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Olá, bem-vindos à Vichiçoase. O governo decretou o fim da calamidade. À medida que a água dos rios desce, vão subindo os prejuízos. O governo garante que vai falar com todos nesse novo BTRR e já admite mexidas no déficit. Como diz o novo presidente eleito: "O importante é que ninguém se aleije e, já agora, que ninguém se constipe."
Falando sério.
O senhor deputado, se quer algum dia ter alguma responsabilidade a gerir o que quer que seja, seja pelo menos sério consigo próprio. Se alguém nesta gestão de crise e se alguém perante esta crise não é sério, é o senhor primeiro-ministro.
Depois sorrir como quem nada quer.
E na próxima semana o governo terá a sua recomposição completamente estabelecida com a proposta que farei a Sua Excelência, ao senhor Presidente da República, da nomeação de um novo titular do Ministério da Administração Interna.
E tenho medo de fazer planos.
O primeiro-ministro tem ignorado e tem desconsiderado o Partido Socialista. Isso é inaceitável.
Falando sério.
Senhor deputado José Luís Carneiro, não posso deixar de dizer que o senhor deputado não disfarça as saudades que tem de ser ministro da Administração Interna. Enfim...
E apenas ser mais um na sua cama.
Eu sou o Rui Pedro Antunes, sou editor de política do Observador e tenho comigo aqui uma estreia, que é o Vasco Malmequer Correia, que vai a partir de agora alternando com o Miguel Vítor Dias, uns dias um, outros dias outro, aqui na qualidade de co-anfitrião e tem já ali no nosso aquário uma grande tifosa de apoio. Estou só a pressionar-te a ver se tu falhas, Vasco. Não vais deixá-los ficar com essa-
Não gostam que eu tenha subido, não é?
Exato.
Só aqui uma claque.
Não sei se é propriamente subir, sabes disso, não é?
Depende. Também pode perguntar.
Isto aqui é só para estragar carreiras. Também estão aqui comigo, como também já é habitual, as jornalistas da seção de política, Inês André Figueiredo e Mariana Lima Cunha. Vai começar a Vichiçoase. Olha, vou servir uma sopa nova e como é nova, como o Vasco é novo, acho que vai ser o primeiro a sentir logo a pressão.
Ok, um batismo de fogo.
Qual é a tua sopa nova?
Sopa nova, vamos falar sobre este novo ciclo que se abre, diria um novo ciclo com uma nova crise, com esta crise que vem de certa maneira apagar a crise que se tinha criado no governo das presidenciais. Tinha sido a primeira grande derrota do governo e a primeira grande derrota para Luís Montenegro. E por isso, não ignorando, claro, a tragédia que trouxe as últimas semanas com as tempestades que assolaram o país, esta crise veio dar a Montenegro outro fôlego, agora já conseguindo passar aquela primeira fase em que parecia mais perdido, ou que no mínimo o governo ainda estava a tentar gerir a própria imagem, agora já consegue estar a gerir esta crise e já o consegue mostrar.
Já ninguém se lembra que Luís Marques Mendes ficou em quinto na primeira volta das presidenciais. Que aí já está bem alto para...
Já ninguém se lembra das presidenciais que foram a semana passada, ou estou aqui a fazer as contas, há 11 dias. E por isso, agora sim, Montenegro hoje no debate quinzenal apareceu com outra postura, especialmente comparando com o que foi o último debate quinzenal em que estava em posição de combate e a perder. Agora, sim, conseguiu estar mais a gerir o que se passava, os ataques de André Ventura, os ataques de José Luís Carneiro.
A liderar a narrativa.
Exato. Nota-se que já teve a oportunidade de se levantar o governo depois dessa primeira derrota.
Vasco, uma coisa que também podes aprender com o fundador deste programa, que o Pedro me disse, é que não se faz contas em direto. Eu não sei se são 11 dias, não vou confirmar agora.
Sempre um risco.
Porque ele também foi apanhado aí numa situação nas eleições a fazer contas em direto e não correu muito bem.
Mas aqui era 19 menos 11, era fácil.
Era fácil.
