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Sexta-feira, 5 de junho, estamos no final de uma semana histórica, em que assistimos finalmente a um lançamento há muito esperado. Não era este o som que queríamos ouvir. Este é o da SpaceX a ser lançada para a Estação Espacial Internacional. Na verdade, o evento a que me referia não tem propriamente um som. Falo da promessa de relançamento da economia portuguesa anunciada no final de mais um longo Conselho de Ministros, nas palavras de António Costa: depois do fica em casa, vamos substituí-lo pela retoma da atividade. E afinal, esta é a questão: os motores estão mesmo a aquecer ou não vale a pena entusiasmos porque vai tudo ficar como dantes? A especulação não é minha, é do ainda ministro das Finanças, que esta sexta-feira deu uma entrevista onde pareceu despejar um balde de água gelada nos planos para o futuro próximo, desenhados por mais um homem providencial que ficámos a conhecer esta semana e com quem, aparentemente, Mário Centeno nunca falou. Bem-vindos à Vixi Suasi, eu sou o Pedro Benevides, editor de política do Observador. Comigo está o João Alexandre, editor da rádio, e um pouco mais distantes as jornalistas de política Rita Tavares e Rita Diniz. Vamos já passar para a distribuição das nossas sopas que temos previstas para esta edição da Vixi Suasi, e são as seguintes: temos uma sopa fria e temos uma receita antiga de sopa. Portanto, eu propunha que começássemos com a sopa fria. Rita Tavares, tens alguma sugestão, alguém a quem queiras servir esta sopa esta semana?

Não podemos começar pela receita antiga?

Podemos, então vamos a isso.

Acho que há uma lógica... Faz-me lá a vontade, sopa antiga.

Eu faço-te a vontade, vamos a isso. A quem queres distribuir uma sopa?

Estes bastidores da política nacional feita pelo Observador nestes últimos dias estão um bocado secantes, porque passamos horas ao telefone, muito indignados com muitas coisas, outras vezes não é só indignação, trabalha-se também. Tu já me ouviste, Pedro Benevides, indignar-me com esta questão. Eu vou voltar a ela hoje, porque agora todos os ouvintes vão ouvir, não só tu.

Então vamos a isso. Acho que sim. Temos de partilhar isto com o mundo. Vamos a isso.

Que tem a ver com o facto de os governos sentirem esta necessidade de tempos a tempos. Vamos naquela conversa que querem afastar, mas ao mesmo tempo não conseguem fugir dela, que é os políticos não dão confiança suficiente às pessoas. Estamos aqui a envolver a sociedade civil, chamar aqui uns génios, umas cabeças que andam a pensar e que podem ter um plano, uma espécie de Dom Sebastião que vem das nuvens para nos salvar em tempos de crise. E é assim que eu olho um bocadinho, com algum cinismo, para esta chamada do presidente da Partex, António Costa e Silva, para fazer este plano de recuperação da economia com os milhares de milhões que virão de Bruxelas, pelo menos assim espera o governo, no início do ano. Porque há sempre esta tendência de os governos irem chamar os grandes independentes, as grandes figuras. E António Costa então tem-no feito variadíssimas vezes. Aliás, ele criticou o PSD no passado por ter feito isto com António Borges, mas ele tem feito isto variadíssimas vezes. Mário Centeno, aliás, é fruto de uma dessas investidas dele na chamada sociedade civil, para chamar peritos para virem fazer os seus planos económicos, naquele caso. E agora é um perito para fazer um plano de recuperação da economia. Um perito que ninguém, estou a falar do comum dos mortais, as pessoas que estão na rua, que estão nas suas casas a fazer as suas vidas, provavelmente não sabem quem é o António Costa e Silva, mas dá aquela ideia de que não são os políticos só aqui a distribuir dinheiro para os próximos 10 anos. Não são só os socialistas aqui a distribuírem dinheiro. Está aqui um tipo da sociedade civil para nos pôr na ordem. Que é uma ideia um bocadinho esgotada, que eu não sei por que se continua a recorrer a isto. Os políticos são eleitos. Ninguém melhor do que eles, que são pessoas que declaram rendimentos no Tribunal Constitucional, declaram interesses na Assembleia da República, ninguém melhor do que eles, que estão sujeitos obrigatoriamente, e bem, a um escrutínio para fazer a gestão das coisas e para planificar. É para isso que se vota neles. Este recurso constante à sociedade civil, como se os políticos fossem uns incapazes, para mim, só acende esse rastilho populista de que os políticos não servem para nada.

Achas que os políticos estão eles próprios a alimentar o sentimento antipolíticos com este tipo de decisões?

E depois escudam-se um bocado nestas figuras para não levarem com a questão em cima de: "Isto foram os socialistas aqui." No caso, agora são os socialistas que estão no poder, a distribuir os 26 mil milhões que vêm de Bruxelas pela quota deles. E depois, no fundo, quem é que vai coordenar este plano? No fundo, quem vai coordenar este plano, que o António Costa e Silva, que vai ter a sua colaboração, não quero também estar aqui a diabolizar a pessoa, não tem nada a ver com a pessoa, tem um bocado a ver com o conceito em si. Vai fazer uma proposta ou um trabalho preparatório. Entretanto, ele ia ser tudo, mas depois sendo esvaziado.

