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Hoje temos um Três Toques especial dedicado à Académica de Coimbra, que subiu esta época à Segunda Liga. Já andava longe da Liga 2 há uns anos e ainda há mais anos longe da primeira divisão. Vamos ver se sobe na próxima época. E temos como convidado o capitão da Académica de Coimbra, Leandro Silva, para nos falar não só desta subida da Académica, mas também de uma promessa que foi cumprir juntamente com dois colegas a Fátima. Leandro Silva, muito bom dia.
Bom dia.
Bem-vindo ao Três Toques. Em primeiro lugar, parabéns pela subida da Académica de Coimbra à Liga 2. Gostava de saber, Leandro, quando é que fizeram exatamente esta promessa. Foi antes do jogo que ditou a subida? Foi uma coisa logo do início do ano?
Antes de mais, obrigado pelo convite. Em relação à promessa, foi da minha parte desde o início da época. Já tenho uma ligação forte com a Académica e já estou farto também de levar porrada de dissabores. E foi naquela de ao pé, se as coisas correrem bem, arranco para Fátima. E eu pensei que ia sozinho. No final do jogo, o Kaká juntou-se a mim. No dia seguinte, eu era para ter ido no dia da festa, mas impossível pelos dois chefes. Não dava.
Ia ter os esses.
Era chegar a Fátima a pé num ano. Exatamente. E depois o Carlos também acabou por se juntar, porque tinha feito essa promessa e nós não sabíamos. E arrancamos passados dois dias, depois de um jantar que tivemos no final da época. E foi uma experiência espetacular.
Conte-nos um pouco dessa experiência, porque a caminhada foi dividida em dois dias, se não estou em erro.
Foi. Nós arrancamos depois de um jantar à 00h30. Foi à volta da 00h30 e nós estávamos naquela de: "Ok, somos jogadores, vai ser fácil".
Estão em forma. Motivados.
Só que chegou uma parte em que já tínhamos caminhado 40 e poucos quilómetros, 41, 42. Já não sabíamos onde é que nos havíamos de queixar. Já eram dois por todos os lados e começamos a olhar uns para os outros: "Se calhar é melhor irmos a casa, descansamos um bocadinho e voltamos". E foi assim.
Isto é prova de que as peregrinações podem ser um desporto de alta competição.
Vou-lhe dizer, é duríssimo. Nunca pensei, nem eu nem eles. E o Carlos está mais habituado a fazer aqueles trails. É muito agressivo. E nós já estávamos completamente cheios de dores, bolhas. Decidimos então, como não estamos aqui para sofrer.
Sofrer demasiado. Sofrer um bocadinho.
Exatamente. Lá acabamos no dia seguinte, mas foi muito bom. Foi uma sensação de alívio, também por tudo, pela época, depois quando chegamos a Fátima, uma sensação de alívio.
E conte-nos um pouco também sobre esta época, Leandro. Como é que decorreu? O vosso objetivo desde o início era a subida à Liga 2. Como é que foi todo esse processo ao longo da época?
Desde o início não foi muito fácil, porque a Académica teve eleições e resumindo, o único jogador que tinha contrato da época passada para esta era eu. Então com as eleições e essas coisas todas, acabou por atrasar um bocadinho as contratações. Nós começamos com muito poucos jogadores. Penso que no primeiro treino éramos só 10, 11, não éramos mais. E as coisas começaram por não correr tão bem, o que era normal. No futebol tem que haver ligações e não havia muito isso, porque não nos conhecíamos. Então no início foi complicado. Tivemos ali algumas derrotas muito difíceis. Mas como tudo, começamos a conhecer, começamos a criar ligações, que para mim é o mais importante numa equipa de futebol.
E por falar em ligações, o Leandro já tem uma ligação antiga à Académica, depois esteve noutros clubes, entretanto voltou há dois anos. Há no clube ainda uma mística particular e sente-se isso também com os adeptos. Os últimos jogos tiveram muito público a apoiar a Académica.
Sim, é um clube diferente. Eu desde 2015, que foi a primeira vez que fui para a Académica, senti que era um clube diferente. Na altura fui emprestado pelo Porto. E nesse ano, na primeira liga que a Académica estava, acabamos por descer de divisão e essa descida marcou-me, a mim particularmente, de uma maneira muito grande. Depois sempre que consegui, tentei voltar, independentemente da divisão que a Académica estivesse. É um clube diferente. Isto que aconteceu tem que ser a Académica, estas pessoas todas no estádio é a Académica. Percebo também que depois de tantos dissabores, o clube e a cidade se tenham afastado um bocadinho, o que é normal, mas acredito que agora com trabalho não é fácil, vai demorar algum tempo. Não é só por uma subida de divisão que toda a gente vai voltar novamente, mas acredito que com algum trabalhoTudo vai voltar ao que era.
Além disso, também há esta curiosidade: no vosso plantel temos o neto de um antigo presidente da República. É o António Montez, neto de Cavaco Silva. Como é jogar ao lado do neto de um antigo presidente da República e primeiro-ministro?
É engraçado. Eu voltei meia no camping, no treino, chamo-o de Cavaco ou Cavaquinho, mas ele é muito gente boa, muito tranquilo e nós estamos sempre a picá-lo com certas coisas. Brincadeiras de balneário, mas ele não leva a nada mal. É normal, também já deve estar farto de ouvir essas coisas, mas é espetáculo.
Muito bem. Leandro, a última época da Académica na Liga 2 foi em 2021/2022. No próximo ano, a Académica regressa a essa divisão. Qual é o objetivo? Já estão a apontar à subida? Pensam, sobretudo, na manutenção?
Exatamente. A Segunda Liga é muito competitiva e eu acho que traçar um objetivo de subida desde o início pode correr mal. E acho que o melhor é estabilizar a Académica na Segunda Liga. Claro que nós queremos subir, claro que nós vamos entrar em todos os jogos para ganhar, sabendo que a Segunda Liga é muito competitiva. Nós temos o exemplo agora do Farense, que fez um investimento gigante e está agora, neste momento, a lutar com o Belenenses no playoff. Por isso, acho que acima de tudo é estabilizar o clube em ligas profissionais, que claro, quem veste a camisola da Académica sabe ou tem de saber a responsabilidade que é vesti-la, porque é um clube enorme. Agora, também sabemos para onde vamos e que queremos é estabilizar o clube.
E o Leandro Silva é certamente um dos portadores dessa mística, também pelos anos que tem de experiência na Académica. Damos novamente os parabéns por esta subida da Académica e esperamos, todos nós adeptos do futebol, que em breve possamos ter de regresso o clube à Primeira Liga. Muito obrigado, Leandro Silva, pela sua participação neste "30 Minutos".
Obrigado. Bom dia. Obrigada, Leandro. Bom dia.