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Olá, seja bem-vindo ao primeiro de oito episódios de "Viver num Bairro Feliz". Um espaço onde vamos falar de vizinhos, de comunidade e de como pequenos grandes gestos transformam os nossos bairros. Este é um programa que conta com o apoio do Pingo Doce, que através de iniciativas como o programa Bairro Feliz, procura estar sempre ao lado das comunidades e das causas locais. Ao longo dos oito episódios, vamos conhecer algumas das causas que foram apoiadas pelo Bairro Feliz. Nesta estreia, olhamos para a terceira idade e para a importância de combater a solidão, mostrando que envelhecer não significa deixar de sonhar. Eu sou a Maria João Simões e para conversarmos sobre este tema, estão comigo Filipa Pimentel, directora de Desenvolvimento Sustentável e Impacto Local do Pingo Doce, e Sónia Leite, coordenadora do Serviço de Desenvolvimento Pessoal do Centro Social Paroquial Padre Avelino Jorge. Bom dia, bem-vindas às duas.
Obrigada, bom dia.
Bom dia. Filipa, começo por si para enquadrarmos quem nos ouve. O Bairro Feliz já apoiou milhares de causas locais por todo o país. Com as candidaturas à sexta edição agora abertas, quais são as grandes áreas de actuação em que as associações ou grupos de vizinhos se podem candidatar e qual tem sido o impacto deste programa?
O impacto do programa Bairro Feliz do Pingo Doce tem sido realmente muito significativo ao longo das várias edições e, como referiu, já estamos na sexta edição. Já apoiámos a concretização de quase 2500 causas, 2500 projectos locais, bairro a bairro, por todo o país, e projectos esses de muitos âmbitos e diferentes âmbitos entre si, mas todos eles com o mesmo propósito. Portanto, promover a melhoria da vida do bairro, o bem-estar da vizinhança e isto, obviamente, com especial foco nos bairros onde o Pingo Doce tem uma loja e está presente. E o programa Bairro Feliz dá resposta em grandes áreas, que nós geralmente agrupamos em oito áreas, que são elas: a educação e as escolas, portanto, projectos relacionados com crianças em idade escolar, com apoios, pequenas remodelações nas escolas, mas também as associações de pais, que têm imensas iniciativas, são uns órgãos muito activos na sociedade. Também uma segunda área que é a proteção e os cuidados de saúde, aqui muito importante, a inclusão social, o apoio a idosos, a área da alimentação e dos cuidados de higiene. Aqui também o Bairro Feliz é uma espécie de complemento a tudo aquilo que o Pingo Doce também já faz nesta área. O apoio para projectos relacionados com espaços e eventos de convívio, às vezes até pequenas melhorias em espaços comuns à porta de uma igreja, por exemplo.
E que faz toda a diferença.
E que faz muita diferença. E depois, como não podia deixar de ser, também projectos relacionados com a área do ambiente e do desporto. O Bairro Feliz nasce exatamente com este propósito de ser um reforço e um complemento do compromisso do Pingo Doce com as comunidades. O Pingo Doce é desde sempre a loja de proximidade, a loja do bairro. Nós costumamos dizer muito que a nossa relação com os clientes e com a vizinhança não termina nas portas da loja. Nós fazemos parte do bairro, nós acreditamos que somos verdadeiramente uma espécie de um coração ou um pulsar do bairro, porque muitas vezes na loja Pingo Doce, o ponto de encontro e o local de convívio da vizinhança, nós vamos vendo os vizinhos que de repente têm mais um filho e esse filho entretanto já cresce e já vai casar e também se mudou ali para o bairro. O Pingo Doce tem 46 anos de existência e, no fundo, desde o primeiro dia viu os bairros crescer à sua volta. E tem este papel muito activo na comunidade, quer ser de facto resposta para muitas situações práticas e simples, mas que não têm resposta muitas vezes, e atua nestes pilares todos, nestas áreas todas, um bocadinho à mercê daquilo que o bairro precisar a cada momento e de que cada bairro precisar, porque nós somos um país pequeno, mas somos feitos de muitos bairros muito diferentes. Estão agora a decorrer as inscrições para a sexta edição, até dia 13 de Julho e, portanto, candidaturas para estas áreas são muito bem-vindas.
Uma das causas vencedoras de uma edição anterior materializou-se no terreno de forma extraordinária. No Centro Social Paroquial Padre Avelino Jorge, nasceu o projecto A Voz a Bordo, a viagem que prova que o céu não tem fim. Sónia, explique-nos brevemente como é que surgiu esta ideia de levar um grupo de idosos a andar de avião pela primeira vez e qual era o grande objectivo desta causa.
