O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Guiné Equatorial elogiou o forte investimento em escolas no país, mas a oposição contestou a falta de acesso ao ensino superior.

“Em termos de escolas primárias, este país tem um nível muitíssimo bom: 90 por cento das crianças chegam a registar-se no ensino primário, o que é impressionante se compararmos com outros países da região e de África”, disse à Lusa Brandão Có, antigo ministro da saúde da Guiné-Bissau que está há dez meses em Malabo, capital da Guiné Equatorial, país admitido esta semana como membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo o dirigente, os governantes “estão a investir nos professores e em material didático” e o país representa hoje uma “grande oportunidade no âmbito da educação”.

No entanto, a Unicef reconhece que existe um grande abandono escolar, muitas vezes devido ao custo do ensino.

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“Se considerarmos o que se paga de propinas não se pode dizer que não haja uma parcela de população que tem dificuldades, mas o que constatamos no geral é que o acesso à educação primária é muito elevada” pelo que agora é necessário “educar os pais sobre a importância da escola”, referiu.

Este otimismo não é partilhado pelos partidos da oposição. O líder do Centro para o Desenvolvimento Social (CPDS), que tem o único deputado da oposição do Parlamento, disse que as escolas não são suficientes e que quem sai mais prejudicado são os mais pobres.

“Não há escolas nem universidades”, acusou Andrés Eso Ondo, salientando que há “turmas com demasiados alunos para poucos professores”.

Por outro lado, o ensino superior público não tem condições: “A Universidade Nacional da Guiné Equatorial só o é de nome: não tem aulas, nem livros ou laboratórios”.

Jerónimo Ndong Mesi, secretário-geral da União Popular (um partido da oposição que teve um líder imposto pelo governo e recusado pelos militantes), concordou com as críticas e disse que o regime, liderado por Teodoro Obiang Nguema desde 1979, não tem interesse na educação.

“Os que têm dinheiro põem os filhos a estudar fora. Cá não interessa investir em educação”, acusou.

Segundo um estudante da universidade da Guiné Equatorial, a situação de tensão nas escolas está a aumentar. Na quinta-feira, “houve confrontos, carros destruídos e feridos” depois de a polícia ter carregado sobre um grupo de estudantes que se manifestavam contra o atraso do pagamento de bolsas.

“A situação está muito tensa”, confirmou Jerónimo Ndong Mesi.