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Olá, seja bem-vindo a mais um episódio de "Viver num Bairro Feliz", o podcast em que damos palco aos projetos locais que enchem de vida, de cor e dinâmica as nossas comunidades. Uma missão que cresce todos os dias com o apoio do Pingo Doce, que através do programa Bairro Feliz, ajuda a tirar do papel as ideias que unem os vizinhos. Lembramos que as candidaturas para a sexta edição do Bairro Feliz já estão a decorrer nas lojas. Se tem uma ideia para o seu bairro, esta é a oportunidade. Hoje, o nosso foco vira-se para a importância dos espaços de convívio e da socialização intergeracional. Vamos perceber como é que os jogos de tabuleiro podem esbater diferenças e criar laços fortes entre vizinhos de todas as idades. Eu sou a Maria João Simões. Para conversarmos sobre estes temas, estão comigo Catarina do Carmo, atual responsável pelo programa Bairro Feliz do Pingo Doce, e Cátia Godinho, do Clube Recreativo Desportivo A Rodense. Bem-vindas, muito obrigada por estarem conosco.

Obrigada.

Obrigada.

Catarina, o Bairro Feliz tem uma categoria dedicada ao lazer e à promoção do encontro entre vizinhos. Com as candidaturas à sexta edição agora abertas, que tipo de projetos que promovam o convívio e a união da comunidade é que o Pingo Doce procura impulsionar nesta nova fase?

Maria João, eu atrevo-me a dizer que esta categoria de espaço e eventos de convívio é, de facto, uma das mais emblemáticas do Bairro Feliz, porque vai diretamente ao coração daquilo que é o programa. Aproximar pessoas e fortalecer este sentido e sentimento de comunidade entre todos. Nesta nova edição, o Pingo Doce continua à procura de projetos que criem estes momentos, portanto, de encontro genuíno entre vizinhos. E podem ser iniciativas simples, mas que tenham um impacto real naquilo que é o dia a dia dos nossos bairros. Falamos de propostas que incentivem precisamente o convívio, a partilha, seja eventos comunitários, temos os arraiais de verão, as festas de Natal, uma atividade também ao ar livre, ou projetos mais com uma vertente cultural, ligados à música, à dança, às tradições locais. E acabamos também por ter aqui muitos que deixam uma marca verdadeiramente duradoura nos bairros, com a criação ou melhoria de espaços que são comuns, desde as hortas comunitárias, por exemplo, como os jardins, os parques infantis, ou equipamentos que possam ser utilizados por todos. Ao longo das edições, temos visto exemplos muito inspiradores disto, seja com o apoio à aquisição de instrumentos para bandas filarmónicas ou até trajes para ranchos folclóricos, como a instalação de baloiços no parque infantil e até fornos comunitários disponíveis para toda a vizinhança poder fazer o seu próprio pão. Portanto, tudo isto são formas diferentes de promover o encontro, seja através da cultura, do lazer ou da criação de um espaço partilhado. E no fundo, nós procuramos projetos que façam com que os vizinhos se conheçam melhor, que convivam mais e que sintam que efetivamente pertencem a uma comunidade mais unida e mais viva entre si.

O Clube Recreativo Desportivo A Rodense é um exemplo perfeito desse impacto. Foi vencedor do Bairro Feliz por duas vezes, em 2022 e também em 2025. O vosso primeiro projeto permitiu criar uma ludoteca aberta à comunidade com jogos de tabuleiro. Como é que surgiu esta ideia e de que forma é que os jogos de tabuleiro ajudam a aproximar gerações e a desenvolver competências nos vizinhos?

