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NES Classic Edition: o poder da nostalgia

A NES Classic Mini foi lançada na sexta-feira e em pouquíssimo tempo esgotou o stock em todo o mundo. É este o poder da nostalgia.

Nintendo Classic Mini NES/Nintendo

Na passada sexta-feira, 11 de novembro, a Nintendo lançou a NES Classic Edition, uma consola que esgotou nos dois dias seguintes. Trata-se de uma versão miniaturizada da NES, a primeira consola doméstica da marca japonesa e mudou a história dos videojogos para sempre.

Até pode ser que a Nintendo se tenha aproveitado da onda nostálgica em que nos encontramos, mas é uma exploração bem vinda. Não vou tecer demasiados elogios a esta mini consola porque ela tem as suas falhas, e acima de tudo não foi feita para as gerações mais novas. Para a minha, a dos trintões com um pé nos quarenta, já é algo diferente.

A minha primeira consola foi precisamente a NES, que ainda está ali na sala junto com alguns dos jogos originais. Portanto, esta versão plug and play com 30 jogos clássicos é uma adição excelente à minha coleção, pois tem vários que eu nunca tive na altura porque nunca haviam chegado a Portugal e eu não tinha dinheiro para os comprar a todos.

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Esta pequena consola de emulação clássica, vem com um comando e tem 30 jogos “clássicos”, tais como Super Mario Bros., Castlevania, Kid Icarus, Double Dragon II, Punch Out ou Ice Climber, entre outros. Contudo, não acredito que seja uma consola que vá agradar a muitos jogadores mais jovens porque a cultura dos videojogos mudou. Já se passaram quase 30 anos desde que a maior parte deles foram lançados e por mais geniais e marcantes para a história que tenham sido, praticamente todos eles são para ser jogados individualmente e são difíceis, muito difíceis. Não existem tutoriais nem vidas infinitas, nem sequer save points na grande maioria.

O maior problema destes jogos foi terem sido criados numa mentalidade de arcada (ainda que para o mercado doméstico), cujo objetivo era fazer o jogador gastar o máximo de moedas possível enquanto jogava, e portanto tem partes quase impossíveis de passar sem um pouco de irritação e frustração, mas mesmo assim são alguns dos mais divertidos e melhores de todos os tempos.

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Nestes 30 jogos existem opções para todos os gostos, dos quais vou apenas recomendar sete, mas que só por si tornam a compra desta consola quase obrigatória. Praticamente sem uma ordem definida, começamos com Metroid, um jogo de aventura e exploração que ainda hoje consegue dar uma sensação de intimidação e terror de estar num planeta hostil sem apoio. Gradius ainda hoje é possivelmente dos jogos de naves mais completos e bem construidos de todos os tempos. Tecmo Bowl, mesmo para quem não conhece ou gosta de futebol americano, é estranhamente divertido e fácil de jogar. Mega Man 2 é dos melhores jogos de aventura de plataforma de sempre, complexo e estupidamente difícil, mas recompensador quando ultrapassamos o desafio. Final Fantasy, o primeiro lançado no ocidente, é uma janela na história dos videojogos pela qual podemos ver como e porquê este tipo de aventura se tornou popular. Legend of Zelda, a aventura original de Link na qual podemos explorar todo um reino e as suas masmorras e, para terminar, o melhor jogo de plataformas da história: Super Mario Bros. 3. Se quisermos partilhar alguns destes jogos temos que comprar um comando extra, mas acreditem quem o fizer não se vai arrepender, é literalmente uma multiplicação da diversão.

A Nintendo tratou de uma das maiores falhas destes jogos, que foi o permitir a criação de save points para que permitir voltar ao ponto onde havíamos parado sem ter que reiniciar toda a aventura – ou utilizando códigos gigantescos, como fazíamos antes. E também dá a opção de ver os jogos em três aspetos diferentes, optando por uma imagem igual às antigas TVs CRT com linhas de scan, uma mais limpa 4:3 e uma perfeitamente pixelizada para ver o jogo em todo o seu esplendor, como foi inicialmente imaginado.

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Infelizmente, existem falhas neste produto. O facto de não ter uma ligação Wi-Fi e não permitir de maneira nenhuma que outros jogos sejam acrescentados à lista é um erro, na minha opinião, porque mesmo que fossem lançados em pacotes de cinco ou 10 acredito que todos os donos da Classic Mini iriam querer comprar e completar a coleção. Também porque acredito que falhem alguns jogos na lista de 30, talvez por razões relacionadas com as licenças ou por outras, há uma falta de jogos de corridas como R.C. Pro Am ou Super Off Road, de desporto como Super Spike V’Ball, Blades of Steel ou California Games. E outros de aventura como River City Ransom ou Faxanadu.

Ou seja, em vez de ter duas ou três edições de alguns jogos, por muito bons que cada um deles seja, preferia ver uma opção mais eclética e variada – tendo em conta que não poderemos adicionar jogos à lista. Muita gente pode também criticar o facto do cabo do comando ser relativamente curto, mas não me pareceu um problema.

A Nintendo Classic Mini é um consola obrigatória para fãs de jogos retro, para recordar os velhos tempos em que não tínhamos preocupações nem trabalhos nem nada dessas coisas típicas de ser adulto. Vamos ser sinceros, há algo melhor do que estar sentado no chão em frente à TV com um prato de bolachas e uma caneca de leite com chocolate ao lado, enquanto levantamos os braços para ajudar o Mario a saltar para a próxima plataforma?

João Machado, Rubber Chicken

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