Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E ontem foi um dia feliz para o futebol português. O Porto apurou-se para os quartos de final da Liga Europa, juntando-se ao Braga e também ao Sporting, que está nos quartos de final da Liga dos Campeões. Mas também foi um dia triste, marcado pela notícia da morte de Silvino Louro, antigo internacional português, guarda-redes que iniciou a carreira no Vitória de Setúbal.
Depois passou por vários.
Passou por vários, passou pelo Benfica. Quando chegou ao Benfica, em 84/85, ainda estava lá Manuel Galvão Bento, que era uma lenda e era o titular naquela altura. Silvino ficou várias épocas, ainda foi emprestado ao Aves. Depois, durante várias épocas, disputou a titularidade no Benfica com Neno, outro jogador, outro guarda-redes que também já desapareceu, com uma morte, aqui há uns anos, precoce, ainda bastante novo. Silvino esteve nas duas últimas finais do Benfica na Taça dos Campeões Europeus. Foi titular nas duas finais, foi capitão na última final, em 1990, contra o Milan. A última época de Silvino no Benfica foi em 93/94, foi campeão nacional. Na altura, Neno era o titular. Silvino jogou algumas vezes, mas o titular era Neno. Depois disso, passou pelo Futebol Clube do Porto e pelos Salgueiros. Ainda teve uma internacionalização. A última internacionalização foi naquele jogo polémico Alemanha-Portugal de apuramento para o Mundial de 1998, que teve a expulsão de Rui Costa. Portugal não conseguiu o apuramento para essa competição. Silvino, que depois iniciou uma carreira como treinador de guarda-redes, esteve no Futebol Clube do Porto, acompanhou José Mourinho. Os dois eram sadinos, de Setúbal, e tiveram essa ligação que prosseguiu nos vários clubes por onde José Mourinho passou, até ao Manchester United, que foi o último clube em que trabalharam juntos. Em 1993/94, como eu dizia, Silvino esteve pela última vez, na última época, a serviço do Benfica. Foi campeão nacional nessa época e um dos jogadores que fazia parte desse plantel era o Abel Xavier, que está hoje conosco para falar um pouco sobre o Silvino. Eram jogadores, claro, de gerações bastante diferentes. Bom dia, Abel Xavier. Obrigado por teres aceitado o nosso convite para participar neste Três Toques. Que recordações é que tens dessa época? Que recordações é que ficam de Silvino? Na altura, ele não era o titular absoluto do Benfica, mas era um jogador já muito experiente, com muitos anos de casa.
Bom dia a todos.
Bom dia.
Bom dia a todos os ouvintes. As minhas primeiras palavras e sentimentos vão para a família. É uma triste notícia. Um colega, nomeadamente no Benfica, também foi meu colega na seleção nacional. Como disseste, e bem, 93/94, coincidimos no Benfica e fomos campeões nacionais. Eu era um jovem de 21 anos, vinha do Estrela da Amadora, um clube de outros contextos. Ainda estava numa fase de crescimento, de desenvolvimento. Passar para a realidade do Benfica, eu teria necessariamente que encontrar pessoas com mais experiência e me recordo que o Silvino era uma destas pessoas. Obviamente, temos uma diferença de 14 anos. Podemos mesmo dizer de gerações completamente diferentes. E estas pessoas de mais experiência, como era o caso do Silvino, foram muito importantes para a minha adaptação à realidade do Benfica e ao contexto mais competitivo.
Como é que ele era, Abel? Ele era alguém que ajudava esses miúdos que acabavam de entrar no clube a entrar nas rotinas e na tal mística? Era alguém que queria apoiar esses jovens jogadores?
Sim, exatamente, era mesmo isso que eu ia dizer, porque nem sempre é possível um jovem chegar e jogar, que foi o meu caso, mas obviamente há sempre uma fase de adaptação e Silvino era um colega solidário, era um colega que compreendia, porque também vinha de clubes inferiores, tinha passado pelo mesmo e eu me recordo muitas vezes, mesmo ele quando não jogava, estava sempre a apoiar e era um companheiro muito positivo dentro do grupo de trabalho. E portanto, existe sempre uma competitividade muito grande em clubes desta dimensão. E me recordo de ser um profissional excelente, um amigo, um companheiro extremamente positivo no grupo de trabalho e obviamente é um momento muito triste para o futebol português, é um momento muito triste para todas as equipas por onde ele representou como jogador e também como treinador. E é também um momento muito triste para a segunda família que são os jogadores, por tudo que nós passamos com ele e as memórias que nós temos de companheiro de balneário.
Nessa época em que coincidiram no plantel do Benfica, época de 93/94, Silvino não era o titular absoluto. Neno foi muito mais vezes titular. Como é que era a relação do Silvino, quer com os outros jogadores e com o seu principal rival na baliza do Benfica, quer também com os treinadores? Ele na altura já tinha muitos anos de experiência de Benfica, também era uma voz, imagino que muito respeitada dentro do balneário.
Sim, sem dúvida. Ele era uma voz muito respeitada e muito reconhecida dentro do balneário. Como eu disse, era uma voz que contribuía para um ambiente positivo. Este lugar de ser guarda-redes é muito específico dentro de uma equipa de futebol, até a nível do seu próprio trabalho. Normalmente, um plantel tem entre três a quatro guarda-redes e obviamente só pode jogar um. Em grande parte do tempo, há muitos guarda-redes que não jogam durante a temporada. E depois pode haver algum imprevisto, nomeadamente as lesões, aonde aconteceu na passagem, neste caso, do Silvino, aonde teve que entrar e teve que contribuir. E foi sempre um profissional excelente dentro do próprio grupo de trabalho. E sabíamos, de alguma forma, quem esteve com ele, quem partilhou balneário com ele, que quando ele acabasse a sua carreira como jogador, teria que ser necessariamente treinador.
Já tinha esse perfil, já dava essa indicação de que seria esse o caminho a seguir depois de acabar a carreira como futebolista?
Exatamente. Ele tinha o perfil, quando não jogava, contribuía para ajudar, nomeadamente os jovens como eu. E eu sentia mesmo a sua voz, a forma como comunicava, era muito calmo dentro do próprio grupo de trabalho e reconhecia as capacidades futuras como treinador. E foi isso exatamente que aconteceu. Houve uma junção muito feliz após carreira, se juntar a um dos maiores treinadores também que nós temos e de nível mundial, José Mourinho, e depois, se nós repararmos a sua carreira como treinador e as suas passagens de grande sucesso pelos clubes a nível mundial.
E os grandes guarda-redes que ele também ajudou a melhorar, certamente com o seu trabalho. Abel Xavier, muito obrigado por teres participado neste "Três Toques" de homenagem a Silvino Louro, antigo internacional português que ontem morreu aos 67 anos.