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Muito bem-vindos a mais uma edição de "Um Café e a Conta", com a professora Rosário Moreira, da Porto Business School e da Faculdade de Economia do Porto. Professora, muito boa tarde. Hoje vamos falar de cashback e cash advance. São fenómenos parecidos, são questões parecidas, mas que têm diferenças e, por vezes, nós, os clientes dos bancos, não temos a percepção dessas diferenças.

Olá, Bruno. Boa tarde. É verdade. Vamos falar então brevemente de cashback e cash advance. E o fato de estarmos aqui com a palavra cash pode nos confundir.

Já indicia alguma coisa.

Já indicia alguma coisa. Na verdade, já fazem um bocado parte da nossa linguagem cotidiana estes dois termos, mas eu queria deixar aqui uma nota sobre alguns cuidados a ter e distinguir para quando chegar a oferta do banco sobre o cash advance ou o cashback, nós estarmos conscientes que podemos estar a incorrer em custos associados, caso demos o nosso ok.

Não são a mesma coisa.

Não são a mesma coisa. Portanto, eu se calhar começava por falar um pouquinho de cashback. Traduzido à letra é "dinheiro de volta", só por isto já é um bom indício. O cashback é uma forma de eu recuperar parte do valor que gastei em compras. Em Portugal, a maior parte dos bancos tem esta opção associada ao cartão de crédito. E este cashback corresponde a 1% a 3% do valor gasto nas compras.

Que é devolvido ao cliente.

Sim, que é creditado na conta cartão de crédito para poder utilizar posteriormente ou abater ao montante a pagar no final do mês. Chamo só a atenção que a utilização desta opção, para não ter custos adicionais, deverá ser a utilização do cartão de crédito na opção pagamento final do mês, e não a prestações a três meses ou a seis meses, porque senão o cashback que está a receber pode não compensar, eu diria que não compensa na maior parte das vezes, o juro que vai ter de pagar por essa não antecipação, mas por esse montante que vai regressar à nossa conta cartão. Por isso, tem vantagens óbvias. A maior parte dos bancos não paga mais por isso. E se tivermos, por exemplo, acumulado no nosso cartão de crédito mil euros e for uma percentagem de 0,1%, 1%, então mil euros serão € 10, não é? Ou € 30, naquele intervalo que eu falei há pouco de 1% a 3%. Portanto, nós, consumidores, devemos obviamente aproveitar com estes devidos cuidados de não escolher a opção que vai implicar juros. Também alguns sites estão neste momento na internet, que fazem acordos com outros sites de vendas online, e há aqui um retorno de uma proporção, de uma percentagem dos valores pagos. Não é desconto à cabeça, mas sim acumula para compras futuras. Obviamente que isto é um mecanismo que as empresas utilizam, e o próprio banco utiliza, para incentivar o consumidor a gastar mais. E aqui eu também deixo o alerta.

Mas pelo menos há aqui um retorno, não é? Nesse consumo. Mas é preciso ter cuidados mesmo assim.

Sim, não se entusiasmarem porque vão receber mais 1% no final do mês para gastarem fora do orçamento, por exemplo. Sendo esta rubrica de poupanças e de investimentos, finanças pessoais, devemos aproveitar, sim. Bruno, pode já comprar o telemóvel de última geração, se o cartão de crédito tiver esta funcionalidade, mas com estes devidos cuidados. Um, não se entusiasmar nas compras. Dois, assegurar-se que não existe um custo associado a este cashback.

E em relação ao cash advance?

Em relação ao cash advance, também traduzindo à letra, é o adiantamento do dinheiro. Aqui eu diria que é outra conversa. É quando nós precisamos, por alguma emergência, uma despesa inesperada, de alguma liquidez que não temos. No fundo, o banco empresta.

É um empréstimo. Na prática, é um empréstimo.

Sim, e é possível, não é só no ato da compra, mas na ATM, nas caixas Multibanco, é possível levantar dinheiro a crédito. Claro que é fácil de o obter. Também no home banking conseguimos facilmente transferir da conta crédito ou conta cartão pra nossa conta à ordem. De repente precisamos de € 100, € 200, podemos de fato ter um adiantamento Mas aqui tem sempre um custo associado. Daí que o meu conselho é, para situações emergentes, para situações imprevistas, poder recorrer, no entanto, informar-se sobre os custos associados.

Normalmente, as taxas de juro para este tipo de adiantamento são elevadas?

São elevadas. São associadas a um crédito ao consumo, portanto, podem ir para cima de 20, 25% ao ano. É preciso ter algum cuidado, também depende da duração. Se utilizar este valor por três, quatro, cinco dias, não é muito pesado, mas de qualquer maneira, 24, 25%, 30% ao ano, se o montante for elevado, pode representar um valor significativo.

Professora, então aconselharia este recurso em algumas situações de emergência, mas não como uma prática recorrente.

Não, como uma prática recorrente, não. E o que eu temo é que algumas pessoas, como há o cashback e o cash advance, dois termos muito parecidos, aceitem esta oferta do banco, este serviço do banco, sem tomarem devida nota dos custos associados.

Porque neste caso existem custos associados do cash advance e podem ser pesados para o orçamento destes clientes.

Sim, os juros, as comissões podem sufocar a conta bancária, se forem montantes elevados e se for por um período de tempo elevado. Portanto, neste caso, eu até aconselharia, se tiver necessidade de crédito, negociar diretamente com o seu gestor de conta, com o banco, e então ter um crédito planeado e que vai pagando ao longo do tempo. Porque sendo muito fácil, rápido obter este empréstimo, muitas pessoas podem se sentir tentadas. Agora são €100 e pago, e depois são mais 500 e vou pagando. A questão é que como não é um pedido planeado, as taxas são elevadas e se somarmos ao final de um ano as comissões e as taxas de juro associadas ao cash advance, pode corresponder a uma parcela muito elevada, que nos vai sair das nossas poupanças.

É fácil, mas não dá milhões, neste caso, o cash advance.

Certo, Bruno.

Professora Rosário Moreira, muito obrigado. Chegamos ao fim de mais um "O Café e a Conta", sempre com dicas para as poupanças pessoais e neste caso falámos da distinção entre o cashback e o cash advance. Estamos sempre disponíveis nas plataformas habituais, em podcast. Muito obrigado, professora, e até para a semana.

Até para a semana, Bruno.