Foi discutida em equipa. Portanto, foi quase que uma conversa de corredor em que vamos fazer a candidatura, o que vai ser, qual é a ideia, vamos falando e tal. E surgiu a ideia, quase uma conversa de corredor entre a equipa, vamos levar alguns idosos que nunca viajaram de avião a passar um dia. Então vamos pedir, vamos ver o valor das viagens, vamos ver quantos conseguimos levar, quem nunca andou de avião, quem nunca teve essa experiência, quem tem esse sonho de andar de avião. E as coisas foram se desenrolando e lá fizemos a candidatura e fomos mais votados. E lá conseguimos concretizar o sonho de alguns dos nossos idosos que acolhemos no centro social.
E como é que foram as reacções?
Olhe, foi muito giro, porque nós tentámos seleccionar. Nós, ao nível da terceira idade, damos resposta ao nível de apoio domiciliário, centro de dia e ERPI, que é o ARPA, quem não conhece a nomenclatura. E nós tentámos seleccionar mais ou menos, distribuir por estas três respostas. À partida, e foi tudo muito difícil, porque andar de avião, mas como? Mas tenho medo. Mas eu até gostava, mas eu nunca andei, mas eu tenho esse sonho, mas tenho medo, mas como? Vocês vão conosco. Quem acompanhou fui eu e a doutora Catarina, que acompanhamos. Nós somos pessoas que estamos sempre com eles diariamente.
E era ali uma segurança, não é?
E era uma segurança. Eu só vou se você for Porque vai ter que me dar a mão". Foi muito giro. E no dia foi muito giro também, porque começaram a ver que se ia concretizar, começaram a ver o avião, que é enorme, mas tem que se sentar à minha beira, tem que me dar a mão, e se morrermos, e se cai. Mas foi muito giro, para além da viagem de avião, elas foram, porque foram só senhoras, também ao Algarve. A maioria delas não conhecia o Algarve. Fomos à praia, molhámos os pés, fomos andar na areia, comemos pizza, comemos gelado. Portanto, foi um dia mesmo muito diferente e inesquecível, que para eles foi muito bom, mas para nós, que trabalhamos com idosos diariamente, foi um calor enorme no nosso coração, porque é muito difícil trabalhar nesta área, trabalhar com tudo o que o envelhecimento acarreta, não é?
Filipe Pimentel, ver o Pingo Doce financiar uma ideia tão emocionante como esta reforça o grande objectivo do Bairro Feliz, que é dar vida a projectos muito concretos que os vizinhos escolhem nas lojas. Em particular, este tema do apoio a idosos e do envelhecimento activo tem sido prioridade também da responsabilidade social do Pingo Doce.
Sim, sem dúvida. Apoiar os nossos idosos, nomeadamente combater o ciclo de solidão em que muitos idosos do nosso país se encontram, contribuir também, como esta história que a Sónia partilhou, para a promoção do envelhecimento activo, tem sido uma prioridade muito clara para o Pingo Doce, porque acreditamos que viver mais tempo pode e deve ser sinónimo também de viver bem e viver melhor, viver de forma comunitária, não isolados, não sozinhos. Como dizia há pouco na sua introdução, envelhecer não significa deixar de sonhar. E este projecto, graças também à iniciativa da Sónia e da equipa deste centro social e paroquial, que mostram que este programa acima de tudo também dá espaço para acontecer aquilo a que chamamos de cidadania activa, e de atitude e de vontade de fazer algo, porque o Pingo Doce não inventa e não vai à procura dos projectos. É a população que, de forma muito orgânica, que os constrói, que os pensa e que depois os inscreve no programa e que depois conta com a população para votar. Neste caso, foi o projecto mais votado nesta loja. E depois o Pingo Doce, no fundo, financia e apoia a sua concretização.
Faz acontecer, não é?
Faz acontecer, mas só faz acontecer se as pessoas se mobilizarem e tiverem este gesto e esta atitude. Desde o lançamento do Bairro Feliz, e já vamos na sexta edição, nós já apoiámos mais de 300 projectos dedicados aos mais séniores, focados em promover o seu bem-estar físico, emocional, cognitivo. E temos, para além desta história, temos muitas outras também deliciosas. Temos aquelas óbvias, mais evidentes, do apoio com equipamento, como as camas articuladas, elevadores de transferência, os colchões ergonómicos. Portanto, temos aqueles equipamentos mais do dia a dia e mais expectáveis, mas também temos coisas deliciosas, como mudar a decoração de um lar inteiro, as colchas e as almofadas das camas e as cortinas. Temos equipamentos de ginástica e fisioterapia, temos tablets e consolas de jogos com óculos de realidade virtual. E portanto, nós conseguimos hoje imaginar esses centros de dia superanimados, com tardes superanimadas. Temos máquinas de costura para lares que quiseram criar centros ocupacionais e mudar um bocadinho a rotina destes idosos e destes utentes que lá vivem. Portanto, em cinco anos de Bairro Feliz, eu acho que já conseguimos dar vida a tantas histórias tão bonitas e tão emocionantes. E esta, de levar os idosos a viajar.
