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Bom dia. Não sei se acompanharam.

Tudo bem.

Tudo bem. Há quanto tempo!

Desde há um bocadinho.

É verdade. Não sei se acompanharam o fim de semana futebolístico. Paulo, tu?

O Nacional, sim. Queres falar do Nacional?

Viste a Fórmula 1 já, Paulo?

Vi ontem em diferido. À noite.

Eu estive a acompanhar, como o meu filho mais velho gosta muito de Fórmula 1. Ainda estive a acompanhar o arranque.

Eu às vezes tento não saber quem ganhou. E é fácil hoje em dia, porque a Fórmula 1 não é tão badalada como era há uns 20 anos.

Pois é.

E consigo muitas vezes chegar ao fim da tarde de domingo sem saber e vou aí.

Ou então faz: "Na, na, na". Para os ouvidos.

Exato, não quero saber. E vejo a corrida inteiramente com a vantagem de poder passar os momentos mais fortes.

Essa é uma das partes aborrecidas das corridas de Fórmula 1. É que durante muito tempo não se passa nada. Mas não foi o caso ontem. Ontem parece que houve muitos incidentes.

Houve muitos acidentes e incidentes.

E incidentes. Mas queria mesmo falar do fim de semana futebolístico, porque este não foi um acidente, mas aconteceu uma coisa extremamente invulgar. João Neves, o jogador português do Paris Saint-Germain, marcou um hat trick. Eu estava a ver o jogo, aliás, ia mudando de canal. Estava a dar o Sporting-Porto e eu ia vendo. A minha mulher é sportinguista, portanto tinha que ser rápido.

Mas quando começou a correr mal.

Eu tinha que mudar rapidamente. Deixa só ver aqui quanto é que está isto. E o João Neves marca o primeiro gol dele, meio pontapé de bicicleta, e já era incrível se ficasse por aí, porque o João Neves não é propriamente um goleador. Minutos depois, marca outro gol de pontapé de bicicleta, ainda melhor, esse sim numa execução fenomenal, que ele mata a bola no peito e faz um pontapé de bicicleta. Só estes dois gols já bastariam, porque João Neves já marcou gols, mas dois num jogo, ainda por cima com esta qualidade. Só que ainda tinha guardado outro gol. Isto foi contra o Toulouse, a jogar fora. O Paris Saint-Germain ainda tinha guardado mais um gol, e um grande gol, um remate fora da área. O Paris Saint-Germain acabou por ganhar 6x3. Foi a noite perfeita de João Neves, tão perfeita que se tornou apenas o 20º jogador a receber a nota 20 do jornal L'Équipe.

Que é uma espécie de Bíblia, não é?

É uma espécie de Bíblia.

Isso é incrível.

É verdade. Nunca um jogador português, porque estas notas são atribuídas também a jogos das competições europeias, não só aos jogadores que estejam no campeonato francês. Foi apenas a 20ª vez que um jogador conseguiu esta nota e a primeira vez que um jogador português alcançou a nota máxima do L'Équipe. E bem merecida, eu diria. Agora, claro que toda a gente vai estar à espera que este jogo e estes gols despertem uma veia goleadora de João Neves. Não sei se voltará a acontecer. Foi o primeiro hat trick da carreira de João Neves.

Que idade é que ele tem, mais ou menos?

Ele tem 19 ou 20 anos.

Ainda está no início, de alguma maneira.

Sim, mas não é o tipo de jogador de quem se espera um hat trick.

Mas é um avançado?

Não.

Ok.

Não é um avançado.

Não está tão pressionado para marcar gols. Tem 20 anos, faz 21 este mês.

O João Neves pode marcar gols, pode aparecer, tal como o Vitinha, também é companheiro de equipa e de seleção.

Mas são os avançados que lideram as tabelas de marcadores.

Hat tricks, para outros jogadores que não sejam avançados, são muito mais raros. Mas vamos lá ver se agora lhe toma o gosto e começa a desatar a marcar.

Magnifique.

Magnifique, c'est vrai. Agora vamos falar não de marcar gols, mas de os defender.

Mais?

Defender. Lembram-se que tivemos aqui há umas semanas aquele avançado, o Dedé.

