa piada, ficar no meio do episódio e caiu bem.
Não, eu vou destacar nos materiais de divulgação deste episódio.
Eu acho que é uma excelente ideia tu tentares irritar Israel neste momento.
Não estou, se eu puser só escrito.
Porque eu estou a gozar, estou a fazer uma piada.
Sim, mas escrito não percebes. Tirar de contexto, só entre aspas, há um lado meu que é um bocado israelita. E depois uma foto tua muito feliz.
Eu sou contra isso, mas tudo bem.
Eu sou muito a favor.
Tudo bem.
E depois vou pôr embaixo naquele comentáriozinho que agora dá para pôr nos stories, a dizer: "Free Palestine". Juro que vou.
Rita, tu fazes o que tu quiseres dos meus retos.
Juro que vou. Não é nas minhas, tu também vais ter de postar.
O que eu ia dizer que é mais importante do que tudo isso.
Aceitas?
Perdi-me completamente no que eu ia dizer com esta tua brincadeirinha.
Desculpa, eu perguntei se estavas bem, tu disseste que ias fazer o teu espetáculo com o Ricardo, as pessoas riem em data de Lisboa, rios fazem, as pessoas anunciam.
Exatamente. Vou fazer em Lisboa, no Teatro Trindade, ali ao pé do Bairro Alto, vou fazer a gravação deste solo que eu estou a fazer agora. E portanto, eu gostava que vocês dissessem aos vossos amigos que têm boas gargalhadas, que riem muito de tudo e alto e que têm um gosto pela vida. Joie de vivre. Digam aos vossos amigos com joie de vivre. E pronto, eu acho que é isto. Isto em relação aos espetáculos desta semana. Segunda coisa, eu e a Rita chegámos a um ponto da nossa carreira em que eu não sei muito bem como é que isto aconteceu, mas normalmente só acontece a celebridades decrépitas. Normalmente é o que acontece.
E que é também...
Vamos fazer a timeline de uma celebridade. Sucesso, seja futebol-
Grind.
Grind e não sei o quê. Às vezes são modelos e estão ali a ser bonitos, outros têm que concorrer a um reality show para ficar conhecidos.
Outros têm que vazar uma sex tape.
Vazar sex tape, não sei. Cada celebridade faz o seu grind, que no caso de algumas é mesmo roça roça.
Exato.
Depois, ficam celebridades. São conhecidas, estão ali na passadeira vermelha, são falados pela Cristina Ferreira e pelo Cláudio Ramos nas manhãs dos programas. São celebridades no sentido de toda a gente sabe quem são.
São chamadas para presenças.
O que acontece a seguir? As pessoas cansam-se delas e começam a entrar na fase estrela decadente, em que o seu sucesso, a sua imagem.
O seu brilho.
O seu brilho começa a decair. Primeira coisa que acontece nessa fase descendente: viram muitas vezes comentadores de outras celebridades ou concorrem a reality shows de celebridades. Esse é o primeiro ponto.
Não vamos fazer isso.
Em princípio não é isso. Nós saltamos esta etapa, porque nós vamos para a etapa seguinte, que vem antes da pior, que é consultores de imobiliário. Essa é quando a celebridade chega a "estou a vender casas".
Já foste.
Aí é o fim da linha. Essa é mesmo antes de bater no chão. Antes da estrela bater no chão.
Mas todas as celebridades vão lá parar.
Estou só a dizer, este é o percurso normal da estrela decadente. Entre comentar outras celebridades e casas dos segredos de famosos e imobiliário, há uma fase.
Remax.
O quê?
Remax.
Remax. Há uma fase de celebridades decrépitas em que eu e a Rita, pelos vistos, nos incluímos. Que é o quê? DJ. Eu e a Rita vamos pôr música. Eu nunca imaginei que ia dizer esta frase, mas isto é 100% verdade.
É verdade.
Eu e a Rita vamos pôr música no MOCK Fest, em Lisboa, no dia 30 de agosto. O MOCK Fest é 28, 29 e dia 30, e nós vamos os dois pôr música no dia 30 de agosto.
Se nós sabemos mexer numa mesa de mistura.
Não faço qualquer espécie de ideia.
Não. Pronto.
Temos até ao dia 30 de agosto.
Para aprender.
Para chatear o nosso padrinho de casamento, Pedro Silva, Pedro Rodrigo Silva, que é DJ do Rotterdão, incluindo outros sítios. E ele tem que nos ensinar a mexer numa mesa de mistura, porque para mim era levar este computador com Spotify e nós íamos selecionando a musiquita.
E depois, se não pagássemos o Spotify Premium, apareciam os anúncios.
Ya.
E era assim. Sim, nós estamos um bocado na nossa fase Bruno Carvalho.
Exatamente. Eu não quis dizer nomes, quis só falar de celebridades decrépitas.
Tu estavas a descrever e eu estava tipo: "Ya, Bruno Carvalho". Somos nós.
Mas o que vai acontecer no dia 30 de agosto? Se estiverem em Lisboa no dia 30 de agosto. Em princípio não, porque já é fim de férias. Eu acho que é um domingo, portanto devem estar a voltar.
Voltem por ali.
Da segunda quinzena, ali em Cabanas de Tarouda, ou estão já em Lisboa.
Nós depois anunciamos tudo exatamente, as horas, o local, etc.
Ainda não temos horas. Local é no MOCK Fest, que em princípio é à frente do São Jorge.
Certo, na Avenida Liberdade.
Avenida Liberdade, à frente do São Jorge. Mas nós anunciamos hora e o local exato. Gostávamos muito de vos ter lá. Por quê? Porque eu acho que vai ser uma boa miscelânea de músicas que eu gosto e que a Rita gosta. Acho que vai haver um "check it off" e vai haver um buraco.
Vou te dizer assim: vai ser como quando eu peço pipocas.
Exatamente.
85% músicas minhas, 15% músicas tuas.
É o mais provável. Tens toda a razão, concordo, gosto e acho isso excelente.
Muito.
Pronto, tínhamos essas duas coisas para anunciar.
Temos sim. Anúncios.
Os meus espetáculos.
Já que abrimos a porta do anúncio.