As funções foram esvaziando ao longo da semana, desde que saiu a notícia no Expresso no sábado até ao dia de hoje, houve aqui um certo esvaziar de funções.

Afinal, já não negociava com os partidos, afinal já não fazia o planeamento financeiro, afinal... E pronto, do que é que ele fica quanto a mim? É uma pessoa que vai fazer o trabalho preparatório, vai dar umas ideias ao governo e depois o governo vai transformar aquilo em medidas legislativas e com um ministro a coordenar, que é o ministro Siza Vieira, mais um independente incrível que foi chamado para o governo e que já estava a assessorar o governo.

Mas está oficialmente no governo, apesar de tudo.

Agora está oficialmente no governo. Mas que é nada mais, nada menos do que a pessoa no governo mais próxima de António Costa.

Afinal António Costa e Silva nem sequer falou com os ministros. Percebemos isso há pouco quando Mário Centeno disse que nunca tinha falado com ele na vida. Portanto, se não falou com o ministro das Finanças, não sei com quem é que falou. A não ser que não tenha falado com este ministro das Finanças por ele já estar a modos que com o pé fora do governo.

Já contar pouco para aquilo que será o futuro da economia portuguesa.

Se calhar falou com todos, menos com Mário Centeno. É essa a possibilidade.

Pode ter sido isso, o que também é um indicador bastante significativo.

E isso pode explicar a reação dele hoje na entrevista à Antena 1. Já lá iremos, até porque ouvimos aqui a Rita Tavares a partilhar a sua indignação por haver este recurso constante a gente de fora da política para assessorar os políticos e para ajudá-los a tomar decisões ou, enfim, aliviá-los de algumas responsabilidades, pelo menos públicas, sobre isso. Mas temos que dar aqui pelo menos o benefício da dúvida e António Costa Silva pode ser um homem com uma visão inovadora para o país e que tenha coisas para dizer que nunca tínhamos ouvido antes. Portanto, vamos tentar aqui recuperar algumas dessas ideias de António Costa e Silva.

Sempre que o país se virou para o mar, prosperou, e é quase uma constante da nossa história, sempre que voltou costas ao mar, estagnou ou definhou. E o cluster do mar significa olhar para os quatro milhões de quilômetros quadrados que vão ficar sob jurisdição do Estado português com a extensão da plataforma continental.

Que deve estar a ser decidido nos próximos anos.

E o que eu defendo aí é um grande projeto, sobretudo ambiental, para conhecermos bem o que é o mar.

Ora, aqui está uma proposta inovadora. Vamos conhecer o mar, vamos apostar no cluster do mar. Enfim, pode ser que desta é que seja, desta é que vem aí a novidade, nunca se sabe.

Ninguém olha para o mar, está ali tão grande à nossa volta e nunca ninguém olha para ele.

Tão grande dos descobrimentos, mas foi tudo por terra.

Eu queria aproveitar aqui para recuperarmos também outra ideia. São 23 segundos de uma ideia inovadora, algures em 2014.

Quero falar-vos do mar, que nos levou mais longe quando ousámos navegar. Chegou agora a hora de o redescobrir, de o explorar de forma sustentável, de estudar o fundo dos nossos oceanos. Fazer nascer nos Açores o nosso polo agregador de conhecimento, de investigação, da exploração sustentada dos recursos do mar.

Era só caso tivessem esquecido. Eu fui recuperar este som de António José Seguro em 2014. Era na altura na convenção Novo Rumo, em que preparava mais ou menos o programa eleitoral, acho que era o contrato de confiança na altura de António José Seguro, apresentava aos portugueses.

O que estás a querer mostrar aqui, João Alexandre, é que afinal a António Costa bastava chamar António, poder chamar António José Seguro.

Não me tinha ocorrido, mas podia ser uma sugestão. E porventura não houvesse tantas perguntas em relação a ir buscar um gestor privado para um governo socialista nesta altura.

Mas esse é um bom ponto, sabes por quê? Porque uma pessoa ouve tudo isto e acha que os independentes são tipos impolutos. Mas a verdade é que eu sei muito mais destes políticos que estão em funções do que o António Costa e Silva que vai delimitar um plano. Mas é legítimo que se criem todo esse tipo de dúvidas na cabeça das pessoas.

Mas é engraçado que recuperaste esse som de 2014, desculpa, Pedro, porque realmente isto prova como esta receita é muito antiga, é uma receita completamente antiga de sopa e ainda esta semana Rui Rio vinha com o seu próprio plano de recuperação da economia e uma das propostas que dava era também muito atual, que defendia que o governo criasse um organismo para coordenar o programa de recuperação econômica com todos os ministérios, na dependência do primeiro-ministro, tal como acontecia no tempo da Troika, com aquela estrutura de acompanhamento dos memorandos. Portanto, é tudo muito novo, como se vê, e tudo muito inovador.

