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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a lindíssima Rita da Nova.
Olá! Bem, lindíssima, não tens aí nem... É que às vezes é uma festinha e uma facada.
A facada vem a seguir.
Ah, OK.
A pessoa que achou que o Tribunal da Relação estava no papo e já está 2-1.
Não achou.
Não achaste que ia estar no papo?
Não. O Tribunal da Relação que houve em Coimbra, eu sabia que era difícil ganhar. Depois as pessoas vão poder ouvir. Eu sabia que era difícil ganhar, mas quis defender na mesma a pessoa mais difícil de defender, também é um exercício interessante.
Foi como aconteceu nas outras duas e levei na boca.
Claro.
Nas outras duas eu levei na boca. Está 2-1 em Tribunais da Relação neste momento.
Está 2-1 em Tribunais da Relação.
Vamos ver como é que isto termina.
Exatamente.
Mas o de Coimbra foi uma vitória estrondosa e muito bem defendida por parte do advogado Guilherme Fonseca.
Não sei se foi estrondosa. Houve ali um momento, não sei se quando ouviste o nosso juiz, a certa altura eu achei: "Oh, tu queres ver".
Ya. Por acaso podemos dizer os nomes dos juízes.
Sim, é verdade.
Dos juízes, dos convidados. Nós em Coimbra tivemos Vasco Elvas e em Aveiro tivemos Dago.
Dago.
E eu acho que as pessoas gostaram.
Está aqui uma pessoa no Slido a queixar-se que no Dago foi o tempo todo outra pessoa a falar de outra pessoa. Vou abordar este tema.
Vais entrar a pés juntos?
Não é entrar a pés juntos.
Então entra com um pé de cada vez.
Um pezinho de cada vez. Vou dizer uma coisa, que é: realmente nunca podes ganhar. É uma coisa que eu tenho percebido nesta vida pública, mas percebes o que eu quero dizer.
Sim.
Nunca podes ganhar. Na tour "Terapia de Casal" de há dois anos era porque não tínhamos convidados.
Chatiço, era giro terem alguém, tragam alguém.
Na tour "Terapia de Casal" deste ano é porque temos convidados e passamos muito tempo com convidados.
Porque é que não conversam com outra pessoa? Porque é que não falam?
Eu realmente fico muito espantada. Eu não acho que as pessoas devam ser isentas de crítica. Acho que a crítica é válida.
As pessoas não gostam, não gostam.
Não gostam, não gostam. Mas é muito chato, e eu se calhar hoje acordei um bocadinho mal disposta, portanto vão levar com isto.
Certo.
Calma, mas é muito difícil às vezes pensares que estás deste lado a fazer o máximo que podes e pensar em coisas que podem ser muito giras para as pessoas verem e pensar em pessoas e levar convidados. E depois é do género: "Eu nem gostei". Olha, se não gostaste, mete esse comentário para dentro e vai para casa.
E não venhas mais à nossa tour.
Exato.
A questão é, numa sala com 300 pessoas, esta pessoa estava chateada com isto.
Óbvio, eu sei que sim.
As outras gostaram, o Dago foi muito engraçado.
Eu sei que sim, mas se calhar não sou livre de ficar chateada com comentários destes, que não sou.
Rita da Nova, o que tu sentes, deixa de sentir. Isso é o mais importante na vida.
Deixa-te sentir ou deixa de sentir? Desculpa.
Deixa-te.
Deixa-te. Liberta-te.
Refila-te.
Acho que é importante também, às vezes, as pessoas perceberem que estão daqui deste lado pessoas a sério.
Certo, mas é para refilar.
Refilem, refilem à vontade.
Ontem fui atuar à noite e aconteceu uma cena que me deixa sempre desconfortável, mas a pessoa que está a refilar tem razão. Um humorista pediu uma tosta de fiambre. "Quero uma tosta de fiambre, por favor, para o meu jantar." "Sim, senhor, vem já a tosta de fiambre." Veio o jantar de toda a gente, e já todos tínhamos comido, chega a tosta. E ele disse: "Ok, obrigado, finalmente vou comer." Quando ele olha para a tosta-
Tem queijo.
Tem queijo. E ele olhou para a senhora do restaurante e disse assim: "Desculpe lá, eu pedi uma tosta de fiambre." E ela diz: "Sim, está aí." E ele: "Mas isto tem queijo." "Sim, porque a nossa tosta de fiambre tem queijo." Ao que ele olha para ela e diz assim: "Está a brincar comigo?"
Tinha pedido uma tosta mista.
"Eu pedi uma tosta mista, eu pedi de fiambre para não ter queijo. Desde quando é que uma tosta de fiambre tem queijo?" E ficou a olhar para a rapariga, e a rapariga, que é claramente uma rapariga que está a trazer as coisas da cozinha, ficou em silêncio. Ficou uma tensão daquelas que eu odeio, não consigo. E depois o rapaz até se sentiu mal e depois fizeram-lhe uma tosta só de queijo.
Só de fiambre.
Só de fiambre.
Só de queijo era giro. Aqui está então a nossa tosta de queijo.
Está um bom apetite. Mas toda a gente tinha razão.
Sim.
Às vezes é assim, é preciso refilar, mesmo quando tens razão, mas é desconfortável refilar.
Sim.
Mas a vida também é feita de growing pains. A vida é feita de dores de crescimento.
Eu acho que, para mim, tem de haver aqui um intermédio, porque para ti é: ignora-se todo e qualquer comentário negativo. Ignora-se. Para ti é essa a postura e eu acho ótima.
