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Olá, seja bem-vindo ao segundo episódio do podcast "Viver num Bairro Feliz", em que mostramos que a força de uma comunidade está nas pessoas e nas instituições que cuidam dela todos os dias. Este programa conta com o apoio do Pingo Doce e surge numa altura em que estão a decorrer as candidaturas para a sexta edição do programa Bairro Feliz. Hoje falamos de proteção e cuidados de saúde e do papel crucial daqueles que são, muitas vezes, a primeira linha de socorro no nosso bairro, os bombeiros voluntários. Para conversarmos sobre isto, estão comigo Mariana Lino, coordenadora de responsabilidade social e impacto local do Pingo Doce, e André Fernandes, adjunto de comando da Associação de Bombeiros de Campotorique. Bem-vindos aos dois, muito obrigada por estarem conosco. Mariana, começo por si. A saúde e a proteção das populações são prioridades absolutas no Bairro Feliz. Com a nova edição do programa a decorrer e as candidaturas abertas nas lojas, de que forma que o Pingo Doce quer continuar a apoiar os soldados da paz e as instituições de saúde locais?

Sim, de facto, esta é também uma grande prioridade do Bairro Feliz do Pingo Doce, a saúde e a proteção das populações, na medida em que respondem a necessidades muito concretas e muito urgentes na comunidade. A prevalência deste tipo de causas tem sido muito forte. Temos cerca de 400 causas na área da proteção e de cuidados de saúde. Este número representa um pouco mais de 16% de todas as causas que já foram apoiadas pelo Bairro Feliz no total, o que demonstra bem a sua relevância. São temas que preocupam os bairros, são temas que preocupam os vizinhos. Eu acho que isto, de facto, traduz-se aqui em projetos muito concretos que já apoiamos. Aqui no caso dos bombeiros, eu vou deixar depois o André falar, mas desde cadeiras de rodas, equipamentos para bombeiros, equipamentos para ambulâncias, para transporte de doentes, equipamentos para fisioterapia. Temos equipamentos para alas pediátricas de hospitais, que são também fundamentais nos cuidados de saúde que são prestados às crianças que estão internadas. Rastreios de saúde, que são tão importantes na detecção precoce de algumas doenças e que por isso têm aqui muita prevalência também. Temos um exemplo, que é um exemplo não muito óbvio, de apoio a uma instituição que prestava cuidados de saúde a mulheres que estavam com doença oncológica e no pedido de apoio, o que pediam era um financiamento para comprar próteses mamárias para estas mulheres que estavam a ser apoiadas pela instituição. Portanto, estamos a falar de apoios que têm um impacto muito direto, muito tangível, muito concreto na qualidade de vida das pessoas e na capacidade de resposta que estas instituições depois têm de ter. Obviamente que queremos continuar a apoiar quem está na linha da frente. Os bombeiros são instituições, também todas as organizações e instituições que prestam apoios em termos de cuidados de saúde, mas obviamente que os bombeiros são aqui um pilar fundamental. Mas eu vou deixar o André falar um pouco sobre isso, mas não só no apoio ao combate de incêndios.

Sim, é muito mais.

Mas é muito mais do que isso.

Uma das causas vencedoras de uma edição anterior foi precisamente a dos Bombeiros de Campotorique, que avançaram com um projeto para adquirir um monitor de sinais vitais para equipar uma ambulância. André, explique-nos brevemente de que forma é que este equipamento de diagnóstico, que avalia a pressão arterial, o pulso, a temperatura e a oximetria, faz a diferença no momento exato de socorro à comunidade.

Eu começava por agradecer o convite ao Corpo de Bombeiros de Campotorique para estar aqui presente e ao Pingo Doce, a iniciativa que tem levado a cabo ao longo dos anos e que tem facilitado imenso o trabalho de várias instituições dos bairros, concretamente os Bombeiros de Campotorique, que não venceram uma vez, mas sim já duas vezes. O projeto do monitor. Eu já vou explicar o porquê.

E importa dizer que não é o Pingo Doce que vota. São os vizinhos.

É a população. E eu devo dizer até que da primeira vez concorremos também para uns manequins de treino de suporte básico de vida, onde também fomos vencedores, contra uma escola primária. Contra, no aspeto do concurso. E as primeiras pessoas a utilizar os equipamentos, a quem nós demos formação com os equipamentos que ganhámos naquele, foram os funcionários da escola. Aliás, o nosso comandante na altura disse mesmo: "Ok, vocês ficaram em segundo lugar, nós oferecemo-nos já para vos dar formação a vocês com os manequins", porque eles tinham o projeto deles. Respondendo à sua pergunta, sobre a importância deste equipamento. Este equipamento faz parte da carga, digamos assim, de uma ambulância de socorro, uma ambulância de emergência médica, que presta socorro em primeira linha. Nós, bombeiros, trabalhamos em estreita articulação com o Instituto Nacional de Emergência Médica, o INEM. E é muito importante fazer um diagnóstico primário à vítima de uma situação de emergência, seja doença súbita, acidente, seja a situação que se deparar, o técnico vai ao local. Ele tem que fazer o seu primeiro diagnóstico e depois transmitir esta situação para a regulação dos centros de orientação de doenças urgentes do INEM, onde o médico vai ler tudo aquilo.

Todas estas informações que são passadas.

