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“Já não durmo há dois dias”, diz-nos João Filipe, 53 anos,  ao telefone. O motivo? A aproximação do concerto dos Rolling Stones, marcado para quinta-feira no Rock in Rio Lisboa. Para este fã do Entroncamento, cada um dos 14 concertos que já viu da banda britânica foi sempre um fenómeno. Venha daí o 15º.

Em 1977, o jovem João sentiu-se atraído por um vinil cuja capa tinha umas calças de ganga. “Aquilo fascinou-me”, conta sobre a primeira vez que viu o álbum “Sticky Fingers”, editado em 1971, ainda Portugal vivia sob ditadura. Contra todas as regras e ditados, João julgou o disco pela capa e não se arrepende. “Comecei logo a gostar”.

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O gosto transformou-se em paixão. À falta de um museu dos Rolling Stones em Portugal, temos a sala de 12 metros quadrados de sua casa, toda forrada a cortiça, onde estão expostos quase 100 discos de vinil da banda, entre todos os que foram editados em Portugal que João conseguiu apanhar até hoje, e ainda “alguns editados no estrangeiro”.

Mas não é tudo. “Tenho aqui todos os recortes de revistas e jornais que apanho. Recorto e colo em dossiês. Coisas com mais de 30 anos!”, explica com entusiasmo. Também há livros, posters, sacos e sofás com a língua de fora. Só t-shirts tem 78, o que lhe coloca um problema: qual é que vai vestir para o concerto de quinta-feira? “Ainda ontem me estava a queixar disso à minha mulher. Ainda não me consegui decidir, gosto delas todas!”.

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O concerto está marcado para as 23h45, mas o fã vai apanhar o comboio logo de manhã no Entroncamento, para chegar cedo à fila e tentar ser um dos primeiros a entrar, para alcançar a grade em frente ao palco. “Vai ser a loucura”.

Esta quinta-feira, João vai ver os Rolling Stones ao vivo pela 15ª vez, depois de, ao longo dos anos, já os ter seguido até Bilbao, Madrid ou Paris. “Para o concerto de Paris fui às sete da manhã e vim à noite, só para vê-los. É uma loucura, sim, mas quem gosta, gosta sempre”. Tanto que João já anda de olho nos bilhetes para o concerto que os Stones vão dar no Santiago Bernabéu, em Madrid, a 25 de junho.

Se pudesse escolher uma canção para ouvir, não hesita: “Sympathy for the Devil”. Quanto ao futuro da banda, cuja média de idades já anda nos 70, João já não tem tantas certezas. “Das duas uma: ou acabam quando um dos quatro morrer, ou ainda os hei-de ver em cadeira de rodas”.