É muito inovador.

É fresco, é a pinheirar fresco.

Pode ser fresco na medida em que nunca foi, na verdade, feito. Nunca passou do papel, provavelmente.

Sim, exatamente.

Em política as ideias novas podem durar décadas.

Até serem implementadas são de fato novas.

Exatamente. Em todo caso, essa questão que levantaste é interessante, até para colocarmos ao nosso convidado na segunda parte. Pelo menos Rui Rio assume que se inspirou numa ideia antiga. Já não é mau. Em todo caso, há ideias que não são ideias, mas pelo menos frases que vamos ouvindo com alguma frequência e se no princípio desta crise da pandemia, António Costa queria não alimentar um excessivo pessimismo, desta vez, quer ele, quer outros membros do governo, têm sido bastante crus nas palavras que têm usado para qualificar o que aí vem, já que estamos a falar da economia do futuro.

Não há plano que nos salve da dor. Esta crise é uma crise que está a doer e que vai doer. Esta fase é a fase de estancar a hemorragia. Mas estancar a hemorragia é fundamental para podermos passar à fase seguinte. Todos nós gostávamos de já poder estar a falar dos grandes projetos, grandes investimentos em grandes medidas para o relançamento da economia. Mas o relançamento da economia temos que o fixar pelo momento em que tenhamos terreno sólido para o fazer.

Ora, aqui está a hemorragia e a dor que aí virá. Esta é uma daquelas receitas também de sopa que já estamos habituados a comer. Vamos passar então para a nossa sopa fria, se me permitirem agora, para já agora pegando naquilo que tu dizias, Rita Dinis, recuperar basicamente a sopa fria despejada em cima destes planos de futuro que Costa Silva estará supostamente a desenhar e quem o fez foi o próprio Mário Centeno.

Não falei com ele nunca na minha vida.

Nunca falou com ele?

Não.

Como é que um conselheiro pode estar a preparar um plano de recuperação sem falar com o ministro das Finanças?

Só estou a dizer aquilo que posso dizer sobre esse tema. Mas eu não estou muito preocupado com isso, devo lhe confessar. O governo tomou posse há muito pouco tempo, tem um programa de governo, todos estamos muito focados. O programa de recuperação é um instrumento que permite colmatar brechas no investimento, no rendimento, provocadas por esta crise. Não tínhamos o desejo de, com o programa de recuperação, criar nem uma economia nova, nem um mundo novo, nem um homem novo. Isso não existe.

Ora aqui está, não há homem novo, nem economia nova, nem ideias novas, na verdade.

Eu acho que isto é pôr a casa a arder e fugir.

Exato, isto é um balde de água fria tão grande que tinha que ser ouvido assim de viva voz. Peço desculpa por vos ter defraudado quando não intervim quando devia, mas acho que tinha que se ouvir de viva voz.

Sabe aquelas pessoas quando vão sair de uma empresa e começam a dizer tudo o que pensam realmente sobre a empresa?

Aos chefes.

Exato.

Eu estava a sentir isso, Mário Centeno. Eu agora vou-me embora casa. Eu quase que ia saindo. "Não estou nada preocupado com isso", só faltava dizer, porque também daqui a um mês já lá não estou.

Esta entrevista é da Antena um e também tem outras passagens interessantes, nomeadamente na fase final, onde Mário Centeno chega a aceitar dar conselhos ao seu sucessor. António Costa tem evitado frequentemente falar sobre a saída e quando é que será essa saída de Mário Centeno. Exatamente, na entrevista à TVI, mas parece-me que este é talvez dos segredos mais mal guardados da política portuguesa. Ainda assim, porque ainda temos dois minutos.

Aliás, o próprio António Costa disse: "Não é segredo nenhum. Aliás, se houver uma remodelação não será segredo pra ninguém, portanto, toda a gente saberá." E ele riu-se muito.

Exato, como é que eu posso discutir ou remodelar o ministro das Finanças em segredo? Não há de ser segredo pra ninguém, quando acontecer, acontecerá. Ele riu-se imenso com a situação, gozou o prato e não disse nada, basicamente como costuma.

Aliás, ele no passado, se quisesse já tinha segurado o ministro das Finanças, como já o fez tantas vezes no passado, "este é o meu ministro das Finanças." É aquelas frases que ele diz nos debates eleitorais.

Ele até disse isso desta vez, mas disse de uma forma muito irônica, que foi do gênero: "Claro que é o meu ministro das Finanças, então ainda hoje estive 10 horas com ele na reunião do Conselho de Ministros a provar que ele era o meu ministro das Finanças, ele estava lá. Portanto, ele é o meu ministro das Finanças."

Ele o viu lá.

Ele o viu lá. Mas tirando isso, é só ironia e só brincadeira. Não fala de fato na data em que esta saída se vai consumar, mas já toda a gente percebeu que vai acontecer.

