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Hoje, dia 10 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Para falar sobre este tema, temos conosco a Dra. Mariana Sobral, médica de família dos Centros de Saúde CUF. Dra. Mariana, bom dia, bem-vinda. O suicídio continua a ser um tema difícil de abordar. Falar sobre suicídio pode incentivar alguém a fazê-lo?
Olá, João. Essa ideia é muito comum, mas é importante esclarecer que perguntar diretamente a alguém se está a pensar em suicídio não aumenta esse risco, nem planta essa ideia na cabeça da pessoa. Até pelo contrário, porque pode abrir uma porta para uma conversa que muitas vezes a pessoa não consegue iniciar sozinha. Falar com empatia, sem críticas, sem julgamentos, pode diminuir o isolamento e pode salvar vidas.
E no dia a dia, em casa, no trabalho ou entre amigos, que sinais devem chamar a nossa atenção?
Há alguns sinais de alerta que devemos estar atentos, como isolamento e afastamento de famílias ou amigos, sentimentos persistentes de tristeza, frases como: "Já não aguento mais, sou um peso para os outros, nada vale a pena". Despedidas inesperadas, alterações do apetite, do consumo de álcool e outras substâncias. E depois também é importante que um dos grandes sinais é, de repente, após um período de grande sofrimento, a pessoa aparentar uma calma repentina. No entanto, claro que nenhum sinal isoladamente confirma que existe esse risco. O importante é percebermos mudanças e não ignorar aquilo que nos preocupa.
E se reconhecermos estes sinais num familiar, num amigo ou num colega, o que devemos fazer?
O primeiro passo é aproximar-nos e podemos dizer, por exemplo: "Tenho reparado que não estás bem, queres falar?" Ou: "Vejo que estás a passar por uma fase muito difícil". E, por favor, evitar frases que desvalorizem o sofrimento, como: "Tens de ser forte, isso vai passar" ou "Tens de pensar positivo". E às vezes também podemos perguntar de uma forma direta e tranquila: "Estás a pensar em suicídio ou estás a pensar em fazer mal a ti próprio?" Se a pessoa responder que sim, devemos levar essa resposta a sério. Não devemos deixá-la sozinha se nos parecer que é um perigo imediato e ajudar a procurar ajuda profissional e, numa emergência, naturalmente, ligar para o 112. A nossa função não é efetivamente resolver tudo sozinhos como amigos, mas é acompanhar, proteger e encaminhar.
Falou no 112. Que contactos existem em Portugal para quem precisa de ajuda ou para quem está a acompanhar alguém nesta situação, Dra. Mariana?
Existem algumas linhas, a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico, o SNS24 e o SOS Voz Amiga, que tem vários números à disposição. Se por alguma razão estes contactos não estiverem disponíveis no momento e se houver um risco iminente, é ligar diretamente para o 112.
É como dizia a doutora há pouco, é importante lembrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é uma forma de proteção e pode ser o primeiro passo para recuperar. Dra. Mariana Sobral, muito obrigada por esta conversa.
Eu é que agradeço, João. A mensagem principal é simples: não ignore o sofrimento, não tenha medo de perguntar e não deixe a pessoa sozinha quando existir perigo. Falar pode nos aproximar e a ajuda certa pode salvar vidas.
Mesmo, sem dúvida. O "Tratar da Saúde" regressa amanhã.