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Cá estamos para um novo episódio de "Tratar da Saúde", sempre com a doutora Vanessa Mendes. Bom dia.
Bom dia, doutora. Obrigada.
O telemóvel é muitas vezes a última coisa que vemos antes de adormecer e a primeira coisa que fazemos ao acordar é pegar nele. Muitas pessoas dormem com o telemóvel mesmo ao lado ou até na cama, mas será mesmo assim um hábito inofensivo? Doutora Vanessa, dormir com o telemóvel pode ou não afetar a nossa saúde?
Sim, pode. E de várias formas. A principal é o impacto na qualidade do sono. A luz emitida pelo ecrã, sobretudo a luz azul, interfere com a produção de melatonina, como já aqui falámos noutro programa, que é a hormona responsável por regular o sono. E isto pode atrasar o adormecer e tornar até o sono mais superficial e também menos reparador.
Mas, doutora, não é só a luz, há outros fatores.
Sim, há mais. O conteúdo que consumimos, nomeadamente as redes sociais, as mensagens, as notícias, mantêm o cérebro em estado de alerta. E, portanto, mesmo sem nos apercebermos, aumenta a ativação mental e dificulta a transição para o sono. Ou seja, o corpo está na cama, mas o cérebro continua ligado.
E durante a noite?
O telemóvel pode fragmentar o sono. Notificações, vibrações ou até o simples hábito de verificar o telemóvel durante a noite interrompem sem dúvida os ciclos do sono. E isso reduz a qualidade do nosso descanso, mesmo que a pessoa sinta que dormiu muitas horas.
Doutora, também se fala nas radiações, ou falava-se mais, mas ainda existe este mito. É de facto um risco real?
Sim, é uma dúvida frequente. Os telemóveis emitem radiação, mas até ao momento não há evidência consistente de que esta exposição aos níveis habituais cause doença. No entanto, por princípio de precaução, recomenda-se evitar contacto prolongado muito próximo durante o sono. Ou seja, não é o principal problema, mas também não é um hábito ideal.
Sem dúvida. Então, mas e em termos práticos, o que é que devemos mudar? Ler um livro em vez do telemóvel, por exemplo?
Por exemplo, há medidas simples que fazem a diferença. Por exemplo, evitar o uso de ecrãs pelo menos 30 a 60 minutos antes de dormir, não dormir com o telemóvel na cama ou muito próximo, ativar o modo silencioso ou não incomodar e também criar um ritual de desaceleração antes de deitar. São pequenas mudanças com grande impacto na qualidade do sono.
Aliás, como já falámos noutros episódios, inclusive sobre o sono. Portanto, doutora, isto não é uma questão de hábito, é mesmo uma questão de saúde.
Isso. Dormir com o telemóvel pode parecer inofensivo, mas interfere com os mecanismos essenciais do nosso sono. E o sono é um dos pilares fundamentais da saúde física e mental. Mais do que desligar o telemóvel, é importante permitir que o corpo também desligue. E, portanto, se o telemóvel não dorme, o seu cérebro também não descansa.
Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Até segunda-feira, doutora. Bom fim de semana.
Até segunda. Obrigada, igualmente.