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Este é o som do Três Toques da Rádio Observador, sempre com o Júlio Magalhães e também em direto no YouTube, Facebook e no nosso site. Juca. Hoje vou começar eu. Desculpem, mas eu vou surpreender-vos mais uma vez.
Organizem-se. Já estou assustado com essas surpresas todas.
Vocês atentem bem no que eu andei a ler: a imprensa do Haiti. Por isso é que estou desta cara. Faz parte da minha curiosidade.
Estás como uma corisinha.
Estou. Eu gosto de ter mundo, preciso de ter mundo e encontrei esta história.
É uma estreia na rádio mundial, ler a imprensa do Haiti de repente.
É uma história que tem um nome que certamente agrada a todos.
Então diz lá.
Violette. É assim, não é, Júlio? Não digo mais nada. Avança tu, porque isto é tão fascinante que deixei para ti.
Olha, mas é mesmo uma história incrível que foste descobrir, devo-te dizer. O que é que acontece? O Violette é um clube do Haiti, já é um clube antigo, fundado já em 1912, 1910, por aí. No início do século passado.
Essa parte eu não consegui ler bem na imprensa, não ficou claro.
Tu mandaste os dados e eu fui tirar mais algumas notas.
Foste pesquisar mais, claro.
Fui pesquisar. E então, o que é que acontece? O Haiti, desde o tremor de terra, que já lá vão muitos anos, uns anos largos, nunca mais se endireitou, basicamente. Este clube jogava num estádio magnífico, que ficou destruído pelo terramoto, e desde 2021 foi deposto o presidente. Vive-se uma guerra total no Haiti, o país nunca mais recuperou. A violência faz parte do dia a dia de todos os cidadãos que ali vivem e, portanto, está tudo parado no Haiti, basicamente porque proliferam os gangues também. Este Violette é um clube do Haiti, já histórico, e que está naquilo que são as ligas: a Liga dos Campeões da CONCACAF. Há a Copa Libertadores na América do Sul, há a Liga dos Campeões da Europa e há a Liga dos Campeões na zona da América do Norte e daqueles países todos ali à volta. E o Haiti está nessa liga. Estes jogadores não jogavam há 10 meses. Reuniam-se apenas, não para treinar, mas para falarem uns com os outros, sentados. Eles dizem que é para falarem de futebol, mas às vezes também para falarem da vida e do dia a dia e dos problemas que têm. Tiveram que participar nesta liga e foram jogar com os Estados Unidos, com o Austin, que joga na MLS, ficou em quarto lugar, é uma equipa importante americana. Jogaram os quartos de final com esta equipa americana. E quando chegaram, oito jogadores ficaram na fronteira, ou seja, os americanos não deram visto aos jogadores, não passaram visto a oito jogadores. Eles não passam, há muitos haitianos que estão a fugir para os Estados Unidos, Canadá, México, pelo México, e portanto, não há vistos para eles. Oito jogadores ficaram na fronteira e portanto, foram para o jogo sem oito jogadores. Tiveram que pedir jogadores emprestados a um clube amador de Nova York. Três jogadores que têm origem haitiana e são amadores, para irem jogar. E não é que ganharam? Ganharam, passaram. E é um momento histórico. Há imagens impressionantes do festejo deles, porque nunca lhes passou pela cabeça, como é óbvio. E estão agora na próxima eliminatória daquilo que é a Liga dos Campeões da América, CONCACAF, mais ou menos. E é uma história de sucesso deste Violette, que vamos continuar a seguir, porque é uma história mesmo de encantar. São jogadores amadores e sem jogar há 10 meses, que chegaram aos Estados Unidos e venceram e fizeram uma festa. São muito emocionantes mesmo as reações destes jogadores, todos em função daquilo que o país do Haiti vive.
É uma história inspiradora.
Vamos continuar a acompanhar. Muito bem descoberto. Uma história inspiradora.
A Carla é incrível.
A Carla está de parabéns.
É ao costume.
Vamos aos relatos.
Olha, sim! Também quem foi incrível foi o Ricardo Borges, não é? Vencedor do relato do Fóculo do Porto. E hoje assinalamos, Juca, o fim do campeonato dos relatos. Vamos ouvir o último?
Viva!
Vamos lá.
Momentos finais do clássico do futebol português, Porto x Benfica, 82 minutos. Vai o Porto no ataque com Fernando Beluzzi pela esquerda, combina com Hulk, recebe Beluzzi, entra no bico da área, pressão de Ramires, encontra Haymar. Ui, o túnel! Haymar no remate, é o gol! Gol!
Vamos ali? Bem, vamos ali com um cafézinho.
