A Ordem dos Enfermeiros (OE) alertou esta sexta-feira para o estado de exaustão em que se encontram estes profissionais e apelou ao ministro da Saúde para que reconheça a importância do cansaço na segurança e qualidade dos cuidados prestados.

A OE responsabiliza mesmo “os decisores políticos pelas consequências que podem advir para a qualidade e segurança dos cuidados de enfermagem se continuarem a ser ignorados os sinais de exaustão dos profissionais, ou se forem encarados sem a atenção que merecem, como tem acontecido até agora”.

Em comunicado, a Ordem afirma que os serviços de saúde portugueses “estão em clara rutura” pela falta de preocupação dos decisores políticos relativamente aos níveis de exaustão e insatisfação dos profissionais. Razão pela qual apela ao ministro da Saúde “para que reconheça a influência destes fatores na segurança e qualidade dos cuidados a que os cidadãos têm constitucionalmente direito, não os banalizando e confundindo com fatores económicos”.

A OE diz que algumas das consequências deste cansaço “não são visíveis a olho nu”, porque o sistema de classificação dos hospitais portugueses não diferencia serviços a trabalhar adequadamente de serviços com prestação insegura de cuidados. Lembra ainda um estudo publicado recentemente pela Universidade Católica, que identificou um nível de exaustão significativo nos enfermeiros portugueses, bem como uma enorme insatisfação com a progressão na carreira e com o seu nível salarial.

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Existem, para além disso, estudos que relacionam os níveis de exaustão dos enfermeiros com resultados adversos para os doentes, identificando maiores riscos de erro, quase-erro ou resultados aquém do esperado.

Os turnos longos (por falta de enfermeiros nas instituições), o elevado número de doentes por enfermeiro, e o trabalho noturno e por turnos estão entre as principais razões apontadas para este estado de exaustão dos enfermeiros.