Durante muitos anos a pequena aldeia de Er-Riah, no centro da ilha tunisina de Djerba, passou despercebida. Apesar de Djerba, a “ilha dos sonhos”, ser um destino turístico popular, Er-Riah estava longe de ser um local turístico. A aldeia é conhecida por albergar a mais antiga sinagoga africana, La Ghriba, mas pouco mais do que isso.

Mas tudo mudou quando Medhi Ben Cheikh, um franco-tunisino residente em Paris, viu em Er-Riah uma tela em branco. Ben Cheikh tem dedicado os últimos 10 anos da sua vida a desenvolver uma organização dedicada à street art. A sua galeria na capital francesa, a Galerie Itinerrance, foi responsável pela organização de várias instalações ambiciosas, como a Tour Paris 13, um projeto no qual 100 artistas do mundo inteiro pintaram um prédio abandonado de 10 andares que ia ser demolido. O Tour Paris 2013, a maior exposição coletiva da Europa, recebeu mais de 25 mil visitas durante o único mês em que esteve acessível ao público.

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Medhi Ben Cheikh em Er-Riadh.

Mas em Djerba a exposição será permanente. Foi ai que Ben Cheiki decidiu desenvolver o seu mais recente projeto, Djerbahood, onde artistas vindos dos quatro cantos do mundo dão vida às paredes desinteressantes de Er-Riah. “É como outro museu qualquer, com peças de arte e itinerários que as pessoas podem seguir, mas continua fiel à verdadeira natureza do graffiti porque está constantemente a evoluir, é ao ar livre e grátis”, disse Ben Cheikh ao site da internet ozy.com.

O projeto começou em julho e até agora já atraiu mais de uma centena de artistas de street art. Cada um, à sua maneira, deixou a sua marca nas paredes da aldeia: o argentino JAZ cobriu as paredes com soldados otomanos, o mexicano Curiot desenhou coloridas criaturas míticas e o norte-americano Swoon criou um gigantesco mural de uma mulher com o seu filho. Outros artistas como o francês Bom.K ou os tunisinos InkMan, eL Seed e Shoof, responderam também à chamada.

O projeto gerou alguma controvérsia no início, mas entretanto os habitantes locais já se habituaram a este vai e vem de artistas. “Não tivemos problemas com os habitantes, muito pelo contrário”, disse Ben Cheikh à ozzy.com. “Penso que os estamos a ajudar a valorizar a sua própria cidade. Às vezes é preciso que alguém de fora te ajude a perceber quão bonita é a tua casa”.

O organizador espera continuar a atrair artistas de todo o mundo e a fazer com que a exposição continue a crescer. Está também a trabalhar no sentido de criar condições para que os murais sejam também visíveis durante a noite, através da montagem de pequenos focos de luz. A “abertura” oficial da exposição será no dia 20 de setembro, mas os mais curiosos podem visitá-la em qualquer altura. Afinal de contas, o objetivo da street art é exatamente esse: ser acessível em qualquer altura e a qualquer pessoa. E grátis.