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Começa agora mais um Três Toques com o Bruno Vieira Amaral. Vamos à pergunta do dia: qual a maior goleada nos jogos entre Sporting e Porto?
De sempre, da história?
De todo o sempre.
De todo o sempre.
Mas é capaz de dizer o resultado?
Do universo, o resultado. Eu digo já: ganhou o Porto.
Ganhou o Porto.
O Porto teve a maior goleada contra o Sporting.
Eu digo 6 x 1.
6 x 1.
5 x 0. Ia dizer 5 x 0, Carla. Mas tu vais acertar os dois.
Mas o 5 x 0 dela é bem melhor do que o teu, Maria José.
É verdade.
E se vocês disserem 6 x 2, ela ganha.
Pois é. Então vai.
Porque o zero dela é mais redondinho.
7 x 2. Só para ser...
7 x 2?
Sim.
7 x 2? Está bem.
Ganhou a Carla. Esse é mais um para o Benfica e Sporting.
Já repararam que todos disseram uma diferença de cinco gols?
Pois foi.
Vamos ver se acertaram.
Vamos ver.
Mas hoje temos um convidado especial no Três Toques.
Posso ter ajuda ao nosso convidado?
Então pede lá ajuda.
José Peseiro, bom dia.
José Peseiro.
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia, José Peseiro.
Quer dar um palpite, José Peseiro, qual foi a maior goleada da história de Clássicos?
Não faço ideia.
Então olha, está como eu. O José Peseiro não sabe.
Não sabe. Vocês também são despreiados. Eu também não sabia.
Diria que foi o 5 x 0.
5 x 0. O José Peseiro está comigo. Estava comigo também.
E José Peseiro é o nosso convidado hoje no Três Toques. Já treinou os dois clubes. José Peseiro, qual a melhor recordação que guarda dos Clássicos?
A melhor recordação foi quando, pelo Sporting, vencemos o Porto em casa, num jogo em que o Porto até ficou reduzido a nove na parte final do jogo. E nós vencemos por 2 x 0, porque os outros dois jogos acabei por perder.
Esse não interessa recordar.
Perdeu em 8 de novembro de 2004, enquanto treinador do Sporting, no Estádio do Dragão, por 3 x 0, e perdeu no Dragão, enquanto treinador do Porto, por 3 x 1. E essa foi a última vez que o Sporting foi ganhar ao terreno do rival. Lembra-se bem desse jogo? O Sporting era orientado, na altura, por Jorge Jesus.
Na altura, o Sporting e o Benfica eram as melhores equipes em Portugal. Praticamente ganhavam todos os jogos. Um ano em que o Benfica foi campeão por gols, creio eu, ou por um ponto, que era o Rui Vitória o seu treinador, e o Sporting jogou bem, apesar de, naquela altura, nós termos sempre arranjado uma desculpa e a desculpa foi que o árbitro também não foi assim tão assertivo no jogo. E é verdade, não foi tão assertivo no jogo. Teve ali uns erros. Acho que há um lance com o Bakaru que poderia ser segundo amarelo para o defesa central do Sporting, pênalti, e iríamos ao desigual, mas os árbitros também podem errar como os treinadores e os jogadores.
E acontece. Infelizmente, às vezes está-se no lado derrotado.
Naquela altura também não havia VAR.
Ainda não havia VAR. Eu creio que é na época antes da introdução do VAR. Mas o Porto, na altura, tinha jogadores como Iker Casillas, Maxi Pereira, Brahimi, Danilo Pereira. Parece que era um plantel superior ao atual plantel deste Porto?
Não. Tenho a noção que o Porto, naquela altura, não tinha um grande plantel. Tinha dificuldades até de gestão. Lembro como é que o Silvio do Porto e tivemos que utilizar outros jogadores que não eram daquela posição, central, lateral. Portanto, o plantel não era assim tão rico. Bem, lembrando do plantel agora, se calhar ele também não é tão rico.
Este é um bocadinho mais pobre.
Ok. Poderei dizer então que de todos os plantéis e grandes plantéis que o Porto construiu nos últimos 30, 40 anos, talvez tenha sido esse o meu e este, neste momento, talvez aqueles com menos qualidade. Não estou a dizer que são fracos, porque jogadores fracos não podem jogar no foco do Porto, mas de menos qualidade. Acredite, estava aqui a comparar o meu plantel com outros do Porto, mas comparando com este, se calhar.
