António José Seguro disse, em Condeixa-a-Nova, que está determinado em levar por diante a sua proposta de alterar o sistema eleitoral português e reduzir o número de deputados, separando também a política dos negócios. “É possível e desejável reduzir o número de deputados, mantendo a proporcionalidade como está prevista na Constituição, e, sobretudo, é absolutamente urgente adotar medidas que separem a política dos negócios”, defendeu o candidato socialista, no final de uma visita a uma empresa exportadora de produtos em cerâmica.

Confrontado pelos jornalistas com as críticas do opositor António Costa, que o acusou de “impulso populista”, o atual secretário-geral do PS disse já estar à “espera que haja pessoas que resistam e não queiram que, absolutamente, nada mude”. “É o sistema a funcionar. Cada vez que há uma mudança, há sempre alguém do sistema a impedir que essa mudança se concretize”, sublinhou o socialista, garantindo que “está determinado” e vai “em frente”.

Para António José Seguro, “quem quer que tudo continue na mesma, que nada mude, está contra as propostas que apresento, quem quer mudar o sistema, que os portugueses possam escolher o seu deputado, quem quer que exista uma fronteira nítida entre a política e negócios”, não se opõem às suas propostas.

O candidato socialista às eleições primárias de 28 de setembro defendeu que “os deputados, incluindo os advogados, devem ser obrigados a dizer quem são os seus clientes, de onde recebem o dinheiro, e quais são as suas listas de avenças”. “Considero que quem trabalha em processos de privatização ou concessão para o Estado não pode depois trabalhar nas empresas vencedoras. Entendo que os deputados não podem ser árbitros, peritos ou consultores contra ou a favor do Estado, devendo haver uma clara separação entre política e negócios”, sublinhou.

António Costa acusou quarta-feira à noite a direção do partido de “ceder ao impulso populista” da reforma das leis eleitorais em vez de apostar no relançamento da economia. Num jantar com militantes em Cascais, o atual presidente da Câmara de Lisboa afirmou-se “chocado em verificar que, perante a situação de descalabro social que o país vive” e da falência “do Governo na gestão da economia e das finanças públicas”, a direção do PS tenha decido “ceder ao impulso populista de reformas de leis eleitorais, a um ano de eleições para a Assembleia da República”.

António Costa acusou a direção liderada por António José Seguro de ter deixado passar dois anos para apresentar uma proposta de revisão das leis eleitorais e só agora vir propor a redução de 230 deputados para 181, em vez do que os portugueses esperam do PS: “Relançar a economia e voltar a ter uma estratégia de crescimento e emprego em Portugal”.

O secretário-geral do PS convocou para o próximo dia 30, dois dias após as eleições primárias socialistas, a reunião da Comissão Política para discutir a reforma do sistema político, disse à agência Lusa fonte oficial da direção.

As eleições primárias no PS – que visam escolher o candidato do partido a primeiro-ministro – realizam-se no dia 28 de setembro e serão disputadas entre António José Seguro, atual secretário-geral do PS, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.