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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. O teu bom é um otimista.
É um otimista. É tão bom começar o dia com um otimista. O bom é o juiz do chamado processo secundário da Operação Marquês. Nós temos o processo principal e depois há um segundo processo que tem como arguidos exclusivamente o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o empresário e grande amigo Carlos Santos Silva. Um abraço daqui para o amigo. Eles respondem por três crimes de branqueamento de capitais. E o processo é só sobre isto. E o juiz deste caso anunciou ontem as datas para o julgamento. Vai haver sessões às segundas e às sextas, porque os outros dias estão ocupados com o processo principal e, segundo as contas do juiz, tudo vai ficar terminado em menos de sete meses. Em menos de sete meses. E isto é de uma inocência comovente. Eu tive que ir buscar uns Kleenex. Estava aqui a procurar a palavra, sem usar a marca, peço desculpa, não queria fazer publicidade. Fui buscar alguma coisa para limpar as lágrimas.
Uns lenços de papel.
Uns lenços de papel. Atenção, eu espero que o juiz tenha toda a razão, e por isso é que eu estou a pôr no bom, e acho que assim é que deve ser, mas eu suspeito que logo no primeiro dia vai haver problemas com advogados, com recursos e com as objeções do nosso rei do drama. Convém lembrar, já que estamos a falar sobre isto, que o advogado Pedro Delil, lembram-se dele? Renunciou à defesa de Sócrates no processo principal, dando início a este carrossel de advogados que ainda continua, mas Pedro Delil é ainda o advogado de Sócrates, para já, neste outro caso. Há aqui um outro ponto. É que no processo secundário, só para termos a informação completa, já houve três crimes de falsificação de documento que prescreveram. Três prescreveram, três mantêm-se. Vamos ver o que é que vai acontecer a partir de 19 de outubro. Mas não é comum um ator ter em cena duas peças ao mesmo tempo. Atenção, é verdade que houve um ator que ganhou agora nos Emmys, fez história, ganhou dois Emmys por duas séries diferentes. Em Portugal, se calhar vamos ter aqui concorrência. Dois julgamentos ao mesmo tempo, o mesmo ator, vamos ver.
E agenda cheia do ator. Segundas e sextas um processo, terças, quartas e quintas outro.
O público exige. E nós não podemos defraudar o público.
Quem é o teu mau?
É o Ministério da Saúde. O secretário de Estado da Gestão da Saúde esteve ontem a ser ouvido no Parlamento e anunciou com solenidade que o governo está muito preocupado com o tema do turismo do SNS, ou seja, com o número enorme de estrangeiros que vêm cá apenas para usarem os serviços do SNS e que depois se vão embora sem pagar. Não são imigrantes, sequer que estejam numa situação ilegal, não é nada disso. Vêm cá, vão ao SNS, tratam do que têm que tratar e vão-se embora. E então, como está muito preocupado com isto, o governo vai, atenção, porque ninguém brinca com este governo. O governo vai criar um grupo de trabalho. Vai criar um grupo de trabalho, tremam. Nos aeroportos já se está a notar menos gente a chegar, porque já perceberam que isto vai acabar. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, aliás, deve ser essa a notícia, já apresentou propostas concretas a diferentes hospitais para resolver isto. A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares também já explicou que medidas é que acha que podem resultar. O próprio PSD já apresentou projetos no Parlamento, mas agora, calma, isto também não é assim, vamos criar um grupo de trabalho. Toda a gente que conhece minimamente o Estado sabe que o truque básico é quando queres arrastar um problema, só precisas de criar um grupo de trabalho. Por isso eu diria que nós daqui a uns anos voltamos a falar.
Mas espera lá, um grupo de trabalho para analisar ou para decidir o quê? Como é que o hospital apresenta a conta a um utente? É isto?
Eu penso que é, imagino que seja primeiro para fazer uma radiografia completa da problemática que está subjacente.
Para depois ir à procura de uma solucionática, não é?
Depois a solucionática a dada altura. Eu imagino que seja necessário ouvir os players.
Certo, e os stakeholders todos.
E os stakeholders, exato. Para depois, de forma sustentada.
Olhar para a fileira toda.
Sim, há de ser isso.
Claro, parece-me bem. Mas isto é a reforma da saúde.
É, mas está feito.
Vai ser a reforma da saúde. Como apresentar a fatura a um utente.
Mas, Paulo, eu acho que está feito, não é preciso mais nada, acho que podemos ir à nossa vida. Está resolvido. Vamos ao próximo. Qual é o próximo problema que precisa de solução?
Mas sobre este ainda, eu acho que se fossem ali à Pensão Estorilinha, eles explicam como é que apresentam a conta aos clientes.
Paulo, está bem, mas tens que compreender que nós temos antes disso de salvar o SNS.
Ok, tens razão.
Isto não é só aqui agora a Pensão Estorilinha. Que eu não faço ideia do que seja, Paulo.
