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Música

Canções por uma causa

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À boleia do Pirilampo Mágico, recordamos canções de campanhas de solidariedade que perduram no nosso ouvido. Uma delas bateu o record de semanas no top de vendas na década de 80. Sabe qual foi?

Antes de aparecer em o Pirilampo Mágico, Lena d'Água já tinha dado um Abraço a Moçambique.

LUSA

A campanha deste ano do Pirilampo Mágico decorre até ao último dia de maio. O simpático boneco custa 2 euros e pode ser comprado online ou nos vários pontos de venda espalhados pelo país. As receitas revertem para a FENACERCI, a federação que reúne cerca de cem organizações que promovem a inclusão das pessoas com deficiência intelectual.

Esta é já a 29.ª campanha. A primeira aconteceu em 1987, e tinha um hino da autoria de Maria Alberta Meneres, que começava assim: “Eu conheço um pirilampo / que vive muito lampeiro / dentro dos olhos da gente…” A música foi gravada por Rui Veloso, Adelaide Ferreira, Paulo de Carvalho (de cigarro em riste no videoclipe, lá está) e Lena d’Água, inaugurando uma tradição de ter artistas famosos a dar a cara e a voz pelo Pirilampo Mágico – em grande número, por exemplo, na edição de 1989 ou na de 1993.

Animados pelo Pirilampo, puxámos pela memória e fomos à procura de outras canções solidárias, cujos videoclipes passavam nos intervalos da televisão, abrindo caminho a um grande sucesso nas vendas de discos.

O nosso We Are the World

A canção composta por Michael Jackson e Lionel Ritchie há 30 anos, que uniu a nata musical norte-americana contra a pobreza em África, já teve direito a artigo aqui no Observador. No mesmo ano de 1985, um conjunto de artistas portugueses procurou replicar a fórmula no tema Abraço a Moçambique, numa campanha que apelava ao combate à fome naquele país lusófono. Sob a direção musical de Pedro Osório, um rol notável de cantores, como José Mário Branco, Sérgio Godinho, Trovante, José Cid ou Raul Indipwo, pôs no nosso ouvido este refrão:

Vamos abrir outro mar
Fazer a ponte cá dentro do peito
Dar um abraço que é dado a cantar
E o mar fica assim mais estreito

Ai Timor

A causa timorense só mobilizou o povo português, de uma forma mais ativa e massiva, na condenação da violência pós-referendo em 1999. Mas, muito antes disso, alguns artistas foram chamando a atenção para a violação dos Direitos Humanos pelo invasor indonésio. A primeira canção que nos vem à cabeça é, provavelmente, o Ai Timor do Trovante (a banda gosta de ser singular).  A versão instrumental do tema, composta por João Gil, surgiu no filme Flores Amargas, realizado pela sua irmã Margarida Gil, em 1988. Dois anos depois, João Monge compôs a letra e a música terá sido o maior êxito de “Um Dia Destes”, o último álbum de originais da banda.

No final de 1991, as imagens do massacre no cemitério de Santa Cruz são um alerta para a dura realidade que se vive em Timor. No ano seguinte, é a vez de Rui Veloso e Nuno Bettencourt gravarem o tema Maubere, que conta ainda com a participação de Rao Kyao, Carlos Paredes, Paulo Gonzo e Isabel Campelo. “Fight back, brave maubere…”

E o recordista é…

Guardámos para o fim a resposta à pergunta inicial. A canção que esteve mais semanas consecutivas — 22, para sermos precisos — no primeiro lugar do top português de singles (os discos de vinil só com uma faixa de cada lado), durante toda a década de 80, não pertence a Madonna, nem a Michael Jackson. Foi uma canção lançada em 1987 pelo desconhecido cantor holandês Yann Andersen, no âmbito de uma campanha da UNICEF que alertava para o impacto dos conflitos mundias nas crianças. O sucesso em Portugal foi tão grande que até teve direito a uma versão dos Ministars (“temos de ser nós a fazer ouvir a nossa voz”).

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