Rita Dinis, eu vou deixar te aqui o último minuto que temos desta primeira parte para ofereceres uma sopa fria, porque tu tens mais uma sopa fria que gostavas de atribuir esta semana.

Tinha aqui uma sopa fria pensada assim muito rapidamente. Acho que Marcelo Rebelo de Sousa também despejou aqui algum balde de água fria em cima da política nacional esta semana, quando decidiu fazer uma cerimónia de 10 de junho bastante comedida, com apenas oito pessoas no Mosteiro dos Jerónimos. E ele disse que: "Foi assim que eu pensei sempre que seria o 25 de Abril e o Primeiro de Maio, portanto, não é nada diferente daquilo que eu tinha em mente." E esta é a primeira cerimónia deste gênero de celebrações nacionais que vai ser organizada de forma integral pelo Presidente da República, portanto, as outras não eram da responsabilidade do Presidente da República, apesar de ele ter que, em decreto, por causa da questão do estado de emergência, fazer ali alguns apontamentos sobre o Primeiro de Maio e sobre o 25 de Abril. Mas esta sim, é uma cerimónia da responsabilidade dele. E portanto, ele decidiu fazer assim pra dar um grande sinal de que, apesar do desconfinamento que estamos a viver agora, continuamos a ter que estar retraídos e estar contidos e comedidos. Portanto, a cerimónia do 10 de junho vai ter apenas oito pessoas e vai contrastar muito com o comício do PCP, que vai ter lugar este fim de semana no Parque Eduardo VII.

O primeiro partido, de resto, a desconfinar com comícios. Um partido que também já está, como demos notícia esta semana, a preparar a festa do Avante, que em princípio vai mesmo acontecer. Ora, ficamos então aqui com a distribuição das sopas desta primeira parte. Vamos regressar na segunda com o nosso convidado, é o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes. Até já. Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave e como é habitual, já temos o nosso convidado sentado à mesa conosco. Neste caso é um membro do governo, trata-se do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes. Bem-vindo à Vixi Suave.

Muito obrigado. Boa tarde.

Deixe-me começar já esta conversa por um dos temas de que falámos na primeira parte e que tem a ver com o homem que foi escolhido para aconselhar o governo e repensar um pouco como é que vai ser o futuro da economia portuguesa. Sobretudo porque ainda esta manhã voltou a ser notícia indiretamente porque o ministro das Finanças, Mário Centeno, dava uma entrevista na Antena um, onde basicamente dizia que nunca se cruzou com António Costa Silva, nunca falou com ele. Isto é normal, que quem está a desenhar a economia pós-Covid para um governo não tenha tido ainda contacto com o ministro das Finanças?

O professor António Costa Silva foi convidado pelo primeiro-ministro pra fazer uma reflexão na base, aliás, de trabalhos que tem publicado sobre o futuro da economia, designadamente no pós-pandemia. E nesse trabalho que está em curso, já começou a reunir com diversos ministros na preparação desse trabalho. Reunirá oportunamente, seguramente, com o ministro das Finanças. Sucede que o ministro das Finanças tem estado um bocadinho ocupado a preparar o orçamento suplementar e o programa de estabilização econômica e social que aprovámos ontem E seguramente esse momento chegará. Agora têm havido várias reuniões, que já começaram a ser marcadas e algumas realizadas com vários ministros e esse trabalho está em curso para a preparação de uma próxima fase que virá a seguir. Nesta fase, eu gostaria de falar um pouquinho sobre isso, estamos ainda no programa de estabilização que ontem aprovamos e que tem um leque bastante variado de medidas. Depois, com alguma reflexão adicional, e por isso recorremos a alguém de fora, que não está consumido pelo dia a dia da governação, que possa ter um pensamento mais liberto, está a preparar, de facto, o que será o futuro depois de nos conseguirmos desejavelmente livrar deste vírus.

E vamos seguramente falar das medidas que foram anunciadas esta quinta-feira, obviamente, mas ainda sobre este assunto. A ideia que dá não é tanto que Mário Centeno não falou ainda com António Costa Silva por estar ocupado com outras coisas, mas também porque não parece propriamente um defensor dessa solução, quando ele disse que não se pense que vem aí uma economia nova, que vamos criar um homem novo, porque isso não é possível. Portanto, de certa forma, está aqui a arrefecer as expectativas relativamente ao trabalho que vai ser feito para o futuro próximo.

Não creio, acho que isso é uma especulação sua. Creio que estamos a falar aqui de dois momentos. Um, o ministro das Finanças tem estado, como disse, muito concentrado neste momento da resposta de estabilização económica e social e do reflexo financeiro que isso terá no orçamento suplementar. E haverá depois um momento futuro mais estratégico, e foi isso que foi pedido ao professor António Costa e Silva, uma reflexão estratégica sobre a evolução da economia nacional para o futuro e chegaremos a esse momento. São dois momentos distintos, são dois focos distintos e justamente para podermos estar focados neste que agora nos ocupa enquanto governo, é que pedimos a ajuda de alguém de fora para começar com mais tempo e mais espaço de reflexão, a pensar no que poderá vir a seguir.

