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Olá, seja bem-vindo a mais um episódio do podcast "Viver num Bairro Feliz". O espaço onde mostramos como ideias locais transformam o dia a dia das nossas comunidades. Este programa conta com o apoio do Pingo Doce e surge numa altura muito importante. As candidaturas para a sexta edição do programa Bairro Feliz já estão a decorrer. Se faz parte de uma associação de pais ou tem uma ideia para melhorar o seu bairro, fique atento. Hoje, o nosso foco vira-se para o futuro, para as crianças. Sabemos que a escola vai muito além dos livros e garantir recreios saudáveis e estimulantes é meio caminho andado para o sucesso dos mais novos. Eu sou a Maria João Simões e para conversarmos sobre tudo isto, tenho hoje comigo a Inês Martins, gestora de projeto do Pingo Doce, e a Ana Rita Silveira, representante da Associação de Pais da Escola Aprígio Gomes. Olá, bem-vindas.
Olá, boa tarde.
Disse tudo bem?
Disse tudo certo. Ficou ótimo.
Ana Rita fez assim uma cara.
Não, tudo bem.
Inês, a educação e o bem-estar das crianças são áreas fundamentais no Bairro Feliz. Com a nova edição do programa a decorrer e as candidaturas abertas, que tipo de projetos ligados às escolas e também ao desenvolvimento infantil, é que o Pingo Doce procura impulsionar através deste apoio?
As escolas são, sem dúvida, um dos grandes motores do programa Bairro Feliz. Prova disso é que já apoiamos mais de 700 causas. E realmente é muito emocionante ver a participação das escolas neste programa. E há muitas participações, porque há aqui dois motivos muito claros para a grande participação das escolas. Em primeiro lugar, porque são locais onde há uma necessidade constante de melhorias, seja de espaços, seja de equipamentos. E em segundo lugar, porque sempre que uma escola participa, há uma extraordinária capacidade de mobilização por parte dos alunos, dos professores, das associações de pais, dos grupos de WhatsApp das mães.
Fortíssimos, esses grupos.
Mesmo, há aqui uma extraordinária mobilização. E há muitos projetos que são realmente inscritos por escolas e dentro destes projetos cabem ideias como melhorar os recreios, toldos, ares condicionados, equipamentos para rádios escolares, microfones, colunas.
Os meus futuros colegas.
Exatamente. Aquisição de mobiliários, livros para bibliotecas escolares, jogos didáticos, kits robótica, tablets, computadores. Há um mundo-
Um sem fim, não é?
Sem fim, para melhorar a vida das crianças. Há também muitos pedidos de apoio em visitas de estudo, os próprios transportes para visitas de estudo, muitas vezes vales de autocarros para poderem fazer a deslocação. Há um mundo muito grande de ideias extraordinárias para melhorar a vida das crianças dentro e fora da sala de aula.
Uma das causas vencedoras de uma edição anterior foi precisamente a da Associação de Pais da Escola Aprígio Gomes, que avançou com um projeto para adquirir um equipamento um pouco diferente, uma mesa de matraquilhos. Ana Rita, explique-nos brevemente como é que surgiu esta ideia e qual é o impacto no dia a dia dos alunos.
Antes de mais, bom dia. Obrigada pelo convite.
Obrigada nós.
Como é que surgiu? Foi fácil, temos uma escola muito grande, com um recreio muito vasto, que só no primeiro ciclo serve cerca de 400 crianças, e não tinham muitas coisas quando eu lá cheguei, quando chegou a minha filha mais velha, neste caso.
Quando lá chegou com a sua filha.