Para ti, Vasco.
Inês, queres ir tu à sopa nova?
Posso ir. O Vasco dizia que já ninguém se lembra das presidenciais, eu acho que há um candidato da segunda volta que também já não se lembra das presidenciais.
Eu pensava que tu ias dizer que te lembras bem, porque acabaste de fazer duas voltas e deve estar cansado.
O André Ventura é que acho que já passou, já conseguiu passar isso. Mas olhando aqui primeiro para a questão do debate, que é muito recente, André Ventura não deu tréguas e no fundo usou todos os trunfos possíveis e imaginários no debate com o primeiro-ministro, até o facto de ter havido pessoas a morrer a consertar telhados, o que lhe valeu, já agora, vários apupos e muitas interrupções da bancada do PSD, principalmente, mas o objetivo foi desconstruir toda a gestão de crise. Disse que o governo falhou redondamente e no fundo tentou olhar apenas para os aspectos negativos. Trouxe ao debate a questão dos militares estarem prontos e não terem sido usados de imediato, o facto de não ter sido ativado o mecanismo europeu para a proteção civil e chega mesmo a dizer Durante o debate que Montenegro está a fugir a responsabilidades, acaba por recusar lições de competência. E já quando Montenegro estava sem tempo para responder, ainda atirou com a mais recente polêmica da Sport TV, dizendo que era preciso menos Sport TV e mais ação.
Olha quem, o comentador desportivo de serviço.
No fundo, esta parte do debate foi toda ela uma continuação da mais recente conquista de André Ventura.
Deixa só eu dizer que António Costa não só já tinha Sport TV, como tinha Nickelodeon, porque os filhos do João Miguel Tavares estiveram a ver. Que eu lembro-me dessa história.
Fez babysitting.
Exatamente. Numa greve, não é? Não era greve, era ponte.
Uma ponte, exatamente. Mas dizia eu, coisas que importam.
Sabes que há o Nickelodeon, Vasco. Há pouco tempo ainda havias.
Nós chamamos de Nickelodean.
É uma correção indireta agora.
Sabes que no meu tempo ainda não havia inglês na escola?
Nickelodean. Vai, Inês, traz alguma anterioridade para o tema.
Havia o Nickelaude, não sei se vocês sabem o que é.
Esse também sabemos.
Eu sei também.
André Ventura acabou por usar o debate porque creio que estava neste raciocínio: tinha conseguido uma conquista recente, que era ter se visto livre do fato de candidato presidencial e poder-se finalmente dedicar àquilo que realmente gosta, que é o fato de líder da oposição, logo num frente a frente com o primeiro-ministro e mais do que isso, poder fazê-lo, como dizíamos, num tempo de crise, em que habitualmente há sempre mais conteúdo para criticar o governo. E a prova disso foi que André Ventura marcou uma reunião do auto intitulado governo-sombra, ainda antes deste debate quinzenal, para mostrar que tem uma equipa e principalmente, como é que essa equipa agiria se tivesse de lidar com esta crise, quase um Conselho de Ministros.
Reunia três semanas depois. Essa está boa.
No fundo, é isso. E foi um Conselho de Ministros, até que colocou o ministro-sombra da Administração Interna, Fernando Silva, a falar e a dizer o que é que teria feito nas circunstâncias. No fundo, desde que terminaram as eleições presidenciais, André Ventura é um homem mais solto. Vai voltar a focar-se nessa principal meta, que é fazer oposição, e dia após dia vai aproveitando isso para tentar fazer, já agora usando a mesma expressão, para tentar fazer sombra a Luís Montenegro. E outra prova disso é mais do que sabido que são as declarações tanto do primeiro-ministro como de Duque Soares agora no debate, porque quando sugerem e fazem questão de sublinhar que as atitudes de André Ventura não são plausíveis para alguém que quer governar, e fizeram questão de o lembrar, e é contra essa imagem que o líder do Chega quer lutar. Já na conferência de imprensa desse tal governo-sombra, chegou a dizer exatamente isso, que a dimensão atual do Chega traz consigo um desafio de mostrar a cada dia que existe credibilidade, solidez e espírito de equipa, foi assim que disse, e que isso gera grandes desafios e é o que o líder do Chega tem procurado transmitir. Não vamos saber, pelo menos para já, se com grande sucesso ou não.