Tu vais estar. Era o que eu ia dizer a seguir. Tu estás a seguir o meu alinhamento. Tu este mês vais te mudar para o Parque Eduardo VII.
Já estive este fim de semana.
Exatamente.
Dia 30, no sábado. E vou estar no dia 4 de junho.
Esse é qual? 4 de junho.
4 de junho.
É quinta-feira.
É quinta-feira, feriado.
Exatamente.
Vou estar às 15h a assinar livros na Feira do Livro de Lisboa, no espaço da Presença, que é a minha editora, e às 19h30.
Tu vais marcar presença na Presença.
Presença na Presença. E às 19h30 vou descer para o espaço da Porto Editora, porque vou gravar um livro ao vivo com a escritora Maria Isaac.
Olha que bem.
Por isso, gostaria muito que as pessoas estivessem lá a assistir a um livro ao vivo, que vai ser também uma forma de testar se uma nova rubrica que eu quero trazer para a próxima temporada funciona ou não.
Muito bem, vais testar merdinhas, não é?
Sim, é isso. No fundo, o resumo é: vou testar merdinhas. Mas venham assistir, porque eu gosto sempre muito de gravar livro ao vivo, é sempre interessante. E na Feira do Livro tem outro encanto.
Isso é muito engraçado, porque nós estamos aqui a falar da nossa vida, o verão tem muita movida, e entre os meus espetáculos, as tuas apresentações do teu livro e nós os dois nos juntarmos para pôr música, DJ set. Vou te dizer uma coisa, se isto não é um bom verão, eu não sei o que há de ser.
É verdade.
Eu não sei o que há de ser.
Sabes o que não é bom?
Meu Deus.
Foi o que aconteceu esta semana.
Ok. Malta, chegamos aos 11. Onze minutos de episódio é o momento sério.
Esta semana, eu e meu marido, Guilherme Fonseca, fomos ver o Vítor Sá.
Exatamente.
Stand-up do Vítor Sá.
Espera aí, eu não sei para onde tu vais com isso. Já sei. Pronto, vamos embora.
Stand-up do Vítor Sá. Fomos ver, gostámos muito.
Gostamos muito de ver o Vítor Sá, gostamos muito de ver o dele.
Rimo-nos muito, divertimo-nos muito. E o Vítor ofereceu-nos bilhetes. Eu tenho que dizer isto, já trocou convites contigo para os teus espetáculos.
Sim, é normal entre comediantes. O Vítor Sá vai ver o meu solo e eu dou-lhe convites, e eu vou ver o dele e ele dá-me convites.
Mas isto para dizer o quê? Que quando fomos levantar os convites à bilheteira, vinha um papelinho a dizer: "Se depois quiserem ir ter com o Vítor Sá, esperem não sei no sítio, não sei o quê."
Para irem para os camarins, que tinham um bom catering.
Excelente catering.
E umas cervejinhas.
É assim, Guilherme, digo já. Essa é a primeira, digo já. Se euNão é?
Olha a Cristina Ferreira.
Olha o rebolacho. Se eu chego no dia 2 de junho ao Tivoli, depois do teu espetáculo. Que giro, que divertido. O opener.
Se há cá vários? Não sei se há vários.
O Guilherme, que divertido, divertiu-se mesmo, fez bem o texto, o texto está bem redondinho, que fixe. Se eu desço ao camarim, àquela salinha do Tivoli onde se recebe as pessoas depois de um espetáculo.
Onde está lá assim.
E não está um catering igual ao do Vitor Sá, o qual eu não comi sequer, mas gostei de ver. Se não está, este casamento acaba.
Eu vou te dizer uma coisa: uma coisa é, como humorista, avaliar os espetáculos dos meus amigos, outra é avaliar o catering dos meus amigos.
E está ali o catering.
Eu vou te dizer uma coisa, eu fui aos bastidores de Joana Marques. Joana Marques tinha morangos sem a parte verdinha já. Alguém lavou os morangos e cortou a parte verde dos morangos. Sabes que normalmente a gente está aqui o morango, vou agarrar pelo verde, morder e fica o verdinho na mão e ponho no guardanapo e atiro no lixo. Não, já não tinha a parte verde.
Estás a ver, Guilherme?
E tinha um bolo com a cara dela.
Estás a ver, Guilherme? É assim: como é que tu medes o sucesso do teu marido? Ficas orgulhosa, ficas feliz com o teu marido. Acho que nada vai fazer os meus olhos brilharem tanto quanto ver um catering daqueles no Tivoli.
Tu sabes a quem é que tens de pedir isso. Eu tenho um agente e um sócio do meu agente.
Não sou eu que tenho de pedir nada. Tu é que tens de pedir.
Vasco Assis Teixeira e Nuno Pires, da Setlist, têm a obrigação de pôr um bom catering em Lisboa.
Eu não vou pedir nada a ninguém, mas vou cobrar o que não me for dado.
Sim, senhora.
Pronto.
É o costume.
Mas não era isto.
Desculpa, estávamos só a falar de caterings.
Bom catering, não comi.
Sim, mas e a dificuldade que foi arranjar uma garrafinha de água no Vitor Sá? Bebe-se muito álcool ali.
Não interessa.
Havia vinhos cabris, havia cerveja, havia não sei o quê. E uma aguinha.
Eu estou muito motivada para, na terça-feira, depois do teu espetáculo, ficar ali à conversa com pessoas. Ora, o que é que acontece? Descemos todos, vários grupos diferentes de pessoas, na sua maioria comediantes. E tu fazes uma coisa que fazes muitas vezes, que é dizeres: "Vou fazer xixi".
Pois claro, tenho muito xixi.
Tu e não sei quantas pessoas foram encaminhados para a casa de banho e foram fazer xixi.
Exatamente.
Ora, eu fiquei em pé, no meio daquela sala, na qual eu conhecia uma ou outra pessoa, mas não o suficiente para fazer conversa. À tua espera.
Sabes o que é engraçado? Porque a Rita não tem as mesmas referências, porque tu não costumas ver coisas da Freakshow, nem o POV do Bolinha, por exemplo, no canal da Freakshow. Mas a Freakshow, a produtora do Bolinha, onde eu comecei, não vou mentir, foi onde eu comecei com o Roda a Bota Fora.