Exatamente. E percebemos que não havia grandes coisas para as crianças fazerem, à parte do normal, correr, apanhada, jogar à apanhada, jogar à macaca, jogar isto. E então a associação de pais começou a pensar em investir no recreio. Já comprámos, noutra circunstância, comprámos mesas, aquelas que já têm as cadeiras encostadas, para eles se sentarem, para poderem jogar às cartas, para escrever, que eles gostam imenso de escrever no recreio, não fazia ideia, e pintar, também não fazia nada disso na altura, só queria jogar à bola e jogar à apanhada. E então a mesa de matraquilhos surgiu, porque sendo um equipamento mais caro, de outra forma não conseguiríamos sozinhos, fazer este investimento. E então, tendo em conta tudo o que implica a mesa de matraquilhos, que é a organização por turmas, a organização por parte das próprias crianças, claro, supervisionadas pelas equipas de auxiliares, ou seja, aquilo neles, a construção dos horários, a construção de torneios, aquilo para eles é muito bom, porque estimula a criatividade, estimula a participação em jogos de grupo.
A organização.
A organização social, o respeito pelo outro, exatamente. E nós pensamos: "Olha, é isto mesmo, é com o apoio do Pingo Doce que vamos comprar a mesa". E assim foi.
E assim foi. Inês, ver os pais unirem-se para melhorar a escola dos filhos e o Pingo Doce a dar o empurrão financeiro que faltava a este projeto vencedor, é a definição perfeita do que deve ser o espírito de vizinhança ativa do Bairro Feliz, não é?
É verdade. É muito bonito, porque deixa de ser apenas uma candidatura e passa a ser um esforço coletivo, um bairro inteiro a querer fazer mais e melhor pelas suas crianças. E é de facto muito emocionante assistirmos à participação, à mobilização, crianças que fazem T-shirts, cartazes, que envolvem os vizinhos todos. E é fantástico. E o papel do Pingo Doce acaba por ser o dar esse empurrão que faltava, porque a vontade já lá está, as ideias estão lá, as necessidades também lá estão. E quando apoiamos estes projetos, não estamos só a melhorar uma escola, estamos aqui também a contribuir para fortalecer laços, criar comunidades e transformar vidas. E cada projeto conta uma história Pessoas que decidiram cuidar umas das outras. E isso é fantástico.
É muito bonito mesmo. Ana Rita, para terminarmos, na prática, que diferença é que este tipo de equipamentos fazem na rotina e na felicidade dos miúdos? E já agora, que mensagem deixa para motivar outras associações de pais a candidatarem-se agora à sexta edição do programa Bairro Feliz?
Antes de mais, têm que se candidatar porque-
É possível
...é possível. Somos a prova disso. Penso que é um esforço que a comunidade, em conjunto com as famílias, em conjunto com as crianças, faz, com o apoio do Pingo Doce, que não seria possível, claro, sem eles. Eu penso que todas as escolas, ou as associações, deviam se candidatar para conseguir melhorar qualquer coisa na vida das nossas crianças, que eles são o nosso futuro. Estamos a olhar para eles hoje e vamos ver os adultos de amanhã. Portanto, dar-lhes as melhores oportunidades num mundo tão diferente daquele onde nós crescemos. Nós éramos felizes com outro tipo de coisas que eles hoje em dia, infelizmente, já não têm.
Pois não.
Por culpa da evolução da sociedade.
Da evolução, sim. De tudo, da tecnologia, de tudo. É uma série de coisas.
Exatamente. E este tipo de iniciativas é muito importante. Porque é como eu disse há pouco, uma coisa que parece tão insignificante, tão pequenina.
O impacto que depois tem.
O impacto que teve naquele recreio, que foi muito importante. A escola, até é uma escola relativamente recente, mas depois por ser relativamente recente, percebe-se que o apoio que a câmara dá, seja para as escolas mais antigas, portanto, acaba por ficar ali um bocadinho esquecida. Temos que ser nós e a própria escola, enquanto instituição, a mexer-nos para estas atividades e para estas iniciativas.
De facto, a educação apoia-se dentro e fora dos portões da escola e a comunidade tem aqui um papel gigante. Inês Martins, Ana Rita Silveira, muito obrigada por nos mostrarem que o futuro do bairro se constrói em conjunto. Obrigada pela partilha.
Muito obrigada.
Obrigada.
Nós voltamos no próximo episódio de "Viver num Bairro Feliz". Até lá, cuide de si e dos seus vizinhos.