Imagine-se num dia de verão, em Portugal, com 30º C. A praia ou a esplanada vêm à mente. Agora acrescente-se 80 por cento de humidade e, pelo menos, uma hora e meia a jogar à bola, e têm-se as condições dos estádios no norte do Brasil que vão receber o Mundial de Futebol 2014. A temperatura, a humidade e a desidratação são preocupações das equipas pouco habituadas a climas tropicais. A FIFA (Federação Internacional de Futebol) recomenda, segundo o USA Today, pelo menos três dias de adaptação ao clima. Mas o ideal seriam 14 a 21.

Embora seja inverno no Brasil nesta altura do ano, em nada se compara à estação equivalente em Portugal. As temperaturas mínimas previstas rondarão os 20º C. Conhecendo as condições climatéricas, as autoridades brasileiras têm por hábito marcar os jogos para depois das 16h00 (hora local). Mas a FIFA, para que os jogos passassem em horário nobre na Europa, decidiu que 24 dos 64 seriam jogados às 13h00 (17 ou 18 horas em Portugal, consoante o fuso horário no local do jogo).

O grupo D, onde se inclui a Itália, disputará todos os jogos nos estádios mais a norte, começando em Manaus, em plena Amazónia. Para um treinador é importante perceber se os jogadores conseguem lidar com estas condições física e psicologicamente, por isso, o selecionador italiano Cesare Prandelli tem colocado os jogadores a correr na passadeira ou andar de bicicleta numa sauna a 33º C e 70 por cento de humidade.

Já a equipa inglesa tem corrido o mundo a tentar replicar as condições que encontrará no Brasil. Um dos locais escolhidos foi Portugal, com um treino à hora de maior calor e um teste com três camisolas diferentes, refere o Daily Star. Como cada jogador transpira de maneira distinta a quantidade e tipo de líquido para a hidratação terá de ser adaptada.

Para arrefecer, a melhor solução parece ser colocar as mãos em água gelada. Mas vestir um equipamento molhado ou mergulhar-se em água fria até à cintura também parecem dar resultado. Com o calor e humidade elevados o risco de desidratação aumenta, treinadores e profissionais de saúde terão de se manter atentos aos mínimos sinais de falta de hidratação, incentivando os jogadores a beberem água ou outras bebidas sempre que possível. À medida que o nível de desidratação aumenta, aumentam os riscos para a saúde, podendo mesmo levar à morte.

Níveis de desidratação – da sede à morte, segundo o Bleacher Report:
1% – capacidade pulmonar reduzida, sinais de sede
2% – a sede é acompanhada de falta de apetite e de resistência
3% – boca seca e desempenho comprometido
4% – aumento do esforço com desconforto permanente
5% – dificuldade em concentrar-se e em respirar, ritmo cardíaco elevado
6% – intensificação dos sintomas anteriores, dor de cabeça e perda de equilíbrio
8-9% – tonturas, muita dificuldade em respirar, fraqueza
10% – espasmos musculares involuntários, dilatação da língua
11% – exaustão pelo calor, delírio, acidente vascular cerebral, dificuldade em engolir, pode levar à morte

A transpiração excessiva e a desidratação podem descontrolar a quantidade de minerais no organismo. Com a perda de água, aumenta a concentração destes minerais (eletrólitos) no sangue, que os rins são obrigados a eliminar por considerarem excedentes. Porém, esses eletrólitos são essenciais para transmitir impulsos elétricos aos músculos, impulsos que os levam a contrair. A escassez de eletrólitos afeta o desempenho e pode levar à morte, refere o Bleacher Report.