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Touchdown! Unbelievable!
E começa agora o Jornal de Desporto da Rádio Observador, hoje com edição do jornalista Ricardo Lopes. Ricardo, bom dia.
Muito bom dia, Miguel.
Inevitavelmente, vamos começar por falar do regresso do Campeonato Português e com algumas surpresas. Ontem à noite o Benfica empatou em casa contra o Académico de Viseu.
Num jogo sem adeptos devido a castigo, o Clube da Luz apadrinhou este regresso do Académico de Viseu ao primeiro escalão do futebol português e certamente, Miguel, não estava à espera de tantas dificuldades. 2 x 2, num jogo que parecia algo controlado para o conjunto de Marco Silva, mas a verdade é que o desperdício paga-se caro e os quase 30 remates do Benfica não foram suficientes para conseguir os três pontos. As Águias chegaram à vantagem cedo, logo aos 10 minutos, com o gol de Pavlóvidis, resultado que se manteve até ao intervalo, numa primeira parte com um enorme caudal ofensivo dos encarnados. Na segunda parte, mesmo sem criar grandes oportunidades, foram os visienses a marcar primeiro. Rúben Pereira reduziu, fez um igual aos 55, felicidade que não foi duradoura para a equipa de Bruno Pinheiro, que viu Prestianni com um golaço, esteve endiabrado o argentino, colocar o Benfica novamente na frente do marcador, 2 x 1, perto da hora de jogo. A verdade é que a equipa de Viseu não se rendeu, nunca atirou a toalha ao chão. Aos 67, o ponta de lança André Clóvis, que o ano passado fez 23 gols na Segunda Liga, voltou a empatar, 2 x 2, resultado que não se alterou até ao final. Um balde de água gelada na Luz. No final do encontro, frustrado, Marco Silva fala na necessidade de assumir as responsabilidades, diz que o Benfica não pode ser tão ineficaz, nem sofrer gols desta maneira em casa.
Resultado frustrante, de certeza para os nossos adeptos como para nós, e nós temos que assumir as responsabilidades. Simples, como disse, nós marcamos dois gols em casa, tivemos uma ineficácia muito grande com as oportunidades todas que criamos, mas não podemos sofrer da forma como sofremos. Esta é que é a realidade. Isso é que é importante nós falarmos e claramente vermos o que temos que melhorar, porque o resto nós não podemos mudar e não adianta despender energia com isso. Resultado muito mau para nós, assumir a culpa daquilo que foi o resultado.
Resultado muito mau, admite Marco Silva. Certamente não era assim que imaginava o regresso ao Campeonato Português. Do outro lado, Bruno Pinheiro, o treinador do Académico de Viseu, admite que foi notória a diferença de intensidade entre as duas equipas, mas diz que o Académico soube sofrer e no final isso deu frutos.
Sentimos muito essa diferença de ritmo competitivo, mas dar os parabéns aos jogadores pela capacidade de sofrimento. Soubemos sofrer quando tínhamos que sofrer. Tentamos jogar quando pudemos jogar. Temos dar os parabéns e essa é bom ter o Académico de Viseu na Primeira Liga 37 anos depois e conseguir este pontinho na primeira jornada no Estádio da Luz.
Um pontinho importante, diz Bruno Pinheiro. Trinta e sete anos depois, o Académico volta ao primeiro escalão do futebol português e conseguiu sacar pontos ao Benfica.
E ontem, antes deste jogo na Luz, que acabou com este empate do Benfica, o Futebol Clube do Porto recebeu a equipa do Alverca e, Ricardo, os campeões nacionais voltaram a entrar no campeonato a vencer, 2 x 0 para a equipa de Francesco Farioli.