Isto acaba por, enquanto há 20 anos nós para fazer um diagnóstico precisávamos de ter um esfigmomanômetro daqueles de bomba, de encher, e depois pôr o estetoscópio, agora com estes aparelhos, em metade do tempo faz tudo. Além de reduzir o tempo da intervenção, o que aumenta a possibilidade de sobrevida ou de qualidade de vida de uma pessoa, por exemplo, com AVC. O tempo aqui conta muito. O AVC é um exemplo, há outros tantos, um enfarte, seja o que for. Além disso, torna as ambulâncias uma unidade melhor preparada para intervir. E nós estamos aqui em Lisboa, onde estamos à distância rápida do apoio diferenciado do INEM, daquelas viaturas médicas do INEM, amarelas, pequeninas, que andam sempre Muito rápido de um lado para o outro. Mas, por exemplo, em Bragança ou em Viseu, ou noutro sítio qualquer, se calhar o apoio não está tão perto. Portanto, quanto melhor preparadas estiverem as ambulâncias, melhor é o socorro prestado à população. E com isto, dizer também que a capilaridade dos bombeiros é quase tão parecida com a do Pingo Doce. Mesmo nas vilas mais pequeninas, há um quartel dos bombeiros, o banco, o café central e o Pingo Doce. É uma coisa que existe em todo lado. Portanto, faz sentido que estas campanhas existam e que façam as populações melhor preparadas e os agentes de proteção civil, nomeadamente os bombeiros, que são da comunidade, nascem da comunidade para servir a comunidade, estejam melhor preparados. Isso é muito bom no meu ponto de vista.

Mariana Lino, ver que o donativo financeiro do Pingo Doce se traduz em equipamentos médicos tão vitais para salvar vidas, é prova de que o Bairro Feliz vai direto às necessidades mais urgentes de quem protege o nosso bairro.

Sem dúvida nenhuma. Eu acho que isso é talvez o mais gratificante neste programa, que é perceber que um apoio começa com uma candidatura de um bairro, ou de um grupo de vizinhos, ou de uma organização, e que acaba por ter um impacto direto em momentos tão críticos como são estes momentos de, no fundo, salvar vidas. E quando falamos de equipamentos médicos ou da melhoria de condições destas instituições, estamos a falar, como o André estava a dizer tão bem, de recursos que fazem a diferença no tempo de resposta. E na qualidade do diagnóstico e, em muitos casos, na capacidade de efetivamente salvar aquela vida daquela pessoa que precisou de ajuda. De facto, o mais importante neste impacto é o concreto que é e o imediatismo que todas as organizações que prestam este tipo de apoio conseguem ter e que é concreto, como estava a dizer há bocado. É um equipamento que passa a estar disponível numa ambulância e que passa a contribuir para que esta ambulância esteja, de facto, muito bem-preparada para socorrer quem mais precisa. E, no fundo, ao financiar estes projetos, estamos a ajudar a salvar vidas, podia quase dizer assim. Ou pelo menos a criar melhores condições para quem cuida destas vidas e destas populações.

André, na prática, que impacto é que esta ajuda trouxe para o dia a dia da vossa corporação, para a segurança dos moradores de Campo de Ourique? E porque estamos a terminar, que mensagem gostaria de deixar para motivar outras corporações de bombeiros a candidatarem-se agora à sexta edição do programa Bairro Feliz?

Começaria ao contrário.

Primeira mensagem.

Primeira mensagem e, por exemplo, vou-vos dar o nosso exemplo. Em Campo de Ourique, a ideia nasce de um senhor chamado João Matos, uma pessoa também ligada à comunicação social, um morador do bairro de Campo de Ourique, que chegou ao pé de nós e disse: "Malta, há esta situação, vamos concorrer". Organizou todo o processo, juntou o que era necessário, toda a documentação, fez tudo. Da segunda vez, igual, e agora ligou-me há dias: "André, está na hora de outra vez".

Para isso, a instituição.

Exato. Vamos a isso, com certeza, muito bem. Além da falta que faz o equipamento, a importância de ligar as pessoas nos bairros, e um bairro como Campo de Ourique tem muitas sinergias. E nós, como eu estava a dizer há pouco, nós com isto falávamos da interligação com a escola primária, com o João, tudo isto vai ligando as pessoas e isso é importante nos dias que correm. Quanto à questão do...

Da ajuda em si.

Nesse aspeto, quanto melhor equipados nós estivermos, não é só em quantidade, mas em qualidade, e com estas verbas conseguimos adquirir equipamentos com qualidade, acabamos por ter um corpo de bombeiros mais preparado e, sendo assim, prestar um melhor serviço à comunidade. Porque nem sempre temos hipótese de comprar com verbas próprias ou com verbas que alguém nos dê, porque são muito poucas. Portanto, todas as ajudas são bem-vindas e isso capacita-nos, capacita o corpo de bombeiros e os técnicos que lá andam, que são pessoas com muita formação, mas que depois, se não tiverem o equipamento que precisam, acabam por não conseguir fazer o serviço como deve ser. Portanto, os nossos bombeiros podem dizer que dispõem de equipamento bom, tanto para uma ambulância, onde já temos esse monitor, e na área da formação também, da outra edição que participamos e também vencemos, conseguimos equipar as nossas instalações de formação com manequins de suporte básico de vida, também com boa qualidade.

Vamos ver como corre agora a sexta edição. Se pertence a uma associação ou corporação com projeto nas áreas da saúde, proteção, apoio social, desporto ou ambiente, submeta a sua causa no site do Pingo Doce ou então informe-se na sua loja. Mariana Lino, André Fernandes, muito obrigada pelo testemunho e pela partilha. Nós voltamos no próximo episódio com mais uma causa que mexe com o nosso bairro. Até lá, cuide de si e dos seus vizinhos.