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Bem-vindos ao "Café e a Conta". Olá, professora Rosário Moreira. Hoje vamos falar sobre onde devemos investir o dinheiro dos nossos filhos. E antes de mais, o que um pai deve fazer quando pensa nisso?
Pois, o que um pai deve fazer? Primeiro, deve estar sensibilizado que realmente a literacia financeira em Portugal está pelas horas da amargura. Agora em janeiro, saiu uma notícia do Banco de Portugal, no seu boletim econômico, em que os portugueses estão em último lugar. Apenas 25% dos portugueses é que conseguiram responder num inquérito sobre a literacia financeira a questões básicas como inflação, spreads, juros, diversificação do risco. Portanto, estamos aqui a falar num tema de filhos, que está estritamente relacionado com o ensinar desde pequenino a poupar e falar em casa desta linguagem. Portanto, o que é que um pai e a mãe devem fazer? Se calhar, e eu sou professora, tenho que dizer mesmo isto, comprar uns livros e ler-lhes, mesmo quando eles são pequenos, como "Faz Crescer o Teu Mealheiro", por exemplo, da Elisabete Lourenço, ou "O Homem Mais Rico da Babilônia", este é um clássico, e incentivá-los pra poupança. Agora, onde colocar o dinheiro, onde investir o dinheiro dos filhos? Isto vai depender de três fatores, essencialmente. A idade do filho, portanto, durante quanto tempo eu vou pensar em manter o dinheiro aplicado. Se as entregas vão ser de montantes elevados ou se vão ser regulares de montantes mais pequenos. E ainda um terceiro aspecto que o pai ou a mãe tem de ter em cima da mesa é se está disposto ou não a aceitar algum tipo de risco neste investimento que está a fazer do dinheiro dos filhos. Portanto, a idade é um fator determinante na estratégia a adotar, porque quanto mais novo for, significa que vou ter mais tempo para o investimento, mais tempo de aplicação do investimento. Tem-se logo maior margem pra aceitar o risco, prescindindo de alguma liquidez. Portanto, se começar a poupar quando o filho tem dois, três anos, até os 18, ainda tem aqui uns bons anos em que não tem liquidez, mas pode ter uma rentabilidade superior.
E quais são os tipos de produto mais indicados para esses casos, em que se começa logo a fazer a poupança numa fase inicial, quando as crianças ainda são muito pequenas?
Pois, nós temos aqui várias possibilidades. Nelson ou Bruno?
Bruno. Desculpe dizer, antigamente havia muito os certificados de aforro e os pais da classe média faziam esse investimento.
E faziam muito bem. Ainda é um produto que existe, vou falar neles. Nós temos aqui três grandes possibilidades. Três, quatro, se assim posso dizer. Uma é o tradicional caso das poupanças a prazo, portanto, as contas poupança júnior, até a maior parte dos bancos tinha este nome, que é depositar o dinheiro e depois render juros. Está aqui o capital tendencialmente garantido e o que acontece é que as taxas podem não ser muito apelativas. Temos os certificados, como o Bruno acabou de referir, certificados de poupança do Estado. A vantagem é que o capital é garantido pelo Estado português. Então temos o certificado Tesouro Poupança Mais, o certificado Tesouro Poupança Crescimento, aqui com prazo um pouco mais alargado, e o certificado Aforro, que é com o prazo de até 10 anos. Portanto, os certificados são uma opção, contas a prazo, outra opção. Temos ainda mais duas. Os seguros de capitalização acabam por ser uma alternativa às contas a prazo, quando as taxas de juros estão realmente muito baixas. Digamos que são semelhantes a um seguro de vida, mas o seu objetivo é distinto. O montante, que é o prêmio que nós entregamos à seguradora, é gerido até o final do contrato e, portanto, ao final de oito, 10 anos, temos aqui não só, esperemos que não aconteça, mas um prêmio por um seguro de vida, mas também uma rentabilidade associada bastante interessante.
A partir de determinada idade, quando eles estão na adolescência e os pais começam a pensar já no futuro, na ida pra universidade, existem produtos específicos para estas situações? Ou seja, eu quero fazer uma poupança que depois deve ser exclusivamente reservada para o ensino. Existe essa possibilidade?
