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Antonio Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys.

Sejam então bem-vindos a mais um episódio do "Todas as Fórmulas", o podcast da Rádio Observador, com o apoio do Pisca Pisca, comigo, Nélson Ferreira, e também com o António Félix da Costa. Bem-vindo mais uma vez, António.

Obrigado.

Hoje vamos falar de Le Mans. É uma prova que também te diz muito. Aliás, os campeonatos de endurance, de resistência, são também muito apreciados pelos amantes do desporto automóvel, mas Le Mans é a prova mais mítica. O ano passado saíste nada mal. Segunda posição nos LMP2, esta categoria que até foi ganha por um português.

É verdade. Filipe Albuquerque.

Filipe Albuquerque. De resto, tinhas aqui também bons companheiros, o Anthony Davidson e o Roberto González. Como é que foi estas 24 Horas de Le Mans?

Foi a minha terceira participação nas 24 Horas de Le Mans. É engraçado, só recuar um bocadinho. Eu quando estava perto da Fórmula 1 e quando corria no DTM com a BMW, não queria nem ouvir falar em corridas de endurance e corridas de 24 horas, "deve ser uma chatice" e não sei o quê. Até ter feito a primeira. E fiquei agarrado, foi um vício.

Mas o shift deve ser grande, a mudança que tens que fazer para aquela gestão de horas, três pilotos.

Muito, exatamente. Tens de te comprometer na maneira que te sentas no carro, porque é um banco que tem que dar para os três. Se calhar há um piloto que gosta do carro mais a escorrar de frente, outro a escorrar de trás, também tens que comprometer aí. Mas isto tudo abre-te a mente, tens que ter uma open mind, completamente diferente do que uma corrida de sprint, 45 minutos, em que tens um carro só para ti. É uma vertente que adorei, foi de facto uma experiência incrível. Fiquei agarrado, nunca mais quis largar. Já fui a Le Mans três vezes. Este último ano, finalmente numa posição de conseguir ganhar a corrida, e estivemos na luta até ao final. Ao fim de 24 horas ficámos em segundo por 20 segundos, que é de loucos. Mas também te consigo dizer que fazer corridas de endurance com colegas de equipa chatos, que tenham um ego grande, que não saibam dividir os pneus novos, ou seja o que for, alguns detalhes, é uma grande chatice. Agora estou numa posição ótima, tenho uma equipa muito boa, colegas de equipa muito bons, zero egos. Imagina, estamos em Fuji, é a qualificação, não tenho problemas nenhum em dizer ao Anthony: "Qualifica tu, estás melhor que eu aqui, por isso eu depois qualifico seja onde for." Há uma dinâmica muito boa dentro da equipa. Acho que Le Mans e o campeonato de endurance está com um futuro muito promissor. Várias marcas também, a Porsche diz que vai voltar, a Audi diz que vai voltar, por isso prevê-se um futuro também brilhante para esta categoria.

E tu vais regressar para a próxima edição?

Eu vou regressar. Vamos começar o campeonato daqui a um mês em Spa. Vamos correr aqui em Portimão também, em junho.

Spa, que é das minhas pistas favoritas.

Spa é linda, também é das minhas. E depois vamos correr em junho em Portimão. Esperemos que já possa haver público em junho, à partida. Pode ser que sim, era ótimo voltar a correr em casa. E depois temos Le Mans em agosto.

Em agosto. Há também portugueses históricos, diria, para Le Mans. Estava-me a lembrar. Os Melo Breyner costumam correr.

Os Melo Breyner são irmãos da minha mãe.

São? Pois é, depois Melo Breyner, exato, já não me lembrava.

Um deles é meu padrinho.

O Nia Mourinha era um nome quando eu era mais pequeno, quando estava a crescer.

Nia Mourinha é agora o nosso presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo.

E eu lembro-me que ele também tinha sempre esse destaque para Le Mans.

