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Este podcast tem o apoio de piscapisca.pt. Antonio Félix da Costa, the champion of Formula E.
Yes! Let's go, boys.
Seja então bem-vindo. Este é o "Todas as Fórmulas", o podcast da Rádio Observador, com o apoio do Pisca Pisca. Comigo, Nelson Ferreira, e com o campeão do mundo de Fórmula E, António Félix da Costa. Bem-vindo mais uma vez.
Cá estamos nós, mais um.
Estávamos a falar no último episódio do Mundial de Ralis, do WRC. Já falámos aqui também do WTCR, os campeonatos de turismo onde corre o Tiago Monteiro, mas há aqui um outro português no mundo do desporto motorizado que nos tem dado muitas alegrias: o Miguel Oliveira, que agora está na KTM, no MotoGP. Costumas acompanhar as corridas dele?
Muito. Sou um grande fã, primeiramente do Miguel, enquanto atleta e ser humano, acho que é fora de série. E gosto muito de motas. A verdade é que só fui a uma corrida de MotoGP na minha vida, que foi aqui no Estoril. Enquanto eu era piloto da Red Bull, eles convidavam para milhares delas, mas batia sempre com datas e coincidiam, então nunca conseguia ir. Mas fui ver o Miguel na última vez que ele correu no Estoril. Mostrou-me a mota toda, aquilo tudo, e um respeito enorme por eles todos, porque andam muito mais depressa do que nós em reta, sem cinto de segurança, sem aerodinâmica, sem nada. Depois também travam para aí 200 m antes, mas esquece, chegam lá, só têm duas rodas no chão. Muito mais fininhas, só têm dois travões, nós temos quatro. Por isso são desportos que não são bem comparáveis, mas esquece, muito respeito por toda a gente que anda a fundo em cima de duas rodas.
Tu andas de mota?
Eu ando muito de mota, motocross. E obviamente, hoje em dia, se calhar é por estar mais crescido ou seja o que for, mas estou sempre a pensar no que é que pode correr mal. E por contrato, estou completamente proibido de andar de mota.
Ia perguntar-te isso, por acaso.
Exato. Mas não ponho as minhas paixões de lado e adoro andar, e sempre que posso, ando. Mas hoje em dia estou a andar de mota e vou preocupado. Não posso cair, não posso isto. Então já não vou desfrutar como ia antes.
Mas gostas mais da terra no que toca a motas também.
Adoro. Sim, sou um grande fã dos americanos do Supercross e de tudo isso. Ver aquelas corridas dentro dos estádios e os saltões que eles mandam e aquilo tudo. Sou um grande fã, mas MotoGP, sem dúvida. E outra modalidade que é o Grande Prêmio de Macau de motas. Esse então nem sei, é de loucos. Eles têm os capacetes raspados, porque como é um circuito citadino, quando fazem as curvas, tocam com o joelho no chão e a cabeça nas paredes. É outro campeonato, esse então é mesmo de loucos.
Desculpa só fazer aqui um pequeno parêntesis para falar em Grande Prêmio de Macau. É uma corrida que te diz muito também. E que tem muita tradição. Por que o Grande Prêmio de Macau é tão especial?
Para já, só há uma vez por ano e não faz parte de um campeonato, é uma one off. Aquelas corridas com muita história. Eu te falo da Fórmula 3. O Schumacher ganhou, o David Coulthard, o Ayrton Senna, o Hamilton ficou em segundo ou terceiro, o Kubica ganhou. E a mim diz-me muito, porque obviamente é uma corrida com tanta história e eu já a ganhei duas vezes, e então é um ponto especial da minha carreira. Mas mesmo também por causa das motas, porque imagina, o primeiro ano que eu ganhei lá, foi a minha segunda ou terceira vez em Macau. Tínhamos vários portugueses a correr nas motas, um deles o Luís Carreiras, que morreu no sábado. Teve um acidente nos treinos e morreu. E o que mais me impressionou foi que no dia a seguir, às 6h00, estavam os outros pilotos todos em cima das motas a entrar pra pista para continuar a fazer o trabalho deles. É quase como os forcados. Os caras sabem os riscos que correm e às vezes aquilo até pode ser considerado uma estupidez, mas estão lá todos e se calhar um vai pro estaleiro e passado dois minutos estão lá outra vez pra pegar um boi de 500 kg, por isso é impressionante.
