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Vamos começar com uma história tristemente comum não só na NBA, mas também noutros grandes campeonatos de outros desportos, que é a história de ex-jogadores que ganharam muito dinheiro durante as suas carreiras e passado pouco tempo declaram falência. É um fenômeno que está estudado e acompanhado, por exemplo, pelo Sindicato dos Jogadores da Premier League, que tem registros estatísticos sobre isso, em que eles calculam já uma porcentagem dos jogadores que após o fim da carreira acabam por declarar falência. É uma porcentagem bastante elevada, porque apesar de ganharem muito dinheiro, têm um estilo de vida, um nível de vida que exige manter. E depois é fechada abruptamente.
Deixa de pingar.
Quando tens os mesmos custos, tens as mesmas despesas, as mesmas obrigações, às vezes até mais.
Mais.
E de repente, é que nem é-
Só sai, não entra.
É isso. E nem todos sabem lidar com isso. Há vários programas para apoio a estes jogadores. Agora foi notícia, Trevor Ariza, um ex-jogador de basquete da NBA, foi companheiro de Kobe Bryant nos Los Angeles Lakers, até conquistou um título com ele. Ganhou ao longo da carreira, porque ele passou por mais de 10 equipes, mais de $100 milhões. $100 milhões é muito dinheiro.
É muito dinheiro. E agora declara falência.
E agora pediu ajuda para reestruturar as suas obrigações financeiras.
Provavelmente já vendeu os carros, ou não?
Já deve ter vendido muita coisa, ou então, porque aqui há alguns também-
Ainda quer manter.
Antes de a situação ficar completamente descontrolada, optam por este tipo de processo de insolvência, que dá para gerir todos os custos que eles têm, todas as despesas que têm, e evitar que percam mesmo tudo. Muitas vezes é isso que está em causa. Ou seja, quando tu durante um certo período tens muito mais despesas do que rendimentos, então o melhor, alguns advogados aconselham declarar falência para preservar ainda algum do patrimônio antes que percam mesmo tudo. Trevor Ariza veio explicar um pouco o que lhe aconteceu. Ele diz que nestes anos em que, depois de se reformar, tentou encontrar outras fontes de rendimento, mas não conseguiu outras fontes de rendimento estável. Mesmo que conseguisse, não seria assim tão estranho.
Igual a um ordenado não é.
O problema é esse, é que não estaria nem de perto nem de longe ao nível daquilo que ganhava na NBA. Ele diz que fez alguns acordos com empresas, mas uma coisa é conseguir rendimentos na ordem dos $100 milhões, outra coisa é depois de acabar a carreira, conseguir um rendimento que lhes permita fazer essas despesas.
Manter esse nível de vida, claro.
É uma história muito recorrente, sobretudo no esporte norte-americano, não só no basquete, mas também no futebol.
Futebol americano.
Futebol americano e no beisebol, porque os salários são muito elevados, dos mais elevados do mundo.
E não são carreiras longas.
E não são carreiras nada longas. E $100 milhões parece muito, mas de fato, para quem compra carros de $15 milhões, $20 milhões, não é assim tanto. A segunda notícia do dia-
Por isso é que eu prefiro não ganhar milhões.
Não, claro.
Dá muito estresse. Só dá satisfação.
Estamos bem habituados assim, a ganhar muito pouco.
Tá bom assim.
E pronto. E deixamos estar.
Não abrimos insolvência.
Uma boa notícia é esta para quem tem resultados psicológicos negativos quando vai para uma empresa ou quando se candidata a um lugar, depois vem um relatório psicológico que não é muito favorável. Vejam o que aconteceu em 1958. A seleção brasileira que foi ao Mundial da Suécia, na altura não era a favorita para conquistar o mundial, mas tinha uma boa equipe. Mas levou dois jovens jogadores que, se fosse pela opinião dos psicólogos, não teriam ido. E estamos a falar de Pelé e de Garrincha.
Eram fraquitos.
Eram fraquitos.
Mentalmente.
É o que diz o relatório.
Mas diz alguma coisa de mais concreto?