Foi à baliza e defendeu.

Tinha marcado um gol, foi à baliza e defendeu um pênalti. Ora, neste fim de semana, na segunda liga, aconteceu uma coisa quase tão extraordinária ou ainda mais extraordinária. O Portimonense jogou contra o Benfica B. E ainda na primeira parte foram expulsos os dois guarda-redes do Portimonense, ou seja, um foi expulso, entrou o guarda-redes suplente para a baliza e esse também foi expulso. Quem é que teve de ir para a baliza? Um central. Eu não posso enganar aqui no nome. Deixa eu ver. Jarlesson. Jarlesson é central e foi à baliza, só que ainda faltava muito tempo para acabar. O Portimonense estava a ganhar por 1x0. Faltava muito tempo para acabar.

Desgraçado.

E com o central na baliza, toda a gente pensou: "Isto é chutar a bola de longe e vai entrar". Só que o Jarlesson fez uma exibição inacreditável.

Tirou lugar aos outros guarda-redes.

Podem ver, encontra-se facilmente um vídeo com os melhores momentos, as melhores defesas do Jarlesson, e foram muitas, e foram decisivas, e ele acabou por ser o grande herói no final do jogo. Todos os companheiros, como é óbvio, se lançaram para cima dele, celebrando a grande exibição deste guarda-redes improvisado, porque não foi só ir à baliza para defender um pênalti, não. Foi quase o jogo todo, ou seja, implica aqui vários momentos diferentes do jogo em que ele teve de sair.

Sim, não são aqueles minutos finais.

Exatamente, aquele sufoco. Não foi o jogo todo, mas foi uma boa parte do jogo na baliza. Não foi só defender num livre, também defendeu livres, defendeu remates de longe, remates de perto.

Foi um guarda-redes.

Foi o guarda-redes e agora os outros guarda-redes.

Os outros já gritaram: "Opa, espera lá!" Dois expulsos num jogo também é muito raro.

Também é muito raro, é verdade.

E sabes o que é que fizeram, Bruno? Tens ideia do que é que fizeram para serem expulsos?

Não sei, mas certamente não foi coisa boa.

Provavelmente.

Não foi coisa boa.

Por mandar beijinhos ao adversário.

Podemos perguntar ao Pedro Henriques depois se as expulsões foram justas.

Às vezes até tentam depois o guarda-redes, meter-lhe as mãos nas costas.

Um eu sei, foi o segundo, defendeu com as mãos fora da área. Esse eu sei. O primeiro não sei se foi uma falta que fez, mas o Pedro Henriques há de explicar.

O primeiro foi um piropo ao árbitro.

Foi, ou à mãe do árbitro.

Bem apitado isso. Bem apitado.

Sim, senhor. "Senhor árbitro, gosto muito de si e da sua mãezinha." "Magnifico, nota 20." Agora, na próxima jornada, os dois guarda-redes estão suspensos. É provável que o Portimonense tenha um terceiro guarda-redes.

Ou não, se não tiver também dá para resolver.

Mas também pode usar o central, mandá-lo à baliza, que pelo visto ele jogou muito bem. Vou só reforçar aqui a história que o Paulo há pouco contou.

Do boné. Quem rouba bonés é quem rouba histórias.

Do Open dos Estados Unidos. Eu tinha visto aquelas imagens e, de facto, é preciso uma lata enorme para um adulto roubar.

Tirar o doce à criança.

Eu tenho visto outras imagens no Open dos Estados Unidos, em que os espetadores que estão lá presentes ficam com as bolas que vão parar à bancada.

Sim, é normal.

E parece que no Open dos Estados Unidos está consensualmente aceite por todos que é assim, ficam com a bola. E por vezes vemos os espetadores a lutar para agarrar a bola.

Mas aí vão vários ao mesmo e são todos entre miúdos.

E aceita-se. Agora, um jogador estar a dar um boné a um miúdo e vir um adulto e roubar, aquilo é indigno. É verdade que este tal milionário que roubou o boné se tornou de um momento para o outro, dizem os jornais, no homem mais odiado da internet, até aparecer alguém que o substitua. Já sabemos como são as redes sociais.