O Rui Rio sugeriu recentemente que devia ser recuperada a ideia de o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro coordenar todo o programa de relançamento da economia na fase pós-Covid, como foi feito durante a troika no período de Passos Coelho. Parece-lhe que esta ideia é interessante?

Bom, eu agradeço o facto do doutor Rui Rio querer atribuir-me mais trabalho, mas olhe, eu já tenho trabalho que chegue. Eu acho que recuperar modelos do período da troika nunca é boa ideia, nunca é bom conselheiro. E portanto, esse modelo do acompanhamento da troika, de facto não traz boas recordações, não é isso que pretendemos, não pretendemos voltar a esse tempo. Não estamos num programa desse género, de ajustamento, nem de austeridade, nem de cortes, felizmente. Estamos numa coisa muito diferente, que é um programa de ajuda à economia, de ajuda às empresas, de ajuda aos trabalhadores para recuperarem, para ultrapassarem esta situação difícil que estamos a viver. E acho que as respostas, mesmo orgânicas, institucionais, para acompanhamento desse programa, devem ser diferentes daquelas que existiram na altura com a troika de má memória.

Deixe-me falar aqui de ontem. Houve um Conselho de Ministros onde foram avançadas medidas do programa de estabilização, mas também se falou da situação em Lisboa e o levantamento das medidas de confinamento foi adiado para 15 de junho. O primeiro-ministro não deu nenhuma justificação para que isso só acontecesse daqui a 11 dias. Por que ficou para dia 15? Porque se está tudo controlado, por que não é já depois do Conselho de Ministros de terça-feira?

Não, vamos ver. Na segunda-feira vamos ter mais uma sessão no Infarmed, de aconselhamento com peritos. Temos uma ação no terreno por parte das autoridades de saúde pública, muito concreta, de testagem, de isolamento dos casos positivos e de tratamento dos mesmos. Estamos a atuar. Há neste momento um problema, como é sabido, mas que está felizmente muito localizado apenas em cinco ou seis concelhos da área metropolitana de Lisboa e é aí que estamos a incidir todos os nossos esforços e todo o nosso foco, um esforço massivo de testagem. E esperamos que seja possível que todo esse trabalho que está a ser realizado neste momento possa já ter os seus frutos a partir do dia 15 e por isso é que apontamos para essa data.

Mas é uma data apontada, ainda pode voltar atrás nessa data, o governo, é assim?

Tudo pode ser reavaliado, mas o que estamos a apontar neste momento é dia 15, o que também coincide com este escalonamento quinzenal que temos tido do ajustamento das medidas de desconfinamento. Foi esse o calendário que seguimos desde o início, de 15 em 15 dias vamos avançando e a nossa expectativa é que no dia 15, portanto 15 dias depois do último momento de devolução que houve no desconfinamento, que seja possível dar mais esse passo.

Tiago Antunes, ainda ontem o primeiro-ministro dizia na TVI que o problema em Lisboa não tem que ver com bairros específicos, mas com trabalhadores de construção civil e trabalhadores da área do trabalho temporário, que têm muita interação e mobilidade. Mas também já disse que aquilo que está a gerar os contágios são as designadas raves, as festas, as Covid parties. Qual é afinal a causa para o alastrar deste problema e para termos estes focos de contágio?

O que temos identificado são essas realidades que referiu, exatamente. Uma realidade ao nível laboral em certo tipo de trabalhos, designadamente na construção civil e no trabalho temporário, e uma realidade mais recreativa, que infelizmente também se tem constatado que nalguns setores tem ocorrido, de realização desse tipo de festas, algo que é absolutamente desaconselhável e portanto temos feito esse apelo para que isso nesta fase não se realize.

E além do apelo, em que medida é que está a haver mais fiscalização, que estão a apertar o cerco, não falando aqui em cercos sanitários, mas como é que se aperta o cerco para que não haja esses focos de contágio que se possam propagar também e criar focos de contágio maiores noutros pontos da cidade e do país?

Estamos permanentemente a monitorizar e estamos sempre disponíveis, como temos estado desde o início, para ajustar as medidas e a nossa intervenção às necessidades. Se se vier a constatar que é preciso ter uma fiscalização mais presente no terreno em relação a essas realidades, ela ocorrerá. Estou a falar das festas. Em relação ao trabalho, todas as instituições estão já no terreno, a DGS, a Autoridade das Condições de Trabalho, todas as instituições que têm intervenção, quer na área laboral, quer na área da saúde pública, estão já no terreno. Em relação às festas, o que fazemos é de facto um conselho de que elas não se realizem. Esperamos que esse conselho seja observado. Se isso não acontecer, naturalmente teremos que ter uma atitude um pouco mais presente para evitar esse tipo de realidades.