Porque de 300 pessoas, uma estava negativa. Repara, nós estamos há cinco minutos a falar.
Eu sei que sim.
E parece que a nossa tour está com haters ou que está a receber comentários negativos e isso não é verdade.
Não está, de todo. Mas para ti a postura é ignorar completamente. E eu percebo. Para mim, faz muita confusão não olhar para esta pessoa e, na medida do possível que eu tenho, porque ela aqui comentou e é anônima, não sei quem ela é, não consigo falar com ela. Na medida de estar aqui deste lado a dizer: "Para a próxima, pensa duas vezes antes de falares com as pessoas".
Mas repara, é a opinião desta pessoa que queria ouvir-nos a nós os dois a falar e que teve o Dago lá sentado e não tem interesse no Dago.
Percebo perfeitamente.
É a opinião desta pessoa.
Eu percebo que é a opinião dessa pessoa e a minha é: não é possível ganhar. Portanto, como não é possível ganhar, nós vamos continuar a fazer as coisas como nós queremos fazê-las.
Exatamente, e esta pessoa pode perfeitamente ir ouvir outro podcast, está tudo bem.
Mas o que eu acho é que Não sei. Não estou chateada. Acho que é importante trazer este tema. Para mim, acho que tem de haver um intermédio entre ignorar completamente os comentários negativos e fazer coisas que Guilherme Duarte faz, que é usar os comentários negativos e fazer só conteúdo acima disso. Até trago isto numa lógica de qual é a melhor postura nesta situação.
Exatamente. Nós não podemos achar que uma massa de dezenas de milhares de pessoas que nos ouve vai sempre concordar.
Não, ainda bem que não.
Nós falámos do valor que vamos dar aos episódios no Patreon. Houve uma pessoa que comentou: "É irreal achar que uma pessoa vai ouvir 15 episódios num mês". Certo, são muitos episódios, é o mês do Natal, eu percebo, mas nós estamos a tentar arranjar uma maneira de as pessoas pagarem uma vez no mês.
O menos possível.
O que é que nós podemos fazer de outra maneira?
Exato. Sim.
Eu não consigo controlar a vida das pessoas.
Aquilo que eu quero dizer, e se calhar não é uma conclusão fechada, é que não é só ignorar e não é só usar os comentários. Acho que há coisas que têm de ser ditas publicamente.
Ok.
Percebes? É isto só, que é: um, nós estamos a tentar trazer coisas muito diferentes neste "Terapi de Casal ao Vivo" e espero que as pessoas que gostam continuem a gostar. E dois, estamos a tentar trazer "Terapi de Casal ao Vivo" às pessoas que não puderam estar em todas as datas da forma mais barata possível.
Exato, é isso mesmo.
E gosto muito dos nossos ouvintes na mesma. Está tudo bem.
E os teus ouvintes gostam muito de ti.
Sim, mas acho que há coisas que têm de ser ditas.
E acho que fazes muito bem. Eu vou fechar a porta da cozinha.
A nossa máquina de lavar a roupa está-
Porque nós temos a máquina que também está a refilar
... está on fire. Tu tens alguma coisa para dizer? Tenho uma coisa para dizer sobre esta semana.
Então, mas força, diz.
Espero que as pessoas não achem que isto agora é só sobre a nossa semana. Estou a brincar. Agora todas as coisas que digo vou dar um toquezinho.
Este podcast é sobre a nossa semana desde o primeiro episódio.
Desde o primeiro dia. Estou a gostar muito de uma faceta do meu marido que está a surgir recentemente. Não estavas à espera.
De todo. Mas elogios?
É verdade.
Depois de começarmos.
É verdade. Que é Guilherme Fonseca interessado musical. Guilherme Fonseca interessado em tornar-se melómano.
Eu tenho ouvido muita música no carro. Por acaso também queria falar desse tema, de viagem neste carro.
Estou muito contente. Saiu o novo álbum da Rosalía, que é uma obra de arte em si. Eu ouvi e disse: "Grande álbum, não há falhas aqui, 10 em 10, perfeito. Sinto que eleva o gênero musical, muda a pop, perfeito". Disse isto ao Guilherme, disse: "Olha, grande álbum". E o Guilherme depois foi ouvir. Eu fiquei tipo: "Olha, está interessado".
Tive uma atuação na sexta-feira e à sexta-feira eu vou sempre à SIC para nós prepararmos o programa de domingo. E foi toda a gente embora por volta das 17:00, 18:00 horas, e eu fiquei até às 20:00 horas a fazer tempo para ir para a atuação, a preparar a atuação e a ouvir o álbum da Rosalía na SIC. Portanto, estava na nossa sala a dar o álbum e eu estava a trabalhar, a escrever enquanto ouvia o álbum. E gostei muito do álbum. Eu não gosto das músicas todas, mas acho a sonoridade, isto agora é o podcast da Blitz, muito diferente e super bonita. Ela foi para um caminho que eu nunca tinha ouvido música pop daquele género.
Tens de ouvir o primeiro álbum dela. É mais dentro deste género. Não é o "Motomami".
O "Motomami" não foi bem para mim.
Exatamente, por isso é que eu estou a dizer que não é o "Motomami", é o primeiro.
