Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora mais um Tratado da Saúde com a Dra. Vanessa Mendes, diretora clínica dos centros de saúde CUF. Bom dia, doutora.

Bom dia.

Hoje, em resposta ao nosso ouvinte Nuno Paiva, que nos enviou um e-mail, falamos sobre creatina. A maioria das pessoas pensa imediatamente em ginásio, musculação e aumento de massa muscular, mas, nos últimos anos, a investigação científica tem vindo a mostrar que a creatina pode ter benefícios que vão muito além da performance física. Fala-se hoje do seu potencial impacto no cérebro, na cognição, no envelhecimento saudável e até na longevidade. Afinal, estamos perante um suplemento apenas para atletas ou uma ferramenta com aplicações muito mais amplas? Dra. Vanessa, a creatina merece esta crescente atenção da comunidade científica?

Sem dúvida alguma. A creatina é uma substância produzida naturalmente pelo nosso organismo e também obtida através da alimentação, sobretudo a carne e o peixe. A sua principal função é ajudar as células a produzirem energia de forma rápida e eficiente. É por isso que ganhou uma notoriedade no contexto do exercício físico. Mas aquilo que muitas pessoas desconhecem é que o nosso cérebro também utiliza creatina para responder às suas elevadas necessidades energéticas.

Isto quer dizer que a creatina não atua apenas no músculo.

Exatamente. O cérebro representa apenas cerca de 2% do peso corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia do organismo. E algumas investigações sugerem que a suplementação com creatina pode melhorar determinados aspetos da função cognitiva, sobretudo em situações de privação de sono, fadiga mental intensa ou até o próprio envelhecimento.

Claro.

Os benefícios parecem ser mais evidentes em pessoas com menores reservas de creatina, como por exemplo, os vegetarianos ou, fundamental, os idosos. Embora ainda existam áreas em investigação, os resultados são bastante promissores.

E quando fala de envelhecimento saudável, onde é que entra a creatina?

Ela entra em várias dimensões. Com o avançar da idade, existe uma perda natural da massa muscular e da força, aquilo a que chamamos sarcopenia. E sabemos que preservar músculo é um dos fatores mais importantes para manter a autonomia, a mobilidade e até a qualidade de vida. A creatina, associada ao exercício físico, tem demonstrado ajudar a preservar a força e a função muscular em adultos mais velhos. E isso é particularmente relevante porque a longevidade não se mede apenas em anos de vida, mas também em anos de vida vividos com independência.

Pois, claro. Mas podemos dizer que a creatina atua como uma espécie de apoio energético às células?

Sim, essa é uma boa forma de explicar. A creatina participa num dos sistemas mais importantes de produção rápida de energia celular. E a energia é essencial para praticamente todos os processos do organismo, desde a contração muscular até ao funcionamento cerebral. E é precisamente por isso que existe tanto interesse científico no seu potencial papel na saúde metabólica, neurológica e no envelhecimento saudável. Ainda não podemos dizer que aumenta a longevidade por si só, mas pode contribuir efetivamente para alguns dos pilares associados ao envelhecimento saudável.

Mas isso quer dizer que toda a gente deve começar a tomar já a creatina?

Não necessariamente. A creatina é provavelmente um dos suplementos mais estudados e com melhor perfil de segurança quando utilizada de forma adequada, mas naturalmente a decisão deve ser sempre individualizada e acompanhada por um profissional de saúde. Pessoas que praticam exercício regularmente, adultos mais velhos ou indivíduos com necessidades especiais podem beneficiar mais. E como acontece com qualquer suplemento, deve integrar-se numa estratégia global de saúde que inclua alimentação equilibrada, exercício físico e também o sono adequado. Não existe nenhum suplemento capaz de compensar hábitos de vida que sejam pouco saudáveis.

Doutora, portanto, talvez esteja na altura de deixarmos de olhar para a creatina apenas como um suplemento de ginásio.

Sim, sem dúvida. Hoje sabemos que a sua relevância vai muito além do aumento da massa muscular. O músculo, o cérebro e o envelhecimento saudável têm algo em comum: todos dependem de energia para funcionar bem. E é precisamente aí que a creatina continua a despertar tanto interesse na investigação científica.

Foi mais um Tratado da Saúde, sempre com a dra. Vanessa Mendes, que está de volta amanhã. Até lá.

Até amanhã. Obrigada.

Este programa tem o apoio da CUF.