Deixe-me perguntar sobre as declarações que foram feitas no dia de ontem, e não só no dia de ontem, mas também nos dias que antecederam as decisões tomadas no Conselho de Ministros, e que têm a ver com o impacto desta crise. Não é que o primeiro-ministro tenha alguma vez escondido que o cenário ia ser difícil, mas têm sucedido várias declarações do executivo no sentido de apontar para custos brutais desta crise, de que não vamos sair desta experiência sem dor. Aliás, o próprio Tiago Antunes disse na Renascença há uns dias que esta situação não será indolor. Isto não confirma os sinais que, por exemplo, o Bloco de Esquerda já tem antecipado de que o governo se prepara para, de certa forma, impor aqui alguns níveis de austeridade?

Não, há um foco menor nessa questão da austeridade e ainda bem que me faz essa pergunta para aproveitar e esclarecer. Uma coisa é o fato desta pandemia ter provocado efeitos econômicos que vão ser dolorosos, já estão a ser dolorosos para muita gente. Quem está em lay-off com uma perda de um terço do seu rendimento, está a sofrer uma consequência desta pandemia. Esta pandemia tem um efeito econômico e provocou uma crise econômica, é indiscutível. Outra coisa é como é que se responde a essa crise. No passado, perante a última crise, a resposta que se fez foi a da austeridade, foi de aplicar cortes nos rendimentos, foi a de aplicar aumentos de impostos, foi a de reduzir salários, foi a de reduzir pensões. Isso é tudo que não vamos fazer agora. A nossa resposta a esta crise econômica, que existe e que tem efeitos sobre as pessoas, infelizmente, e não queremos esconder isso, escamotear que há pessoas que vão e já estão a sofrer um efeito desta crise econômica decorrente da pandemia. Mas a resposta que nós vamos dar não é de austeridade, é justamente o oposto. O que nós estamos a fazer é ajudar as empresas a manterem os postos de trabalho, ajudar as pessoas que tiveram perdas de rendimento com complementos de rendimento, como ontem foram decididos, com complemento de estabilização, com abono de família extra, etc. Estamos a ajudar as pessoas, as empresas, os mais desfavorecidos, os mais necessitados, todos aqueles que precisam do auxílio do Estado. O Estado aqui está a intervir para apoiar as pessoas na sua perda de rendimentos resultante desta crise e não para pôr mais perda de rendimentos em cima daquela que já ocorreu.

Mas deixe-me só apanhar essa ideia do oposto à perda do rendimento. Por exemplo, já é sabido, com a medida que foi anunciada ontem para o regime de lay-off, que no final do ano, um trabalhador de uma empresa que tenha estado em lay-off vai perder cerca de 15% do seu salário. Isto não é uma forma de austeridade também?

Há um reflexo econômico que as pessoas já estão a sentir e que vão sentir em resultado deste vírus, mas a resposta do Estado é exatamente oposta à austeridade. No passado, o que o Estado decidiu em relação aos salários? Cortes salariais, cortes de subsídios de férias, cortes de subsídios natal, cortes de pensões. Agora, o que nós estamos a fazer em relação ao lay-off? A Segurança Social está a pagar 70% do salário das pessoas que estão em lay-off em casa. E vai continuar a pagar, a assumir uma parte significativa do custo para que as pessoas continuem a ter rendimento, não obstante os seus estabelecimentos ou empresas onde trabalhavam terem sido encerrados e portanto, as pessoas terem ido para casa em lay-off ou estarem com uma redução do número de horas que estão a trabalhar.

E não há qualquer forma de garantir que esse salário esteja reposto a 100%?

Esta medida de retoma progressiva da atividade tem a seguinte filosofia: as pessoas, os trabalhadores terem cada vez mais atividade, e portanto, se agora muitas delas estão numa situação de suspensão do seu contrato de trabalho, passarem a trabalhar parcialmente um número de horas progressivamente maior, portanto, terem maior atividade, e simultaneamente um outro princípio é terem também maior rendimento. O rendimento dos trabalhadores irá subindo progressivamente até o final do ano. E, portanto, o lay-off vai evoluir para uma situação em que quem neste momento está em casa em lay-off com uma perda de rendimento de um terço do salário, passará a estar a trabalhar pelo menos parcialmente e um número de horas progressivamente maior e passará a receber uma parcela do seu salário progressivamente maior até ao final do ano.

Deixe-me só perguntar isto: ainda hoje aqui por exemplo, na Rádio Observador, ouvimos a secretária-geral da CGTP dizer que as medidas são claramente insuficientes e que o prolongamento do lay-off vai aumentar o nível de pobreza das pessoas, neste caso, referia-se aos trabalhadores, e diz que os trabalhadores estão a passar fome. Como é que o governo, depois destas medidas que foram apresentadas, reage também à CGTP, que diz claramente que as medidas são insuficientes?

É natural que a CGTP ache que as medidas são insuficientes, é essa a sua função, é exigir sempre mais, é para isso que serve um sindicato, portanto, está a cumprir a sua função. Agora, o que nós adotámos ontem foi um leque bastante variado de medidas, quer esta da retoma progressiva da atividade econômica que falei, quer um complemento de estabilização justamente para aquelas pessoas que por força do lay-off perderam parte do seu rendimento e que em julho poderão receber um terço de--

Mas são medidas que parecem não agradar nem à esquerda nem à direita, por isso é que lhe colocava também esta questão.

