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Hoje no menu do Três Toques não há comida e não há Constituição. Há cânticos islamofóbicos em Espanha.

Pronto, é outra alternativa.

É outra. Ameaças no ténis, mas vamos acabar bem, atenção, com o bom exemplo dos adeptos japoneses, que são exemplares mesmo. Marcam a diferença em relação ao comportamento da maior parte dos adeptos em estádio.

Devíamos imitá-los em tudo.

Pois. Começamos por um mau exemplo. Foi aqui em Espanha. A seleção espanhola esta semana voltou a jogar na Catalunha, 18 anos depois.

Em 18 anos nunca tinham jogado na Catalunha.

Nós sabemos que há ali as tensões.

18 anos é muito tempo.

18 anos é de facto muito tempo. Já se falou na criação de uma seleção catalã, sobretudo naquela altura do referendo.

Da declaração de independência.

E é um tema que volta quase sempre a estar na ordem do dia em Espanha. E esta má relação dos catalães com a seleção castela, a seleção espanhola, também é histórica. Agora ficou marcada por estes cânticos, que não têm que ver com questões de independência.

Que não honram ninguém.

Cânticos islamofóbicos vindos das bancadas antes do jogo Espanha-Egito. Foram ouvidos cerca de 10 minutos antes do início do jogo e depois também no início da segunda parte. Lamine Yamal, que é talvez neste momento a grande estrela da seleção espanhola, é muçulmano, ficou muito afetado por esses cânticos. Os cânticos foram condenados por todos, mas o jogador, de facto, ficou indignado com esta postura dos adeptos espanhóis, neste caso, adeptos catalães. Berni Álvarez, que é conselheiro do desporto do governo da Catalunha, expressou a profunda indignação também perante estes cânticos, que disse serem organizados pela extrema-direita. E há, de facto, aqui um comportamento que se tem vindo a repetir. Ainda nesta semana falámos também de cânticos homofóbicos ouvidos no México, dirigidos a um guarda-redes mexicano. E são comportamentos que envergonham e, neste caso, afetam diretamente, ainda mais jogadores que são muçulmanos, como é o caso de Lamine Yamal. Más notícias também do ténis. Neste caso, tem a ver com o mundo das apostas no ténis e depois a pressão que é posta sobre jogadores e jogadoras de ténis. Já se sabe que há um grande volume de apostas no ténis e não é necessariamente nos principais jogos ou envolvendo os principais jogadores. Muitas vezes, o maior número de apostas é feito nestes jogos onde não estão centradas as atenções, mas que depois as autoridades detetam.

Padrões.

Padrões e um elevado número de apostas, um estranho número de apostas em determinados jogos. Agora afetou também uma tenista espanhola, Marina Bassols, que foi eliminada no torneio de Bogotá por uma jogadora de ranking inferior e alguém ficou muito descontente com este resultado.

Ficou com a pulga atrás da orelha. O que aconteceu?

Alguém que foi para as redes sociais da jogadora ameaçá-la, porque provavelmente deve ter apostado alguma coisa, não se sabe a quantia, nem se sabe se esta pessoa apostou, mas é provável que o tenha feito. Foi para as redes sociais da jogadora ameaçando-a, dizendo que, por exemplo: "Vou assassinar-te, sei onde vives, vou arruinar-te a vida, fica a saber, estás morta, paguei a um cartel para que te matem." E depois a jogadora o que fez foi denunciar estas ameaças, que não são novas. Diz que já foi vítima de outro tipo de ameaças noutras circunstâncias e muitos jogadores têm dado a conhecer este tipo de ameaças que recebem depois de um resultado, por exemplo, um resultado inesperado, como foi esta eliminação desta jogadora. E há muitos jogadores que em circunstâncias semelhantes também são ameaçados, presumivelmente por quem aposta nestes jogos e está à espera de ganhar algum dinheiro e depois fica desiludido e parte para as ameaças nas redes sociais. Mas nós sabemos que às vezes passar das redes sociais para o mundo real não é assim tão difícil.

Isso.

Seja como for, perturba sempre os desportistas. No caso do ténis, estamos a falar de um desporto individual, as ameaças são dirigidas a uma pessoa em concreto.

A um atleta em concreto.

Exatamente. E é um problema que as associações de tenistas para o qual estão atentas, mas ainda não conseguiram, como é óbvio, resolver. Terminamos numa nota positiva.

Japonesa.

Japonesa.

Vamos lá.

Gostas de japoneses, não é?

Gosto.

Da cultura?

Sim.

Já foste ao Japão?

Nunca fui ao Japão, tenho muita curiosidade. Gostas de espanhóis.

Gostas de cultura, depois corrijo.

Pronto.

Gostas da cultura japonesa. Era nesse sentido.

Gosto da organização japonesa.

E isto é mais um exemplo de organização japonesa.

E da alma.

Da alma. Tem dias. Às vezes um bocadinho menos de organização. Na Alemanha tinha dado jeito ali em meados do século XX.

Isso.

Não fossem tão organizados e tão eficientes. Bom, os japoneses têm sempre dado exemplos de comportamento irrepreensível nos estádios de futebol. São adeptos que fazem questão, por exemplo, de limpar.

O balneário.

Os jogadores.

Os jogadores limpam o balneário.

É verdade, os jogadores deixam o balneário num brinquinho, já nem precisam da equipa de limpeza. Mas aqui estamos a falar dos adeptos, que também já tinham dado nos Mundiais e em jogos internacionais o exemplo e voltaram a dar. O Japão jogou contra a Inglaterra em Wembley. Ganhou. O Japão ganhou um zero. Portanto, desde logo, houve esse facto a realçar, mas se calhar até mais importante do que isso foi o comportamento dos adeptos japoneses que deixaram as bancadas limpinhas.

Olha.

E não foi limpar.

Limparam tudo.

Limparam tudo, limparam em campo e nas bancadas.

Olha, há cidades em Portugal que precisam de japoneses todos os dias.

Muitas direções de clubes em Portugal. Meu amigo, nem vamos falar disso. Hoje podia por acaso trazer esta guerra Futebol Clube do Porto.

Podíamos ter claques de japoneses com esfregona na mão para gritar.

Vamos acabar nesta nota positiva, com o exemplo dos adeptos japoneses. João, sayonara.

Sayonara, Bruno.