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Este podcast tem o apoio de piscapisca.pt.

Antonio Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys.

Sejam então bem-vindos ao "Todas as Fórmulas", novo podcast da Rádio Observador, em parceria com o piscapisca.pt. E é por isso que eu, Nelson Ferreira, tenho aqui a companhia de um embaixador Pisca Pisca. Por acaso, também é campeão do mundo de Fórmula E. António Félix da Costa, bem-vindo à Rádio Observador.

Muito obrigado.

Um prazer. Eu queria partir para esta série de podcasts que vão estar aqui no ar nas próximas semanas, nesta perspectiva de fórmulas para totós. E eu sou o totó, obviamente, que ainda tenho muito o que descobrir de todas estas diferenças no desporto automóvel e no desporto motorizado. Mais à frente até vamos falar também de motas e de MotoGP. Mas neste primeiro episódio, queria que fôssemos para a Fórmula E. É a grande novidade no calendário mundial dos desportos motorizados e tu o ano passado conseguiste a proeza de ser campeão do mundo. Ainda a digerir essa vitória ou como a nova época já começou, isso já vai um bocado lá longe?

Antes de mais, para começar e pegar aí no título, acho que somos todos um bocadinho totós quando nos deparamos com temas que não conseguimos aprofundar ou que não temos conhecimento. Por isso acho que é um título engraçado. Eu sou totó numa série de outros temas, mas aqui estou como peixe na água. Isto é o que eu faço da vida e então estou-me a tornar aqui a vida fácil. Olha, eu acho que ter ganho o campeonato o ano passado, já digeri e foi uma coisa engraçada que me aconteceu, que foi quando ganhei, não sei explicar, houve um hype tão grande, um pico de felicidade, de descontração, de um peso que me saiu de cima dos ombros, de objetivo cumprido. Mas sabes que aquela felicidade, aquele pico, pelo menos, o pico máximo de felicidade, durou muito pouco tempo. Muito pouco. Tipo uma hora ou duas. E então o meu mindset passou logo para: "Eu tenho que fazer isto outra vez, tenho que conseguir ganhar isto outra vez", porque foi um sentimento tão bom e tão forte, mas que durou tão pouco tempo. Depois, obviamente, estive muito contente e continuo contente e tudo mais durante muito tempo, mas aquele pico máximo foi assim um rush que não durou muito tempo.

Mas de alguma forma viciante, não é?

Completamente. Eu acho que tudo na vida o que é exclusivo ou que não consigas controlar, tal como esse sentimento, que é uma coisa tão difícil de alcançar, 100%, muito viciante. Por isso é que agora estou aqui já com a faca nos dentes para tentar ganhar outro.

Como é que tu explicarias a Fórmula E a quem não sabe nada disto? Estamos a falar de uma fórmula elétrica, os carros são elétricos. Fiquei com esta curiosidade, como é que isto se pode comparar com um motor normal de 1600 ou de 1800 de cilindrada? Como é que se mede um motor elétrico?

A maneira mais fácil de explicar o que é a Fórmula E, e muito simples, é basicamente a Fórmula 1, mas 100% elétrica. É um campeonato que está par a par. Somos também, pela FIA, um campeonato do mundo, neste caso, Fórmula E. Tens o campeonato do mundo de Fórmula 1, nós somos o campeonato do mundo de Fórmula E. Carros 100% elétricos. E é um campeonato que existe apenas há sete anos. Estamos a começar agora a nossa sétima época, mas é impressionante o crescimento que teve nos últimos sete anos, por várias razões. Mas imagina, temos a Porsche a correr num campeonato de carros 100% elétricos. Isto para mim, há três, quatro anos era uma coisa impensável e demonstra bem o caminho que o mundo está a tomar e para onde é que estamos a ir e a importância da sustentabilidade no planeta e que todas as marcas, não só os carros, mas todas as marcas estão a seguir esse caminho. Mas além da Porsche, tens a Mercedes, a Audi, a BMW, a Jaguar, a DS, onde eu corro, enfim, uma série delas, onde na Fórmula 1 tens talvez a Renault, a Ferrari, a Honda e a Mercedes. Então há muito mais marcas na Fórmula E do que na Fórmula 1 e isso demonstra bem o caminho que o mundo está a ir.

São 24 carros, 24 pilotos.

Dois equipas, 24 carros, cada equipa com dois pilotos. O motor 100% elétrico hoje em dia já é muito mais eficiente do que qualquer outro motor. Podemos agarrar no Bugatti não sei o quê, que é o carro mais rápido do mundo na estrada.

O de 1000 cavalos.

Exato. E eu tenho a certeza que já existem carros elétricos, agora não me lembro da marca, mas existe um carro elétrico que é muito mais rápido do 0 aos 100 km/h do que um Bugatti. Isto aqui meramente tecnologia. O motor elétrico é um motor que tu tens a potência máxima sempre disponível, seja qual rotação tiveres, velocidade tiveres. E os carros de motor a combustão não, porque tens que estar na rotação ideal da mudança X, seja o que for. Ou seja, a nível de performance já vamos ver os carros elétricos, mesmo na estrada, a serem melhores. A nível de eficiência nem se fala. Obviamente, o maior travão neste momento é o tempo de carregar os carros. Já nem é a autonomia. A autonomia já tens carros elétricos com 300, 400, 500 km de autonomia.