Não, vi várias reações positivas desde ontem. Tenho visto várias reações positivas a este programa. Se me pergunta da CGTP, é natural que pretenda que se vá mais longe, é essa a função das centrais sindicais, mas creio que o programa foi bastante bem recebido por vários setores, quer ao nível dos parceiros sociais, quer das entidades empregadoras, quer pelos trabalhadores, quer pelo setor social, para a qual também estão aqui pensadas várias medidas específicas para o setor social e solidário. O programa é muito vasto, tem medidas dirigidas às empresas, tem medidas de apoio social, tem medidas dirigidas a públicos específicos. Portanto, creio que conseguiu responder de forma bastante exaustiva a várias necessidades que se verificam neste momento.

Tiago Antunes, o que nos está aqui a dizer e o que disse também na tal entrevista que deu à Renascença É que se soubermos vencer a última crise à esquerda, também saberemos vencer esta crise à esquerda. Mas a verdade é que, como falávamos ainda agora, o Bloco de Esquerda, PCP, CGTP não estão muito satisfeitos, dizem que é insuficiente. E, por outro lado, Rui Rio já se mostrou disponível para colaborar. Surpreenderia-o se o PSD não aprovasse este orçamento suplementar?

Eu espero que seja possível ter um entendimento o mais alargado possível em relação a este orçamento suplementar. Este orçamento suplementar é um orçamento de resposta à pandemia, tem sido observado nos últimos tempos na política nacional, um grande entendimento entre todos os partidos, na necessidade de estarmos unidos na resposta a esta problemática e eu creio que isso terá tradução também no orçamento suplementar. E acho que é isso que os portugueses esperam dos seus representantes políticos. É que perante uma situação como esta, que ninguém tinha previsto e de uma magnitude desta ordem, que de facto haja um entendimento e uma união de esforços para dar estas respostas às pessoas que precisam, às pessoas que estão em casa ou perdem o seu rendimento por força do lay-off, às pessoas que tiveram alguma consequência negativa em função desta pandemia e que os partidos se saibam unir.

O que espera é que o orçamento suplementar seja aprovado por ampla maioria, então. Unanimidade, até.

Isso acho que seria o ideal.

E portanto, acha que é possível?

Sim, creio que é possível. Aliás, de resto, deixe-me dizer que houve uma grande preocupação do governo, na linha do que tem sido a atuação ao longo dos últimos meses, de ouvir e envolver os partidos políticos na elaboração e na preparação deste programa e do próximo orçamento suplementar. E, portanto, o primeiro-ministro chamou aqui todos os partidos, houve conversas com todos os partidos, auscultámos, pedimos contributos, incorporámos alguns destes contributos, soubemos ter em consideração aquilo que nos disseram, quer os partidos, quer os parceiros sociais. Portanto, tudo isto foi construído de forma bastante aberta e participativa e por isso creio que o resultado final que isso poderá ter é, de facto, espelhar-se numa ampla aprovação quando o orçamento suplementar chegar à Assembleia da República.

E como é que o governo está a avaliar a situação de muitos pais no país, que continuam com as escolas fechadas e a situação vai manter-se até setembro. O governo admite que esta situação possa ser insustentável para muitas famílias?

Desde o início, quando tivemos que tomar essa decisão do encerramento das atividades letivas presenciais, que aprovámos uma medida de apoio à família, para que os pais que tiveram que ficar em casa a acompanhar os filhos até 12 anos, que deixaram de poder ir à escola, pudessem ter um apoio financeiro e uma fonte de rendimento. E portanto, fizemos acompanhar essa mudança muito significativa na vida de muitas famílias, que implicaram que alguns pais tivessem que passar a estar em casa, ou porque estavam em teletrabalho, ou porque estavam neste acompanhamento aos seus filhos menores, pudessem ter este apoio também, desta medida financeira para suportar este período difícil.

Mas mais do que a medida financeira, acha que é esta compreensão das pessoas? Porque há muita gente a questionar se neste momento, se já abriram os estádios, se as salas de espetáculo já reabriram, o teletrabalho já não é obrigatório, se já se pode ir à praia, se já se pode ir a tantos sítios, por que as escolas continuam fechadas, quando as creches também já abriram, no secundário há algumas aulas presenciais. Como é que pretendem também explicar às pessoas esta relação?

É questão. Este ano letivo, as decisões estão tomadas. Sabe, há muitas pessoas que já-

Mas no próximo também já se fala em manter a meio termo, não é? Portanto, daí a questão.