Esta ideia surge de uma forma muito orgânica, de um grupo de amigos que gostava de jogar jogos de tabuleiro e que resolveu criar iniciativas, uma iniciativa de juntar pessoas com jogos de tabuleiro. Acabamos por nos nomear, autonomear os Power Meeples, um nome de marca para esta iniciativa. E basicamente isto surgiu logo após a pandemia, ou seja, as pessoas estavam muito isoladas. Quem gostava de jogos de tabuleiro acabou por encontrar ali um refúgio. Em casa, os jogos de tabuleiro durante a pandemia foram uma grande ajuda. E achámos que era uma ótima ferramenta para ajudar a quebrar o isolamento social que se gerou durante esse período de pandemia. Todos gostávamos de jogos de tabuleiro e achámos que era bom para unir pessoas e que as pessoas pudessem conhecer outras pessoas nessa altura, em que, ainda por cima, as redes de vizinhos mostraram-se extremamente importantes. Foi uma altura em que ter alguém à nossa volta com quem pudéssemos conectar era extremamente importante. E portanto, resolvemos recorrer a um ativo da sociedade, que é um clube recreativo, e recuperar aquela função social de sala de estar da comunidade. E o tabuleiro com jogo é uma ótima ferramenta para colocar as pessoas de qualquer idade à mesa e ter uma desculpa para interagirem. É uma ferramenta que acaba por ser transversal a qualquer idade e permite essa intergeracionalidade. Permite que crianças e adultos e às vezes seniores também interajam e que não haja uma diferença de quem joga muito ou quem joga pouco. A idade, em alguns jogos, não faz qualquer diferença. Alguns já faz, mas depois é uma questão de escolher o jogo certo. E portanto, era aqui uma forma de trazer as pessoas a interagir umas com as outras, ninguém ficava prejudicado. E além disso, enquanto as pessoas estão a jogar, estão também a desenvolver competências e desenvolvem coisas como raciocínio, lógica, estratégia, memória, pensamento crítico, a questão da comunicação e também da tolerância, que é cada vez uma competência mais importante termos na nossa sociedade. E o engraçado é que estamos a desenvolver estas competências, mas não estamos propriamente a pensar nisso. Não estamos a dizer: "Agora vou tirar um curso". É de uma forma muito orgânica. Nós estamos a brincar, estamos a divertir, passamos ali uma tarde bem passada e enquanto isso estamos a trabalhar essas competências, portanto, acabam por ser desenvolvidas por inerência, de uma forma muito orgânica.

Muito natural. Catarina do Carmo, ver uma associação vencer o programa duas vezes e usar o apoio do Pingo Doce para criar uma ludoteca com jogos de tabuleiro, demonstra bem como o Bairro Feliz dá sustentabilidade a projetos simples, mas que têm um impacto gigante na coesão social.

Sim, sem dúvida. Este é um excelente exemplo do verdadeiro impacto do Bairro Feliz. Quando vemos uma associação conseguir dar continuidade ao seu projeto, neste caso, criando um espaço mais equipado com jogos, com condições para receber a comunidade, porque recebem verdadeiramente a comunidade, percebemos que não estamos apenas a apoiar uma ideia pontual daquele momento, estamos a contribuir para algo que cresce, que vai chegar a muito mais pessoas de diferentes gerações, como falámos, e ao longo do tempo. Este tipo de projetos são também o exemplo claro de que uma ideia não precisa de ser muito complexa para ser transformadora. Por vezes, são estas iniciativas simples, como criar ou melhorar um espaço de encontro, de convívio, onde as pessoas se juntam, partilham tempo, partilham experiências, que têm um impacto enorme na coesão social. E isso é exatamente aquilo que nós pretendemos com o Bairro Feliz, portanto, ajudar a dar vida a estes projetos, que aproximam vizinhos, ajudam a combater o isolamento, e vimos bem isso no caso da pandemia, e também criam rotinas de encontro, porque no final, são estas pequenas grandes mudanças que tornam os bairros mais unidos, mais humanos e, em última análise, mais felizes.

A Catarina disse aí algo muito importante: não precisa de ser complexa a ideia para ser transformadora. Cátia, estamos a terminar. Na prática, como é que têm sido estes encontros e jogos com a comunidade e que diferença é que este apoio fez na vossa associação? E já agora, porque estamos a chegar ao fim, que mensagem gostaria de deixar para motivar outras coletividades a candidatarem-se agora à sexta edição do Bairro Feliz?

