Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa aqui mais um "Café e a Conta" com a professora Rosário Moreira, docente na Porto Business School e na Faculdade de Economia do Porto. Bem-vinda, Rosário. Hoje vamos falar da importância da literacia financeira. Vamos a isso então.

Vamos a isso. Desde logo, há vários estudos científicos, portanto, não é só pelo fato de eu ser professora da Faculdade de Economia e da PBS que refiro que a literacia financeira é importante. De facto, há vários estudos que mostram que uma maior literacia financeira conduz à melhor gestão da poupança e também ao mais eficiente investimento dessas mesmas poupanças. Por isso, estes conselhos que nós fomos tendo ao longo destes últimos programas acabam por ir em linha com a necessidade da literacia financeira. Há aqui um esforço, eu diria quanto mais cedo melhor, quanto mais cedo as crianças, os jovens e adultos começarem a entrar dentro destes temas, não só dos termos, mas estarem sensíveis pra questão da poupança e de controle do consumo, melhor vai ser a sua vida adulta enquanto finanças das suas famílias.

Está conosco também o Bruno Vieira Amaral, que me esqueci no início de fazer essa introdução. Bruno, agora passo a tavola a ti.

Sim. Existem, professora, diferentes níveis de literacia financeira. Nem todos temos de ter o mesmo nível, haverá perfis diferentes e perfis diferentes exigem também um conhecimento diferente, mas há uma literacia básica. Digamos, o beabá destas questões. Por onde é que começamos?

A literacia básica está relacionada com a importância de controlar o consumo, a importância de poupar. E depois, quando passamos pra parte do investimento, aí sim, passamos para um segundo patamar, que é ter cuidado onde se coloca o nosso dinheiro, por causa da questão do risco, pra depois não ser surpreendido com investimentos cujo retorno nem sequer é positivo e, pelo contrário, podemos perder parte do capital. Mas está a ser feito um esforço a nível nacional. Há aqui, por parte da Direção Geral da Educação, juntamente com o Banco de Portugal e outros organismos, que prepararam o referencial da educação financeira para a educação pré-escolar, básico, secundário e depois para adultos, cujo objetivo é precisamente esse, promover a educação financeira das crianças em ambiente escolar, já do pré-escolar até chegar à universidade. E precisamente porque esta questão das poupanças e dos investimentos pessoais vai definir a qualidade de vida futura das famílias. Daí que este esforço, não só destes programas, por exemplo, e de outras iniciativas que a própria Faculdade de Economia também esteve envolvida para sensibilizar os jovens pra necessidade de poupar. Portanto, ficamos com o layer básico, o patamar básico é estar sensibilizado para: o dinheiro é limitado, tem de haver controle no consumo, é importante poupar, nem que seja em pequenos montantes, e que o dinheiro pode crescer, a poupança pode render.

O investimento já será um patamar mais acima. O básico será a noção de poupança e de como poupar, mesmo que os nossos rendimentos não sejam muito elevados.

Exatamente.

Para esse controle, nada melhor do que fazer aí uma tabela, não é? Entre o deve e o haver, apontar tudo aquilo que gastamos. Isso é uma daquelas regras mais básicas.

Aqui há duas ou três regras básicas a seguir. Precisamente a primeira é, como dizia a Judite, fazer um levantamento claro das responsabilidades mensais. Referíamos a semana passada que não é só aquela que temos que pagar naquele mês, mas anualizar, por exemplo, os impostos, o imposto único de circulação, que paga uma vez por ano, quanto é que corresponde ao mês. Portanto, levantamento claro das responsabilidades, os créditos, mais os gastos que temos correntes e ainda estes que são pagos semestralmente ou anualmente. Segunda regra, é tão básica que até é um bocadinho risível: não gastar mais do que o rendimento mensal do agregado familiar. Mas isto ser um ponta-pé. Não há aqui ilusões com os vizinhos ou os filhos. Não é possível gastar mais do que aquilo que se ganha e é ser essa a regra de ouro. Não ter medo de dizer que não. Alguns pais, seja qual for o motivo, passaram uma infância mais difícil e, portanto, até têm algum receio de dizer que não aos filhos, mas se for desde pequeno, com a explicação pra o não, cria-se um ambiente de que toda gente contribui. É quase como um jogo, que depois tem resultados a nível de qualidade de vida Ir às compras apenas quando é necessário. Ponderar a frequência dos extras mensais, tipo ir a jantar fora ou almoçar fora só uma vez por mês, ou cinema. Começamos por ver o deve e o haver e em função da dança ou da música, planeamos como é que nós podemos fazer para incentivar a poupança.

