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Este tem sido um ano especialmente fértil para Olga Roriz. No ano em que se comemoram os 300 anos do nascimento do compositor alemão Christoph Willibald Gluck, juntou-se à Companhia Nacional de Bailado e coreografou aquela que será a sua obra maior: Orfeu e Eurídice, em fevereiro, uma nova interpretação repleta de intensidade e emotividade, na qual o mito renasceu intemporal. Em março, a convite da Companhia Paulo Ribeiro, estreou Bits & Pieces, o reencontro de duas mulheres separadas há décadas no único lugar comum que as une: a dança.

Agora, é a vez de Terra, projeto que assinala o regresso a casa da coreógrafa. Este regresso faz-se com a sua própria companhia e com o seu elenco de cinco bailarinos e, juntos, partem à procura do sentido e do lugar do corpo, lentamente cobertos pela “Terra, um manto espesso e sólido permanentemente ativo”. A estreia deu-se sexta-feira no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém e durante dois dias foi possível assistir – ver e sentir – o novo projeto da coreógrafa.

Terra é mais do que uma simples dança, é uma reflexão sobre as ligações entre o corpo, o seu lugar e a terra. Essas ligações são sempre inconstantes, mutáveis como a própria natureza. Mas esta tem sempre algo de primordial, de ancestral. Trata-se de um regresso ao tribal, onde o humano é assimilado. O corpo procura o seu lugar e encontra-o – respirando e vivendo em comunhão com a Terra.

Para aqueles que perderam a estreia ou simplesmente gostariam de rever a peça, Terra irá voltar aos palcos no dia 13 de setembro em Almada, no Teatro Municipal Joaquim Benite.

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