Era superior.
Lembraste bem. E comparando com os adversários, naquela altura era mais fraco e nesta altura também é mais fraco, ou menos forte.
José Peseiro, já treinou os dois e, portanto, pode fazer essa comparação. São culturalmente diferentes os dois clubes, o Sporting e o Porto?
Sim, são culturalmente diferentes.
É mais elitista o Sporting, segundo dizem, não? Não tem a ver com isso.
Não tem isso. Acho que, porque são regiões diferentes. São cidades diferentes.
O Porto tem aquela missão de representar o Norte, não é? De alguma maneira.
Até sotaques diferentes.
É verdade.
E a verdade é que o Porto foi construído, e bem, com certeza, porque deu resultados, defendendo uma zona e uma região. Portanto, aquela velha frase de que quando passava o Douro, aquilo ficava tudo pior, ou seja, havia um sentimento de inferioridade. E a verdade é que o Porto construiu essa matriz e essa história, muito com essa defesa, portanto, os seus dirigentes, o Pinto da Costa, o mais importante da história do Porto e talvez do futebol português, que construiu um Porto na luta contra tudo e contra todos.
E José Peseiro, tendo treinado os dois clubes, num dia como este, de clássico, vai torcer por quem?
Quando nós somos treinadores.
Primeira parte do Porto, segunda parte do Sporting.
Não, quando nós somos treinadores, mesmo que tenhamos um clube em que tenhamos mais sensibilidade ou desde a infância tenhamos vestido essa camisola, a verdade é que depois Abstrairmos disso e para nós, o merecido vencedor ou aquele que ficamos mais felizes de ter vencido, é depois do jogo aquele que jogar melhor, que for mais competente. Acho que isso é transversal a todos os treinadores, creio eu, ou à maior parte dos treinadores que chegam a este nível, que se o Porto merecer ganhar, gostamos que o Porto ganhe. Se o Sporting merecer ganhar, também gostamos que o Sporting ganhe. Ficamos um pouquinho mais chateados, incomodados com isso, que o futebol é só futebol, não é mais nada que o futebol, que a equipa que não mereça venha a ganhar.
Venha a ganhar. Então não lhe pergunto por quem é que está a torcer, pergunto-lhe quem é que acha que vai ganhar. O Sporting fica muito mais fraco sem Gyokeres e ainda não sabe se vai jogar ou não o avançado sueco.
Fica mais fraco, não tenho dúvidas nenhumas. Gyokeres foi uma bomba que chegou ao futebol português e se tem afirmado como jogador desequilibrador. Na nossa Liga é determinante para o Sporting e para os jogos onde está. Em quase todos eles. Em muito poucos jogos nós não vimos Gyokeres ser decisor do jogo ou ter participação muito ativa na decisão do jogo. O Sporting é favorito, mas normalmente nestes jogos as expectativas que se cria depois leva-
Leva ao clube que está mais embaixo a superar-se.
Isso mesmo, porque a verdade é que se pode dizer que o Sporting tem menos pressão. Quem vai jogar, o treinador e os jogadores, quando são favoritos à partida, e é isso que vai passando na nossa comunicação social e na população em geral, aumenta a pressão ao jogador que, em princípio, é favorito. E num jogo destes contra o Porto. É verdade que o Porto fica arredado do título se perder, o Sporting fica mais perto do título, mas isso aumenta a pressão, não diminui a pressão. Tal como há pouco tempo tivemos o Sporting x Benfica, em que o Benfica era favorito e perdeu, não me admirava nada, não estou a dizer a desejar, o desejo é que ganhe quem seja melhor.
Mas que pode acontecer hoje o mesmo. Exatamente.
Pode acontecer o mesmo.
Vamos então à resposta à pergunta do dia, vamos saber.
Qual a maior goleada nos jogos entre Sporting e Porto?
E a resposta: falharam todos.
Até o José Peseiro.
Em 1935, 36, o Porto ganhou por 10 a 1 ao Sporting.
Estive mais perto.
Mas o Sporting não foi ao jogo.
E a bola devia ser quadrada nessa altura.
Eram outros tempos. José Peseiro, muito obrigado pela participação neste Três Toques de hoje.
Bom dia, bom trabalho.
Obrigada, bom dia.