A Bélgica e o Ruanda anunciaram na terça-feira o restabelecimento das relações diplomáticas, interrompidas em 2025, de acordo com um comunicado conjunto publicado à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
“Os dois países decidiram em conjunto, neste dia 22 de setembro de 2026, restabelecer as relações diplomáticas. Para o efeito, as respetivas embaixadas bilaterais serão reabertas em breve“, escreveram os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Bélgica e do Ruanda na nota.
A decisão surge na sequência de “uma série de encontros e contactos informais” realizados nos últimos meses entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, “durante os quais foi possível abordar, num espírito construtivo, vários pontos de divergência e de incompreensão”, acrescenta-se no texto, que agradece ao Qatar pela mediação no processo de reconciliação.
Bruxelas e Kigali reafirmam o compromisso com a “manutenção de um diálogo aberto, franco e transparente, cuja necessidade sublinham para resolver qualquer diferendo bilateral e discutir posições divergentes e desacordos que persistem sobre questões internacionais”, prossegue-se no comunicado.
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O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Ruanda acompanhou este anúncio com a publicação, na rede social X, de uma fotografia dos chefes da diplomacia da Bélgica, Maxime Prévot, e do Ruanda, Olivier Nduhungirehe.
Thank you Minister. We are also pleased by the resumption of our diplomatic relations, which should open a new era of constructive dialogue in a spirit of mutual respect.
On the conflict in eastern DRC, we believe that the respect of the territorial integrity of all countries… https://t.co/VLxVS7q2ZX
— Olivier J.P. Nduhungirehe (@onduhungirehe) September 22, 2026
O Ruanda rompeu em março de 2025 as relações diplomáticas com a Bélgica, acusando-a de tomar partido por Kinshasa no conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) e denunciando “tentativas lamentáveis” de Bruxelas de “manter ilusões neocoloniais”.
A Bélgica, antiga potência colonial tanto da República Democrática do Congo (antigo Zaire) como do Ruanda, foi um dos países mais críticos em relação a Kigali quando a rebelião do M23, apoiada pelo exército ruandês, lançou, em 2024, uma ofensiva no leste da República Democrática do Congo, que a levou, nomeadamente, a tomar as grandes cidades de Goma, capital do Kivu do Norte, e Bukavu, capital do Kivu do Sul.
Bruxelas solicitou na altura à União Europeia que considerasse a imposição de sanções contra o Ruanda, acusando o país de violar a soberania da RDCongo.