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As notícias com Teresa Freire.

Boa noite. Começamos com o tema dos combustíveis. Iniciativa Liberal, PCP e CDS deixam críticas ao governo. Marina Leitão defende que o governo tem a obrigação moral de descer o ISP. Em declarações aos jornalistas, a líder da IL afirma que os portugueses estão a ser afetados todos os dias pelo aumento do preço dos combustíveis e diz que o executivo está moralmente obrigado a ajudar as pessoas através da redução do imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos.

O governo legalmente não é obrigado, moralmente é obrigado. As pessoas estão a passar mal, as pessoas estão com dificuldades. Várias pessoas, famílias, são profundamente afetadas por isto. Não é só o custo da gasolina, é o custo depois em tudo o resto, pelo impacto que esse aumento do custo dos combustíveis tem. Portanto, moralmente, o governo devia pôr a mão na consciência e fazer a sua parte. E a sua parte é, uma vez na vida, em vez de virem com o argumento "não estamos a faturar", poder dizer, uma vez que seja: "estamos verdadeiramente a ajudar as pessoas".

A líder dos liberais, em declarações aos jornalistas em Lisboa, revelou ainda que o partido enviou na quinta-feira perguntas à ministra do Ambiente para perceber qual a situação das reservas energéticas de Portugal e critica ainda a atitude que diz ser paternalista por parte do governo ao pedir aos portugueses que poupem nos combustíveis. Já o PCP quer mais esclarecimentos sobre as reservas de combustível do Estado e critica aquilo que apelida com política da porcelana. Em causa está a mobilização de parte das reservas energéticas nacionais de combustível para França. A ministra do Ambiente explicou esta semana que Portugal foi obrigado a enviar uma parte das reservas para fora do país por falta de capacidade de armazenamento. Em reação, Paulo Raimundo questiona a justificação dada pelo governo e pergunta o que o executivo tenciona fazer.

Perante essa possibilidade, perante essa justificação que levou a todo esse processo, o que nós estamos hoje, qual é a situação com a qual estamos confrontados? É uma multinacional, neste caso espanhola, poder vir a ficar com a única refinaria que o país tem, que é a refinaria de Sines. E o governo sobre isso não diz nada? O PS sobre isso não diz nada? Estão preocupados com a reserva estratégica e não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, não poder refinar?

Palavras de Paulo Raimundo, que avança ainda que submeteu esta sexta-feira no Parlamento uma pergunta dirigida ao governo. Em declarações em Loures, o dirigente comunista aproveitou também para apontar o dedo ao que chama de partidos da política de porcelana, por não quererem taxar lucros extraordinários. O deputado do CDS, João Almeida, discorda em absoluto dos apelos do governo à diminuição do consumo dos combustíveis. Em causa, as declarações do ministro da Economia e da ministra do Ambiente, que pediram aos portugueses para consumirem menos energia. Em declarações à RTP Notícias, o deputado do CDS, João Almeida, diz que existem muitas pessoas que não têm alternativa e que não têm capacidade de reduzir os consumos.

Eu devo dizer que discordo em absoluto dessas declarações dos dois ministros. Discordo em absoluto e acho que é a pior coisa que se pode dizer às pessoas neste momento. Do ponto de vista da sensibilidade política, não foram minimamente acertadas e também não reconheço às declarações uma consequência evidente que fosse positiva, porque há muita gente que não tem alternativa de transporte público, por exemplo, para levar os seus filhos à escola, para levar os seus idosos a tratamentos.

Declarações do deputado do CDS, João Almeida, à RTP Notícias, que diz que as recomendações dos ministros não foram acertadas. Entre as 07h30 e a 13h00 desta sexta-feira, centenas de camionistas saíram à rua numa marcha lenta de protesto contra o aumento dos combustíveis. A viagem entre Paredes e Coimbra foi acompanhada dentro dos camiões pelo jornalista Miguel Pinheiro Correia, que dá conta das principais reivindicações dos transportadores do setor de construção.

A buzina foi a arma mais audível durante longos e lentos 140 km, os camionistas fizeram-se ouvir. A marcha lenta de Paredes a Coimbra foi a resposta à velocidade adequada a uma subida rápida dos preços dos combustíveis.

Setor para setor vai tendo benefícios e nós ficamos sempre para trás. Setor das terraplanagens, transportes, extração de inerte, está na hora de alguém nos ouvir e se virar para nós.

Fora dos camiões, os responsáveis pelo protesto e pelo setor disseram-se esquecidos.

Estamos um pouco esquecidos. No que diz respeito a benefícios com combustível, estamos completamente esquecidos.

Já em plena A42, A41 e A1, os camionistas deram o corpo pelo protesto.

Profissão um pouco esquecida. Acho que é uma profissão de alto risco e não é considerada, porque nós passamos mesmo muitas horas ao volante e podíamos ser mais valorizados nesse aspeto.

Fizeram-se ao asfalto nos camiões, como habitual, mas desta vez seguiram sem carga. Em plena autoestrada, levavam apenas a indignação por um setor que se diz conduzido pelas ruas da amargura.

Neste momento, as empresas de transporte estão em queda livre. Desde o início do ano, é comunicado que fecham cerca de 10 empresas por mês com estas subidas de combustível.