E o Pedro Lamy.

E o Pedro Lamy que tem feito-

Várias lutas à geral.

Sim. E depois também há aqui um universo muito cinematográfico à volta de Le Mans. Le Mans sempre foi pródigo em dar histórias para o cinema. O Steve McQueen é que gostava muito de Le Mans e até recentemente também tivemos aquele filme "Ford vs. Ferrari".

Muito louco.

Tu costumas ver esses filmes? Isso interessa-te?

Vi e adorei. Acho que foi um gênero de um "Drive to Survive." É uma história real, um bocadinho americanizada para poder dar um filme de cinema. Mas imagina, aquilo na altura, eles descansavam ali no chão da garagem. Hoje em dia saio do carro, tenho um massagista, um cozinheiro, uma caravana para dormir e descansar e depois lá volto, passado três ou quatro horas volto para dentro do carro. Por isso aquilo na altura era muito mais duro, sem dúvida nenhuma. Mas também havia muito mais erros, mais despistes, mais acidentes. Hoje em dia são 24 horas a fundo, não poupas nada. E estamos a falar de distâncias mínimas. No fim, o Filipe Albuquerque ganhou o ano passado, fiquei a 20 segundos dele, que é nada, ao fim de 24 horas às voltas. É impressionante.

Essa modalidade sempre me intrigou muito, porque para um espectador, eu percebo que quem acompanhe pela televisão até possa ser menos espetacular nalguns momentos, porque não é coisa tão condensada em horas, mas depois de tu perceberes como é que aquilo está a rolar ao fim de 12 horas, 20 horas, percebes que há ali uma estratégia e muita coisa em jogo. Na próxima edição, achas que podes repetir um resultado ou melhorá-lo como pudeste este ano?

Temos que o melhorar, por um. Eu acho que a LMP2 este ano vai estar muito competitiva. Somos 27 carros, se não estou enganado, cada carro com três pilotos. Muitos pilotos bons já inscritos. Mas nós decidimos não mudar de equipa, não trocar colegas de equipa, ou seja, apostar mesmo na continuidade, apostar que o carro toca no chão e estamos competitivos desde a primeira volta e com isso poupas uma série de tempo, afinações, os engenheiros terem que conhecer um piloto novo, seja o que for. Por isso acredito que vamos estar em posição de chegar bem melhor preparados e com isso tentar então a luta à vitória.

Há pouco falavas dessa questão dos massagistas. É também uma prova bem mais desgastante a nível físico do que as outras?

Muito. Imagina, eu por acaso sou um piloto que se dá bem a guiar à noite, por exemplo, mas tenho um dos meus colegas de equipa que não adora. Então nós tentamos dar-lhe algum descanso nessa fase da noite, mas isto quer dizer que eu e o Anthony, o Roberto guia mais durante o dia, mas eu e o Anthony temos que fazer. À noite o Anthony faz duas horas e meia, eu duas horas e meia, ele duas horas e meia, eu duas horas e meia. Entretanto, o Roberto descansou 10 horas e está pronto para voltar de manhã e atacar ali a fase da manhã. Mas isto quer dizer que é muito duro. Imagina, dormes uma hora e meia, de repente tens que voltar para o carro, ainda estás meio abananado, mas com a adrenalina também acordas.

Presumo que depois no fim da corrida também esse desgaste-

É uma semana.

Era isso que eu te ia dizer, também te obriga a uma recuperação maior.

É uma semana que parece que estás destruído.

Um jet lag.

É tudo.

Muito bem. "Todas as Fórmulas", o podcast aqui da Rádio Observador, com o apoio do Pisca Pisca, com o António Félix da Costa. Hoje falamos de Le Mans. Vamos falar de turismo, de carros de turismo. Na próxima edição, vamos falar de WTCR e também de DTM. Acompanhem-nos também no site do Observador. António, até para a semana.

Obrigado, um abraço.

Antonio Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys.