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Este é o Som do Três Toques com Bruno Vieira Amaral.

E vamos à pergunta do dia, que não tem que ver com a Liga das Nações.

E eu que tinha estudado tanto.

Tanto, mas não. Tem que ver com Roland-Garros. Ontem foi a final e foi uma grande final.

Grande é a palavra. Grande e longa.

Mesmo grande.

E durou. Mas foi bom.

Mas não se sentiu como interminável. Foi uma grande final. Um jogo extraordinário entre os dois melhores tenistas da atualidade. Mas a pergunta é: que jogador ganhou aquela que era a final de Roland-Garros mais longa até ontem? Foi em 1982, posso-vos dizer.

Pois foi. O Nadal já jogava nessa altura?

O Nadal ainda não jogava. Jogavam outros de outra era.

A Carla sabe. Sim, porque ontem eu vi.

Eu posso dar umas pistas, quem terem umas hipóteses, por exemplo, o Björn Borg, Stefan Edberg, Ivan Lendl, Guillermo Vilas, Mats Wilander.

Foi o Mats Wilander.

Foi o Mats Wilander. A Carla aceniou e logo disse.

Sim, porque ontem fui lendo coisas e foi falado.

O Mats Wilander, que neste momento é comentador da Eurosport, e estava lá ontem.

Estava lá e tem estado ao longo do torneio.

Exatamente.

É muito interessante ouvi-lo. É muito diferente ouvir o antigo jogador a falar.

Aliás, normalmente os comentadores, está lá também o Alex Corretja, um grande jogador de terra batida, que é uma tradição espanhola na terra batida. Também é um dos comentadores e, de facto, é outro nível. Na Eurosport, mesmo os comentadores portugueses, ontem creio que era o Nuno Marques ou o João Cunhasilva, agora não sei qual dos dois é que era. Eu estava mais concentrado a ver o jogo. É verdade, mas também trazem outra perceção do que se passa dentro do corte. Vamos à final da Liga das Nações. A seleção portuguesa conquistou-

A segunda!

A segunda Liga das Nações. É o primeiro país a ganhar duas vezes. É verdade. Nós que andámos tantos anos para conquistar um título internacional de seleções, da seleção principal. Agora, em nove anos, três, como dizia ontem o Presidente da República: "Bom, fazer contas". Ele fez este relato no final do jogo, mas queixávamo-nos tanto que não conseguimos ganhar nada e agora se calhar estamos a habituar-nos mal. É verdade.

Temos uma boa equipa.

Uma extraordinária equipa. E ontem tivemos um Nuno Mendes em grande, o Diogo Costa, que nos penaltis oferece alguma segurança, ainda que no ano passado tínhamos sido eliminados nos penaltis. É assim às vezes.

Mas é aquela lotaria que se sabe.

Claro, conta também a competência, mas não é tudo. A Espanha também podia ter vencido a sua segunda Liga das Nações.

Porque já venceu uma e a França a outra.

E a França a outra. Portanto, isto fica tudo aqui entre os países.

França que ficou em terceiro na Liga das Nações e a Alemanha em quarto.

Exatamente. A França que ontem venceu nesse jogo do terceiro e quarto lugar também para a Liga das Nações por 2 x 0, com Mbappé a brilhar. Portanto, os anfitriões desta vez não tiveram grande vantagem. Às vezes acontece.

Quem diria? A França contra a Alemanha.

Quem diria que Portugal iria chegar à Alemanha e 40 anos depois voltaria a vencer na Alemanha, coisa que só tinha acontecido uma vez com aquele fenomenal gol do Carlos Manuel, que nos deu o passaporte para o Mundial de 1986. Muito, muito tempo. Desta vez voltámos a ganhar aos alemães, o que também já não acontecia, como foi muito falado nos últimos dias, desde o Euro 2000, quando o Sérgio Conceição marcou aqueles três gols, fez aquele hat-trick. E também isso foi uma das coisas que vi nestes últimos dias. Foi a segunda vez que pai e filho marcaram, em Portugal, na seleção portuguesa, a um mesmo adversário. Tinha acontecido com o José Águas e Rui Águas, que tinham marcado ao Luxemburgo, claro, em épocas muito diferentes, e agora voltou a acontecer, Sérgio Conceição e Francisco Conceição. Vamos olhar para a final de Roland-Garros, Jannik Sinner, o número um do mundo, e Carlos Alcaraz, o número dois do mundo. Ontem inverteram-se. Mas durante algum tempo parecia.