Já há eleições, Inês.
Sabes dizer que governo sombra em inglês, não?
Shadow government.
Shadow government. É que os britânicos, de facto, levam muito a sério o governo sombra, ao contrário de nós. O PSD tentou várias vezes e nunca teve nada de jeito. Mariana, desculpa.
Rui, eu ia olhar aqui para esta nova situação do governo.
Eu gosto que tu interrompas, principalmente quando nós estivermos a dizer disparates.
Exatamente.
Nós precisamos de fact checks ao vivo.
Exato. Vou tentar manter-me em português. Eu disse situação nova, mas na verdade acho que há aqui algumas repetições, porque o Luís Montenegro tem sido acusado, às vezes, até por pessoas de direita, de governar à costa, em muitos momentos. E eu acho que há aqui algumas semelhanças, de fato, na gestão que faz. Primeiro, porque acho que são ambos melhores quando estão em crise, quando estão no momento em que têm de ser eles a tomada dianteira no governo, do que quando estão aqueles períodos de acalmia em que o governo devia reformar, por exemplo, e devia pensar mais à frente. E depois, porque tem o mesmo problema de ser também ele muito o centro do governo e às vezes a única voz de comando e que foca muito, centra muito as decisões nele. E acho que nesses dois pontos tem semelhanças com António Costa, e elas têm-se notado nesta crise com que está a ter de lidar. Ou seja, quando nós ainda tínhamos ministro da Administração Interna e tivemos vários ministros no governo e a responder pelo governo, tivemos uma série de gafes e de problemas na resposta e no arranque da resposta Aliás, no primeiro dia da crise, a Ministra da Administração Interna ainda esteve com o seu secretário de Estado adjunto a distribuir espadas numa cerimónia da GNR. Portanto, acho que mesmo que se diga agora, e Luís Montenegro diz que o governo foi rápido na resposta, e em vários pontos até foi, foi claramente mais rápido, por exemplo, do que no apagão, que tem uma dimensão obviamente muito diferente, ou nos fogos em que ainda se fez a festa do Pontal, etc. Portanto, acho que já foi aprendendo qualquer coisa, mas é preciso, de facto, Luís Montenegro se chega à frente, aparentemente, para que estas crises comecem a correr melhor e a ver-se um pouquinho o caminho que há a seguir, em vez de estarem só a correr atrás do prejuízo. E nesse sentido, o PTRR, este anunciado plano de recuperação português, acho que vai ser, por um lado, uma oportunidade para o governo mostrar um pouquinho do que é que vale também no que toca às reformas para o futuro.
Vai ser apresentado entretanto.
Sim, amanhã já vamos saber mais alguns detalhes.
Na edição da "Vixi Suave", provavelmente já haverá algo.
Sim, nós aqui falamos na quinta-feira à noite, no Conselho de Ministros vai-se saber mais, mas é uma maneira de o governo mostrar, afinal, o que é que consegue reformar daqui para a frente e se consegue, de facto, deixar um legado que pode ser interessante no sentido de quando nós olhamos para as alterações climáticas, etc., de facto, coisas a fazer.
Ele é PTRR ou PTRR?
PTRR.
PTRR, sim.
Então explica-me lá. É o quê? Pós-troika Rui Rio. Não resultou. É PT, personal trainer da recuperação e resiliência, é isso? Não sei. Porque o PRR é programa de recuperação e resiliência. Portugal Recuperação e Resiliência, pode ser.
Acho que sim. PTCR7. É a homenagem ao Espírito Ronaldo.
Ou pode ser em inglês Portuguese Recuperação e Resiliência.
Mas PTRR pode ser pós-tempestade recuperamos e resistimos. Fica a ideia. Se forem ver, dá PTRR. Mariana, desculpa, estavas a terminar a tua ideia.
Não, estava só a terminar.
Vou ter que ir numa ideia hoje.