Tu és assim, tu sabes o lugar das estacas, se alguma vez tiveres de voltar para a Freakshow.
Não, e o meu menino Bolinha, eu lembro-me dele no início, quando eu o conhecia. Mas pronto. A Freakshow agora é uma equipa para aí com 14 pessoas, que vêm todos atrás de António Azevedo Coutinho, que no caso era quem estava ali, e que foram todos ver o Vitor Sá, porque o Vitor Sá faz o Cubinha. Não é a mesma produtora, mas eles são amigos. E então tu estavas no meio de toda a gente da Freakshow. A malta que vê, estava lá o Nelo, estava lá o Vasco das câmaras, e estavas tu assim num cantinho.
E eu sozinha. Eu fiz amizade com uma senhora da Kilt, da produção.
E bem.
De 66 anos.
Muito bem.
Que me diz que já não viaja. Que gostava muito de viajar, mas agora já não viaja. Mas foi muitas vezes ao México.
E a Kilt tem uma produtora de 66 anos?
Não sei, eu acho que ela trabalha lá, não é na Kilt, mas não percebi bem. Acho que ajuda ou trabalha lá, faz qualquer coisa lá. Pelo menos foi o que eu deduzi.
Seria a senhora do catering.
Não.
E nós tiramos do contato.
Não sei. Só sei que tive que te mandar uma mensagem a dizer: "Não, obrigada, deixa-me aqui sozinha mais vezes".
Eu tenho uma justificação para te dar e uma história para acrescentar. Vou começar pela justificação. A justificação que eu tenho para te dar é: quando nós descemos todos para os camarins, porque foi quando o produtor, que as pessoas devem reconhecer de prata da casa, o senhor Melo, nos levou todos lá para baixo. Por acaso foi o Baptista, foi o Velha. Pronto, as pessoas também vão reconhecer, porque as pessoas acompanham conteúdos. Nos levou lá para baixo, para os bastidores. Seis pessoas precisavam de ir à casa de banho, porque estavam a aguentar o seu xixi naquela sala. Eu, Mário Falcão e quatro senhoras. E quando vamos todos para a casa de banho dos bastidores, só há uma casa de banho, ou seja, há uma sanita. E então eu e o Mário Falcão, que somos pessoas decentes, ele apesar de ser da margem sul, é uma pessoa decente, fomos para lá e nós dissemos: "Não, as minhas senhoras vão primeiro". As senhoras demoram horas a fazer xixi, porque devem ter coisas para desapertar e para voltar a apertar. E então eu e o Mário Falcão estivemos horas a conversar. E eu recebo a tua mensagem e ainda nem sequer é a minha vez.
Pois, calculei.
Porque eu deixei o Mário Falcão ir primeiro, que ele estava mais aflito do que eu, e eu fui o último de seis.
Eu pensei: "Agora moro aqui. Agora vou ter de aprender quem são estas pessoas".
Eu fui o último de seis.
Eu senti logo. Eu senti: "Estou num reality show, numa 'Casa dos Segredos', vou ter de perceber quem são os meus aliados".
Ya.
Estou mesmo, quem é que me vai fazer chegar à vitória final?
Quem é que está comigo, quem é que está contra mim.
Quem é aquela família. Já estou mesmo tipo: quem é que são as minhas referências?
Percebo perfeitamente. Tenho uma história para te contar.
Senti-me muito abandonada.
Percebo perfeitamente. Vou te contar esta história. Não é a primeira vez que eu faço uma coisa deste gênero. Aconteceu com o nosso padrinho, que já falámos aqui dele, Pedro Rodrigues Silva. Pedro Silva é jogador profissional de pôquer e estava em Las Vegas.
Eu gosto muito dessa história.
Pronto. Eu vou só contar uma parte específica desta história que tem a ver com isto. Estava em Las Vegas a jogar pôquer, porque é um jogador de pôquer. Era, na altura, jogador de pôquer profissional e foi para Las Vegas um mês. O meu papá tinha falecido há muito pouco tempo.
O meu papá?
O meu papá.
Ok.
E o que é que acontece?
Nunca te tinha ouvido dizer a palavra papá.
Só porque tem graça. E porque é uma referência de uma coisa que vimos esta semana.
E foi nojento, sair da tua boca.
Eu percebo. Mas tu percebes onde é que vem.
Pior ainda, se só disseste meu paizinho.
Um grande beijinho para o Teatro à Espada e para o "Lamento Cirene" a parte três que nós fomos ver. Falou-se muito de uma personagem que é o Papá. Pronto, Teatro à Espada, um grande beijinho para vocês. Para o João Africano, que é a pessoa que estava a dizer.
Perfeita.
Las Vegas, o Pedro está lá a jogar pôquer, o meu pai faleceu há pouco tempo. E muito simpaticamente, uma pessoa que trabalha na TAP ofereceu-me uma viagem para ir ter com o Pedro, para eu poder ir espairecer e viajar, o Pedro estava lá. E Las Vegas é um ótimo sítio para espairecer. O que é que acontece? Fomos para lá, o Pedro jogava durante o dia todo pôquer. Eu vou dizer que ele jogava tipo das 10:00 da manhã praticamente até às 23:00. Ia tendo algumas pausas, mas ele estava a jogar o tempo todo. Eu não jogava pôquer, muito menos profissional. Eu jogava pôquer casualmente.
Recreativo.
E então o que acontece? Não sei se as pessoas sabem, mas em Las Vegas, quando-
Não, não sabem. Sabes por quê?
Porque o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas. Quando alguém está a jogar pôquer, pode pedir álcool grátis. Trazem-te o álcool todo que tu quiseres. Tu só tens que dar uma gorjeta àquelas meninas que andam de um lado para o outro a levar as coisas à mesa de pôquer. O que acontece? O Pedro estava a jogar, não queria beber. Muito bem, é um profissional. Mas eu, que estava atrás dele, pedia ele para eu lhe pedir bebidas para eu beber. E então eu passava o dia todo a ficar bêbado. Eu começava a beber depois de almoço. Às 23:00, quando o Pedro acabava de jogar pôquer.