Existe essa possibilidade. Agora, o que nós temos de ver, Bruno, é se em termos de rentabilidade, compensa, porque se nós estamos a ser mais restritivos no uso do dinheiro, podemos depois precisar não de utilizar para as propinas da universidade ou para realizar um Erasmus, mas para outros motivos, e não o podemos fazer. Portanto, o meu conselho é: se a rentabilidade associada a esse produto compensar, normalmente não compensa. Houve o PPRE, PPR, em que se poderia retirar, de fato, para utilizar para os filhos. Mas em termos de crianças, temos estes quatro, ainda me falta referir o último. Estes quatro, as contas a prazo, os de capitalização, certificados de aforro e de poupança, e temos os fundos de investimento, que claro, tem, como o próprio nome diz, já estamos habituados, tem risco associado. Mas, mais uma vez, se for num prazo mais alargado, por exemplo, se o filho tiver menos do que cinco anos, significa que o dinheiro vai estar parado durante vários anos, este risco fica diluído e potencialmente pode ter um Uma rentabilidade bastante interessante.
Digamos que a idade condiciona o tipo de investimento, não é?
E os montantes, sim.
E quando é que é possível, por exemplo, num desses fundos, porque é mais fácil num depósito a prazo ou mesmo num certificado de aforro, mas a ideia de as crianças irem pondo o dinheiro que ganharam no aniversário, no Natal. É possível ir fazendo essas pequenas contribuições?
Sim. É sempre possível, nem que seja para um mealheiro que nós tínhamos lá em casa, até juntar o montante mínimo pra poder aplicar. Aliás, essa é uma das boas regras que eu iria falar mais perto do fim, que além do investimento, é muito importante sensibilizar as crianças para a poupança. Mas respondendo diretamente à tua pergunta, nós temos aqui dentro dos certificados, temos certificados de aforro, em que aqui os montantes são menos elevados, portanto, as entregas podem ser mais pequenas. E depois temos sim, para entregas superiores, 500, 1000 €, temos então os certificados do Tesouro Poupança Crescimento. Portanto, há soluções, estou aqui a falar porque são garantidas pelo Estado português, estou a falar das subscrições destes investimentos nos Correios, mas a maior parte dos bancos oferece soluções deste gênero. Quer sejam entregas de €30, €20,50, quanto entregas na ordem dos 500 ou dos 1.000 €.
Já agora, mesmo para terminar, porque estamos mesmo a chegar ao fim do nosso tempo, essa questão que falava há pouco e que queria concluir, de quando é que é possível introduzir esse conceito aos mais novos, esse conceito de finanças pessoais?
Pois, há quem introduza até antes de ele nascer, criando uma poupança já para quando entrar na universidade. Mas o que eu considero que é mais relevante é incutir nas crianças desde pequenino. Não há idade, pode ser a partir de um ano, dois anos, porque os hábitos dos pais são apreendidos com toda a vontade, desde muito pequeno. E, portanto, uma rotina dos pais, por exemplo, terem atenção aos consumos da casa, ter a luz apagada quando não se está numa divisão, o fechar a água quando não se está a precisar num banho ou pra lavar os dentes e dizer: "Olha, isto é importante por causa dos gastos". Estamos a falar de crianças de um ano, dois, três, para sensibilizar pra poupança e até, se calhar, no final de uma semana, ou final do mês, mostrar que aquilo pode se concretizar em €2, €5 e colocar num mealheiro.
E a semanada e a mesada ainda fazem sentido?
Fazem para idades mais avançadas. Portanto, começando desde cedo com estes hábitos de apagar a luz, fechar a água, por exemplo, na refeição, tentar que não sobre alimentos ou se sobram, que sejam guardados e consumidos na refeição mais tarde. Numa idade mais avançada, sim, Bruno, haver o incentivo a estas poupanças individuais. Portanto, eles recebem um certo montante e o prêmio é, eles podem gastar tudo, o prêmio é se guardarem, poderem, por exemplo, depois ter uma viagem com os amigos ou até comprar algo que...
Mais caro e que queiram, não é?
Um jogo, PlayStation. Portanto, há aqui uma grande necessidade e este boletim do Banco Central Europeu até me assustou em janeiro, quando eu li que, de fato, nós estamos no fim da tabela dos 19 países da zona euro em termos de literacia financeira. E ela tem que começar em criança, mesmo.
Professora Rosário Moreira, muito obrigada. Estamos pra semana com mais um "Café e a Conta" e sempre nas plataformas habituais e em observador.pt. Até pra semana.
Até pra semana, Felipe. Adeus, Bruno.
Adeus.