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Alfredo Di Stéfano esteve à frente da equipa do Sporting Clube de Portugal durante a pré-temporada de 1974/1975. Don Alfredo, como o trata Mário Lino, antigo jogador e treinador dos leões, não fez mais porque não podia, “a equipa estava arrasada”.

Corria o verão de 1974. Di Stéfano tinha deixado a liderança do Valência Futebol Clube onde, contra as expetativas, três anos antes tinha conseguido vencer o campeonato espanhol. De férias em Benidorme acabou por se cruzar com o compatriota Hector Yazalde que o apresentou a João Rocha, então presidente dos leões. “Um homem simpático, educado e com muita conversa. De um dia para o outro, ele convidou-me para o Sporting e eu aceitei, pois estava sem clube”, dizia Di Stéfano, citado pelo jornal i.

O Sporting estava sem treinador, depois da saída de Mário Lino. “Saí na véspera da final da Taça de Portugal”, conta ao Observador. Foi o adjunto Osvaldo Silva que se sentou no dia seguinte no banco, quando o Sporting derrotou o Benfica. Saiu porque “as coisas como tinham sido planeadas não tinham como resultar”.

O contrato de Di Stéfano com o Sporting nunca chegou a sair das palavras para o papel, por isso também não recebeu nenhuma indemnização quando deixou Portugal, sem voltar a treinar em nenhum clube nessa época. A passagem rápida pelo clube leonino foi consequência dos fracos resultados alcançados – arrasados pelas equipas espanholas, a goleada pelo Cruzeiro de Belo Horizonte (6-0) no Brasil e a derrota no torneio de Faro.

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Antes de Don Alfredo, foi Mário Lino o treinador principal da equipa leonina durante duas épocas, conseguindo na segunda sagrar-se campeão nacional e levar a equipa às meias-finais da Taça das Taças. Mas este recusou-se continuar no comando da equipa. “Estava em desacordo total com a programação da época seguinte”, refere o treinador que enquanto adjunto da equipa principal teve de pegar várias vezes na equipa e fazer de “pronto socorro”.

“A equipa teve de prolongar a atividade no final da época”, critica Mário Lino. Sem ter direito a férias ou ao repouso necessário depois de uma época tão exigente a equipa viajou para os Estados Unidos, ainda com Osvaldo Silva a coordenar o plantél, onde teve de enfrentar o calor e a humidade. Nos vários torneiros e jogos amigáveis que se seguiram, já com Di Stéfano no Sporting, acumularam-se as lesões e as derrotas.

“O desgaste era tremendo.” Por isso Don Alfredo não conseguia que os jogadores dessem rendimento, estavam cansados e lesionados. Mesmo depois de trocar Di Stéfano por outro treinador, o Sporting não conseguiu fazer uma época à altura da anterior.

É com admiração que Mário Lino recorda Don Alfredo. “Estamos a falar do monstro do futebol mundial. Foi de todos jogadores o mais completo de sempre.” Além de já o admirar como jogador, passou a admirá-lo também como pessoa pela atitude que teve em Faro, durante o torneiro que sagrou vencedora a equipa do farense, na altura comandada por Mário Lino – Di Stéfano tinha recebido a faixa de campeão nacional pelo Sporting, mas entregou-a a Mário Lino o real campeão. “Define bem o carácter da pessoa.”

“Pela conversa que tive com ele [em Faro] mostrou-se desagradado com o que tinha encontrado”, refere Mário Lino. Alfredo Di Stéfano não teve tanto sucesso como treinador como enquanto foi jogador, mas nenhuma das experiências foi tão má como a passagem pelo Sporting.