Sim, estou só a dizer o que eu sinto em relação à música da Rosalía. "Motomami" não foi muito para mim, não é muito a minha onda. Mas gostei muito deste álbum. E eu tenho ouvido muita música por causa das nossas viagens. Nós para Coimbra tivemos que ir em carros diferentes. E eu vou te dizer uma coisa: eu amo-te muito, tu és a mulher com quem eu quero passar o resto da minha vida, mas eu adoro viajar sozinho.
Estás a dizer isso como se eu, quando viajas comigo, falasse sequer.
Não, estás lá com os teus fonesinhos a ler, mas viajar sozinho tem uma liberdade. Eu posso cantar alto.
Percebo.
Eu adoro viajar sozinho.
Percebo. Eu também gosto porque assim vou ouvir os meus audiolivros.
Pois, eu tenho ouvido muita música. E ontem eu tive uma sequência absolutamente louca. Lembrei-me de uma música dos Metallica que eu queria ouvir, ouvi. Depois pensei: "Olha, agora apetece-me ouvir, vi um post há bocado com a Hayley Williams, vou ouvir Paramore". Saltei para Paramore. Depois foi do género: "O Aminé, no álbum dele novo, tinha uma música não sei o quê". Fui ouvir hip-hop. E esta esquizofrenia de vou só pôr o que me apetece ouvir agora, foi muito giro.
Andar a divertir-te.
Sim, e eu tenho ouvido muita música. Normalmente eu só chego à música quando despacho os podcasts que tenho para ouvir. E como ouço muita coisa, eu estou sempre atrasado para a música. E eu acho que a viagem ideal de carro é sozinho, à noite e deixei-me ir. Eu vou ali nos 130, vou ouvir a minha música e os meus podcasts.
Não, vais nos 120, caso estejam autoridades a ouvir.
Não, porque tu tens 10%, 132.
Não, mas isso é o que tu achas que tens. Isso já é o limite. O limite legal, o Guilherme vai no máximo a 120, senhores guardas.
Sim, 121.
Às vezes.
Se eu tiver de ultrapassar.
Sim.
Mas depois comprei um Powerade, que não sei porquê, apeteceu-me para hidratação.
Ai, bro do ginásio.
Não, isso é o Prime, aquela coisa lá do outro maluco do YouTuber. E bebi um Powerade e comi uma barrinha de cereais.
É mesmo engraçado que nós somos o oposto em viagem. Eu gosto mais de conduzir de dia.
Porque és topeirinha.
Sim. Vejo relativamente mal. Quer dizer, eu conduzo de De lentes de contacto, mas à noite as luzes fazem muita confusão. Portanto, eu prefiro conduzir de dia. Sou audiolivros ou às vezes logo diretamente música, aí é meio misturado, mas eu quanto menos puder parar pelo caminho, melhor.
Não, eu também.
Sim, mas tu ficas tipo: "Ah, bebi um Powerade, bebi não sei o quê, fiz não sei o quê."
Parei uma vez para fazer xixi e para comprar um Powerade e uma barrinha, e depois segui.
Sabes quantas vezes é que eu parei de Lisboa até Coimbra?
Zero.
Zero. Cheguei lá com o xixi até à cabeça, mas zero.
Não dá. Conduzir com xixi? E depois se apanhas trânsito?
Não apanhas.
Não dá, eu não consigo. Acho que é a situação mais desconfortável, é estar dentro de um carro. Nós temos que andar sempre com uma garrafinha vazia no carro.
Pois é.
Para o caso de eu ter-
Eu não consigo fazer para dentro da garrafinha vazia.
É uma questão de pontaria também, ao garrafão.
Exato.
Olha, vamos fazer exatamente a mesma coisa que fizemos a semana passada, que é: nós ficamos com mensagens das pessoas no Slido de Almada.
Coimbra e Aveiro.
Coimbra e Aveiro, e vamos responder às mensagens que as pessoas deixaram a querer os nossos conselhos e as nossas respostas. Porque não conseguimos dar nessas datas.
Eu quero começar com uma aqui de Almada, que é muito gira. Gosto da: "Como lidar com homem que não instala o TikTok e acha que ver reels é idêntico?" Irrita-me bué pessoas que acham que reels e TikTok é a mesma coisa.
É que eu já achei que era um limite. A minha irmã é assim. Olá, Luísa, um grande beijinho para a Luísa, a minha irmã. A minha irmã é assim, não quer ter TikTok, não tem TikTok e diz que não quer TikTok e é contra o TikTok. E depois no Instagram manda-me reels.
Que tu já viste há três anos no TikTok.
E eu não tenho uma maneira educada de continuar a dizer tipo: "Luísa, eu já vi isto. Desculpa lá, eu já vi isto. Este já vi." E então eu rio-me só, faço ha-ha-ha.
Pois.
Tipo, ha-ha-ha.
É que as tuas respostas são: "Ha-ha-ha, já tinha visto. Ha-ha-ha, já tinha visto. Ha-ha-ha, já tinha visto."
Eu acho que se abrir a conversa com a minha irmã, eu não sei quantas vezes é que eu não escrevi "eu já tinha visto", porque as pessoas que estão só no Instagram. Olha, este já tinha visto. A minha irmã mandou-me aqui uns, já tinha visto. Este já tinha visto. Este já tinha visto. Depois manda-me coisas do Carlos Contente. Luísa, como se eu não visse tudo do Carlos Contente. Olha, ha-ha-ha, vi no TikTok.
Pois.
Luísa, tu estás a ver as coisas-
Com três anos de atraso
Ya, e é do género: "Ok, ha-ha-ha, já vi no TikTok."