Tu estavas com uma grande bebedeira.
Eu estava com uma bebedeira e o Pedro dizia: "Agora quero ir ter contigo nessa bebedeira". Tudo bem, vamos começar. Há um dia em que eu disse ao Pedro: "Pedro, eu sei que tu estás aqui o mês inteiro, eu estou só há uma semana aqui em Las Vegas. Eu não quero morrer estúpido. Eu quero ir a um bar de strip". Os de Las Vegas são os maiores. Eu estive a ver na internet, armazéns, aquilo que levam milhares de pessoas. Eu quero ir a um, eu quero ir ter a experiência. Então estivemos a ver, encontramos um on-line, chamamos um táxi e dissemos ao senhor do táxi: "Olhe, queremos ir para este".
Na altura não havia Uber.
Na altura não havia Uber. O meu pai morreu em 2013, foi há 13 anos, acho que não havia. "Queremos ir a este bar de strip". E o senhor diz-nos assim: "Não levem a mal, eu sei que vocês viram on-line, mas esse não é o melhor. Vocês têm que ir ao que eu fui na minha despedida de solteiro. Na minha despedida de solteiro eu fui a um que é muito melhor. Eu não vos levássemos dizer, pesquisem online, mas este é o meu conselho, este é muito melhor. Por favor, vão a este". E eu e o Pedro começamos a ver dentro do táxi. Não há muita diferença entre eles. E nós dissemos: "Está bem, ok, se o senhor aconselha, tudo bem, vamos a esse". Chegamos lá e pela primeira vez na vida, o taxista sai do carro conosco e leva-nos à porta do clube de strip. Atenção, é uma porta que tem dois seguranças cá fora para te apalparem, detector de metais e mais dois seguranças lá dentro, tipo America. E eu reparo que o condutor de táxi vai ter com os seguranças e recebe uma porcentagem da nossa entrada. Ou seja, a minha despedida de solteiro é o caralhante. O gajo deve ter acordos. Se trouxeres para aqui, ganhas uma porcentagem.
Mas não é essa a questão. Vá, segue.
Entramos, passamos os detectores de metais, passamos o balcão onde estão uma espécie de-- aqui ainda ninguém está despido, é só uma recepcionista que explica: "Olha, bem-vindos" e não sei o quê mais. Assim que passamos, há duas mulheres, que eu vou dizer uma coisa, eram fisicamente perfeitas, eram ótimas, eram modelos de topo. Eram perfeitas, estavam todas vestidas de lingerie, daquela lingerie que tu imaginas ou na pornografia ou na Playboy, mas era lingerie, mas eram muito boas senhoras.
Está-me a cheirar bué testosterona agora, de repente fiquei...
Estou só a dizer, é um bar de strip. Pronto. Entramos. São duas, imediatamente, uma agarra-se a mim e a outra agarra-se ao Pedro. E quando eu digo agarra-se é, sabes aquela coisa de começarem a fazer festinhas na barriga por baixo da T-shirt, pôr a mão por baixo da T-shirt. Estamos nesse nível de elas estão a trabalhar, querem ganhar-
Quem viu a Nora sabe como é que funciona. Pronto.
Queremos ganhar o nosso dinheiro. Atenção, nós estamos dentro do bar de strip há 30 segundos e eu digo assim ao Pedro: "Pedro, desculpa, mas eu estou aflito, aflito para ir à casa de banho. Eu estou aflito, eu já no táxi vinha à rasca, eu preciso muito ir à casa de banho, por favor. Eu vou só à casa de banho, eu volto já". Viro costas, tiro a mão da menina debaixo da minha T-shirt e dirijo-me até à casa de banho. E o Pedro fica sozinho com duas mulheres de lingerie agarradas a ele com o ar de, sabes o veado quando vai ser atropelado na estrada nacional, fica com essa ar, olha para mim e diz: "Não acredito que me vais deixar sozinho". E elas agarram nele e viram-no para o bar e levam-no para o bar. E eu fui direto para a casa de banho. Faço xixi, há um senhor dentro da casa de banho, que a única coisa que faz é perguntar se queres um perfume, tem um tabuleiro com perfumes, esse nível de bar de strip. Saio da casa de banho e dirijo-me ao bar onde eu vi que o Pedro tinha ido com aquelas duas senhoras. E eu aproximo-me e já estão uns copos bebidos no balcão. E eu aproximo-me, o Pedro olha para mim e diz em português à frente das duas americanas: "Olha, meu cabrãozinho, tu nunca mais me deixas sozinho para ir à casa de banho, tu ouviste? Eu acabei de gastar $100 em shots." Eu disse assim: "Como assim $100?" E ele: "Elas perguntaram se eu queria beber shots e eu disse sim, vamos só esperar pelo meu amigo". E elas disseram: "Não tem mal". Viraram-se para o balcão e pediram quatro shots. Os quatro shots que vieram foi de Patrón.
Que é caríssimo.
Podia ser shot de qualquer coisa. Quando são elas a pedir, metem do mais caro. Então vêm quatro shots de Patrón. E quando pousou os quatro shots, eu disse: "Vamos só esperar pelo meu amigo". E elas: "Não, vamos brindar ao teu amigo". E beberam os três, o Pedro coagido, os shots de Patrón. Portanto, $75 foram em dois segundos. E de repente volto eu e quando eu me aproximo, o Pedro está-me a refilar em português e as duas meninas dizem assim: "Agora shots com o teu amigo". E pedem mais três para acompanharem o shot que já lá estava. Repara na despesa que aconteceu.
Em 30 segundos.
Em um minuto e meio que nós estamos lá dentro, dois, por causa de eu lavar as mãos na casa de banho. Pronto, tenho esta história. Portanto, não foste a pessoa que sofreu mais por me ir à casa de banho.
Não fui a pessoa que sofreu mais, mas sinto-me o Pedro. Se ele me disser: "Olha, meu cabrãozinho, tu nunca mais me deixas sozinho para ir à casa de banho".
Percebo perfeitamente. Tinha esta história, acho que amo.
Pronto, senti-me assimAbandonada, vamos dizer assim.
Ya. Posso trazer mais um tema que eu tinha aqui?