Exato, estava só a terminar para dizer que isto é uma oportunidade que o governo pode agarrar ou não. O governo de António Costa, por exemplo, ficou muito marcado pela resposta que deu à pandemia. E Luís Montenegro tem agora muito a provar nesta altura, porque de facto, um programa destes não será só para recuperar, será para trabalhar em reformas, por exemplo, das infraestruturas portuguesas, para que novas situações destas não aconteçam e, portanto, tem aqui até uma oportunidade. Agora, tem mostrado que, de facto, ele a liderar o governo dá muitos passos em falso nas instituições ainda.
Mariana, agora vou começar por ti.
Hiper sintética.
Deixa-me só dizer que também fui informado, entretanto, que os filhos de João Miguel Tavares fizeram bastantes desenhos, andaram a correr atrás de pavões.
Não foi só screen time.
Não, e parece que não havia sequer ali Sport TV e também não havia muitos canais de bonecos. E, portanto, foram mesmo forçados a ter-
Informação em tempo real.
E Rui, já agora, dizer ao mento que estão a ouvir também que se diz shadow cabinet.
Pronto, estás a ver? Olha, estás a ser corrigido também, Vasco. Isto aqui, olha, não está a correr muito bem este primeiro líder. Mariana, uma sopa de toranja. Pergunta por que que é toranja?
É uma referência cultural à carta das toranjas.
Exatamente.
Muito bem. Estamos em sintonia, Rui. Suponho que estejas a referir-te às cartas que o José Luís Carneiro tem insistido em enviar com esforço e dedicação, sem resposta. Luís Montenegro tem tentado uma série de planos para a defesa, para a saúde, para a habitação, porque, na verdade, José Luís Carneiro seria o perfil certo dentro do PS para fazer essa colaboração com as tais reformas que falávamos aqui. E, na verdade, até logicamente, se tivermos mesmo o horizonte que parece que vamos ter pela frente de alguns, não prometo os três anos e meio, ninguém promete, mas alguns anos sem eleições, seria o círculo certo para PS e PSD possivelmente se poderem entender. Agora, o governo continua com a postura da equidistância entre PS e Chega e a fazer equivaler os dois partidos e, portanto, acho que o PS vai ter de passar ao plano B, que é: se não se colabora, pelo menos vai tentar mostrar o que é que faria diferente. Olha, se tivesse um shadow cabinet. Neste caso, tem as cartas sem resposta de José Luís Carneiro a tentar que os seus planos sejam aplicados, até agora sem sucesso.
Inês, queres dizer qualquer coisa?
Ia só dizer que as declarações de José Luís Carneiro, quando diz que a paciência tem limites, eu gostava de tentar perceber quais é que são os limites de José Luís Carneiro.
Eu digo-te, Inês, é quando o PS tiver força para ir a eleições. Acho que é só isso.
Cinco cartas sem resposta, ninguém aguenta.
Fica o sync.
Que vão dizer "olá", depois passado um mês, "olá", e ninguém lhe responde.
Acusado?
Tens 30 segundos para dar o melhor de ti.
O melhor de mim. Eu acho que a melhor coisa a fazer aqui é citar, não sei se posso citar com correcção.
Podes.
Mas é o Inimigo Público, não é com correcção. O Inimigo Público escreveu-
Não, porque eles são muito melhores a fazer humor do que nós.
Sim, que José Luís Carneiro se vai tornar comentador da Sport TV para que Luís Montenegro lhe dê atenção. E eu acho que isso é um bom resumo do que foi esta semana e também, voltando à questão das presidenciais, de que o balão das presidenciais esvaziou mesmo muito rápido e que José Luís Carneiro esperaria que, com a vitória de um socialista, talvez tivesse aqui mais margem de manobra do que está a conseguir ter. Acho que é um bom resumo desta semana.
Passaste no teste, Vasco.
Muito bem, Vasco. Obrigado.
Gostei do intervalo.
Grande Vasco.
Agora, a seguir vamos ter a presidente da Câmara de Coimbra e ex-ministra Ana Abrunhosa. Voltamos já aqui para a segunda parte da "Vixi Suave".