E isso leva-nos a pensar como preparar as nossas finanças pessoais para este ano.

Para este ano em particular, nós já estamos em abril, já passou o primeiro trimestre, mas de qualquer maneira, tentar cumprir o orçamento familiar. Se ainda não tem, ainda vai a tempo, nunca é tarde para começar a olhar para as finanças. Fazer um orçamento familiar de abril até dezembro, incluindo todos os meses, gastos e receitas e os rendimentos. E ver até dezembro com o que nós vamos contar. Dois, rever as dívidas para melhorar as finanças em 2022. As dívidas, os vários montantes que temos pendentes, ver quais é que nós temos e quais é que conseguimos abater. Três, relativamente àqueles créditos que nós temos e não conseguimos abater, tentar baixar os encargos a eles relacionados, negociando a taxa de juro ou vendo se é possível poupar no seguro associado, por exemplo, ao crédito de habitação. Quatro, analisar a carteira de seguros que nós temos para não haver duplicações, termos, por exemplo, o seguro de vida coberto em várias seguradoras. E definir metas. Termos aqui um objetivo de poupança e criarmos esta regra de todos os meses, ao final do mês termos ou ao início do mês, tirarmos 50€, 20€, 100€, o que for, para constituir primeiro um fundo de emergência e a seguir alguma poupança que possa ir para um investimento com um bocadinho de risco inicialmente e depois ir acrescentando o potencial de ganho e portanto também o potencial de risco.

Professora, temos ouvido falar nos últimos tempos de turismo de vingança. Isto a propósito da pandemia em que nós estivemos confinados e que agora as pessoas de certa forma vingam-se ou procuram vingar-se fazendo férias, saindo mais. É preciso também ter cuidado com estes gastos mais impulsivos. É verdade que o nível das poupanças aumentou neste período da pandemia, mas podem vir aí tempos difíceis e se calhar é necessário refrear esses impulsos consumistas.

É verdade. É sempre muito bom, todos nós gostamos de ir de férias e de facto houve muito tempo em que estivemos ou fechados ou sem conseguirmos conviver com amigos e família, mas há um preço a pagar. Se de facto há folga, se há um fundo de emergência já consolidado, se temos até alguns investimentos, aí sim, por que não? Até porque estimulamos também a nossa economia. Agora é preciso ter cuidado para não nos deixarmos tentar porque a nossa família o faz ou os nossos amigos também têm direito a ter férias. Claro que todos nós temos direito, mas é muito importante começar pelo pai e pela mãe, no fundo, trabalhar a realidade em que nós vivemos. É com aquele montante que nós temos que viver e portanto planear para o futuro e não tanto para o presente. Arranjar um part-time também, se os jovens começarem a ter 15, 16, 17 anos, não faz mal nenhum durante as férias ter um part-time onde podem até acumular algumas poupanças. Há sempre estratégias, há uma miríade de estratégias para estimular desde pequenino a poupança. Lembram-se do mealheiro que até não dava para abrir, nem para tirar, que era para depois fazer. É muito engraçado, porque desde pequenino, eu lembro-me do meu primeiro mealheiro que não dava para tirar as moedas e que depois ia orgulhosamente ao banco com ele para depositar. Não faço a mínima ideia se era muito ou pouco, mas estimular desde pequeninos, porque os pequenos jovens serão adultos em breve. E a qualidade de vida, claro que está sempre dependente do rendimento. Todos nós poderíamos ganhar muito mais, ter rendimentos, salários muito melhores, mas com base na nossa realidade, nós conseguimos ter uma qualidade de vida melhor se tivermos esta sensibilidade para poupar e investir.

No fundo é otimizarmos os nossos rendimentos, sejam eles mais elevados ou menos elevados.

Mais ou menos. Exatamente.

Bom, e também quando são menos, não podemos sonhar tão alto.

Não podemos sonhar.

Sonhamos mais baixinho. Nós fechamos aqui esta temporada do "Café e a Conta". O programa vai de férias, regressa muito em breve. Obrigada, professora, e até lá.

Obrigada eu. Até lá, Judite. Adeus, Bruno.