Não é a mesma coisa. A linguagem TikTok, obviamente, depois também meio que transparece para a linguagem de reels. Mas há um default, um hiato.
Não, porque eu acho que o lifespan, a história da vida, o ciclo da vida de um vídeo é: aparece no TikTok, é copiado no TikTok, vai para os reels do Instagram, dos reels do Instagram, vai para os vídeos de Facebook, de vídeos de Facebook, anda em forwards do WhatsApp.
Ya.
E depois morre, enterra. Eu acho que esta é a curva da vida de um vídeo normal.
Eu até vou antes. Eu acho que a ideia para o vídeo, para a trend, começa no Reddit.
Pois, não sei, isso já não sei.
Passa para o TikTok e aí pronto.
Não sei.
Mas não é a mesma coisa. E se a pessoa não quer instalar o TikTok, eu compreendo. Mas então não te mande reels.
Pois, e será que vai se varar alguma coisa? É que ainda por cima, o algoritmo do TikTok é perfeito, ele sabe exatamente o que eu quero ver e como é que eu quero ver.
A acustia, não é?
Está bem, fiquem com os meus dados e com o meu sangue e o meu primogênito. Agora, no reels, ainda por cima o Instagram mudou agora o interface. E então tu estás a ver um vídeo ou estás a ler as mensagens, andas para o lado, e de repente está um gajo qualquer a vomitar-se com AI ou está uma gaja boa a abanar as mamas enquanto faz olaria e é do género: "Hã? Isto é o maior aguilho." O Instagram é uma espécie de, sinto-me como se entrasse no Facebook.
Sim, está a ficar.
Há um bocadinho de racismo e gajas com as mamas a abanar.
E vídeos fake.
"Hã? Mas para quê?" Eu nunca estar aqui. Eu quero fazer para o TikTok, me conhece, sabe o meu nome, serve-me o que eu quero.
Exato.
Eu digo só o costume e ele traz, eu não tenho que dizer: "Não, é uma tosta de fiambre que não tem queijo." Não é essa a energia que eu quero.
Ya.
E, portanto, eu não costumo ver reels no-
Eu também não. É muito raro
De todo, não tenho o hábito de ver reels no Instagram.
Sendo que no TikTok, ultimamente, o algoritmo está tão bom que eu tenho me controlado para não retuitar. Retuitar não, mas fazer repost de tudo.
Pois, não. O meu repost é um símbolo de qualidade.
O meu também.
Eu faço um repost por mês, talvez dois.
O meu último repost foi um que era eu a estragar todas as conversas quando alguém vem dizer que o Ronaldo é o seu jogador de futebol favorito, com o argumento de que, e bem, é um violador sexual.
Há violadores sem serem sexuais?
Sim, se tu violas uma regra, és um violador.
Pois, ou violador do silêncio.
Exato.
Se tiveres a fazer barulho, estás a violar o meu silêncio. Ok, já entendi.
Violadores sexuais e que é um Trump supporter. Esse foi o último que eu fiz com: "Isto sou eu, eu não posso não partilhar".
Pois, claro.
Muito bem. Depois temos: "A minha namorada quis muito um cão. Ora faça chuva, faça sol, vai sempre o mesmo passear o bicho. Agora já quer um segundo. Devo emigrar?"
Acho que tem que haver uma conversa séria com essa senhora que quis o cão e agora não passeia o cão, porque isso é o que acontece com os pais que arranjam um cão-
Era o que eu ia dizer
...para os filhos, e os filhos ao início passeiam o cão, e a certa altura está só o pai a passear o cão e os filhos já não passeiam. Eu diria Muito à energia e estilo de parentalidade, uma escala no frigorífico.
Olha.
Tu queres passear de manhã ou ao final do dia? Porque os cães têm que ser passeados duas vezes.
Duas ou três, às vezes.
Ficas com as manhãs, eu com os fins dos dias ou ao contrário? Ao contrário? Ok, então se quiseres fazer uma troca, uma manhã que não podes, ficas com uma noite.
Ya.
Tem que ser mesmo dividido 50/50 com uma escalazinha posta na porta do frigorífico. Porque senão isso vai ser impossível.
Tu não achas que devia haver certas-
Mas também tem uma coisa, deixa-me só dizer uma coisa, meu amor. Quem passeia um cão, passeia dois. Ou seja, quem já passeava um cão, leva o outro cão ao lado. É ao mesmo tempo.
Sim, mas ter dois cães em casa é muito diferente de ter só um.
Sem dúvida, eu estou a dizer em termos de passeio. Mas diz, desculpa.
Tu não achas que devia haver certas experiências na vida em que tu podes fazer um test drive? Da mesma maneira que tu fazes um test drive de um carro para fazeres uma escolha informada daquele carro.
Isso é uma excelente ideia.
Obrigada.
Test drives na vida.
Na vida! Tipo, olha, eu não tenho a certeza se quero ser pai ou não. Vou estar um mês com um bebê.
Ya.
Um mês com um bebê recém-nascido, tendo que acordar todos os dias às 04h00, às 05h00, pronto. Se ao final desse mês tu estás tipo: "Ya, quero isto", então é-te permitido.
Mas isso é muito giro. Eu acho que sou homossexual. Vinha um gajo cá pra casa.
Exatamente.
Morava contigo um gajo durante um mês, tentava te dar uns beijos e apalpava.
E tu ficavas tipo, ok.
E ok, sinto-me à vontade com isto.
Sim.
E vai à sua vida. Mas dá para mais coisas.