Não, nós pretendemos é que o próximo ano letivo decorra o mais possível dentro da normalidade. Temos é que estar preparados, naturalmente, porque não sabemos qual vai ser o comportamento deste vírus, se existirá a tal segunda onda ou não. E portanto, temos obviamente que estar preparados para ajustar, se isso for necessário. Mas o que se pretende é um próximo ano letivo a funcionar o mais próximo da normalidade. Temos vindo progressivamente, de forma muito gradual, a estabelecer diferentes aberturas. No 11° e no 12° ano, por razões que já foram explicadas, depois nas creches, nos jardins de infância. E esta é a realidade. E no próximo ano letivo espero que seja possível já retomar todas as atividades letivas, como disse, num cenário mais próximo da normalidade.

Vamos ver o que é que vai acontecer então nas próximas semanas e nos próximos meses até lá. Tiago Antunes, terminamos esta parte da Vichyssoise. Temos, como habitualmente, um segundo prato para oferecer aos nossos convidados, mas como gostamos da liberdade de escolha, temos aqui uma opção de carne ou de peixe e vamos lhe pedir que escolha uma delas. E basicamente, já expliquei as regras deste segmento. O que lhe peço são respostas curtas, mas que tome uma decisão, porque é importante que os nossos convidados não saiam daqui a dizer que saíram com fome porque não escolheram um dos pratos que temos no menu. Vamos a isso, à carne ou peixe. Tiago Antunes, foi mais difícil estar no gabinete do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro quando o país esteve à beira da bancarrota no governo de Sócrates, ou quando o país parou por causa da pandemia durante o governo de Costa?

Olhe, foram dois pratos muito exigentes. Aqui não se trata de escolher, porque eu passei por ambos.

Trata, este é o objetivo. Tem de dizer qual é que é mais difícil, de que memória que tem de ser mais difícil.

Bom, as minhas funções agora são mais exigentes, porque na altura não era secretário de Estado. Portanto, se tiver que fazer esta opção, esta agora é mais difícil desde logo pela natureza das funções.

Quem mais facilmente nomearia para conselheiro do governo para desenhar um plano de retoma da economia: Rui Rio ou Pato Coelho?

Bom, eu acho que entre o prato de carne e o prato de peixe, eu prefiro um prato vegetariano.

Tem direito a uma opção dessa, já a fez. Portanto, as duas próximas vai ter de escolher ou a carne ou peixe. Vamos a isso. Senhor secretário de Estado, quem lhe daria mais gozo vencer numa prova de natação: Mário Centeno ou Siza Vieira?

Eu teria de vencer ambos. Nada mais rápido do que isso que andar à frente.

Mas qual é que você geriria com mais intensidade? Qual das vitórias?

Sabe que eu não compito nem com um, nem com o outro, pelo contrário. Eu colaboro com um e com o outro na medida do possível.

Qual dos dois levava para uma viagem como aquelas que costuma fazer para destinos menos prováveis? Marcelo Rebelo de Sousa ou Ana Gomes?

Se falamos de férias, creio que elas seriam mais divertidas e com mais motivos de humor, descontração e lazer, com uma personalidade como a do professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Não diria que fez o pleno nas escolhas. Houve duas que deixámos passar, mas fez as escolhas que tinha de fazer e também fez a escolha da sobremesa, que fica sempre a cargo do nosso convidado. E hoje não teve nenhum pudor em trazer aqui uma música pimba, certo?

Não, pelo contrário. Escolhi esta música do Nel Monteiro, na adaptação feita para o espetáculo "Deixem o Pimba em Paz", do Bruno Nogueira e da Manuel Azevedo, e escolhi-a por duas razões: porque esta semana foi a semana em que felizmente retomámos as atividades culturais, as artes do espetáculo.

Precisamente com esse espetáculo.

Tivemos esse espetáculo. Eu não pude ir assistir esta semana. Como é sabido, o Primeiro-Ministro e o Presidente da República foram, mas eu já tinha visto o espetáculo antes, num momento anterior, e gosto muito, recomendo vivamente. Portanto, é para assinalar, por um lado, a reabertura das atividades culturais e, por outro lado, a música que eu escolhi, "Azar na Praia", é para assinalar a reabertura da época balnear a partir de amanhã, em que eu espero que não haja azares, pelo contrário, espero que tudo corra bem na praia a partir de amanhã.

E é com a inspiração de Nel Monteiro aqui na voz de Bruno Nogueira e Manuel Azevedo, que terminamos esta Vichy Soares. Tiago Antunes, muito obrigado por ter sido o nosso convidado. A Vichy Soares estará em permanência em observador.pt e nas plataformas de podcast.

Viemos a pé, fizemos serão. Como é que eu hei de, como é que eu hei de, como é que eu hei de ir embora, com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora? Como é que eu hei de, como é que eu hei de, como é que eu hei de ir embora, com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora? Muito envergonhados saímos dali. Eu em tronco nu, tu em biquíni. Não tinha dinheiro, carro também não. Viemos a pé. Fizemos serão. Como é que eu hei de, como é que eu hei de, como é que eu hei de ir embora, com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora? Como é que eu hei de, como é que eu hei de, como é que eu hei de ir embora, com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora? Como é que eu hei de, como é que eu hei de, como é que eu hei de ir embora, com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora?

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