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Cerca de 55 farmacêuticos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra vão hoje entregar um pedido de escusa de responsabilidades face a uma sobrecarga do trabalho. Hélder Mota Filipe, a que se deve esta situação?
Esta situação deve-se a um acumular de falhas, quer a nível material, de equipamento, condições de trabalho, mas principalmente à falta de recursos humanos, de farmacêuticos hospitalares neste centro hospitalar de Coimbra. E eu gostava de sublinhar que este já é, em pouco tempo, o terceiro hospital do SNS onde os farmacêuticos hospitalares recorrem a esta decisão extrema de preencher uma declaração de escusa de responsabilidades.
E o que é que os farmacêuticos pedem, neste momento, ao governo?
O que os farmacêuticos pedem neste momento, e eu não sendo sindicato, apesar de tudo, a Ordem tem que ter esta preocupação de garantir que os profissionais reúnem as condições para poderem exercer adequadamente e servir adequadamente os doentes. Aquilo que os farmacêuticos pedem é que lhes seja dada a devida atenção e que sejam abertos concursos e possibilidade de reforçar os recursos humanos nos serviços farmacêuticos hospitalares. O que está a acontecer neste momento é que não é permitida a entrada de farmacêuticos e os farmacêuticos vão saindo, para outras opções profissionais, vão se reformando e, portanto, aquilo que já era um problema há anos e que vem sendo sublinhado pela Ordem dos Farmacêuticos, inclusivamente, vem se agudizando o resultado deste processo e da não reposição dos recursos humanos.
Os farmacêuticos dizem mesmo que estão sobrecarregados e que têm medo de cometer erros profissionais.
Esse é o problema e é o que faz com que recorram a esta situação tão extrema quanto a declaração de escusa de responsabilidades. Os farmacêuticos sentem que não estão reunidas as condições mínimas para exercerem de forma tecnicamente e cientificamente adequada a sua função, pondo em causa a segurança dos próprios doentes por falta de condições. E, portanto, gostava de sublinhar que nenhum profissional, e os farmacêuticos não são exceção, recorrem a este mecanismo de escusa de responsabilidades senão em situação extrema. Aliás, os farmacêuticos, durante toda a sua história e durante toda a história da Ordem dos Farmacêuticos, nunca tinham recorrido a este mecanismo e, portanto, permite ter uma noção da situação desesperada a que estão a chegar os serviços farmacêuticos hospitalares no SNS e nomeadamente neste hospital e noutros hospitais, porque este, infelizmente, já é o terceiro hospital a recorrer a este mecanismo.