Podes sim.
Que eu não estava à espera de ir agora pra essa história. Tenho aqui um tema que eu acho que é interessante. Então o que eu descobri online? Eu descobri online uns senhores que fizeram um estudo sobre os 15 hobbies mais atrativos que os homens têm para as mulheres. E também têm os menos atrativos.
Ok.
E eu gostava que tu tentasses adivinhar quais são os 15 hobbies mais atrativos que os homens têm para as mulheres.
Eu estou a imaginar uma mulher. Isso era de que país? América?
According to a survey by Date Psychology, eu acho que isto é América.
Pronto. Deixa eu só espirrar.
Vais espirrar?
Eu sou alérgica a este tema.
Por quê?
Não sei, porque sei que já me vou irritar com os hobbies que as mulheres gostam de ver nos homens.
Talvez tenhas de mudar um bocadinho de chip.
É isso. Ou seja, não pode ser o que eu acharia que é atrativo num homem.
Talvez tenhas de mudar um bocadinho de chip.
Pronto. Jogar tênis?
Não.
Jogar pádel?
Não.
Não está?
Talvez tenhas de mudar um bocadinho de chip.
É mais básico ainda?
Estou só a dizer, talvez tenhas de mudar um bocadinho de chip.
O que é que são hobbies que um homem tem? Estar com os amigos?
Não, não está aqui nada disso. Vou deixar de dizer talvez tenhas de mudar um bocadinho de chip e vou te dizer: tens de mudar de prisma. Confia mais nas tuas-
Nos meus instintos?
Nas tuas amigas mulheres.
Ah, ok. Fazer voluntariado de algum tipo?
Não está aqui.
Passear com animais?
Não está aqui. Como assim passear com animais? Passear o cão? Não. Acho que estás um bocadinho longe.
Estou um bocadinho longe? Eu não faço ideia do que é que possam ser hobbies de homem. Jogar videojogos?
Jogar videojogos é uma das coisas que eu gostava de falar aqui, porque jogar videojogos é completamente polarizador.
Nas mulheres.
Polarizante. Nas mulheres. Há mulheres que acham horrível e têm como das piores coisas que um homem pode ter, e há mulheres que adoram. Ou seja, divide mesmo muito a imagem que as mulheres têm de um homem que jogue videojogos. Não fazia ideia, achei super interessante.
Mas tem que lugar.
Está mesmo a meio, fica a meio, ou seja, está nos 50%.
Portanto, jogar videojogos, jogar futebol.
Não.
Fazer algum tipo de esporte. Não está? Esporte não está de todo?
Não, há um esporte. Aliás, não sei se consideramos hiking um esporte.
Caminhar.
Mas hiking está em 12º e archery.
Percebo.
Estás a ver? É que eu acho que tu não estás a confiar nas tuas amigas mulheres. Archery está em 13º.
Cortar madeira, ser lenhador.
Woodworking está em quinto lugar.
Claro que sim. Pottery.
Pottery não está.
Não está?
Pottery não está.
Um homenzinho ali a mexer no coiso.
Não está. Estás a ver? É essa a energia.
Andar de mota?
Tens de confiar nas tuas mulheres. Não, não há aqui nada de motas.
Nem andar de bicicleta?
Não. Não há cycling em lado nenhum.
Correr?
Não, está só hiking.
Ok.
Vou te dizer uma coisa. Tens aqui outro esporte, de fato, está aqui swimming. Swimming é outra coisa que pode ser considerada um esporte. Swimming também está no top.
Exercício físico, no fundo.
Vou saltar para as conclusões do estudo pra te ajudar a concluíres isto. É muito engraçado como os homens estão completamente focados na sua imagem corporal e acham que são atrativos para as mulheres por causa do seu físico, por serem secos, por serem do ginásio, por serem musculados.
Quando é exatamente o oposto.
As mulheres valorizam hobbies intelectuais. É o que as mulheres querem dos homens. É homens que se valorizam intelectualmente. Ler está em primeiro lugar com 98%.
Ler. Ver filmes.
Não.
Não? Ir ao cinema, não? Ir ao teatro.
Não, isso não está aqui. Ou não consideram um hobby ou não está aqui.
Portanto, ler é o primeiro lugar.
Ler é o primeiro lugar, é o hobby que as mulheres mais valorizam no homem.
Escrever?
Writing está em sétimo lugar.
Mas escrever é meio esquerda ou macho, não é? É meio tipo sou poeta nas horas vagas.
Também ler. Quantos machos performativos não andam aí na rua com livros abertos pra mostrar que lêem.
É verdade. Passar tempo com a família?
Não consideram um hobby.
São mesmo atividades, não é? Que estamos aqui a-
Exatamente, são hobbies. Mas agora já percebeste que as mulheres valorizam coisas intelectuais.
Sim, mas estou a pensar o que é que poderá ser mais em termos de coisas intelectuais que podem fazer.
Há aqui mais atividades físicas, por exemplo, em quarto lugar está cozinhar.
Cozinhar, faz sentido.
Cozinhar está em quarto lugar.
Limpar a casa.
Não é considerado um hobby.
Pois, pra vocês é, pra nós não. Fazem quando querem, nós fazemos quando tem que ser. Estar com os filhos.
Não.
Passar tempo com os filhos, não é.
Não. Queres ajuda? Queres que eu diga o top?
Não, quero que elabores, sim.
Ok, então em primeiro lugar, o hobby que as mulheres mais valorizam é ler. Em segundo lugar, muito perto, com 95%, o segundo hobby que os homens têm, que as mulheres mais valorizam e mais acham atraente é aprender línguas.
Isso não é bem um hobby.
Pode ser tipo Duolingo, podes tirar cursos.
Há um gajo a fazer o Duolingo a sério?
Estou só a dizer, um homem que tem curiosidade e vontade de aprender outras línguas. Em terceiro lugar, tocar instrumentos.
Ok.
