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Este domingo comemorou-se o Dia Mundial da Hipertensão e sabemos que medir a tensão em casa tem assumido um papel cada vez mais relevante na prevenção e no controle desta doença, mas será que estamos a medir como deve ser e até que ponto podemos confiar nos dispositivos que temos lá em casa, nos dispositivos disponíveis? Bom dia, doutora Vanessa.
Bom dia.
Medir a tensão em casa faz, de facto, diferença?
Faz, e é hoje uma ferramenta essencial na nossa prática clínica. A medição da tensão arterial é o único método para diagnóstico de hipertensão e, portanto, a monitorização domiciliária permite obter valores mais representativos do quotidiano do paciente e reduzir o chamado efeito bata branca.
Pois, eu conheço.
Que é frequentemente observado em contexto de consulta.
O efeito bata branca é porque a pessoa fica mais nervosa por estar a ser medida junto do médico.
Ou seja, está bem definido. Não substitui, contudo, o mapa, que é um exame que monitoriza a tensão arterial durante 24 horas, que pode ser essencial, por exemplo, para o diagnóstico e início de terapêutica, mas é uma ajuda essencial para o melhor acompanhamento ao longo do tempo dos nossos pacientes.
E com que frequência devemos medir?
Em termos de periodicidade, diria que qualquer pessoa saudável, independentemente da idade, deve medir pelo menos de dois em dois anos. Mas a partir dos 40, recomenda-se medir pelo menos uma vez por ano. Esta periodicidade deve ser ajustada em função da idade, fatores de risco e até contexto clínico, nomeadamente em pessoas com história familiar ou fator de risco cardiovascular. Ou seja, a vigilância deve ser individualizada.
Só para perceber se eu estou a fazer bem, como é que se deve medir a tensão em casa?
Deve ser realizada com aparelho automático, validado e, que é importante, preferencialmente de braço.
Menos aconselhável o de punho.
Exatamente. A medição deve ocorrer em repouso, após pelo menos cinco minutinhos sentado. Deve estar com as costas apoiadas, pés assentes no chão e sem cruzar as pernas. O braço deve estar apoiado, aquilo que se diz ao nível do coração. É importante evitar falar durante o procedimento e também evitar estimulantes nos 30 minutos anteriores. Por exemplo, café, os fumadores também evitar o consumo de tabaco e até mesmo o exercício físico. Recomenda-se realizar duas medições consecutivas, com intervalo mais ou menos entre um a dois minutos, e considerar depois a média dos dois valores. Idealmente, estas medições devem ser repetidas em diferentes dias.
E relativamente aos novos dispositivos, aos relógios, às aplicações, são fiáveis?
Os dispositivos mais fiáveis continuam a ser os aparelhos automáticos de braço validados clinicamente. Depois, os dispositivos de punho, como falamos, ou de dedo, apresentam maior variabilidade e menor precisão. Quanto aos dispositivos mais recentes, como são os smartwatch, por exemplo, podem ser úteis na monitorização de tendências, mas não substituem os métodos validados para diagnóstico clínico. A qualidade e validação do dispositivo são aqui determinantes.
Fundamentais. E que valores devemos considerar como normais?
De forma geral, consideram-se desejáveis valores inferiores a 130 ou 80. Aqui o 13, 8. Na maioria dos adultos. Valores consistentemente superiores devem ser avaliados em consulta e mais importante do que o valor isolado é a persistência, ou seja, aquela pessoa que vai medindo e está sempre acima deste valor, e isto naturalmente deve conduzir a uma avaliação clínica, porque pode levar à lesão de órgãos, como por exemplo, o rim ou o coração. E por isso, valores persistentemente elevados devem sempre motivar uma avaliação clínica.
Para concluir, Vanessa, medir a tensão em casa pode fazer a diferença.
Sem dúvida. Permite diagnóstico precoce, monitorização eficaz e melhor controle da doença, mas existe técnica correta e utilização de dispositivos validados. E que esta é a importante mensagem a deixar.
Foi mais um Tratado da Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.