Foi o único grande a entrar com o pé direito, já lá vamos ao Sporting. Dois penáltis na primeira parte foi o suficiente para sentenciar a partida, ambos assinalados pelo VAR, que nas duas situações alertou Luís Godinho para as eventuais faltas e o árbitro concordou nos dois momentos. O primeiro logo aos nove minutos, foi cobrado por André Silva, que mais de nove anos depois regressa ao Dragão com um gol. O internacional português volta a festejar com a camisola azul e branca há 3374 dias, ficas com este dado, Miguel. Depois, já quase a ir para o intervalo, foi Gabri Veiga que converteu a grande penalidade. O guarda-redes do Alverca ainda adivinhou o lado nas duas ocasiões, mas em nenhuma conseguiu agarrar a bola. 2 x 0 ao intervalo, seguiu-se uma segunda parte sem grande história. Este Futebol Clube do Porto, mesmo que nem sempre apresente exibições com o maior brilhantismo, o que é certo é que consegue manter os adversários bem longe da área. Ainda assim, o Alverca acaba o jogo com mais remates enquadrados que o Porto. Diogo Costa faz ainda duas belas defesas, mas o Porto teve quase sempre o jogo controlado. Depois do jogo, Francesco Farioli admite que não foi uma exibição de grande categoria, o normal para esta fase do campeonato, diz o técnico italiano, que prefere dar destaque à eficácia da equipa, bem como à boa entrada na partida.
"Acho que começamos muito bem. Antes do primeiro gol, acho que entramos mesmo com o ritmo certo no jogo. Depois, o jogo não se tornou exatamente aquilo que eu esperava. Além disso, nesta altura da época, talvez não seja assim tão fácil sermos brilhantes. Por isso, acho que hoje fomos bastante eficazes e eficientes. É, portanto, um resultado importante para começarmos a época com o ritmo certo."
Análise de Francesco Farioli, aqui a admitir que a equipa ainda não está 100% calibrada, mas a dar a devida importância a esta vitória. Do outro lado da equipa do Ribatejo, Sérgio Ferreira, que se estreou oficialmente enquanto treinador do Alverca, sente-se orgulhoso da forma como a equipa jogou contra o campeão nacional e diz que se não fosse um dos melhores guarda-redes do mundo, o resultado podia ter sido diferente.
Satisfeito, porque viemos à casa do campeão nacional e conseguimos criar oportunidades para marcar. Acho que hoje ficou provado porque é que o Diogo Costa é um dos melhores guarda-redes do nosso campeonato e do país e do mundo também. Agora custa-nos muito e estamos tristes pela derrota, porque a equipa merecia mais, mas é mesmo isto o futebol. E neste momento o nosso pensamento já está na próxima jornada, em retificar aquilo que não fomos tão fortes e continuar também a potenciar aquilo em que estivemos bem.
Palavras de Sérgio Ferreira, treinador do Alverca, depois ter perdido 2x0 com o Futebol Clube do Porto. Ontem ainda se jogaram mais dois jogos do nosso campeonato. O Gil Vicente venceu em casa do Rio Ave por uma bola a zero, num jogo que fica marcado pela expulsão de Andreas Netó aos 47 minutos. Questionado sobre se viu o cartão, o treinador do Rio Ave disse em conferência de imprensa, Miguel, que estava no tablet a ver "Oceans Eleven", diz Célio Laido Polos, que não viu o jogo, só viu o filme. Sabemos que o filme fala sobre assaltos a casinos, portanto, talvez seja essa a mensagem que quis passar o treinador do Rio Ave. Para fechar a jornada de ontem, Moreirense-Braga empataram a duas bolas. O médio João Veloso empatou para a equipa da casa já para lá do minuto 90. A equipa de Carlos Vinicius, mesmo embalada por três vitórias na fase de acesso à Liga Conferência, não consegue um bom arranque de campeonato. Recordo que o Braga perdeu 10 pontos nas primeiras oito jornadas da época passada. António Salvador, o presidente, já apontou o desejo de lutar pelo campeonato. Não foi um bom começo para esse objetivo.
Foram estes os resultados de ontem. Recuamos agora até sábado, até porque, Ricardo, também houve surpresas. Na Reboleira, o Sporting empatou a duas bolas frente ao Estrela da Amadora.
Desperdiçando uma vantagem de dois gols no marcador, depois de uma primeira parte algo equilibrada e sem gols, destaca-se no final o lance anulado a Dué, o jogador do Estrela viu um gol anulado por João Gonçalves, depois de, em corrida, ter derrubado Gonçalo Inácio, dá com o tornozelo direito no pé esquerdo do central do Sporting e é assinalada falta atacante. 0x0 aos 45. O Sporting entrou melhor depois do intervalo. Rodrigo Zalazar, um dos reforços para esta temporada, inaugurou o marcador com remate forte de pé direito. Estreia a marcar para o uruguaio em jogos oficiais pelos Leões. Pouco depois, outra vez Zalazar volta a estar em destaque. Bela assistência para Fótis Ioannidis. O avançado grego fez o 2x0, resultado confortável para a equipa verde e branca, ou pelo menos era o que devia ter pensado Rui Borges. No entanto, o Sporting ficou algo adormecido e viu a equipa do Estrela da Amadora reduzir aos 72 por Antonetti, num lance algo também polémico, Miguel, isto porque o avançado porto-riquenho divide o lance com Eduardo Quaresma, que fica a pedir falta por agarrão. Na análise, o antigo árbitro internacional Pedro Henriques diz que o gol devia ter sido anulado.