Sim, acho que quero ter um cão.
Ya. Quero aprender francês. Vem uma pessoa francesa cá pra casa e fala contigo só em francês pra tu te habituares.
Mas aí já estás mais numa lógica de te habituares. Para mim era para testar se tu de fato queres ou não.
Ok.
Para mim é em coisas mais sérias, não é tipo aprender francês, porque isso tu vais duas semanas pro Duolingo. Tu podes fazer esse test drive na tua vida normal.
Já percebi.
Com um cão, tu não podes. Não podes ir adotar um cão e depois de duas semanas dizer: "Olha, realmente, não. Fui experimentar."
Tu não vês as pessoas que abandonam os cães nas autoestradas?
Certo, mas não podes fazer isso legalmente de uma forma. Eu acho que devia haver essa forma. Acho que quer casar. Vives um mês como casado com aquela pessoa.
Pões um anel no dia. No dia não, no dedo.
Pôs um anel no dia. E pronto. Eu acho que podia fazer sentido haver esta-
Ya, test drives na vida. Eu acho que isso é um grande conceito. Tu devias patentear isso.
Era, não era?
Mais, o que tens?
Espera aí, agora não estou a encontrar. Achas normal?
Ya, isto está superbem preparado.
Desculpem.
É porque claro, as pessoas dizem que querem nos ouvir a falar e é isto.
Se calhar era outro que aqui estava e eu agora não encontro. Olha. "Olá a todas, pra 20% de desconto em toda a gama de inverno Avon, contactem a Mónica, paquete Avono Insta. Bom espetáculo!" Vem gente.
Muito bem.
Vender o seu-
No seu hustle.
Ya.
As pessoas podem aproveitar o slider dos nossos espetáculos ao vivo pro que quiserem. Tenho um T2, um preço barato, vista desafogada.
Ok, passamos pra Aveiro. "Amigo que salta de relação em relação e fala como se fosse o amor da vida dele. Como dizer, sem ser rude, que não quero conhecer o novo parceiro?" Todos nós temos este amigo que é um monogâmico em série e acha sempre que a pessoa com quem está é a pessoa da sua vida.
"Estou tão apaixonado" e depois de dois meses esta pessoa desaparece. Como é que tu dirias?
A verdade é que eu sinto que com as minhas amigas, sendo próximas, eu teria um à vontade pra brincar com a situação, que é tipo: "Olha, amiga, conheci agora esta menina, estou a gostar bué de estar com ela, acho que é a mesma pessoa da minha vida, gostava de vos apresentar".
Ya.
Acho que se isso acontecesse recorrentemente.
Sete vezes no ano.
Eu diria: "Amiga, olha, I love you so much, mas eu já conheci sete pessoas da tua vida no último ano. Tens a certeza?"
Pois, eu sou a favor de se arranjar uma representação visual, e eu acho que era pôr uma fotografia de todas, assim de seguida.
Olha.
E deixar um espaço em branco e dizer: "É pra colar aqui, é isso?"
É pra colar, tens a certeza.
É aqui. Podem ser ímãs de frigorífico, por exemplo.
Ya, isso é muito giro.
Assim uma coisa qualquer, que é mais um. Agora é que é este meu ímã de frigorífico.
É este.
É este aqui é que é.
Tenho a certeza.
Ya. Porque há pessoas que colecionam namoradas, amores da vida como se fossem hobbies.
Sim. São monogâmicos em série e acham mesmo que é agora é que vai ser esta pessoa. E eu acho que essas pessoas acreditam mesmo.
Sim, eu acho que é isso. Eu acho que essa pessoa acredita mesmo que encontrou o amor da vida dela.
Agora, eu faço sempre o teste que é: se é uma pessoa que vale a pena tirar fotografias oficiais. Se hoje em dia se pusesse fotografias em casa como se punha antigamente, e se tivesse álbuns de fotografias que as pessoas revisitam, etc, essa pessoa valeria a pena estar no teu álbum de fotografias ou era uma chatice depois teres de ir cortar essa pessoa das fotos todas?
Vou te contar uma história muito engraçada. Eu tenho um amigo, o Nuno, posso dizer assim. A família é bastante grande. A família do pai do lado do Nuno. Do lado do pai do Nuno, desculpem. Estamos a gravar isto domingo de manhã, é normal que isto às vezes-
Nuno do pai, do lado, do lado. Desenrola, bate, toca de ladinho. Muito bem.
O que é que se passa? Eles fazem sempre a mesma coisa com os primos, porque os primos trazem namoradas novas e não sei o quê. E quando há uma namorada nova que está num evento especial de família, em que estão todos e tiram a fotografia, elas ficam sempre na ponta.
Honestly.
Não estou a brincar. É mesmo uma cena de: "Roberto, tu e a tua namorada fiquem um bocadinho mais pro lado". Elas estão sempre na ponta. Pra quê? Cortezinho na fotografia.
É assim.
Sempre.
Faz bué sentido.
Ya.
Faz bué sentido.
Tem que ser, porque dois meses depois aquele namoro acaba e no Natal, não sei o quê, eu estou numa foto.
No meio.
No meio da família. Nunca te contei esta história? A família do Nuno tem, na boa, 50 pessoas. É uma javardice, é uma família muito grande. Eles têm uma casa de família onde se juntavam todos os anos. E houve um ano em que eles conseguiram juntar muito mais gente do que estavam à espera. Tiveram que alugar um hotel para caber mais gente, porque dentro da casa não cabia toda a gente. Quem é que o Nuno convidou para ir passar uns dias com ele na casa nessa altura?