Estes encontros decorrem uma vez por mês, normalmente é o terceiro sábado de cada mês, às vezes há pequenas alterações, no Clube Recreativo e Desportivo do Arrudense. Entre as 15h e a meia-noite.

É só marcar a agenda.

As pessoas vão o tempo que quiserem, à hora que quiserem e vão-se embora à hora que quiserem, estão lá o tempo que se sentirem confortáveis para estar. As pessoas podem aparecer sozinhas ou acompanhadas para experimentar jogos. Nós temos jogos para todas as idades e níveis de dificuldade, desde quem já tem experiência para quem nunca jogou. E nestes encontros nunca ninguém fica sozinha, há sempre alguém que recebe. Temos uma equipa dedicada a receber pessoas e que recomenda jogos, explica os jogos.

E depois jogam em pares, não é?

Sim.

No caso de serem jogados a dois.

Jogados a dois ou jogados a quatro. Nós normalmente tentamos sempre juntar pessoas, porque é uma forma muito orgânica das pessoas se conhecerem umas às outras.

E falava de comunicarem.

Exatamente. E, por exemplo, no último encontro pusemos sete pessoas que tinham vindo isoladas, juntámo-las todas e estiveram todas a jogar juntas e de certeza que na próxima vez que vierem já se conhecem algumas e irão fazer outro grupo.

Importa deixar essa mensagem, que se vai sozinha, vai haver sempre gente com quem jogar, com quem interagir.

Sem dúvida, e as pessoas não precisam de ter essa espontaneidade. Ou seja, nós ajudamos a que isso aconteça de forma espontânea. Nós ajudamos a receber as pessoas e enquadrá-las até que as pessoas se sintam confortáveis. Nós fazemos esse acompanhamento até sentir que as pessoas estão confortáveis e estão autónomas e já têm com quem jogar e já fazem esses passos naturalmente. Enquanto precisam de ajuda, nós estamos lá para ajudar. Às vezes basta uma hora, às vezes demoram três encontros, está tudo bem, nós estamos lá para ajudar.

E uma mensagem para outros seguirem o vosso exemplo.

Só uma coisa. Este apoio foi super importante para nós, porque na verdade, isto era uma iniciativa e passou a ser um projeto a partir do momento em que ganhámos o armário, este apoio do Pingo Doce. Inicialmente, não havia nada e foi aí que se consolidou e que se materializou em qualquer coisa. E a partir daí cresceu todo um projeto, permitiu-nos ganhar outros financiamentos, permitiu-nos também ter reconhecimento por parte da Câmara e da Junta de Freguesia, que antes éramos vistos como um grupo de amigos que gostava de brincar, coisas de crianças, e agora já não somos, e desenvolver toda uma nova de outras valências. O segundo financiamento ajudou-nos a consolidar e a crescer, a evoluir, porque as coisas não podem estagnar. E isto é super importante e portanto agradecemos muito ao Pingo Doce, porque sem eles, isto ainda era nós a trazermos jogos de casa. E não chegaríamos nem à metade das pessoas. Nós começámos com seis pessoas no primeiro encontro, em 2022.

E agora?

E agora temos 110 pessoas. Nós temos encontros com 110 pessoas, somos um dos maiores encontros a nível nacional.

Impressionante.

E quando ganhámos o primeiro armário, nós não esperávamos, se nós tivéssemos 20 ou 30 era ótimo. E portanto, a mensagem para outras iniciativas é: concorram, este apoio faz toda a diferença, é às vezes o primeiro passo de muitos passos que podem vir a seguir e fazer a diferença nos projetos. E às vezes quando concorremos, nem temos noção do impacto que isto vai ter.

E é gigante.

E é gigante. No nosso caso, foi mesmo gigante. Lá está, passámos de seis pessoas para 110. Acho que mostra a importância deste percurso. Portanto, o nosso obrigada.

Cátia Godinho e Catarina do Carmo, eu é que agradeço pelo vosso trabalho e pela partilha. Muito obrigada por terem vindo a este episódio. Eu estou de volta no próximo, com mais uma causa que mexe com o nosso bairro. Até lá, cuide de si e dos seus vizinhos.