Já tinha conseguido uma medalha numa edição, tinha também alcançado duas medalhas na mesma edição, nunca chegara a um total de três pódios – e a contar. Já depois dos bronzes de Maria Martins no scratch e de Miguel Salgueiro na corrida por pontos, Iúri Leitão teve uma exibição de exceção no omnium, conquistando o título como já tinha acontecido em 2023 e conferindo mais uma medalha à Seleção nos Mundiais de Xangai, primeira prova de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028. No entanto, ainda podia haver mais no quinto e último dia de competição que teria três competições com atletas nacionais.
Logo na primeira final do dia, Daniela Campos, que tinha terminado a prova de eliminação no 19.º lugar (o triunfo esperado foi para a belga Lotte Kopecky), entrou na corrida por pontos, acabando na 13.ª posição com zero pontos numa prova ganha pela irlandesa Lara Gillespie (42 pontos), à frente da dinamarquesa Amalie Dideriksen (37) e da belga Shari Bossuyt (35). De seguida entrou em ação Diogo Narciso, que ficara em 14.º na prova de scratch e que acabou agora no oitavo lugar na prova de eliminação, ganha pelo alemão Tim Torn Teutenberg frente ao dinamarquês Tobias Hansen com o belga Jules Hesters a acabar em terceiro.
Agora chegava a hora do regresso de Iúri Leitão, campeão mundial de omnium, regressar ao velódromo de Xangai, neste caso com Ivo Oliveira para a prova de madison, onde é também campeão olímpico depois do título conquistado em Paris-2024 com o irmão gémeo de Ivo, Rui. Presentes estavam ainda as palavras de Iúri Leitão na véspera, quando explicou a reação emocionada depois da vitória no omnium à luz da “semana mais dura da carreira”, o que deu outro relevo ainda ao triunfo… como daria agora a uma nova medalha.
“É necessário calcular tudo bem porque existe grande equilíbrio entre todos os ciclistas. A corrida foi muito renhida até ao fim. Por isso, penso que ter conseguido manter a calma foi a chave da vitória. Para ganhar temos de ser frios e jogar bem as cartas limitadas que temos ao nosso alcance. Reação emotiva? Foi uma das semanas mais duras que enfrentei na minha carreira. Foi muito stressante, enfrentámos muitos problemas, mas aqui estamos, uma semana depois, com o título. É um alívio retirar esta pressão toda de cima dos meus ombros e da minha equipa. Estamos muito orgulhosos e felizes”, comentara.
Apesar do início rápido de competição, a equipa nacional foi-se mantendo tranquila no grupo, com Itália, Alemanha e Bélgica a liderarem no início mas com poucos pontos distribuídos numa fase em que Portugal seguia com três pontos, fazendo de seguida o quarto para ficar com a Dinamarca na quarta posição. Ainda assim, esta era uma fase ainda muito precoce da competição, sem que ninguém quisesse assumir grandes riscos. Iúri Leitão marcou depois mais dois pontos, descendo à quinta posição mas com uma distância controlada dos transalpinos (11-6) antes do ataque conseguido dos Países Baixos para chegar aos 20 pontos extra. A meio da prova, chegava também o mode attack de Portugal, com Ivo Oliveira a começar a fazer o trabalho para Iúri Leitão chegar também à volta de avanço com todos os adversários a aumentarem o ritmo.
Os cinco pontos desse sprint foram confirmados, os cinco pontos do sprint seguinte também, os cinco pontos do sprint seguinte idem (o que deixava a equipa em segundo com 21 pontos, contra 27 dos Países Baixos), os 20 pontos ainda se mantinham como o grande objetivo, com Itália, Espanha e França a rodar na perseguição ao conjunto nacional até perceberem que não teriam fôlego para tanto. Portugal teve para dar e vender. E no culminar desse ataque talvez mais demorado do que pensado, subiram à liderança da prova com 41 pontos, mais 14 do que os neerlandeses e mais 25 do que os belgas. A cerca de 60 voltas do final, Iúri Leitão e Ivo Oliveira tinham sobretudo de controlar potenciais ataques em busca da volta de avanço, tendo em conta que o diluir de pontos por equipas nos sprints não colocava em causa a liderança. Foi isso que todos foram tentando com sucesso, com a Bélgica a passar para a frente com 44 pontos antes do ataque surpresa da Dinamarca que conseguiu dar duas voltas de avanço e passou para os 63 pontos, com Portugal com 41.
Iúri Leitão e Ivo Oliveira foram somando depois pontos nos sprints que se seguiram mas a Dinamarca fez prevalecer a sua estratégia, com mais uma volta de avanço que liquidou as aspirações de todas as equipas ainda poderem chegar ao ouro. No entanto, estava tudo em aberto nas restantes posições do pódio. Mais uma vez, a Seleção soube perceber da melhor forma o contexto em que se encontrava, continuando a somar pontos nos sprints para alargar a diferença e carimbar em definitivo a medalha de prata no madison que encerrou em grande a melhor participação de sempre em Campeonatos do Mundo de ciclismo de pista apesar do sentimento agridoce de poder ter feito ainda outra volta de avanço sem conseguir chegar ao topo. Assim, a Dinamarca fechou com 88 pontos, contra 67 de Portugal e 52 da Alemanha, que ficou com o bronze.