A meio da viagem, tiveram tempo de ouvir o ministro das Infraestruturas a reconhecer que o setor tem sido esquecido pelos sucessivos governos. Nada que não soubessem, mas a verdadeira boa notícia chegou depois.

Conseguimos certamente ser recebidos pelo governo. Isso já é um sinal.

Enquanto os organizadores cantam vitória pela mobilização de cerca de 400 camionistas e pelo encontro agendado para a próxima semana com o governo, os condutores apontam a protestos menos pacíficos.

Nós somos ignorados sempre com sucesso, até ao dia em que os transportadores se juntarem todos, que é o que está próximo a acontecer. Eu acho que nós até devíamos ser mais agressivos

Temos uma faixa a funcionar, nós não devíamos era ter nenhuma, que era para o país sentir que sem nós o país não anda, que é mesmo assim.

Segunda-feira a marcha tem nova paragem com reunião com o ministro. Resta saber se o governo vai acelerar o ritmo para responder aos condutores impacientes.

Reportagem do Miguel Pinheiro Correia nas autoestradas que ligam Paredes a Coimbra, num dia em que os responsáveis pelo setor receberam a garantia de que se vão reunir com o governo na próxima semana. A Federação Nacional dos Professores admite que vai avançar com uma queixa contra o Ministro da Educação. A FENPROF alega que Fernando Alexandre teve declarações insultuosas para com a estrutura sindical, depois do ministro os ter acusado de tudo terem feito para que o processo da classificação digital dos exames nacionais corresse mal. Contactado pela Agência Lusa, o secretário-geral da FENPROF, Francisco Gonçalves, disse que vão avançar com uma queixa formal.

Nós, naturalmente, entendemos que isso que o ministro afirmou é insultuoso e que merece, eventualmente, a apresentação de uma queixa formal, porque é importante sublinhar o seguinte: nós, FENPROF, nunca, ao longo dos últimos anos, apresentámos qualquer exigência do pagamento do serviço de exames. É mentira, é apenas sinal que o ministro não lê os ofícios que nós enviamos, porque há anos que a FENPROF exige, existindo exames, exige o pagamento desse serviço que é feito pelos professores.

Francisco Gonçalves, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, em reação às palavras do ministro da Educação. Mário Centeno diz que não tenciona ser candidato a primeiro-ministro, nem a concorrer à liderança do PS neste momento. Garantia deixada pelo ex-ministro das Finanças de António Costa e antigo governador do Banco de Portugal na apresentação do livro "Contas Certas", uma apresentação que, Martim Madeira, contou com várias figuras do Partido Socialista.

Mário Centeno apresentou o livro Contas Certas com a coautoria do jornalista Filipe Santos Costa. Uma apresentação que contou com grandes nomes da história do PS. António Costa e o atual secretário-geral do partido marcaram presença e momentos antes do evento, questionados sobre uma possibilidade de Centeno poder vir a ser um concorrente na liderança do PS, Mário Centeno e José Luís Carneiro tiveram uma interação, no mínimo, constrangedora.

Vou ter aqui um concorrente.

Um concorrente para quê?

Não sei. Você é que sabe.

Não, não, não.

Está lá um cartão de Mário Centeno aceitar.

Isso é um assunto que diz respeito a Mário. Até já.

Uma questão sobre um cartão militante, que fica a cargo agora do ex-ministro das Finanças. Já no final do evento, Centeno explica que o livro é apenas uma visão sobre o caminho do país.

O meu papel neste momento é tão só, e se calhar já não é pouco, o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país fez.

O ex-governante do Banco de Portugal utiliza ainda uma analogia de uma mesa de três pernas como uma obrigação de os governos darem estabilidade a Portugal.

É obrigação de quem está e quem vive o ciclo político em cada momento, criar essas mesas de três pernas, que a cada momento permite fazer o país avançar. Não vai ser entregue pelo IKEA, nem vêm as instruções de montagem. É preciso construí-las.

Já sobre vir a ser primeiro-ministro, Centeno recusa.

Não gostava nada de ser primeiro-ministro.

Ainda sobre uma comparação, sobre ser o novo Passos Coelho da esquerda, Mário Centeno diz que é uma comparação sem qualquer cabimento.

Essa comparação é despropositada, porque o nosso passado é completamente diferente e não há nenhuma comparação possível, mesmo entre uma situação e a outra.

O livro Contas Certas, de Mário Centeno, uns bastidores da vida do ministro, que no final até tem direito a uma playlist com a primeira música a ser de Amália e que Centeno diz ter dedicado ao secretário de Estado do Orçamento em 2016.

O jornalista Martim Madeira, que acompanhou a apresentação do novo livro de Mário Centeno. Na atualidade internacional, o Irão propôs um plano para reabrir o Estreito de Hormuz em sete dias e diz que a decisão está agora nas mãos dos Estados Unidos. Informação avançada pelo ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros aos jornalistas, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o responsável confirma que o plano entra em vigor assim que Washington o aceitar e acrescenta que se as condições necessárias forem cumpridas, o estreito poderá ser reaberto e a passagem marítima normal restabelecida. Mas avisa ainda assim que o Irão não aceita coação, ameaças ou intimidação e não abdicará dos seus direitos soberanos sob pressão. Notícia de veste nesta edição das 14h, informação está de regresso às 14h30.