Mas tu foste muito mais vezes companhia do Nuno nessas coisas.
Naquela casa foi a primeira vez que lá fui. Mas sim, aquela família já me conhecia mais ou menos, não todos. Há uma fotografia que depois até emolduraram e puseram na casa, porque foi o maior número de primos e tios que se juntou na mesma casa de uma vez, e eu estou na fotografia. Está lá um mini Gui, assim gordinho.
"Olá, eu faço parte desta família". Santinho, acordaste os nossos gatos.
Desculpem, levantaram todos a cabeça. Olá, guinas. Eu espirrei, desculpa.
Havia aqui um que agora não estou a encontrar, especificamente, diz: "Como lidar com casais amigos que consideram que são uma única entidade e querem pagar as coisas como se fosse só uma pessoa?"
É preciso ter-se uma conversa com esses casais, porque isso é a versão moderna de perfis de conjunto.
Não, é a versão avarenta.
É a versão avarenta de perfis de conjunto. Vamos todos jantar, somos oito pessoas, é dividir por oito, não é dividir por sete, porque vocês são um casal. Vocês não dividiram o prato, ou dividiram? Não comeu cada um o seu?
Se calhar dividiram, se calhar dividem tudo, mas isso é um problema que é deles.
Sim, mas ainda mais irritante. Somos oito a dar uma prenda de anos. Divide por sete, porque eu sou eu e a minha namorada. Não. Era só o que faltava. Nós por acaso demos uma prenda agora há pouco tempo que foi assim.
Tu só deste...
Porque a pessoa que estava a fazer a cobrança, vou dizer assim, disse: "Não, tu e a Rita contam como um."
Ok.
Ok, obrigado.
Espera, agora até bati no microfone. Primeiro não sabia, fiquei contente agora.
Foi o salto de avião.
Sim, percebi. Mas não sabia que tinhas falado com ela para ser assim. Mas repara uma coisa.
Eu não falei para ser assim. Atenção, fica em ata.
Que tinhas falado com ela e tinham decidido ser assim. Falei mais depressa do que pensei. Mas, em geral, tu contas que tu és a tua própria pessoa, não é?
Tu és a tua própria pessoa. Essa frase tem que sair daqui e tem que ser para a vida.
Tem que ser posta numa T-shirt.
Tu és a tua própria pessoa, tu não és a tua relação.
Por falar nisso, ontem fui com a nossa amiga Márcia ver o "Hamnet", que é um filme que está agora nos cinemas.
Talia Al Ghul.
Exatamente.
Maggie O'Farrell.
Maggie O'Farrell, que é uma história muito triste.
É das que tu gostas.
Fomos ver e acabamos as duas tipo: "Porra, o que acabamos de ver, meu Deus, que lindo".
Choraram?
Eu não chorei, mas houve momentos em que estive quase. E quando cheguei a casa, mandei uma mensagem à Márcia a dizer: "Obrigada por teres vindo, amiga, diverti-me muito a ser triste". E ela disse: "Temos de pôr isso numa T-shirt".
Eu acho que é a definição de Rita da Nova.
"Diverti-me muito a ser triste".
É que é mesmo isso. Nós nos episódios ao vivo falámos disso, de como tu lidas com a tristeza e como eu lido com a tristeza.
Eu é tristeza scheduled. Marcada.
Vão poder ouvir os nossos episódios no Patreon a partir do dia 1 de dezembro. O que eu ia dizer? "Diverti-me muito a ser triste" devia ser até a frase de lápide, é a tua lápide.
Olha, boa.
É mesmo, acho que é esse nível.
"Diverti-me muito a ser triste". Tens aí mais...
Tenho, sim, senhora. Temos aqui alguns problemas do nosso Slido, que vamos responder aqui. E eu tenho aqui um que diz assim: "Lençóis polares no inverno. A minha namorada odeia e eu adoro. Como lidar numa cama de casal?"
Mas sabes que uma coisa, até quando eu vi esse-
Sabes que uma coisa, foi o que tu disseste.
Sim. Eu vi esse, eu: "Opá, deslarguem-me".
Olha.
"Deslarguem-me". Não gosto, não gosto. Tu também não gostas, não gostas.
Tu queres bufar agora, não queres? Bufa baixo. Exatamente.
Olha, agora perdi-me. Já sei.
Lençóis polares, cama de casal.
Cama de casal. Quando li isso no Slido, estávamos em Coimbra, espreitei e vi isso. E até me espanta, porque normalmente são as mulheres que gostam de lençóis polares e os homens não.
Pois é, e os homens são mais quentes.
Neste casal, claramente ele é o friorento.
Pois é.
Mas é mesmo um homem, não é? O que diz?
"Lençóis polares. A minha namorada odeia e eu adoro. Como lidar numa cama de casal?"
Podem ser duas mulheres.
Podem ser duas mulheres.
Podem ser duas mulheres. Minha teoria caiu por água abaixo.
Completamente. Diz aqui anônimo.
Eu acho que é assim, é o seguinte.
Eu tenho uma teoria.
Eu tenho uma teoria também.
Não, eu tenho uma teoria.
Eu tenho uma solução.
Eu tenho uma solução.
Tenho uma solução, que é...
Tu tens uma solução? Quem é que te enterra no cu?
É mais fácil destapar. Portanto, quem tem mais frio deve decidir como é que a cama fica.
Tem primazia de camadas.
