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Vamos lá, Bruno.
Hoje é dia de falar de campeões no ciclismo, no ténis e no golfe. Golfe ou golf? Como é que é, João Miguel?
Eu digo golfe.
Eu também.
Sim, eu também.
Pronto.
Quem diz golf?
Sei lá quem é que diz golf. Pessoas dizem.
Pessoas. Por aí.
Muitas. Eu ia começar com uma história, mas vou deixar esta história para amanhã. É uma história que mete um presunto e um presidente de um clube espanhol, mas vou deixar, porque temos muito para falar sobre campeões. Não vamos começar pelo ciclismo, João Miguel, eu sei que tu estás ansioso para falar sobre o ciclismo. Já vais falar. Vamos deixar para o fim o ciclismo.
Que é para continuares atento até ao fim. É isso.
Exatamente. Eu ontem já tinha preparado o Três Toques e o João Miguel mandou uma mensagem e diz: "Temos que falar do monumento do Paris-Roubaix". Mas já estava lá, João Miguel.
Obrigado, Bruno.
Mas pronto. Porque de facto foi um momento especial. Já vamos falar desse. Também especial foi a vitória de Jannik Sinner, o tenista italiano em Monte Carlo, no Masters 1000 de Monte Carlo. Venceu o número um do mundo, Carlos Alcaraz, e assim passa ele a ser, a partir desta segunda-feira, o novo número um do mundo. E é o primeiro título em terra batida de Jannik Sinner.
São dois feitos.
Dois feitos.
Ganhou terra batida.
E está a limpar os Masters 1000 uns atrás dos outros. É verdade, não ganhou o Open da Austrália, esse foi para Carlos Alcaraz. O primeiro Grande Slam da temporada, mas de resto, Jannik Sinner está numa grande forma e bateu Carlos Alcaraz, onde é muito difícil ganhar ao espanhol, que é em terra batida, abrindo também assim o apetite para o torneio de Roland-Garros, que vem aí daqui a sensivelmente dois meses. Alcaraz é o grande favorito, mas Jannik Sinner nesta forma é bem capaz de o vencer. Já mostrou ontem, é bem capaz de o vencer na terra batida.
Tantas boas notícias para quem gosta de ténis.
De ténis. Não foi dos melhores jogos de sempre, até porque foi em dois sets. Jannik Sinner não precisou do terceiro set para bater Carlos Alcaraz. Alcaraz cometeu ali alguns erros, o jogo foi também um pouco afetado pelas condições meteorológicas, muito vento. No entanto, nada disso serve de desculpa e Jannik Sinner ganhou bem. Voltou, depois de em novembro ter perdido o lugar número um do ranking, volta agora a ocupar o primeiro lugar e vamos ver como é que estas próximas semanas vão correr. Agora há muitos torneios de terra batida. Alcaraz é especialista. Vamos ver se Jannik Sinner consegue manter aqui esta forma.
Há aqui uma renovação no ténis, não é?
Há uma renovação. Muito obrigado, Carla. Era precisamente sobre isso que queria falar, porque durante muitos anos nós tivemos aqueles que são considerados os Big Three ou os Big Four, se incluímos Andy Murray, Nadal, Federer e Djokovic. E agora parece que estamos a viver numa era de Big Two.
Uau.