Saber tocar instrumentos, aqui não diz que instrumento, é só tipo saberes tocar um instrumento é uma coisa que valorizam. Quarto lugar, cozinhar. Quinto lugar, woodworking. Sexto lugar, pintar.Homens que pintam. Sétimo lugar, escrever. Oitavo lugar, gardening. Homens que tratem de um jardim ou que tratem de plantas. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito. Nono lugar, swimming, que foi o que eu disse há bocado. Décimo lugar, fotografia, homens interessados em fotografia. Depois, astronomy, homens interessados em astronomia.
Olha, teu irmão está...
Hiking, archery, blacksmith, aqueles caras que fazem espadas. E em último lugar, com 87%, em último lugar deste top. Temos em 15º lugar, viajar. Homens que gostam de viajar.
Faz sentido.
Em último lugar, das coisas que as mulheres acham menos atraente num homem, que se um homem tem essas características ou esses hobbies, as mulheres ficam completamente secas, fecham as pernas, dão a volta, chamam o Uber e vão pra casa, está interesse na manosphere.
Óbvio.
Gambling.
Mas interesse na manosphere não é bem um hobby. Percebes? É que aí, hobby está um bocado lato o sentido do que é um hobby.
Sim, verdade, mas pode ser interesse.
Mais interesses do que hobbies.
Depois está gambling.
Claro.
Ver pornografia.
Estás a ver? Ver pornografia não é um hobby.
Pode ser, o que faz no teu tempo livre?
Vais pornografia.
Está discutir online.
Também não é um hobby.
Algumas pessoas é um hobby. Tu não tens ido ao Twitter. E em último lugar.
Deixa-se de ler Twitter há dois anos para aí.
Que eu achei muita graça, como um dos hobbies menos atrativos para as mulheres: colecionar Funko Pops.
Percebo.
Imensas mulheres disseram: "Não, para mim não dá". Achei isso muito giro.
Muito giro. Questiono-me onde é que estará neste momento o colecionar cromos do Euro. Do Mundial, aliás.
Olha que, do que eu tenho visto, eu sigo muitos humoristas portugueses que estão a fazer a caderneta e que têm esse interesse. Mas do que eu tenho visto, é uma cena muito sem gênero.
Não é isso.
Tenho visto muitas mulheres interessadas também, ou seja, não acham uma coisa masculina.
Acho 100% uma coisa mais masculina do que feminina. Claro, mas a minha pergunta não é essa. A minha pergunta é: como é que será que a maioria das mulheres portuguesas observa esse hobby do marido ou do namorado?
Se vê com bons olhos ou maus olhos? Acho também interessante.
Se dá weak ou se dá tipo: "Olha".
"Olha, que giro, está aqui, está a falar com os senhores no Hubo, a trocar cromos".
Porque para mim é meio, não julgo, acho que cada um faz o que quer, mas se tu agora andasses a colecionar cromos e a colar cromos numa caderneta, não sei como é que eu veria isso.
Eu vou te dizer uma coisa.
Mas eu também já fiz pulseiras pra Taylor Swift.
Também é essa e andaste a trocar. Mas eu estava no outro dia a pensar: se houvesse uma caderneta da NBA, eu faria, porque ao futebol eu não ligo. Será que eu faria uma caderneta da NBA, por graça de andar a trocar cromos? E eu acho que faria. Portanto, eu acho que é só uma questão de ser futebol, que eu não tenho interesse nenhum em futebol. Se fosse um desporto que eu gosto, se fosse NBA, eu acho que faria isso. E depois era giro estar com amigos também que gostam da NBA e têm cromos e trocar.
Ele está a iluminar, vocês não estão a perceber.
"Jalen Williams, é que eu tenho aqui um Caruso. Troca aí". Eu acho que era giro. Pronto. Olha, foi o nosso episódio desta semana. Espero que tenham gostado. Não tivemos tempo de ir a emails.
Guilherme, vamos a um emailzinho. As pessoas depois ficam chateadas, nós não temos emailzinhos. Só um, Guilherme, rapidinho.
Ok, se me falas com esse tom de voz, o que tu queres que eu te diga?
Andaste para aí a falar da manosphere e dos hobbies e agora ias deixar as pessoas sem emails.
Mas não é engraçado.
É engraçado, mas para isso as pessoas vão ao BuzzFeed. Percebes?
Estás a ser injusta. E depois as minhas curiosidadezinhas, por que as pessoas não vão ver também no Joker?
Mas as minhas curiosidadezinhas demoram 30 segundos.
Só porque contei uma história engraçada de Las Vegas, tu agora estás-me a prejudicar para trazer conteúdo.
Não estou a prejudicar, estou a dizer que as pessoas também gostam de emails.
Então escolhe teu email.
É o da casar com a Júlia.
Casar com a Júlia. Está aqui. Eu, casar?
Pronto. E chamamos-lhe Sandra Silva, porque a Sandra Silva a uma altura queria muito casar.
Muito bem.
"Olá, queridos terapeutas. Espero que estejam bem e que as dores da idade do Guilherme já tenham passado."
Olha, pequena update, só para não atrasar mais este episódio, porque eu sei que a minha mulher quer ir a emails e eu estou a atrasar o email. Voltou cá o fisioterapeuta, que me teve a dar um enxerto da porrada, salve-se aí, no fundo das costas, e nunca mais senti nada. Portanto, não era de velhice. Chupa, Rita.
"Escrevo-vos este email na esperança de que o meu namorado o oiça. Vai ouvir de certeza que foi ele que me deu a conhecer o vosso podcast. E de ser validada sobre este assunto, que é o grande hiccup da nossa relação."
Sim, senhora.
"Eu nunca tive uma família no sentido tradicional da palavra. A minha mãe deixou meu pai quando ainda estava grávida de oito meses porque ele a agrediu, desculpem o dark tone, e eu nunca tive pai de jeito, tendo em conta que ele também era abusivo comigo até eu ter idade suficiente para perceber que aquilo não era ok e cortei relações com ele."
Espera, este senhor agrediu uma grávida de oito meses.
Ya.
Porra!
Joel.
Desculpem ter esse hobby. Será que as mulheres acham atrativo?