Como é óbvio. Primazia de camadas. Quer como? Quer lençol polar, quer um edredom.
Saquinho de água quente.
Quer saquinho de água quente, quer aqueles lençóis que são elétricos. A pessoa escolhe. Quer um weighted blanket.
Quer sete gatos, quer lareira, põe tudo.
Porque a pessoa que tem frio, é mais difícil lidares com o frio do que lidares com o calor.
Exatamente.
No sentido em que, na verdade, é mais difícil teres frio, porque tu podes pôr camadas. E portanto, quem tem menos frio não escolhe, destapa-se.
Exatamente. Eu concordo 100% com isso, sendo que eu ia dizer: vocês podem montar a cama em termos de lençóis. Não estou a dizer em termos de IQ, de pôr a peça A na peça B, mas montar a cama, fazer o mise en place da cama para a pessoa que tem menos frio E depois, no lado da pessoa que tem mais frio, pôr um cobertor de cama de solteiro do lado.
Não, a pessoa que não tem frio que se destape.
E és um bocado mais nazi do que eu nisso.
A pessoa que não tem frio que se destape, mas isto agora é o quê?
Mas quando há o mal, do lado da pessoa que tem frio, pôr mais um cobertor por cima.
Então, mas vão dormir é separados.
É isso, dormem em camas separadas. Pronto, acabem. Divórcio.
Não, acho que cada vez mais a solução para as pessoas não se divorciarem é dormirem em camas separadas. Atenção.
É bem possível.
Atenção. Com o passar do tempo e da idade.
Ya. Eu vou te dizer uma coisa. Eu acho que se tu ressonasses como o nosso produtor estava a ressonar em Coimbra quando nós estávamos a dormir.
Tu ouviste pessoas a ressonar? Eu não ouvi nada.
Eu acho que se tu ressonasses como ele, eu acho que eu já não estava casado contigo.
Não, é que ressonar então, tendo em conta, às vezes-
Mas é que aí não é camas separadas.
Pois é, é isso.
Aí é casas separadas. Já estamos em casas separadas.
Não dá. Se calhar o nosso produtor tem de ir ao endocrinologista ver o que se há de fazer.
Pois, sofre da cabecinha.
Há quase desde que nasceu.
"A minha namorada não respeita a minha privacidade na sanita. Deixa sempre a porta aberta e ela sabe que eu não gosto. Como resolver este problema?" Eu tenho um problema com a formulação desta frase, que é, eu vou repetir: "A minha namorada não respeita a minha privacidade na sanita". O que eu imagino? Quando eu estou na sanita, a minha namorada chateia-me.
Mas eu acho que se calhar é o contrário, é não respeitar a minha privacidade no sentido de na sanita, quando ela está na sanita.
Ela não vai-
Exatamente. Podem ser as duas coisas, eu acho.
Então vamos responder qual a primeira. É como eu sofro, a outra não.
Não, tu não sofres. Às vezes vou-te fazer piretes, mas é só o dedo.
Quando eu vou cagar.
Não. Guilherme, há quanto tempo é que isso não acontece?
Há muito tempo.
Há.
Mas o rácio de vezes que acontece para que não acontece.
Não tenho culpa de ter de ir buscar coisas à casa de banho.
Sempre que eu lá estou.
Tu estás lá sempre.
A porta abre e eu vejo sempre a tua mãozinha.
Parece o thing da Família Addams.
Sim, a Wednesday. Aparece uma mãozinha que vai abrir os armários, tirar merdas e depois faz um pirete e vai embora.
Não é divertido.
É muito divertido, mas por que é sempre que eu estou na casa de banho?
Porque tu estás sempre na casa de banho. Essa é que é a questão.
Eu não tenho culpa de ter um cocó regular.
Não, tu não tens um cocó regular. Tu és obcecado com o teu próprio cocó.
Não, não, não.
Não, desculpa, agora não. Não.
Eu tenho um bom cocó.
Vocês já viram que eu estava chateada no início deste episódio. Eu estou é agora.
Eu tenho um saudável cocó.
Não tens. Tu tens uma relação obsessiva, paranoica com o teu próprio cocó. Tens.
Não, que eu não sou o pai do complexo de Portnoy. Isso é uma relação-
Tens. Achas que tens de fazer cocó às X horas, mesmo que não tenhas vontade, vais para lá.
Não, se não tenho vontade, não vou.
Guilherme.
Não tenho vontade, não vou.
Tu não sabes então identificar a tua própria vontade.
Eu sei perfeitamente que vontade é que eu tenho. Neste momento, é uma vontade de acabar este episódio e quando passar-
Vontade é quando o senhor castanho já está à porta. Isso é vontade, não é aqui no meu intestino. Isto é vontade.
Já está? Podes ir buscar as coisas antes de eu ir cagar? É só o que eu te peço. E se fosse ao contrário?
E se fosse consigo.
Pessoas que cagam de porta aberta.
Não, nem pensar. Para mim era mais divórcio do que pessoas que ressonam.
Pois é, por que as pessoas cagam de porta aberta?
Porque é uma escolha consciente, não é ressonar, tu não controlas.
É que há pessoas que gostam de fazer cocó e conversar, que eu até percebo.
Mas dá para falar.
É, o som passa. Liga, faz uma chamada, uma merda qualquer. Por que a porta aberta? Se a pessoa sentadinha, parece que estás perto do autocarro. Eu não quero.
Não consigo.
Fechem a porta.
Não consigo. E o cheiro, é tudo. Não.