Porque Alcaraz e Sinner estão, na verdade, a um nível muito superior aos outros. Claro que pode sempre aparecer aqui alguém a complicar as contas, mas parece que vamos viver durante, pelo menos aqui os próximos tempos, entre estes dois, Sinner e Alcaraz. Vamos também ao Masters de Augusta. Ontem estive a ver o Masters de Augusta de golfe. É o torneio dos torneios, uma espécie de Wimbledon ou o Tour de France do golfe. E foi muito emocionante. Pelo menos aqui há uns anos pensava que não seria assim tão entusiasmante, tão excitante ver golfe na televisão, mas é muito, sobretudo estes grandes torneios. E o norte-irlandês Rory McIlroy conseguiu o feito de revalidar o título que tinha conquistado já no ano passado. Tornou-se apenas o quarto homem a conseguir esta proeza. Depois de Jack Nicklaus, Nick Faldo e Tiger Woods, ele conseguiu revalidar o título. A meio da última volta, que foi ontem, ainda perdeu a liderança, mas conseguiu recuperar com uma jogada, creio que foi no 12º buraco, com uma jogada muito arriscada, mas que lhe valeu consolidar a liderança e depois, apesar de ter ali os adversários à perna, conseguiu manter a vantagem até ao final. McIlroy, que tinha uma história um pouco aziaga com o Masters of Augusta, este foi o seu sexto major, mas é apenas o segundo Masters de Augusta. Ele durante muitos anos teve grandes dificuldades em impor-se neste torneio. Agora é a segunda vez consecutiva que o leva para casa e os prêmios são sempre, eu por acaso não confirmei o valor deste ano, mas são sempre prêmios muito avultados, até para aqueles que não ganham, atenção.
Euro milhões.
É quase um euro milhões. É verdade. Finalmente, vamos lá, João Miguel.
Vamos lá.
O passe da bicicleta?
Não, conta tu tudo.
Também vi, eu só vi os últimos 20 km da Paris-Roubaix, um dos cinco monumentos. O que é que são os cinco monumentos? Explica-nos lá, João Miguel.
Os cinco monumentos são cinco clássicas, portanto, provas que decorrem durante um dia, com uma elevada quilometragem, portanto, são provas de quase 300 km.
A de ontem teve 250 e...
Não, 280, creio. Perto de 280 ou cerca de 280. Mas são cinco provas emblemáticas do calendário ciclista. Portanto, temos a Milão-San Remo, a Paris-Roubaix, a Liège-Bastogne-Liège, o Tour de Flandres e a Lombardia Todos os monumentos são disputados no inverno e primavera. A Lombardia é disputada no outono, depois dos Campeonatos do Mundo, que são sempre em setembro. Portanto, são provas emblemáticas. Ontem, a mais dura de todas as provas de ciclismo do mundo, porque é corrida no norte de França, em estradas de alcatrão e estradas de paralelepípedos.
Empedrados.
Quando chove aquilo é um desastre.
Mas ontem não.
Ontem não. Ontem havia apenas vento e muita poeira e 200 ciclistas montados em cima de bicicletas com rodas da largura de um polegar em cima de paralelepípedos, aquilo é uma loucura.
Eram 200, mas só dois é que chegaram aos últimos quilómetros em condições de vencer a prova.
Que termina no velódromo da cidade de Roubaix. Quanto tempo é que eles demoram a fazer?
Cinco horas e tal.
Quase seis horas.
E ontem, Tadej Pogačar estava em condições de se tornar o quarto homem a ganhar todos os monumentos.
Sim. O Pogačar, o atual campeão do mundo e vencedor de vários Tours de France, podia ontem fechar o ciclo da conquista de todos os monumentos, mas não conseguiu.
Mas não conseguiu, porque Wout van Aert.
O belga.
Que já tinha conquistado um monumento.
Já. Milan San Remo.
Mas teve muitos azares nos últimos anos. Até já esta época.
Sim, tinha partido um tornozelo em janeiro e portanto apresenta-se nesta corrida de alta dificuldade e ganha.
E ganha no velódromo. Eles chegam juntos ao velódromo, depois entram no velódromo e dão mais uma volta e foi nessa volta final que Wout van Aert conseguiu bater Tadej Pogačar. Eu confesso aqui que estava a torcer por Wout van Aert, porque assim pelo menos garantimos que para o ano Tadej Pogačar vai voltar a esta clássica para tentar isso que pouquíssimos ciclistas ao longo da história conseguiram, que é ganhar os cinco monumentos.
Se bem que ele não foi muito claro, ele disse que ia fazer uma pausa para pensar.
Eu acho que ele tem espírito de canibal. Eu acho que ele vai voltar.
Oxa. Três Toques com o Bruno Vieira Amaral.