Nos dois primeiros sets.

Os dois primeiros sets. Sinner dominou, teve no terceiro set três match points seguidos. É verdade que foi no serviço de Carlos Alcaraz, mas foram três match points. O espanhol conseguiu sobreviver e depois foi uma recuperação épica que terminou num tie break no último set. Aliás, na parte final do jogo, o Alcaraz-

Estava com uma energia

Passou para um nível estratosférico. Há uns pontos que são de uma pessoa ficar completamente esmagada. Como é que ele àquela altura ainda conseguiu aquilo?

No Twitter ia-se dizendo: "E dá para entregar o prêmio aos dois?"

É verdade. Há uma parte em que o Jannik Sinner consegue a quebra do serviço, creio que para fazer o 5 x 5, em que podia ter ficado logo resolvido aí, em que ele eleva o nível de jogo, mas a partir daí o Alcaraz passa para um nível estratosférico, no sentido daquilo que estavam a dizer os comentadores, que é: o Jannik Sinner é mais consistente, tem um nível médio mais elevado, só que o Alcaraz consegue picos de desempenho mais elevados e ontem no final do jogo foi um desses picos.

Não ficaram com pena do Sinner depois, quando ele esteve ali tanto tempo sentado no banco com as mãos na cara, o que é que lhe iria passar pela cabeça?

É inacreditável. Claro que ele ainda não ganhou em Roland-Garros, e é um dos objetivos, mas ontem vimos o Ronaldo aos 40 anos chorar de alegria por conquistar um título. E vemos como jogadores, neste caso tenistas, nos maiores palcos a conquistar os maiores títulos, como celebram por um lado, e como lhes custa a derrota por outro, porque aquilo são horas e horas de concentração máxima e depois, no final, há uma descarga.

Exatamente.

É uma descompressão enorme, mas eles vivem com grande intensidade esses momentos. Foi uma final inesquecível. A final mais longa de sempre em Roland-Garros, 5h29. Incrível.

Aqueles bracinhos. E foi giro ver o Dustin Hoffman lá pelo meio.

Eu não sei se ele esteve a semana toda.

Eu tinha estado a recordar o "Rain Man" este fim de semana. Portanto, teve piada depois ver o Dustin Hoffman nas bancadas.

Eu não sei se ele esteve a semana toda, mas eu já o tinha visto noutros jogos. Talvez nesta última semana, na segunda semana, tenha estado lá. Por último, uma notícia para descomprimir. O Dani, que agora é comentador, é antigo jogador, formado no Sporting, passou pelo Benfica, Ajax, Atlético de Madrid, deu uma entrevista ao jornal espanhol, o "As", a contar, como ele conta sempre, as grandes aventuras que vivia.

Dentro e fora do campo.

Dentro e fora do campo, sobretudo fora do campo, a elogiar a relação que tinha com Louis van Gaal, o treinador dele no Ajax, quando ele era muito novo, e que tinha uma compreensão para estes exageros, estes excessos normais num jovem. E perguntam: "Não foste prejudicado por ser tão bonito?" E o Dani responde: "Mas o que é que eu ia fazer? Uma cirurgia para ficar mais feio?"

Era muito giro.

E ele repete isto, e é verdade, eu lembro-me disto. Eu estava em Inglaterra quando ele foi para o West Ham, ainda muito novo, e os títulos dos jornais ingleses: "Tranquem as vossas filhas, que chegou o Dani". E com isto tudo, com o mundo aos seus pés, tão jovem, é normal que houvesse aqui umas distrações. Abandonou o futebol aos 27 anos, mas sempre foi muito honesto na forma como abordou tudo o que se passou ao longo da sua carreira e também os motivos para não ter chegado a outro nível. E achei muita piada a esta declaração, agora nesta entrevista ao jornal "As". Vamos à resposta, à pergunta do dia? O vencedor desse, que era até ontem, o jogo mais longo, a final mais longa de Roland-Garros, foi Mats Wilander. Ganhou ao argentino, Guillermo Vilas, em 1982. Foi 4h42.

Ninos.

Ontem não aguentavam, coitados.