Ya.
Não.
Tenho aqui mais um.
Bora, o último. Antes de irmos embora e deixarmos as pessoas chateadas.
"A minha namorada é demasiado boa na arte da argumentação, o que é bastante chato e irritante. Algumas dicas?"
Olha.
Como namorar com uma pessoa que ganha sempre as discussões porque tem mais poder de argumentação.
Estamos junto. Não sei quem é esta pessoa.
O teu marido também tem mais poder de argumentação.
Não, a questão é: eu quando estou envolvida numa argumentação, eu começo a ficar acesa. E não é que esteja chateada. Estou só a abonar. Vou te argumentar até à morte, percebes?
Ya.
Tu estás impávido e sereno.
Blasé.
Blasé. Dizendo: "Tu mas já consideraste?" "Mas não podes." Há uma que tu dizes que é: "Então vou te perguntar assim", que é: "Vou ter que trocar as voltas, que eu sou tão inteligente. Enquanto tu estiveste aí bibibi, eu não estive a ouvir nada do que tu disseste. Estive a ouvir soundbites."
Eu ouço tudo.
"Estive a ouvir soundbites e já estive aqui a pensar, porque eu sou tão esperto."
Dou a volta ao bico e ao prego.
"Como é que vou perguntar ao contrário, que é para te apanhar na curva."
Então deixa eu perguntar-te assim.
Vês? É essa. Então deixa, olha. Então mas espera. É o então mas deixa ver. Irrita-me. Não, não quero ver dessa forma, porque se eu quisesse ver dessa forma, estava a ver dessa forma. Eu quero ver da minha forma.
Tu podes ver da tua forma, estás é a ver mal. A minha questão é: eu não tenho culpa de ter crescido num ambiente familiar em que era necessário o meu dom da oratória e do concílio para que as pessoas se dessem bem. Eu nasci com uma capacidade muito grande de discussão, peço imensa desculpa.
Mas é que...
De argumentação.
De argumentação.
Tenho uma grande capacidade de argumentação.
E às vezes isso irrita, porque às vezes, quando uma pessoa está a querer discutir, que é mesmo assim.
Ok.
Não queremos, do outro lado, uma pessoa que sabe muito bem o que dizer em todas as alturas. Eu quero sentir que aquilo que eu disse também te afetou e que tu foste apanhado na curva e ficaste tipo: "Ai, ya, agora não sei o que dizer."
Tu queres drama
O k-drama.
Tu queres o momento da série do: "Eu não acredito que ela disse isto".
Exatamente.
Não, eu não tenho nada disso.
Pois, é que isso irrita.
Não. Calmo, ponderado, argumentativo, a resolver os problemas e a dizer tudo de uma maneira que duas horas depois não nos arrependemos do que dissemos. Temos que pensar antes de falar.
Eu também não me arrependo.
Pensar antes de falar.
Eu também penso antes de falar, mas eu gosto um bocadinho mais de emoção nas minhas discussões.
Mas sabes qual é o problema da emoção nas discussões? É que se eu me enervo, tu ris-te, porque eu tenho muita graça irritado.
Então eu quero isso.
Não, mas isso não vai dar. Eu não me posso enervar, porque tu ris-te.
Tem tanta graça.
Quando eu fico irritado, tu ris-te.
Tem tanta graça.
Se fosse ao contrário, tu matavas-me.
Claro.
É imediato. Facada logo no lombo.
Claro.
Facada no lombo.
Claro.
Bom, temos que descobrir aqui uma maneira de discutir.
Exatamente.
Terapia de casal.
Não ajudámos nada esta pessoa, entretanto.
Pois não.
Como não ajudámos nenhuma.
Ya, na verdade, não ajudámos nenhuma. Desculpa, vais ter que-
Olha, resolve sozinho.
Manda um e-mail com mais exemplos e com uma descrição do que se passa e nós voltamos aqui a este tema.
Até porque temos uma pessoa convidada alinhada para os próximos episódios de "Terapia de Casal ao Vivo", que poderá ser muito boa para falarmos sobre isso.
Já aí pediram que não sabe discutir e portanto é giro pegarmos nisto. terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem mandar tudo. Podem mandar o vosso voluntariado para o tribunal da relação.
Olha, podem, porque estamos à espera.
Podem dizer: "nós temos isto, vamos aqui a esta data, era muito giro, nós gostávamos de ir a palco, queremos discutir isto, por favor, Rita defende-me, Guilherme defende o meu namorado". Podem mandar perguntas, dúvidas, questões e inquietações que vocês tenham nas vossas relações, podem ser amorosas, familiares e etcetera.
Sobretudo e etcetera.
E podem também mandar o vosso hate. Mandem um e-mail a dizer o que é que não gostam, o que é que odeiam neste podcast, as nossas decisões, o valor do Patreon está muito alto, por que o "Terapia de Casal" tem convidados, por que o "Terapia de Casal" não tem convidados, por que o "Terapia de Casal" tem tribunal e às vezes depois não tem, por que o "Terapia de Casal" anda no país e não vem à minha cidade. Vocês têm uma mensagem qualquer de irritação e de hate, mandem para a Rita no nosso terapiadecasalpodcast@gmail.com. Acabou este episódio, acabou a nossa máquina de lavar que está a tocar agora também. Eu vou tomar banho, adeus e até à próxima. Será que as pessoas ouvem lá ao fundo a música?
Acho que foi assim que a Rosalía criou o novo álbum dela.