Uma fenda ou racha. Tudo começou assim. Com Talisca — sim, o significado do seu nome é este. José Mourinho elogiou-o, disse coisas boas sobre o brasileiro do Benfica e até frisou que, caso “tivesse licença de trabalho, já estava em Inglaterra”. Jorge Jesus, que o mandou vir do Brasil, respondeu que os clubes ingleses “conheciam tanto o Talisca como [ele] o D’Artagnan”. O ping-pong não parou e o português do Chelsea ripostou: “não leio Dumas. Procuro educar-me para um dia não ser acusado de andar a agredir a pobre da gramática.” E parou por aqui.

Porque Jorge Jesus, pelos vistos, assim o quis. “Para mim, as coisas acabam aqui. Não quero polémicas”, sublinhou o treinador, esta sexta-feira, numa conferência de imprensa que servia de antevisão à partida frente ao Moreirense — no domingo, às 17h –, mas arrancou com perguntas sobre José Mourinho. E o treinador do Benfica não fugiu delas.

“Você é que tem de me fazer a pergunta!”, reagiu, quando um jornalista lhe propôs o tema. Depois, questionado sobre se tinha ficado incomodado com as declarações do técnico do Chelsea, respondeu que não. “O pai do Zé [Félix Mourinho] já fez parte da minha equipa técnica, portanto, tenho uma boa relação com ele”, realçou, antes de revelar que “não” gostou da “polémica entre ele e o Ronaldo, dois portugueses”, na altura em que coincidiram no Real Madrid, entre 2010 e 2013.

Já sobre Talisca, o técnico dos encarnados manteve as palavras que já dissera há dias. “Volto a dizer que eles, os clubes ingleses, para mim, conheciam tanto o Talisca como eu conhecia o D’Artagnan. E porquê? Pois normalmente as equipas inglesas, quando vão contratar, contratam o produto final: que vale 30 ou 50 milhões”, explicou, lembrando depois que os jogadores “têm de ser internacionais” — aludindo aos vistos de trabalho que cada futebolista estrangeiro tem de obter para jogar em Inglaterra.

Após Jesus referir D’Artagnan para responder às primeiras declarações de José Mourinho, o homem do leme do Chelsea, em entrevista à TVI, respondeu que lhe parecia que o técnico do Benfica “anda a ler Alexandre Dumas” — autor da obra ‘Os Três Mosqueteiros’. “E admiro-o por isso. “Eu limito-me à minha identidade, não leio Dumas. Tenho uma vida diferente, procuro educar-me para exatamente um dia não ser acusado de andar aos pontapés, a agredir a pobre da gramática”, argumentou.

Mourinho diria ainda que “simplesmente” não gostou “que um colega de profissão duvidasse das [suas] palavras”. Mas “tudo bem”, sublinhou, antes de desejar que Jesus “seja feliz e que tenha muita sorte”. Esta sexta-feira, o treinador do Benfica enalteceu o “muito orgulho” que tem pela sua carreira como treinador. “Sei sempre pensar pela minha cabeça, com a intenção de fazer as coisas que sabia que era capaz de fazer”, concluiu.