É tudo muito inspirador, não é? Até se fazer mais e mais.
Até se fazer mais e mais. E por isso, deixar, uma vez mais, o convite a todos, porque relembro que este programa está aberto não apenas a organizações e entidades e instituições, mas também a grupos de vizinhos, cidadãos comuns, que se queiram juntar e inscrever num projecto. E, portanto, hoje estamos a ouvir este exemplo do Centro Social Paroquial Padre Avelino Jorge, que é uma experiência diferente e muito fora da caixa, mas haverá muitos outros pelo país fora. E tudo isto, e com muito orgulho, o Pingo Doce tem contribuído para um envelhecimento mais activo e, acima de tudo, também para quebrar a solidão.
E precisamente por isso, Sónia, para terminarmos, que mensagem gostaria de deixar para inspirar outras associações a candidatar-se agora a esta nova edição do Bairro Feliz?
Olhe, primeiro, não é tudo difícil, tudo é possível. A idosa mais velha tinha 92 anos e a mais nova 60 e tal, e levámos uma cadeira de rodas. Portanto, quando queremos muito, tudo é possível. Há adversidades, há contratempos, mas tudo é possível. Mesmo para as famílias que às vezes pensam que têm um idoso em casa e que nada é possível, tudo é possível. Com boa vontade, tudo é possível e conseguimos tudo. Não há idade para nada. Relativamente ao que fazer para inspirar os outros, é também pensar um bocadinho com o coração e pormo-nos no lugar do outro, que é muito importante. O que gostaríamos de fazer. E pensar que não vamos fazer isso, porque não vai ser possível, não vai ser concretizável, vai ser difícil. Não, tudo é possível, se quisermos muito.
É preciso vontade, querer, dedicação.
É preciso vontade. E prova, realmente, eu percebi que foi uma ideia fora da caixa e quando percebemos que ganhámos, meu Deus, como é que vamos fazer? Levar idosos de avião, e se acontecer isso, se acontecer aquilo. Aconteceram imensas coisas, todas contornáveis. É o dia a dia.
Mas o balanço é muito mais positivo, não é?
Muito mais positivo, porque foi o que eu disse há pouquinho, elas vieram muito felizes. Ainda hoje vão falar disso sempre. Uma das senhoras, com 92 anos, que viajou, disse-nos que queria ter ido à Madeira com o marido, tinham esse sonho, ele também nunca tinha viajado de avião, entretanto, ele faleceu bastante novo e ela nunca foi capaz de concretizar, porque pensou: "Eu não concretizei com ele, não vou concretizar com mais ninguém". E nós conseguimos de movê-la e foi maravilhoso ver a cara deles.
Imagine, que bonito.
O céu é o limite. Ficou bonito aqui. O céu é o limite e, portanto, já estamos aqui a pensar noutro ideia fora da caixa, para nos candidatarmos este ano.
Ótimo, estou a ver, Filipe.
É uma oportunidade que o Pingo Doce dá e estas instituições sociais têm realmente que apanhar todas as oportunidades, porque não é fácil. Não é fácil sobreviver com idosos no nosso país, muito menos. E somos um país envelhecido e, portanto, sabemos como os nossos idosos são tratados. Não vamos falar mais disso, porque é um programa feliz. E, portanto, bora lá.
É um projeto extraordinário, de facto. O A Voz a Bordo mostra-nos que nunca é tarde para voar e que o Bairro Feliz transforma mesmo a vida de quem está ao nosso lado. A quem nos ouve, lembro que as candidaturas para a sexta edição do Bairro Feliz estão a decorrer. Se tem uma causa nas áreas da saúde, bem-estar, apoio social, desporto ou ambiente, informe-se na sua loja Pingo Doce ou no site e candidate o seu projeto. Filipa Pimentel, Sónia Leite, muito obrigada por este arranque inspirador. Foi um gosto conversar convosco.
Obrigada.
Obrigada. Um beijinho.
Um beijinho também. Nós voltamos no próximo episódio de Viver num Bairro Feliz. Até lá, cuide de si e dos seus vizinhos.