Zero. "Está tudo bem. Trabalhei isto em terapia e estou em paz com a situação. Ainda assim, e talvez por ter feito muita terapia, nunca fui daquelas pessoas que achassem que casamentos não valiam a pena. Antes pelo contrário, sempre quis casar e ter uma família minha, como não consegui ter growing up. É mesmo um sonho meu casar, mas não um casamento gigante e ostentoso como se vê por aí. Apenas uma pequena cerimônia com as pessoas todas que amo a celebrar o amor. Tenho plena consciência de que este meu sonho de casar possa ser, e provavelmente é, espelho da minha necessidade de querer ser escolhida. E mesmo que seja, acho que tenho esse direito."
Sim, senhora.
Nota-se que esta pessoa validou os seus traumas na terapia.
Nota-se que esta pessoa, exatamente, fez muita terapia e está em paz com o que quer e de onde veio e para onde vai.
Anyway, "o meu namorado de há um ano e meio e com quem já moro e que faz tudo por mim, by the way, não quer casar."
Ok.
"E atenção que eu já lhe expliquei que um: quero algo simples e dois: tenho uma quinta de um familiar disponível para um casamento pequeno, o que só aí já diminui a despesa."
Exatamente.
"Ainda assim, ele não quer ceder. Magoa-me, porque se eu não quisesse casar, mas casar o fizesse feliz, eu faria isso por ele."
Ok, já percebi. Ela faria sacrifício se-
Não é um sacrifício
Faria esse jeitinho.
Se é indiferente.
Ya.
"Para piorar a situação, ele teve a instalar uma versão pro de uma aplicação que tem no meu telemóvel. E como teve de pôr o e-mail dele, esta treta sincronizou toda sem repararmos."
Ok.
"E eu estava a ver a minha agenda e fiquei muito confusa quando me aparece uma marcação a dizer: propose to Julia. Demorei uns minutos a perceber que era da conta dele e depois questionei-o. Primeiro disse que não sabia o que era, provavelmente alguma coisa antiga. Eu insisti e perguntei quem é a Julia e que aquela frase só podia significar uma coisa. Ele lá disse que foi uma brincadeira com uma rapariga que conheceu numas férias um ano antes de nos conhecermos e por quem supostamente ficou apaixonado, ao ponto de ponderar mudar-se para a Polónia para estar com ela ao fim de umas semanas. Eu já conhecia esta história, só não sabia o nome da rapariga."
Mas ela já sabia a história.
"E que estava com ela e brincou que se dali a um ano estivessem juntos a pedia em casamento. Acho que imaginam como me senti."
Pois claro. Sendo que era uma brincadeira, não tinha que ser necessariamente verdade.
Certo.
Ela não tinha de querer casar.
Certo, mas põe-te nos pés dela.
Não, eu não estou a dizer que ela está mal.
"Ele diz que foi só uma brincadeira, mas se fosse só uma brincadeira, para quê pôr na agenda? Para quê brincar com isso? Comigo nunca brincou, sempre disse que não queria casar."
Ok.
"Será que ele não quer casar comigo? Não sei mesmo o que pensar. Estou a ser dramática, a exagerar. Eu é que estou errada por achar que ele devia ceder e casar, sendo algo que eu sempre quis. Desculpem o testamento e espero que nos possam ajudar de alguma maneira. Obrigada pelos conselhos e gargalhadas. Beijinhos para vocês e festinhas para os patudos. Deixo aqui umas fotos dos meus agora nossos." E entretanto esta pessoa tem três gatos cor de laranja.
Ya.
Lindos todos.
Mas são irmãos ou não? Eles são muito parecidos.
Mas pelo menos o primeiro e o terceiro parecem.
O primeiro e o terceiro são irmãos de certeza.
E entretanto, deve ser a loucura nesta casa.
Pois, com gatos.
Gatos laranja.
Eu tenho duas coisas.
Olha, empatizo muito com esta pessoa.
Eu também, estou 100% do lado dela. Eu percebo que isto tenha magoado. Eu tenho duas coisas a dizer. Primeiro, é muito complicado responder a este e-mail sem saber quais são as razões dele para não casar. Porque há maneiras completamente diferentes de ele ser contra o casamento ou ser contra a vontade de se casar. Pode ser uma coisa mesmo ideológica, pode ser uma coisa de não quero essa chatice. Isto são graus que dá para convencer e dá para dizer e dá para descomplicar. De um lado, dá, do outro não dá.
Parece-me que parte do argumento deva ser a questão financeira, porque ela já teve de lhe explicar que não quer uma coisa grande e que tem uma quinta.
Ou pode ser ela a precaver problemas do lado dele e isso não é um dos problemas, é só ela dizer: "Olha, mas nem íamos gastar muito dinheiro em cima disso, tu sentes." Não sei. Portanto, sem saber por que motivo é que ele não quer casar, é complicado perceber exatamente o que nós poderíamos dizer para o convencer. O nosso casamento foi a coisa mais simples do mundo. Já fizemos um episódio sobre ele e eu não vou perder muito tempo aqui, mas nós fizemos uma coisa com 70 convidados. Fomos à conservatória antes, não havia ninguém da conservatória no nosso casamento, porque para quê ter uma pessoa de fato a ler as nossas moradas e os nossos NIFs? Não tem interesse nenhum. Portanto, o nosso casamento foi uma coisa supersimples, que durou uma tarde com as pessoas que nós gostávamos, bar aberto, música escolhida por nós e um ambiente de intimidade e que foi um casamento. Sentimos que estávamos a fazer uma cerimônia para as pessoas que nós gostávamos. Portanto, há maneiras de fazer micro cerimonias e não gastar um balúrdio. Pronto. Em relação ao que ela sente, eu percebo perfeitamente que ela tenha ficado triste de numa altura em que anda a tentar convencer o namorado a casar, a dizer-lhe que é importante para ela, ver uma brincadeira dele com outra mulher a dizer que pediria em casamento. Percebo perfeitamente o sítio dela. Ao mesmo tempo, eu também entendo que ela está a dar importância a uma brincadeira, que se calhar não tem essa importância.
Não tem.
O propose to Julia pode ser uma brincadeira até de date, do engate.
Não, claro que pode.
Ou seja, pode ser só uma coisa do gênero. "Olha, estamos aqui no primeiro date, imagina marcarmos já o dia em que eu te peço em casamento daqui a um ano e meio." Imagina, num date tu vais fazer isso, uma brincadeira.
