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Começa agora mais um Café e a Conta com a professora Rosário Moreira. É docente na Porto Business School e na Faculdade de Economia do Porto. Boa tarde, professora. Hoje vamos falar de ETFs e vamos começar pelo início. O que é isto de ETFs?
Ora bem, boa tarde. Os ETFs ou Exchange Traded Funds são, na verdade, produtos financeiros que seguem um índice. Por exemplo, o Standard & Poor 500, que é o índice da Bolsa de Valores que acompanha o desempenho das 500 maiores empresas americanas. Este é um dos índices mais frequentemente seguidos pelos ETFs. Temos, por exemplo, o ETF que rastreia o S&P 500, que é composto por frações de ações que estão dentro deste índice. Mas também, Judite, os ETFs podem seguir o valor de uma mercadoria ou de um setor. Portanto, os ETFs são um conjunto diversificado de ativos, tal como as ações. São uma solução simples e eficiente em termos fiscais e também de baixo custos, por causa das comissões, e portanto, uma forma interessante de investir o dinheiro.
Professora, e quais são os principais benefícios destes fundos e se são recomendáveis a qualquer tipo de investidor?
Como qualquer investimento, é preciso conhecer um pouco mais sobre ele e aconselhar-se junto dos corretores ou dos bancos, mas de qualquer maneira, os principais benefícios, como perguntava, Bruno, eu podia resumir em três: o custo, a simplicidade e a variedade que temos aqui ao nosso acesso. Nós temos a flexibilidade, porque ele proporciona o acesso a uma diversidade de produtos com rendimentos diferentes, portanto, a flexibilidade e a diversificação são dois dos principais benefícios. Temos a eficácia em termos de custos, porque os ETFs têm um custo de gestão mais baixo do que os custos com os fundos ativos. Temos aqui a transparência, porque nós conseguimos perceber, nos fundos, todos os valores que constituem e, por isso, sabemos exatamente onde estamos a investir. Como disse há pouco, no Standard & Poor 500, estamos a investir proporcionalmente nas 500 maiores empresas cotadas nas bolsas americanas. Temos a liquidez, porque eles são cotados em bolsa, portanto, podemos transacioná-los a qualquer momento. E depois o acesso a mercados que nós não conseguiríamos de outra maneira, a mercados internacionais de imediato.
E quais são os tipos de ETFs que existem?
Nós podemos categorizar em ETFs harmonizados, não harmonizados, ETFs de índices ou geridos ativamente e ainda ETFs índices alavancados. No entanto, para uma compreensão mais rápida e prática, digamos que nós podemos ter ETFs de títulos de tesouro, que tratam de fundos que podem incluir títulos governamentais ou de empresas. Temos ETFs de setores da economia. Nós aqui estamos a seguir um certo setor da economia, por exemplo, a energia, é um dos principais ETFs que existem, são os relacionados com o mercado energético, ou então que seguem a indústria das tecnologias de informação e comunicação, ou ainda a banca. Em terceiro lugar, temos os ETFs de matérias-primas. Aqui os ETFs seguem o valor das matérias-primas, como por exemplo, o ouro, a prata, o gás, as commodities. E temos, finalmente, os ETFs de moedas estrangeiras. Portanto, aqui, tal como diz, há o acompanhamento do valor comercial.
Do valor da moeda.
Exatamente, o dólar, a libra, o real, etc.
E em Portugal, qual é que é o cenário para o investidor em termos de ETFs?
Muito bem, Bruno. Sim, em Portugal, praticamente todos os bancos prestam serviços de corretagem, mas nós podemos dividir aqui em três grandes tipos. Temos os bancos de retalho, o banco comum, que tem serviços de corretagem, temos os bancos de investimento e as plataformas de investimento. Portanto, digamos que os bancos de investimento e as plataformas permitem aos investidores entrar neste tipo de investimento. O que distingue estes dois tipos, portanto, banco de investimento e plataformas, são os custos, por um lado, e por outro, não menos importante, o acompanhamento ao investidor, onde existe um aconselhamento e uma gestão de portfólio, no caso de serem bancos de investimento, que não existe nas plataformas. Portanto, é muito útil o fato de podermos ter alguém a acompanhar as nossas decisões, principalmente para aqueles investidores que uma de duas coisas: estão a começar, portanto, não estão muito informados sobre o mercado de investimentos e os ETFs, ou simplesmente porque não têm tempo para acompanhar o seu investimento e gerir o portfólio regularmente.
Então, uma vez mais, como já temos falado a propósito de outros temas, aqui conta muito conhecer o investidor, conhecer o seu perfil e decidir em função desse perfil, decidir o investimento, o tipo de ETF, em função do perfil.
Do seu perfil. Desde logo, tem que ser alguém com perfil que admita algum risco, porque estamos a falar de um investimento.
Não é para aquele investidor que não quer perder, não quer correr qualquer risco. Já é para um investidor com alguma margem de risco a perder.
Sim, que de perder, mas acaba por esta diversificação e o fato de apostar em grandes empresas tecnológicas, em empresas que têm um crescimento esperado elevado, há a perspetiva de uma evolução muito favorável, o rendimento ser elevado. Claro que isto não é um investimento a curto prazo ou pode não ser. E mais, refiro que isto deve ser apenas para aquela poupança extra que nós temos e não aquela que nós possamos precisar no curto, médio prazo para, por exemplo, o estudo dos filhos. Digamos que é uma alternativa, é um investimento que pode gerar retorno bastante interessante e nós temos aqui em Portugal, não só bancos de investimento em que o nosso ouvinte se estiver interessado, pode-se começar por aconselhar. Temos, por exemplo, o Deutsche Bank, temos o Bank Invest, o Banco Carregosa, o Banco Best e temos ainda o Banco BIG, que é o Banco de Investimento Global. Mas também, para quem ainda não queira ir ao banco, se quiser começar a perceber como é que isto funciona, tem muita informação em várias plataformas que já estão cá em Portugal. Temos uma das mais conhecidas internacionalmente e agora em Portugal, a DEGIRO, temos a Orey, iTrade, ActiveTrade, que pertence ao Active Banco do Millenium BCP, temos Xtrade Brokers, Plus500. Portanto, digamos que uma pesquisa no Google em algumas destas plataformas, sendo que estas plataformas têm, no caso das associadas aos nossos bancos, Millenium BCP, por exemplo, esta regulação, estas transações estão claramente definidas e reguladas pela CMVM, pela Comissão dos Mercados de Valores Mobiliários.
Mas é sempre preciso ter em atenção e investir de uma forma ponderada.
É verdade, de uma forma ponderada e tendo em atenção os riscos.
Professora Rosário Moreira, não temos mais tempo neste "Café e a Conta". Estamos sempre disponíveis em podcast e estamos também disponíveis nas plataformas habituais ou em observador.pt. Professora, até para a semana.
Até para a semana. Boa semana.