Eu sei que pra um piloto que está em cima de uma moto ou dentro de um carro, pode ser difícil ter a percepção de como é que o público está a viver a corrida ou a prova Conseguem perceber isso? E há diferenças entre um público asiático em Macau ou um público na América Latina?
Antes de mais, e espero que ninguém me leve a mal por isso, às vezes vinha um asiático de olhos completamente em bico e falava português tão bem como eu, em Macau. Fiquei de boca aberta. Ou seja, há uma comunidade grande a falar português em Macau e é uma história grande de Portugal em Macau, então é especial. Os chineses não diria que se destacam, quem se destaca muito são os japoneses.
Pois.
A paixão dos japoneses por carros, no geral, é de loucos. Quando corremos no Japão com o campeonato de Le Mans ou a Fórmula 1 em Suzuka, é impressionante mesmo, têm uma afição enorme.
Tenho a ideia que isso também é um pouco porque eles são bons construtores ou marcas que deram cartas.
Exatamente.
Os Nissans, os Toyotas. Acho que há essa ligação, quase Tokyo Connection.
Exatamente. E sabes que no Japão o street racing é mesmo proibido. Se calhar passa um carro mais grifado e a polícia vai direto atrás e para aquilo tudo. É proibido em todo lado do mundo, mas lá é mesmo uma lei escrita, mais restrito. E sabes que essa é a única razão que a Fórmula 1 não consegue correr no Japão. É street racing e nós corremos em cidades.
Nunca tinha pensado nisso, bem visto. Como é que achas que vai ser o resto da temporada? O Miguel Oliveira começou com o 13° lugar neste início de MotoGP. Os comentadores falam que podem existir algumas dificuldades, também é muito elogiado o momento da Ducati. Mas aqui o trajeto que o Miguel pode fazer e já vem fazendo naquela equipa.
O Miguel é daqueles pilotos que se fosse uma stock ou tivesse cotado em bolsa, eu não tinha problema nenhum em pôr as fichas todas all-in, porque é mesmo uma questão de tempo até as coisas baterem certo pra ele. O Miguel é um fora de série, muito trabalhador, um mindset incrível. Há poucos atletas em Portugal com esse tipo de mindset. Tens o Miguel Oliveira, o Frederico Morais do surf, e muito poucos mais. Talvez o Pimenta da canoagem dos Jogos Olímpicos, o Nelson Évora e o Óbi Coelho, mas são atletas que eu consigo, e o Miguel é um desses. O Miguel é muito forte psicologicamente, sabe bem qual é o foco dele, por isso é uma questão de tempo. Vimos que as KTM começaram mal, o Miguel depois explicou que a degradação dos pneus da frente com o pneu macio era demasiado alta. Por que eles estavam com o pneu macio? Porque tinham que correr à noite. Como está mais frio, precisam de uma borracha mais mole, e a moto dele não se entendeu bem com esse tipo de pneu. Por isso, acho que vai variar. Acho que vai haver pistas que lhes vão assentar bem melhor. Esperemos que Portimão seja uma dessas. Ganhou cá o ano passado e se ele puder ganhar em Portimão outra vez, como é já a próxima, até acho que pode catapultar a época dele.
Ainda agora nesta corrida que ele fez, estava me a lembrar que ele ganhou mais corridas o ano passado do que o campeão do mundo de MotoGP. Que ainda assim é estranho, mas a regularidade também conta muito. Só para terminar, do que conheces do Miguel Oliveira, tens ideia de qual seria o carro ideal para ele fora da pista?
O Miguel é um grande petrolhead. Estava a ver mais o Miguel com um superdesportivo, com quatro ou cinco escapes atrás, quando carregas no botão, faz imenso barulho. Eu já fui essa pessoa, hoje em dia já não sou. E quando corria para a BMW, tive a sorte de experimentar os M todos. Hoje em dia gosto do meu híbrido ou do meu 100% elétrico, mas estou a ver o Miguel mais com um ultradesportivo, todo preto.
Um superdesportivo.
Exato, é mais a onda do Miguel.
Podemos sempre sugerir-lhe para passar pelo piscaepisca.pt e descobrir por lá o carro ideal. Tem lá uma seção só para o fazer. Falamos de MotoGP nesta edição do "Todas as Fórmulas" com o António Félix da Costa. E atenção, porque no próximo episódio vamos até ao Dakar. Combinado, António?
Bora lá.
António Félix da Costa, the champion of Formula E. Yes! Let's go, boys!