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"António Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys."

"Todas as Fórmulas", sempre na Rádio Observador e também no nosso site, com o apoio do Pisca Pisca. Já estamos a caminho deste que é o último episódio desta série de programas, comigo, Nelson Ferreira, e também com o António Félix da Costa. António, obrigado por todas estas dicas que nos deste ao longo destes episódios. Já falámos de Fórmula 1, de Fórmula E, de MotoGP, do Dakar, do WRC, e vamos terminar aqui num capítulo que eu acho muito interessante: as diferenças das corridas de carros da Europa para os Estados Unidos. São de facto muitas as diferenças?

Olha, eu acho que-

Eles são mais malucos.

Não é só mais malucos.

É assim uma mecânica. A mecânica é mais...

Eles são muito mais pró entretenimento. Tudo o que seja entretenimento, vale tudo. Em Le Mans, por exemplo, não há safety cars. Aliás, há safety cars, mas nunca reagrupa a corrida a 100%, porque a pista é tão grande. Na América, numa corrida de 24 horas, nas 24 Horas de Daytona, há 20 safety cars. Ou seja, este ano, por exemplo, nas 24 Horas de Daytona, um carro que vinha com três voltas de atraso porque teve um problema no início, na última hora da corrida estava na luta da vitória, porque eles vão reagrupando e deixam recuperar as voltas em atraso.

É um baralho e volta a dar.

Exatamente. A corrida está sempre "on" até ao fim. E isto é em prol do entretenimento. Porquê? Le Mans acontece muito ao fim de cinco ou seis horas. Pronto, já começas a eliminar malta, este gajo já vai com uma volta de atraso. E às tantas está ali um, ou o líder até ganha aquilo com uma ou duas voltas de atraso e já estão só a cumprir voltas até ao fim. Então eles têm ali um mix perfeito entre entretenimento. Vês no basquete, vês na NASCAR, vês em tudo.

Tu não achas que um dos sucessos disso é uma abertura maior das comunicações entre as equipas e os pilotos?

100%. E falámos disso no episódio da Fórmula 1 com o "Drive to Survive". A Fórmula 1 está a americanizar muito. Há muitos anos atrás não vias os chefes de equipas e seja o que for, discussões de contrato, e agora está tudo na Netflix, não é? E é muito isso. Eu acho que catapultou muito o interesse da malta para ver Fórmula 1. E os americanos é mesmo isso. Vês agora nos jogos de basquete, os jogadores todos com microfones, as conversas deles, no NFL também, na Super Bowl, mostram isso tudo.

Os americanos têm logo uma coisa muito engraçada, que é: se uma equipa ou um jogador for campeão de NBA, é campeão do mundo.

Para eles não existe mais nada. O que é nacional é bom.

Sim, isso é muito fixe.

É mesmo. Os gajos estão ali num campeonato regional e é campeão do mundo.

E quem desvaloriza as ovais também não está bem a ver o filme.

Olha, não está mesmo. Não falo por experiência própria porque ainda não experimentei, mas quero muito. Tive agora um teste de IndyCar em novembro do ano passado e adorei aquilo. Andar a 350, quase 400 km/h numa oval é só para malucos mesmo. Mas aquilo tem muita ciência de setup do carro, das linhas que fazes, poupar gasolina. Ou seja, tem muita coisa. Para não falar das velocidades que eles vão. E já vi vários amigos meus, outros pilotos, a terem acidentes gravíssimos. Por isso acho que as ovais estão na categoria de malucos.

Assistimos ao longo dos anos a alguns pilotos, estava-me a lembrar assim nos últimos anos, do Montoya, que depois passa da Fórmula 1 para a Indy, ainda faz uma grande carreira na Indy. Há alguns deles, os Andretti, que fazem todos essa carreira mais norte-americana. Mas ali também, e corrija-me se eu estiver enganado, eles também não são mais mecânica? Os motores não são maiores?

É, aquilo é American muscle.

Exato.

Imagina, na Fórmula E ainda não temos nenhum construtor americano e há várias marcas, a Ford, a Chevrolet, seja o que for, que já estão a demonstrar algum interesse. Mas imagina, entrou uma Porsche para a Fórmula E antes de qualquer marca americana. Os americanos adoram barulho, motores grandes e não sei o quê, mas acho que também eles se vão converter. Aliás, o campeonato, o equivalente de Le Mans na América, que é as 24 Horas de Daytona e tudo mais, para o ano já vão ser carros híbridos. Isso já mostra que eles também já estão a ter que enveredar por esses caminhos.

E há também aqui um imaginário das pistas norte-americanas. Tu falavas de Daytona, mas eu lembro-me sempre de Laguna Seca, por exemplo, ou mesmo o circuito das Américas em Austin. E tenho a ideia que também as pistas são um bocado-

Têm mais entidade, mais característica. Imagina, Laguna Seca, tocaste logo na maior delas. E tens ali aquela curva que se chama a Corkscrew, o saca-rolhas, que é de loucos.

Já foste lá?

Já estive lá a treinar, nunca corri. Imagina, tu vens em sexta a fundo e tens que travar para uma curva de segunda que não vês para onde é que vai, aquilo desce de tal maneira que não vês para onde é que vais. Então tens que arranjar referências com as árvores ou com uma pedra, ou seja o que for que consigas. "Bem, tenho que virar aqui." Depois vais conhecendo e vais ganhando confiança. Estamos a falar de Laguna Seca, mas tem n circuitos com coisas assim que os distinguem muito. Aqui na Europa, os circuitos as escapatórias são de asfalto, ou seja, fazes um erro, não te acontece nada, vais só largo e voltas. Já não há aquela consequência do erro. E vês isso nas corridas de Fórmula 1. Ainda agora no Bahrain, na primeira do ano, a malta a ir toda para fora da pista e é uma polémica grande com o Hamilton e com o Verstappen, que quem ganha a corrida foi fora da pista. Isso lá não existe. Se o carro passa, é para usar. E eu acho que é assim que tem que ser.

Muito bem. A América, nesse aspecto também tem características muito diferentes das nossas. E noutros episódios já falamos desse imaginário também cinematográfico. Há assim uma série de filmes também com Tom Cruise e NASCAR, isso também deve ter ajudado.

"Talladega Nights", dos melhores filmes que existe, melhor que o "Ricky Bobby", isso é dos meus filmes.

Eu sou um fãzaço desses filmes também ligados ao desporto motorizado. António, só para terminarmos, ainda não percebemos qual é que é o teu carro ideal. Qual é o carro ideal para António Félix da Costa?

Olha, para mim, hoje em dia, 100% elétrico, nem sequer há dúvida.

Nem híbrido sequer?

Não, 100% elétrico e nem sequer há dúvida aí. E preciso de espaço, porque tenho dois cães, pranchas de surf, capacetes, por isso preciso de espaço para tudo. Por isso, um jipe ou uma carrinha. Hoje tenho o meu DS 7, que adoro, é híbrido só, ainda não é 100% elétrico, mas mal posso esperar para a DS me dar um carro 100% elétrico.

Muito bem. Foi um prazer ao longo destes episódios de "Todas as Fórmulas", descobrirmos aqui o mundo do desporto motorizado com a ajuda do António Félix da Costa, o apoio do piscapisca.pt, sempre aqui no Observador. António, muito obrigado.

Eu é que agradeço. Obrigado, um prazer.

E tudo de bom. Estamos aí a torcer pelo teu campeonato de Fórmula E. Um abraço.

Um abraço.

"António Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys."