Economia

Greenpeace perde 3,8 milhões com especulação nos mercados

Grupo ambientalista pediu desculpa a todos os doadores pelos prejuízos causados por “um erro de julgamento” de “um funcionário”. O exercício de 2013 fechou com défice de quase sete milhões.

Na Greenpeace, 90% do donativos são inferiores a 100 euros. Greenpeace está presente em 40 países

GEMMA MIRALDA/HANDOUT/EPA

Autor
  • Mara Dionísio

A associação ambientalista Greenpeace perdeu 3,8 milhões de euros dos donativos que recebe devido a investimentos especulativos em mercados cambiais. As conta de 2013 vão apresentar um défice de 6,8 milhões de euros. Segundo um comunicado emitido no domingo, a associação ambientalista explica que as perdas resultaram de “um erro de julgamento” de um funcionário da Unidade Financeira Internacional, que “atuou além dos limites da sua autoridade, sem seguir os procedimentos adequados” e celebrou “contratos de compra de moedas estrangeiras a um preço fixo”.

Com a valorização do euro no final do ano passado, explica a organização, a Greenpeace perdeu dinheiro e, por isso, as contas de 2013 vão “apresentar um défice de 6,8 milhões de euros”. A associação ambientalista Greenpeace pediu “desculpa a todos os apoiantes pelos erros” que levaram a esta perda e garante que estão a ser “tomadas todas as medidas” para que o mesmo não volte a acontecer no futuro.

A organização ambientalista, presente em 40 países, disse, também, que o funcionário em causa foi “dispensado do cargo”, embora sublinhe que ele estaria convencido que estava a agir pelo “melhor interesse da organização”, não havendo provas de que tenha retirado proveitos pessoais.

Além disso, a organização ambiental diz que encomendou uma auditoria independente para determinar o que aconteceu e garante que vai conseguir acomodar as perdas “nos próximos dois a três anos”, alterando investimentos já planeados em infraestruturas. Deixa ainda a garantia de que nenhuma verba será retirada às campanhas de “proteção do clima, dos oceanos ou das florestas”.

No ano passado, a Greenpeace Internacional teve um lucro de 72,9 milhões de um orçamento global de 300 milhões, fruto dos donativos que provêm das delegações presentes em 40 países. O buraco nas contas pode afetar a confiança dos doadores, já que 90% dos recursos da organização têm origem em pequenos donativos inferiores a 100 euros.

Segundo explicou ao The Guardian o diretor do programa internacional do Greenpeace, Pascal Husting, os donativos não são utilizados “para fazer investimentos ou especular em mercados”. Normalmente são depositados nos bancos para que possam ser utilizados em casos como o do ano passado, em que 28 ativistas foram presos depois de um protesto numa plataforma de petróleo russa.

No entanto, devido a este incidente o relatório anual, que segundo a organização vai ser “publicado em breve”, vai apresentar um défice de 6,8 milhões, onde estão incluídas as perdas de 3,8 milhões.

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