É do Porto!
Olá, Ricardo Borges, bom dia.
Olá, muito bom dia.
Qual é a sensação de se ouvir na rádio pela segunda vez, já? Ou pela terceira? Pela terceira, porque no sábado também já ouvimos.
É uma voz melodiosa, creio que sim.
Finalmente uma voz melodiosa nas manhãs da Rádio Observador.
Não, de todo.
Ricardo, já tinha experiência a fazer relatos?
Não.
Não? Isto foi uma estreia?
Sim, foi um desafio. Quando eu ouvi, foi mesmo engraçado.
Por que quis concorrer? O que lhe apeteceu fazer ou por que lhe apeteceu concorrer ao nosso concurso dos relatos?
Primeiro, sou um ouvinte assíduo do programa e os meus parabéns por ele. Depois, não sei, eu desde miúdo que sempre gravitei aqui em torno do mundo do futebol, por causa da família também, mas nunca fui a parte do praticar. O meu irmão foi Fui jogador, meu pai também e eu também fui jogador no computador. Eu lembro-me de ser miúdo e jogar os Football Manager e quando havia o joguinho com as bolinhas, eu fazia um relato interior para mim e tentei exteriorizar, agora uns anos mais tarde.
E consegue imaginar-se no Estádio do Dragão a relatar um jogo? A sério. Este vai ser à séria.
Sim, espero. E é uma visão que me dá alento, confesso.
Ricardo, eu estou aqui a recordar as notas que tirei quando avaliámos no fim de semana, quando estivemos a avaliar. Nós agora não tivemos a oportunidade de ouvir, o Ricardo usou muitas expressões: "Que perfume!"
Tango. Sim.
Exatamente. Isso foi pensado antes ou é aquele improviso que é escrito, que é assim que funciona na rádio, os improvisos são escritos. Saiu-lhe no momento.
Sim, eu não escrevi nada. Quando ouvi o desafio, lembrei-me deste golo, que também gostava muito do jogador. Lembrei-me do golo, revi na internet e puxei-me numa divisão para os vizinhos não se chatearem muito, para ser meio abafado.
E saiu logo bem à primeira ou gravou várias vezes, Ricardo?
Saiu bem à primeira, mas a qualidade de áudio não é a melhor. Gravei e mudei uma ou outra palavra, mas não escrevi nada.
Isto promete quando for a sério. Ricardo Borges, muito obrigada e parabéns!
Parabéns, Ricardo.
Vai ser um gosto ouvi-lo aqui numa das edições especiais. Um beijinho, Ricardo. Bom dia.
Obrigado. Para vocês também.
Aqui temos mais um vencedor.
Mais um vencedor, claro.
Ainda te vais cruzar com o Ricardo Borges, Juca, no Estádio do Dragão, não é?
É verdade. É mais difícil agora.
Hoje há Liga Europa. Arsenal-Sporting.
É verdade, hoje Arsenal-Sporting. E temos relato aqui no Observador.
Sim, emissão especial e os comentários do Augusto Inácio.
Um jogo decisivo hoje.
Pedro Henriques e João Castro. É ou não é? Pois é, o tudo ou nada.
Exato. Não sei se há tempo para mais alguma coisa.
Há tempo, Maria João?
Não.
Vê lá, faz contas. Não.
Nem notas de autor. Notas de autor há sempre tempo.
Lembrem-me amanhã para falar, como é que te chamas, Paulo Ferreira? O Paulo Ferreira tinha descoberto aqui uma história magnífica também.
Sim, mas ele anda sempre nisto, não te enganes com a Carla, já sabes.
Deixa a Carla amanhã. Amanhã falamos.
Vai acabar por superar a minha história, é o costume.
E vamos falar de ginástica acrobática também.
O Paulo Ferreira, não é? Porque é a especialidade do Paulo.
É isso e o surf. O que costumo fazer em cima da prancha de surf.
Piruetas é com o Paulo. E Sá Pinto também estamos cá amanhã.
Outra vez o Sá Pinto?
Sim, é verdade.
Estamos na liga.
Nós falamos muitas vezes do Sá Pinto. Agora não contamos muitas histórias de Sá Pinto. Dizemos que vamos contar, ameaçamos.
Também é verdade.
E relatos.
Relatos? Então.
Já acabaram, pode esquecer.
Já acabaram, mas se quiseres, Júlio.
Mas se quiseres podes relatar tudo.
Relatas tu e recebes uma menção honrosa de certeza, que já não entras em concurso.
Então pronto, amanhã.
Adiante, que atrás vem gente.
Foi mais um "Três Toques" da Rádio Observador.