Eu também não.
Mas está tudo bem. Claro.
Mas soa bem.
Miguel, o teu vilão é o Chega
É o Chega que confunde tudo, cria confusões sobre tudo. Ontem o coordenador do Chega na Comissão de Orçamento da Assembleia, Eduardo Teixeira, deu uma entrevista à Rádio Observador, e muito bem, sobre a questão dos combustíveis. O Chega propõe a tão falada redução do IVA sobre os combustíveis e insiste em apresentar Espanha como um exemplo a seguir. Nisto o Chega é sanxista. Na entrevista, Eduardo Teixeira disse isto, eu vou citá-lo: "Espanha defendeu o seu povo e nós temos que defender o povo português e não podemos permitir que isto esteja nos níveis que está." Fiquei até um pouquinho sem fôlego. Mas quando lhe perguntaram pelo fato dessa medida ir contra as regras europeias, Eduardo Teixeira insurgiu-se e disse: "O IVA em Espanha sobre os combustíveis é diferente do de Portugal. Então expliquem-me. Expliquem por que é diferente em Espanha, por que é mais baixo do que em Portugal." Eu posso explicar. Espanha baixou o IVA dos combustíveis pra 10%, mas depois, em vez de defender o seu povo, pra usar a expressão do deputado do Chega, recuou rapidamente quando a União Europeia engrossou a voz e voltou a pôr o IVA à taxa normal. Portanto, Espanha recuou. O problema pra nós é que a taxa normal de IVA em Espanha é de 21%, mas em Portugal é de 23%. Mas não é só pros combustíveis, é pra tudo. Aliás, o próprio Eduardo Teixeira refere isso noutra parte da entrevista, portanto ele sabe muito bem. Ou seja, nós temos um problema de impostos altos em todo lado. Ainda ontem André Ventura, numa entrevista à CNN de Portugal, levantou uma caneca pra dizer como é que é possível pagar o preço desta caneca e ainda mais metade do preço em impostos. Portanto, nós temos problemas de impostos em todo lado. E isto acontece por quê? Por que isto acontece? Porque o Estado é um Estado monstruoso, que paga tudo a toda a gente e que tem de ser alimentado. Vamos dar um exemplo. Lembrei-me disto agora. Por exemplo, o Estado paga portagens aos automobilistas em várias autoestradas porque o Chega quis distribuir borlas pra ganhar uns votos. E então nós temos as tais autoestradas sem portagens. Se o Estado deixasse de pagar tantas coisas, se o Estado, por exemplo, deixasse de pagar portagens em autoestradas, se calhar nós podíamos baixar o IVA e outros impostos, baixávamos o IVA no combustível e em todos, porque nada nos impede, a União Europeia não nos impede de termos a taxa normal de IVA, em vez de ser 23%, ser 21 ou até mais baixo. Existe um valor mínimo que eu não sei. Paulo, não sei se te sabes de cor. Não sei se é 14, 15, assim uma coisa qualquer. Tem essa ideia. Mas enfim, poderia estar a 21, poderia estar a 20. Não está por quê? Porque o Estado precisa de dinheiro para cobrir, entre outras coisas, as despesas das iniciativas legislativas do Chega.
Pronto, depois da caneca tá feito o desenho.
Até vou beber aqui um pouquinho d'água no meu copo. Este não diz nada, mas é ótimo. Com licença.
Bebe.
Já está.
Até ouvimos o gol.
Isso aqui foi uma coisa um bocado dispensável, ouvirem isto.
Um bocado estranho.
Mas já estava a ficar com a garganta seca, foi preciso.
Olha, Miguel. Sim, acaba.
Vais me perguntar?
Ia te perguntar o que vais falar hoje.
Vou falar do Realpolitik.
Hoje é quarta.
Com o Sérgio Sousa Pinto, é quarta-feira.
O Paulo nem sabe que dia é e ainda se põe pra aqui a falar.
No meu calendário só tem um dia, que é quarta-feira por causa do Realpolitik.
Com certeza.
Também está a dar um gole d'água.
Sim, ele diz que é água. Hoje no Realpolitik vamos falar sobre qual é a melhor forma de combater o custo de vida. É a grande dúvida na cabeça de toda a gente. Vamos também falar um pouco sobre estes 10 anos de António Guterres à frente da ONU. Estamos agora nesta fase de abertura de ouvir muitos discursos nas Nações Unidas. Ele fez ontem o seu último discurso, tentar perceber como é que ele deixa a ONU. E ainda, se tivermos tempo, vamos à polêmica sobre o programa Volta para reciclagem de plásticos.
Tudo pra ouvir depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, ao vilão desta quarta-feira, o bom é o juiz do chamado processo secundário da Operação Marquês. O mau é o Ministério da Saúde e o vilão de hoje é o Chega. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos fica disponível em podcast.