Diz em relação, por exemplo, a Garrincha, e isto já era sabido. Quer dizer, na altura provavelmente não era sabido, mas entretanto já foi amplamente divulgado. Por exemplo, na biografia que o Ruy Castro escreveu sobre o Garrincha, ele dizia que este relatório dizia que ele era intelectualmente limitado e não plenamente consciente das táticas do jogo. Ou seja, que não percebia muito bem taticamente o que se passava. Mas ele era daqueles gênios que não precisavam mesmo saber.
Então, será melhor apostarmos no Paulo Ferreira? Ele também é tecnicamente limitado.
Tecnicamente ao nível do futebol.
Ao nível do futebol. Se calhar está aqui o nosso Galinho das Ovos Dourados.
Aí está ele, é o nosso Garrincha. Pelé tinha 17 anos e, claro, aqui foi considerado imaturo emocionalmente. Com 17 anos, de fato, é estranho.
Um atleta com 17 anos.
Mas os treinadores intervieram aqui e disseram: "Não, vamos levá-los à mesma." Agradeceram a opinião dos psicólogos, mas impuseram a sua decisão e fizeram muito bem, porque Pelé foi decisivo. Garrincha também. Pelé foi decisivo nesse Nesse mundial, depois em 1962.
Logo nesse mundial foi decisivo?
Logo, foi a grande revelação do mundial, a grande estrela. O Brasil ganhou o Campeonato do Mundo pela primeira vez, e em 62, eu não sei qual foi o relatório psicológico, mas Garrincha foi a grande estrela desse mundial. Pelé lesionou-se logo nos primeiros jogos e foi Garrincha o grande líder da seleção brasileira em 62. Portanto, vemos que aqueles que eram apontadas algumas fraquezas, algumas debilidades, acabaram por ser os grandes líderes do futebol brasileiro e da seleção brasileira, que conquistou nessas duas edições o bicampeonato. Por último, vamos aqui a uma notícia que envolve o grande Cristiano Ronaldo. Não vamos falar da derrota do Al-Nassr contra o Estrela da Amadora. É verdade, o Estrela da Amadora venceu o Al-Nassr por 1 x 0.
Já jogou o João Félix?
Jogou o jogo todo. Estás a estabelecer uma nexo-causalidade entre as duas coisas?
Não, era só curiosidade.
Está bem. Aqui vamos falar de futebol, mas é um bocadinho ao lado. Cédric Soares jogou com o Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, foi campeão da Europa em 2016 e agora está a jogar no São Paulo. E numa entrevista, em que pediram também para falar deste convívio com o Cristiano Ronaldo, ele veio fazer os elogios do costume, dizer que é um profissional a toda a linha, mas que leva este profissionalismo ao extremo de proibir telemóveis nos quartos. Isto por quê? Porque ele dizia: "Nada de telemóveis, vamos para o quarto conversar um pouco" e desliga o telemóvel. Deixava mesmo sem sinal, porque dizia que influenciava o sono e que nem ficava com o telemóvel.
Há muitas pessoas a recomendar que não deixemos o telemóvel ligado.
É verdade. Mas ainda há mais.
Mais do que isso?
É, para além dessa recomendação de não levar o telemóvel para o quarto, Cédric Soares diz que o Cristiano Ronaldo lhe dizia: "Não podes usar o 5G, porque pode prejudicar o sono". Vocês sabem que há muitas teorias da conspiração em relação ao 5G.
Mas não usar o 5G ao longo do dia ou só à noite? Provavelmente só à noite.
Eu acho que era mais à noite.
No quarto, sim.
Pode ali afetar as ondas cerebrais, não sei.
Vou pôr isso tudo em prática depois no Cristiano.
No Cristiano Ronaldo funciona.
Pois, parece que sim.
Com ele funciona. Não sei se funciona com os outros, mas com ele funciona. Mas isto para vermos até que ponto ele controla tudo o que se passa.
Então, mas o Cédric não disse depois se resultou com ele também?
Eu acho que o Cédric não deve ter seguido.
Só disse assim: "Está bem".
"Está bem. Agora estou aqui a jogar Candy Crush, não posso interromper."
Sem 5G. Isto fica mais lento.
Sem 5G.
O Wi-Fi do hotel não funciona.
Para alguns jogadores, se calhar, até faz bem. Aqueles que são mais intelectualmente limitados, como o Garrincha.
Exato.
São estimulados pelo 5G.
E maturos com 17 anos.
Exato.