Claro que pode. Eu não estou a dizer que não pode e eu acho que ela própria percebe que é uma brincadeira. Agora, ela está muito calejada deste tema, portanto esta brincadeira vai magoá-la de uma maneira que não magoaria se ela tivesse descoberto isto há meses.
Mas eu não estou a retirar validez aos sentimentos dela.
Primeiro é validade.
A validade. Não, não é o prazo de validade, quando estás com coisas a deitar para o lixo. Eu não estou a tirar validade aos sentimentos dela. Eu não estou a fazer isso. O que eu estou a tirar é intencionalidade do lado dele. Porque foi muito mais en passant e foi muito mais uma brincadeira de tesadeira com uma rapariga que ele andava enrolado, do que propriamente vontade de casar.
Percebo isso. E eu acho que ela também, lá no fundo, sabe que isto era uma brincadeira e que foi uma estupidez, mas não deixa de magoar e eu entendo.
Eu não estou a dizer que não magoa.
Eu sei.
Eu não estou a dizer que ela não deva sentir isso. Imagina que ele está enrolado com ela há um mês e que ela diz: "Imagina nós agora um dia casarmos." Ele diz assim: "Pá, eu não quero casar." E ela: "Não casavas comigo? Comigo não casavas?" E ele: "Nunca na vida, imagina agora estarmos não sei o quê." E a brincadeira vir daí. Se calhar é já natural ele nunca ter querido casar.
Mas não interessa de onde é que vem a brincadeira.
Então repara, nós estamos a dividir esta conversa toda em dois temas, que há as sensações e as emoções dela, que são 100% válidas e concordamos, e há a intencionalidade do lado dele.
Mas não interessa de onde é que vem no sentido de não interessa justificar se foi uma brincadeira e se ele logo na altura disse que não queria casar, não interessa.
Se o e-mail é: com a Julia casava e comigo não, é uma questão de intencionalidade.
Certo, mas não interessa no sentido em que interessa mais agora eles conversarem sobre isto e o quão importante é para ela casar.
Isso é o futuro. É eles organizarem a vida deles em conjunto, sem dúvida nenhuma.
Justifique ele da forma que justificar isto, ela já está magoada e ponto, não interessa.
Então agora isto é assim? Quando uma pessoa fica magoada, é impossível uma volta a dar, não se pode conversar, não se pode resolver.
A volta a dar é falar a sério do assunto do casamento.
Mas são coisas diferentes. Uma coisa é ele justificar porque é que diz propose to Julia no seu...
Já justificou, era uma brincadeira. Pronto, e agora?
Mas ela ficou magoada à mesma.
Claro, então
E agora resolves uma coisa que vem de uma brincadeira antiga, pedindo em casamento agora?
Não estou a dizer que é pedindo em casamento, é sendo honesto.
Ele já foi honesto, ele diz: "Eu não quero casar".
Então eu acho que ela tem de arranjar outra pessoa, porque o sonho dela é casar.
Eu acho isso um exagero.
Eu não acho.
Eu acho isso um exagero. Discordamos deste ponto.
Eu não acho. Se eu quisesse muito ser mãe e tu não quiseses ser pai...
Não é a mesma coisa.
É, é a mesma coisa.
Um casamento pode acabar ao fim de um ano. Quando tens uma criança, não pode.
É a mesma coisa.
Não acho que é a mesma coisa.
É o mesmo princípio de eu quero muito uma coisa, tu não queres.
Nesse sentido, é a mesma coisa.
É a mesma coisa. Se eu quisesse muito ter filhos, tu não quisesse, podes ter a certeza que era tipo: "Olha, amo-te muito, mas eu vou querer cumprir este sonho e vou cumpri-lo com outra pessoa".
Sem dúvida nenhuma, ter filhos eu acho que é uma questão diferente.
Não acho. Se para ela casar é importante, para ela ter esta estabilidade do casamento, de alguém que aceita estar ao lado dela, que quer casar com ela, que quer construir uma família com ela, e para ela o casamento é símbolo disso, é importante.
E eu não estou a dizer que não concordo.
E portanto, eu acho que a nossa Sandra Silva deve-
Vocês não estão a ver, mas a Rita está com a mãozinha esticada e está a fazer assim tchok tchok no ar
A nossa Sandra Silva deve fazer como a outra Sandra Silva e convencer o marido a casar. Chateá-lo até ao fim. Não, estou a brincar, não deve. Agora estou a falar sério.
Chegamos ao ponto em que eu não faço ideia porque é que ele não quer casar. Há de haver argumentos válidos, há de haver argumentos contornáveis.
Nós não temos esse contexto. Eu acho que-
Ele podia escrever para nós
...eu acho que a médio, longo prazo, se ela quer muito casar e ele não quer e não vai ceder, esta relação vai acabar.
Nesse sentido, sim.
Vai acabar. Tem de acabar.
Se não arranjam um compromisso de ela querer casar e de casamento que ele aceite, que ele queira fazer parte, eu acho que-
Tem de acabar. Também já chega das mulheres não cumprirem sonhos que querem cumprir porque os homens não querem.
Pronto.
E terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar os vossos e-mails.
45 minutos.
Como fez a Sandra Silva, o Guilherme preocupa-se muito com o tempo, mas depois fica contente quando os episódios resultam e correm bem, percebem? É este tipo de coisas que é, aquela cabeça lá dentro, há um Tico e há um Teco. O Tico diz uma coisa, o Teco diz a outra. E bate, faz assim tchum, tchum, tchum. São duas bolinhas de pinball a bater uma na outra naquele cérebro.
46 agora.
Portanto, terapiadecasalpodcast@gmail.com, é onde vocês podem enviar e-mails. Nós para a semana cá estaremos.
Gostei muito deste episódio, deixa-me dizer.
Também gostei. Espero muito ver-vos no Amigável.
E eu espero muito ver-vos na Feira do Livro, ver a minha mulher a gravar os seus-
Espero muito ver-vos no Amigável, mas espero ainda mais ver um grande catering na sala do Amigável.
Vamos ver. Não sei se há. Depois mostras com fotos às pessoas como é que foi.