A distrital de Lisboa do PSD já estava decidida. Pedro Pinto era o único candidato e já se sabia que ia ganhar. E venceu, mantendo a estrutura sob a influência da tendência que se mantém ao lado de Pedro Passos Coelho, apesar de o Observador ainda não ter tido acesso aos resultados oficiais. Em todo o distrito, a única incógnita era a mesa de votações do concelho de Lisboa, que funcionou num hotel perto do Marquês de Pombal. A prova de força da família Gonçalves — que lidera uma das fações na guerrilha interna do PSD lisboeta — funcionou. A lista promovida por Rodrigo Gonçalves com Nuno Morais Sarmento à cabeça (e com Manuela Ferreira Leite a apoiar) venceu a votação para os delegados concelhios à Assembleia Distrital de militantes.

Na mesa de Lisboa, onde tudo se joga em termos políticos, votaram mais de 1440 militantes. Pedro Pinto venceu a votação para a Comissão Política, mas pouco. Segundo os resultados provisórios a que o Observador teve acesso, na mesa de Lisboa, Pedro Pinto obteve 702 votos, mas os brancos e nulos foram e maior número: 685 votos e brancos e 54 nulos.

A votação que tinha verdadeira importância política para o concelho era, porém, a que visava eleger os delegados escolhidos por Lisboa para a Assembleia Distrital de militantes. A lista encabeçada pelo ex-ministro Nuno Morais Sarmento e promovida pela fação de Rodrigo Gonçalves que controla o Núcelo Central (o PSD de Lisboa divide-se em três núcleos) venceu de forma clara a lista de Pedro Pinto liderada pela ex-vereadora Marina Ferreira. A lista L teve 801 votos contra 597 votos da Lista A, segundo os resultados provisórios a que o Observador teve acesso.

Este resultado tem dois tipos de leitura política: primeiro, no plano nacional, significa que as forças anti-Passos que se preparam para apoiar Rui Rio ou outro candidato da oposição interna têm mais força no concelho de Lisboa do que a linha oficial do partido; segundo, em termos locais, esta votação quer dizer que Rodrigo Gonçalves é o dirigente mais bem colocado para ganhar a concelhia de Lisboa, estrutura de que é presidente interino apesar de os restantes membros da comissão política o terem tentado destituir.

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Ao conseguir cerca de 200 votos de vantagem no concelho, Rodrigo Gonçalves consegue fazer a prova de força que desejava. Este dirigente é considerado um dos maiores caciques da capital, desde que chefiou a extinta Secção A, tendo em conta os métodos que sempre usou para captar militantes. Gonçalves obtém aqui uma vitória importante, uma vez que se queixa de tratamento desigual por parte das órgãos do partido. A distrital pôde ir a votos, mesmo contra uma recomendação do Conselho Nacional do partido para não haver disputas internas antes das autárquicas, enquanto a concelhia se mantém sem liderança efetiva desde que Mauro Xavier, o ex-líder se demitiu. Com este resultado, Rodrigo Gonçalves deu o sinal de que, quando houver eleições para a concelhia, as outras fações do PSD lisboeta têm de “cacicar” pelo menos mais 200 votos para lhe ganhar.

A rede da família Gonçalves: como se tornaram poderosos no PSD/Lisboa

A guerra interna do PSD em Lisboa passou em grande parte pela escolha da candidatura autárquica à capital e pela forma como o dossier foi gerido pela sede nacional e por Pedro Passos Coelho. Mas a crispação interna entre os sociais-democratas chegou ao rubro quando a distrital fez com que a concelhia vetasse todos os candidatos às juntas de Freguesia apresentados pelo Núcelo Central do PSD. E subiu ainda mais de tom, com acusações de “estalinismo” quando a Distrital vetou Daniel Gonçalves — pai de Rodrigo — como candidato à Junta de Freguesia das Avenidas Novas depois de uma investigação do Observador ter contado a forma como a família cresceu no PSD e a forma como eram geridas as adjudicações diretas a amigos e militantes. É o único dos cinco presidentes de junta do PSD que não se recandidata.