Mas ali durante uma corrida tu tens que fazer a gestão do que ele vai gastar ou não, para não ficares atrasado.

Imagina, para pôr isto também em pratos limpos, imagina, a corrida tem 50 minutos, mas eles só nos dão energia para 40. Ou seja, nós temos que fazer o carro durar mais 10 e então parte da nossa condução. Mas assim como se eu amanhã te der um carro elétrico para guiares na estrada, o primeiro dia, se calhares, com um depósito, fazes só 100 km, mas depois vais melhorando a tua condução, vais ficar mais eficiente. Na segunda semana já fazes 150 km e depois vais conseguir fazer 300.

Eu acho espetacular essa questão da potência estar disponível, do binário estar disponível ali na primeira aceleração.

Nós não temos mudanças, é tudo a mesma mudança.

Exato. E eu estava a me lembrar de umas imagens que vi tuas quando tu passaste com o carro com que ganhaste o campeonato do mundo aqui em Lisboa. Até fizeste a Avenida da Liberdade a 180. E há uma altura em que tu fazes uma espécie de donut e ele parece que sai muito mais rápido do que se fosse num carro mesmo a gasolina ou de combustão, neste caso. Como é que foi a mudança? Começaste a pilotar carros de corrida elétricos. Foi estranho essas primeiras vezes?

Foi muito. Até porque o meu sonho sempre foi ir para a Fórmula 1, foi com esse âmbito que continuei e estava a fazer carreira, até porque a Fórmula E não existia quando eu era mais novo. E depois a Fórmula E aparece numa altura certa da minha vida. Certa que para mim foi uma altura completamente errada, mas eu tinha um contrato de Fórmula 1 assinado, tudo pronto para ir para a Fórmula 1 com a Red Bull, e de repente tiram-me o tapete dos pés e eu fico sem banco, sem carro na Fórmula 1, e a Fórmula E passa a existir. É o primeiro ano, mas como podes imaginar, como qualquer "petrolhead", na altura eu estava a ver o meu sonho de criança a ir embora. Não quero a Fórmula E para nada, carros elétricos, isso é uma chatice. E fui um bocado contrariado para a Fórmula E. Ofereceram-me um bom contrato, um bom salário e não consegui dizer que não. Mas hoje digo-te que foi a melhor decisão que tomei na minha vida, porque não só é o sítio certo para estar, obviamente, a Fórmula 1 continua a ser a categoria rainha da nossa modalidade, mas a Fórmula E está com um crescimento inacreditável. Divertimo-nos imenso, até porque nós corremos no centro das cidades, centro de Londres, LA, Nova Iorque, seja o que for, Hong Kong, Paris, Roma, etc. Divertimo-nos imenso, corridas muito competitivas, juntei o melhor dos dois mundos e aqui estamos.

Isto parece estar a resultar. Vi há dias as primeiras corridas, que aconteceram no final de fevereiro. E eu ouvia comentadores a dizer: "A Fórmula E pode virar a Fórmula 1 com a Mercedes já com algum domínio." Os carros são muito parecidos, a decoração do carro que venceu, principalmente a primeira corrida do Nick, tem aquele ar prata, típico da Mercedes. Como é que perspetivas esta temporada, também para a ADS, que é a tua equipa?

Para começar, espero que estejas enganado. Tu e muita gente que disse a mesma coisa, porque a verdade é que a Mercedes entrou oficialmente só o ano passado na Fórmula E e já tinham dado amostras de serem uma equipa muito competitiva, como é de se esperar, em qualquer categoria eles são sempre muito competitivos. E este ano, de facto, tiveram um grande início de temporada, limparam a primeira corrida, pole position, vitória com o Nick de Vries, muito bom piloto. Mas nós ainda estávamos nesse fim de semana com o carro do ano passado. Só agora para Roma é que vamos ter o carro novo.

Ainda assim fizeste um pódio na segunda corrida.

Na segunda corrida ainda fizemos um pódio e estávamos competitivos, por isso estou confiante que temos carro para lutar com eles.

Há aqui também ainda alguma incerteza, só para fecharmos aqui o capítulo da Fórmula E, porque vamos falar de Fórmula 1 no próximo episódio deste podcast "Todas as Fórmulas". Alguma incerteza ainda no que será o calendário total. Estão agendadas corridas só ainda até junho, ao Chile, mas há a perspetiva de que isto possa ser aumentado. Portugal pode ainda vir a fazer parte deste circuito, era giro.

Era ótimo. Acho que este ano já não. Mas já estivemos mais longe, há várias conversas em cima da mesa. Sei que há várias cidades aqui em Portugal que têm interesse em fazer parte do campeonato. Eu enquanto piloto, embaixador do campeonato, seja o que for, já fiz a minha parte em ligar presidentes das câmaras, cidades à Fórmula E e vice-versa. Por isso agora saí um bocadinho de cena, mas espero que possa acontecer. Eu adorava correr em casa, um campeonato do mundo aqui em Portugal, correr em casa era ótimo.

E é isso que estamos a torcer também para o resto da tua temporada. António Félix da Costa, "Todas as Fórmulas" aqui na Rádio Observador, com o apoio do Pisca Pisca. Hoje falamos de Fórmula E. O António é campeão do mundo desta modalidade, que já arrancou com a nova temporada, podem ir acompanhando. E no próximo episódio vamos falar de Fórmula 1. Até lá. António Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys!