Prémios e Galardões

Dupla de arquitetos portugueses vence prémio em Espanha

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O Prémio Ascer conta com 13 edições e até à data só foi atribuído fora de Espanha duas vezes.

Vasco Matias Correia e Patrícia Ferreira de Sousa foram premiados por terem projetado uma habitação de cinco pisos junto ao Jardim do Príncipe Real, em Lisboa

©Nelson Garrido / Divulgação

Vasco Matias Correia e Patrícia Ferreira de Sousa regressam de Espanha com 17 mil euros na bagagem e uma distinção. Os dois arquitetos portugueses venceram o Prémio ASCER de Arquitetura por uma casa que projetaram em Lisboa.

Os prémios ASCER – Associação Espanhola de Fabricantes de Azulejos e Pavimentos Cerâmicos têm por objetivo destacar projetos de arquitetura e arquitetura de interiores que façam o melhor uso de pavimentos e revestimentos cerãmicos fabricados em Espanha. É a primeira vez que o prémio vem para Portugal. Em 13 edições, apenas por duas vezes foram entregues fora de Espanha.

Vasco Matias Correia e Patrícia Ferreira de Sousa, ambos com 36 anos e da Camarim Arquitetos, foram premiados por terem projetado uma habitação de cinco pisos junto ao Jardim do Príncipe Real, em Lisboa. “O projeto começou em 2007 e a obra foi concluída em 2013, mas ao longo destes seis anos houve várias pausas porque o projeto não tinha um prazo definido, ao contrário do que é habitual”, explicou Vasco Matias Correia ao Observador.

A vantagem deste processo distendido no tempo é que permitiu à dupla “olhar muitas vezes de fresco para o processo, de uma perspetiva exterior. “Como se estivéssemos a criticar o projeto de outro autor, e com isso conseguimos chegar a soluções mais sólidas e mais inteligentes”, contou.

O painel de jurados, que inclui Martha Thorne, diretora do Prémio Pritzker (considerado o Nobel da Arquitetura), Fernando Márquez Cecilia, diretor da revista de arquitetura El Croquis, e Emilio Tuñon, arquiteto galardoado com o Prémio de Arquitectura Mies Van der Rohe, destacaram a “brilhante interpretação da utilização [do azulejo] no centro histórico de Lisboa”.

“Estávamos a fazer uma alteração drástica no centro da cidade e por isso queríamos ter a certeza de que éramos sensíveis à escala e ao ambiente do bairro [Príncipe Real], mas ao mesmo tempo não queríamos fazer uma cópia de uma coisa antiga”, explicou Vasco. O edifício original era revestido com uns azulejo muito comuns em Lisboa, que “estavam irrecuperáveis”, mas que serviram de ponto de partida para pensar a materialidade, a textura e a cor do edifício.

A dupla não pretende replicar o trabalho final que acaba de ser premiado, mas sim o método. “Estudamos e desenvolvemos cada projeto a partir do seu contexto, das suas condicionantes, da definição de uma estratégia que resolva os problemas, responda aos objetivos, e no final se traduza numa experiência gratificante, que torne a vida mais especial”, disse Vasco Matias Correia.

A cerimónia de entrega será em meados de fevereiro de 2015, na cidade espanhola de Valência.

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