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Exportações

Exportações da cerâmica disparam em seis anos e 2016 pode trazer recorde

As exportações da cerâmica aumentaram 25% entre 2009 e 2015, ascendendo aos 659 milhões de euros, e a Associação Portuguesa das Indústrias da Cerâmica espera que 2016 seja o melhor "ano de sempre".

A Apicer promove a conferência 'Ceramics Portugal does it better', que assinala os 20 anos da associação.

NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA

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  • Agência Lusa

As exportações da cerâmica aumentaram 25% entre 2009 e 2015, ascendendo aos 659 milhões de euros, e a Associação Portuguesa das Indústrias da Cerâmica espera que 2016 seja o melhor “ano de sempre” para as exportações do setor.

Em 2015, as exportações do setor da cerâmica já tinham atingindo o seu máximo histórico e 2016 promete ser o “melhor de sempre”, face ao aumento de quase 8% face a 2015 nas exportações portuguesas de produtos cerâmicos entre janeiro e setembro, refere, num documento enviado à agência Lusa, a Associação Portuguesa das Indústrias da Cerâmica e de Cristalaria (Apicer), sediada em Coimbra.

A cerâmica é um setor “fortemente exportador”, sendo que no subsetor da louça as exportações têm um peso de “cerca de 80% e no subsetor dos materiais de construção é de cerca de 50%”, afirmou o presidente da Apicer, José Luís Sequeira.

Entre 2008 e 2009, a cerâmica portuguesa, em especial a louça, sofreu “uma quebra muito forte, devido à concorrência desleal de produtores de cerâmica, sobretudo de países asiáticos”, notou o responsável.

No entanto, face à aplicação de medidas anti dumping na Europa, Portugal acabou por recuperar dessa quebra, registando-se um crescimento “sustentado” do setor nos últimos anos de “4 a 6% por ano”, frisou.

Com o setor da construção “bastante parado” em Portugal, “o recurso tem sido o mercado externo”, havendo empresas “que vendem praticamente tudo” para fora, constatou, sublinhando que a cerâmica portuguesa acaba por estar presente “em todos os continentes”, com a Europa a ser o principal mercado.

Todavia, o cariz marcadamente exportador deste setor leva também a algumas “dificuldades e condicionalismos”, sobretudo numa altura em que surgem cada vez mais vozes a defender economias mais protecionistas, disse à agência Lusa José Luís Sequeira, considerando que essa “onda” está a criar alguma instabilidade e dúvidas.

“Hoje, podemos fazer uma aposta muito forte num determinado mercado e corremos o risco de, dois anos depois, perder essa aposta, por razões de conjuntura política”, constatou o presidente da associação que representa um setor que tem nos Estados Unidos 9% das suas exportações.

Todas as restrições “que países possam fazer à entrada de produtos da Europa penalizam as nossas empresas e exportações”, frisou, defendendo que a diplomacia económica por parte do Governo “é importantíssima”.

Além disso, José Luís Sequeira defende um incentivo ao investimento na reabilitação e construção em Portugal, para garantir maior procura “do mercado interno”, bem como uma melhoria da legislação, que não está adequada “à realidade”.

O setor teve um volume de negócios de 1,025 mil milhões de euros em 2015 e emprega cerca de 16 mil trabalhadores.
A Apicer promove esta sexta-feira, em Coimbra, a conferência ‘Ceramics Portugal does it better’, que assinala os 20 anos da associação.

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