Estamos sim perante uma análise que é interpretativa ao nível daquilo que é a intensidade. Teve consequência, causa e efeito ou não, ou foi ele que se deixou ficar. Mas para mim, também ao nível do vídeo árbitro, há prova evidente e factual para que o VAR pudesse intervir. Resumindo e concluindo, acho que há falta e acho que o gol do Estrela, que nasce deste lance, devia ter sido anulado.
Análise do ex-árbitro Pedro Henriques, a concluir que o primeiro gol do Estrela da Amadora devia ter sido anulado por falta atacante sobre Eduardo Quaresma. Com este gol, o Estrela foi à procura de mais. Benito Sousa, que entrou aos 74, só precisou de 10 minutos para agitar a partida. Na Académica, o ano passado dizia-se: "Se queres um gol, chama o Benito". Pelos vistos, na Amadora vai ser igual. O extremo esquerdo fez o dois igual num lance em que Rui Silva, guarda-redes do Sporting, fica muito mal na fotografia. Houve até dúvidas se o gol seria atribuído ao avançado ou ao autogol do guardião leonino. No final do jogo, Rui Borges diz que a equipa cometeu dois erros que acabaram por ser cruciais e deixou aviso aos jogadores que para jogar no Sporting é preciso dar mais.
Acabamos por ser penalizados com dois erros. Claramente com dois erros. Tivemos 70 minutos muito bons. Uma primeira parte onde dominamos o jogo, controlamos o jogo. Uma segunda parte onde entrámos muito bem e até aos 70 minutos, é certo que depois de mexer na equipa onde a gente queria, mais do que robustez, era frescura, porque estávamos a sentir que alguma malta estava a cair um bocadinho em termos físicos. Foi quando caímos também em termos coletivos. Isso não pode acontecer. Não pode ser desculpa a quebra física, porque nós fisicamente estamos muito bem e demonstrámos isso hoje aqui. Temos de ser é muito mais equilibrados e muito mais competitivos. Tínhamos que dar muito mais e temos que dar muito mais. Estamos no Sporting e eles têm que dar muito mais. Eles têm que perceber isso e que serve o mesmo de aviso para todos.
Palavras de Rui Borges, aqui a dar um puxão de orelhas aos jogadores do Sporting. Já Pepa, técnico do Estrela, faz grandes elogios ao plantel, diz que o Estrela até podia ter virado o resultado e sair a vencer.
Acima de tudo, é potenciar ao máximo quem temos e não estar à espera de quem chega, mas sim trabalhar com tudo, com os que temos, que deram hoje uma resposta fantástica, um pouco à imagem daquilo que fazem todos os dias. Depois, às vezes, somos mais felizes ou menos felizes. Hoje fomos na primeira parte, ali uma situação ou outra, na segunda, senti que até podíamos ter virado o jogo, mas acabou por ser um jogo muito emotivo e bem disputado.
Obrigado, Pepa. Elogios de Pepa, depois de ter visto a sua equipa conseguir ressuscitar de um 2x0 e empatar com o Sporting. Rapidamente dizer também que no sábado o Marítimo venceu o Casa Pia por 1x0, o mesmo resultado para o Arouca, que viajou até Guimarães para vencer o Vitória, também por 1x0. Está de volta o tugão, Miguel, já todos tínhamos saudades do Campeonato Português, que começa, como vimos, com várias surpresas.
Várias surpresas. Vitória do Futebol Clube do Porto, que foi o único dos grandes a vencer. Benfica e também o Sporting empataram, tal como o Sporting Braga. Ponto final nesta edição do "Vamos à Bola", hoje com o jornalista Ricardo Lopes, que regressa amanhã com mais destaques do desporto.